League of Legends: As Crônicas de Valoran
18 Capítulo 17: Ashe
Capítulo 17:
Ashe Frozenheart – Rakelstake – Vila dos Praeglacius
O caminho para Rakelstake não era, deveras, tão longe. A cavalo só demorava metade de um dia, e mesmo com vários perigos como selvagens, lobos gigantes, e outras coisas, Ashe tinha a guarda dos bárbaros, que os seguiam fielmente com a presença de Tryndamere.
A relação dos dois, mesmo sendo somente política, estava às mil maravilhas. Trynda, mesmo sendo um bárbaro e forte, era um bom homem e bastante calmo quando queria. De vez em quando até brincava com Nunu e seu yeti, que por incrível que pareça, gostava dele. Willump não era do tipo que gostava de qualquer um.
O vento frio estava voltando, mas enquanto isso, ainda se podia sentir o clima quente do verão esquentando o coração de todos. Ashe podia sentir isso: a volta do inverno. Não queria armar uma guerra em cima dele, mas sabia que os bárbaros eram fortes o suficiente para encarar a neve e o frio sem temer nada. Agora, seus avarosianos não tinham essa força de encarar a nevasca sem sentirem nada. Ela tinha que conseguir armaduras quentes o suficiente, e os conseguiria com Lissandra.
Cavalgava em seu cavalo branco à frente de todos, como toda rainha. Usava um belo vestido azul de seda, e seus longos cabelos brancos esvoaçavam com o vento que chegava.
Tryndamere cavalgava ao seu lado, montado em garanhão negro, o seu favorito, enquanto mais atrás vinham Thaynam, Nunu, montado em seu yeti, e a sua guarda avarosiana misturada com a os bárbaros.
– É lindo – disse Tryndamere ao ver o vale de Rakelstake. Haviam vários pinheiros, montes cobertos de neve, um encantador sol ao horizonte. Ele já vira muito daquilo no norte de Freljord, mas nunca vira algo tão incrível.
Ashe sorriu.
– Eu sabia que na primeira vez na qual você viesse, iria adorar. A visão de Rakelstake é linda por demais.
– Me traz lembranças de quando eu era menor – comentou Nunu. Willump fez um som que pareceu algo como um sim, só que na língua dos yeti.
Trynda se virou para o garoto.
– Já morou aqui, garoto?
– Há muito tempo atrás. Lembro-me ainda de quando fui expulso daqui por ter muito amor ao meu yeti – fez um carinho no yeti –, não é mesmo, Willump? – o yeti respondeu com um humph-humph!
Tryndamere bufou.
– Como eles podem ter expulsado um garoto tão forte como você?
Nunu riu.
– Eu? Forte?
– Para se domar um yeti e fazê-lo o amar, você tem que ser forte.
Ashe sorriu para o marido, agradecida.
– Estamos quase chegando – ela disse. – Logo nós iremos nos encontrar com a Princesa Lissandra.
– Eu não gosto dela – disse Nunu.
Ashe se virou para ele, franzindo a sobrancelha.
– Por que não gosta dela?
– Ah – respondeu –, ela me olhou da mesma forma que Mauvole me olhou quando me mandou embora da vila, a deriva. Era quase como se fossem a mesma pessoa.
– Que isso, Nunu.
– As duas são mãe e filha, Nunu – disse Trynda. – Não me é estranho que as duas sejam parecidas.
Nunu suspirou.
– Deixa pra lá. Foi só impressão minha, acho.
– Pois é, Nunu – disse ela. – Não quero ver você ficar de cara feia para Lissandra. Tê-la como aliada é ter mais uma força de defesa contra Sejuani, e você sabe como ela é, não sabe?
O garotinho fez uma cara de quem entendeu.
– Mas se você não pretende fazer guerra, vai deixar que Sejuani faça?
– Não haverá guerra, Nunu – repreendeu. Ela fez uma pausa. – Eu espero que não.
Foi quando entraram numa estrada curta até a entrada do vilarejo que um grande troll pulou do mato, com um grande pedaço de Gelo em mãos e golpeou as pernas do cavalo de Ashe fazendo-a cair. Tryndamere gritou e pulou do cavalo para ajudar a sua esposa, enquanto vários outros trolls apareceram com pedaços de Gelo em mãos, atacando todos ao redor.
– Ataque-os! – Tryndamere gritou, e então todos os bárbaros pularam de seus cavalos, pegando suas espadas e atacando os grandes trolls. Eles eram azuis e tinham uma pelugem ruiva. Trynda levou Ashe até perto de uma pedra, onde a colocou. – Você está bem?
– Estou – respondeu ela. – Me dê o meu arco, agora – Tryndamere pegou o arco de Gelo de Avarosa e deu à Ashe, junto de sua aljava de flechas.
Ao redor, os bárbaros lutavam ferozmente contra os trolls, com espadas e machados. Os trolls eram feios, porém, fortes.
Nunu e Willump estavam lutando contra dois, para provar a força de um yeti. O garotinho estava completamente protegido nas costas do yeti, e conseguia dar os comandos de luta a ele, que obedecia. Willump socou um yeti, mordeu outro, roubou sua arma e o espancou com ela. O outro troll tentou atacar Nunu nas costas, mas Willump se virou rapidamente e cortou sua garganta com uma lasca de Gelo.
De outro lado, Ashe pegava flechas em sua aljava, mirava, e atirava. Uma flecha, um abate. Ela não perdeu tempo olhando para ver se acertara no troll que quase matara um de seus avarosianos, pois já estava mirando em outro, e em outro, e em outro. Só ouvia os grunhidos do troll ao ser derrubado por sua flecha, que penetrava em pontos fatais, que sangravam em um sangue azul-ciano, típico dos trolls.
Os trolls eram uma praga: não usava armadura, só trapos e roupas que pareciam armaduras, mas tinham um corpo duro e resistente, capaz de repelir flechas se atiradas em locais errados, e causar dano a eles era difícil. Suas armas de Gelo eram pequenas espadas, punhais, lanças com pontas congeladas, clavas e malhos. À frente de Tryndamere vinha um troll com uma coroa de Gelo, cabelos vermelhos, e uma roupa bastante civilizada. Ele carregava uma enorme clava de Gelo e ria como um doido.
– Você não pode derrotar o Rei dos Trolls, bárbaro estúpido! – gritou ele, numa voz asquerosa.
Tryndamere bateu rapidamente com sua espada em sua clava congelada, com uma fúria incessante.
O troll realmente forte; Ashe atirou uma flecha nele, mas o troll, ao mesmo tempo que se defendeu do ataque de Trynda, se defendeu da flecha de Ashe. Droga, pensou Ashe. Mirou em um troll que lutava contra um de seus avarosianos, atirou e ele caiu no chão, sangrando um sangue azul. Ashe caiu no chão quando um troll a golpeou nas costas com uma clava igual à do rei troll.
– Ashe! – Tryndamere gritou. Avançou em cima do troll que a golpeara, e, com um golpe, cortou sua cabeça. Agarrou a esposa, e a ajudou a se levantar.
Ao redor, os bárbaros e os avarosianos conseguiram matar muitos trolls, porém, mais deles chegavam, atirando lanças, e alguns até atiravam com flechas. Ashe se irou ao ver um deles usar uma réplica de seu arco, o arco que recebera de Avarosa. Ela ignorou a dor em suas costas que lhe assolavam; armou-se, mirou, atirou, e só viu o troll cair para trás, voltando ao arbusto do qual saíra, com uma flecha enfiada em seu pescoço, sangrando azul.
Ela ouviu os grunhidos de Willump, enquanto lutava contra alguns trolls, o som de metal batendo em Gelo. Thaynam também era um arqueiro notável, e por mais que suas flechas não abatessem os trolls rapidamente, ele conseguia retardá-los. Um bárbaro da família de Tryndamere cortou um troll da barriga até a mandíbula, logo se virou para encarar outro, cortando sua mão, e outro, e mais outro. Ele fincou a espada na cabeça de um troll, mas logo após fora golpeado por uma lança no peito. Tryndamere gritou e foi até seu encontro, assassinando o lanceiro que o machucara. Aproveitando a situação, o Rei dos Trolls saltou em cima do Rei Bárbaro, golpeando-o nas costas. Ashe mirou em seu pescoço, mas um troll golpeou seu arco, fazendo-o cair no chão, longe dela.
– Ashe! – uma flecha se projetou no peito do troll que quase a golpeara. Seu peito era forte demais para um troll qualquer, por isso, a flecha não o matara, mas o retardou. Ashe olhou para trás e viu que quem havia a salvado fora seu tio, Thaynam. O troll continuou ao seu encalço, parecendo um gigante com um Malho Congelado em mãos. Ergueu o malho; ela, ainda no chão, rolou para o lado, esquivando-se de seu golpe. Novamente Thaynam acertara uma flecha em seu peito, fazendo-o cambalear para trás. Um avarosiano apareceu subitamente e fincou uma lança no peito do troll. O homem sorriu, pensando que matara o troll, mas foi quando o imenso monstro esmagou seu rosto contra a parede com seu pesado malho, quebrando seu crânio e ensanguentando tudo ao redor. Ashe gritou.
Willump pulara em cima do grande troll, e, com uma mordida, arrancou um pedaço de músculo de seu pescoço, e depois, quebrou o pescoço dele. Nunu foi até Ashe, ajudando-a a levantar.
– Isso está um caos – disse o garotinho. – Me desculpe por não tê-la ajudado antes, minha rainha. Que bom que teve mais sorte que esse aí – e apontou para o avarosiano do crânio esmagado.
Ashe pegou seu arco e atirou no Rei dos Trolls, que lutava ferozmente com Tryndamere, mas não pareceu surtir muito efeito.
– Esse troll é o pior – admitiu. – Por isso se intitula o rei.
– Na verdade – disse Nunu. – Ele é mesmo o Rei dos Trolls. Se chama Trundle, e aterrorizava Rakelstake já há muito tempo.
Trundle batera com sua grande maça no rosto de Trynda, fazendo-o cambalear para o lado. Ashe correu até um corpo morto de um troll morto por ela, arrancou a flecha que enfiara nele, armou-se, mirou, e atirou nas costas de Trundle, que urrou de dor. Dois trolls seguraram Trynda, e então, o rei correu até Ashe em três de suas patas, segurando a maça em sua mão direita. Antes que ele pudesse brandir sua arma contra a rainha de Freljord, Willump pulou em cima dele, e os dois rolaram pelo chão. O yeti o socou duas vezes, até que o troll revidou, empurrando-o com os dois pés; ele caiu para trás. Trundle se levantou, pegou a maça, preparou para atirá-la, e disse:
– Morra, Ashe! – e atirou a maça nela, que foi rodando ao seu encontro. Quando Ashe foi atingida na barriga, perdeu a consciência e caiu no chão.
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