League of Legends: As Crônicas de Valoran
15 Capítulo 13: Zed
Capítulo 13:
Zed – Ordem de Ninjas Kinkou – Ionia
Zed queria, mais do que tudo, derrotar Shen. Ele não lhe faltava com respeito, mas era pior do que se o fizesse.
Tudo em Shen o irritava. Seu jeito de andar, de falar; sua simples presença dava a ele sérias ânsias de vômito. Akali percebia isso, mas se limitava a sempre andar com o amigo e concordar com tudo o que ele falava, como uma real garota apaixonada. Talvez Zed sentisse algo pela garota, ou talvez só a odiasse mesmo, mas o trio Shen, Akali, Kennen eram quase que seus arqui-inimigos.
Mesmo que Shen não dissesse uma palavra, e ainda motivasse Zed a treinar mais, ele parecia irritá-lo mais ainda. E em todas as cerimônias realizadas pelo mestre Shyon, Shen era condecorado com algum prêmio. Em uma vez ele tinha salvo um garoto de cair da cascata; em outra, havia derrotado o maior número de inimigos de uma vez só; em outra, havia prestado serviço comunitário. O garoto perfeição, zombava Zed. Sempre sendo condecorado por qualquer coisa. Aposto que se ele cagar e não feder, recebe algum tipo de prêmio.
Kyrie, como sempre, ria de todas as piadas e concordava com tudo que o amigo dizia. Ele era quase que um macaco de imitação de Zed, que só o aturava por ser seu único amigo, já que os outros preferiam puxar o saco do filho do mestre.
Os dias se passavam e Zed não parava de pensar naquela caixa das sombras. Até mesmo durante as aulas de como carregar seu chakra, ou nas aulas de mira de shurikens ou uso de adagas, ele pensava naquilo. O que era aquilo? Por que Shyon havia ficado tão nervoso ao saber que Zed poderia ter posto as mãos naquilo? As perguntas ecoavam em sua mente o tempo todo, mas ele nunca encontrava respostas.
Zed via cada vez menos significado em cada exercício de equilíbrio e espiritualidade Ioniano, odiando tudo aquilo. Ele via todos os colegas fazerem todos aqueles movimentos e até mesmo rezas, e tudo parecia tão... ridículo. Se irritava toda vez em que Karma, uma mulher chamada de Iluminada, Senhora da Luz, Intercessora do Divino, e etc., visitava o templo e obrigava todos a fazerem um tipo de oração ao equilíbrio, e tal. Eles sempre tinham que recitar coisas em uma língua estranha dita por ela, e mesmo que alguns se sentissem melhor e mais equilibrados após a “seção tortura”, Zed se sentia entediado.
Por várias vezes via seus colegas treinarem, batalhando entre si e divertindo o povo ao redor. Até mesmo Kyrie lutava, e lutava contra Kennen, claro, visando que os dois, mesmo sendo de raças diferentes – Ken sendo um Yordle, e Ky, um humano –, tinham o mesmo tamanho.
Lutar se não fosse com Shen não tinha significado. E ele nunca lutava, só ficava observando e bancando o sensei, ao lado do verdadeiro, que permitia que ele pulasse as lutas por ser bom demais, e precisava dar espaço para os mais fracos. Mais uma coisa para irritar Zed.
– Ultimamente você anda muito estressado – comentou Kyrie, antes de lutar contra Kennen na arena livre, que ficava ao ar livre perto de algumas árvores e de um lago.
– Se você tivesse um dilema como o meu, também se estressaria – respondeu.
Kyrie ia pergunto algo, mas antes que pudesse, teve que ir logo para a arena, onde encarou o pequeno Yordle de roupas roxas e pelo castanho, e engoliu em seco. Ele olhou para Zed, e sorriu. Porém, ele não sorriu de volta.
As regras da batalha eram bastante simples: nada de armas; use apenas os punhos e os pés, dando apenas socos e chutes; utilize apenas movimentos aprendidos nos treinamentos; é habilitado o uso de magias, mas com o uso restrito de apenas duas vezes por batalha. Fora que o chakra não poderia se acumular, sendo ganho apenas enquanto se lutasse.
Quando o sensei Mairon Hawke deu o sinal para que começassem, Kennen avançou em direção de Kyrie, que esquivou-se, se tacando para o lado, e deu um forte chute alto no Yordle. Foi então que os dois começaram a socar um ao outro, usando alguns movimentos aprendidos no treinamento, mesmo que aquilo parecesse mais uma briga de crianças.
Alguns outros ninjas jovens que assistiam pareciam vibrar com a batalha que era bastante rápida. Ky podia não ser muito forte, mas era rápido, rápido o suficiente para bater de frente com aquele Yordle, que sempre fora aclamado por ser veloz e ser a fúria da tormenta, capaz de utilizar relâmpagos a seu favor.
No final das contas, Kyrie perdeu. Quando Kennen acumulou chakra o suficiente, ele atacou utilizando alguns raios que lançaram Kyrie longe, mas não o machucou tanto. Foi uma luta boa, portanto, Kyrie recebeu tantos cumprimentos quanto Kennen por ela.
De certa forma, foi uma luta boa, mas ao ver de Zed, não passava de uma luta de anões.
A segunda luta foi de Akali contra Haruka, uma garota loira de olhos azuis, com uma bermuda e um tipo de biquíni rosa. A batalha das duas foi ótima: sabendo que Haruka também tinha uma queda por Shen, Akali investia nela com toda a sua velocidade e força, dando um show de socos e chutes, assim como a outra garota, que revidava com chutes giratórios, golpes com a palma da mão, tapas, pontapés, e etc.
– Véu do Crepúsculo! – gritou Akali, estendendo os braços para os lados. Um forte vento denso a cercou, esvoaçando os cabelos de Haruka, e fazendo com que ela não pudesse ver nada. E em poucos segundos de conjuração, o vento cessou, mas a leve névoa continuou, porém, Akali havia desaparecido. Haruka recuou um passo, não entendendo para onde a adversária havia ido, e foi quando Akali apareceu às suas costas, dando-lhe um poderoso chute. Ela caiu de cara no chão, e quando levantou, já estava atrás de Akali, puxando seu cabelo e tacando-a no chão. Ela gritou, dizendo: – Me larga, sua vadia!
Zed olhou para os mestres, e percebeu que Karma estava ali, só observando o desempenho das garotas, com um feroz olho azul cintilante. Ele não entendia como uma mulher tão morena poderia ter olhos daquele tipo. Mas agora, essa questão não importava. Tornou a observar Akali brigar com sua arqui-inimiga. Era bom ver que havia mais alguém que odiasse aquela garota tanto quanto ele.
– Tempestade Florescente! – gritou Haruka, erguendo os braços aos céus, e foi quando várias flores de cerejeira a cercaram, como numa tempestade. Ela estendeu os braços em direção de Akali, que foi bombardeada por todas aquelas pétalas que pareciam até mesmo navalhas.
Ela caiu no chão, derrotada. Shen correu até ela.
– Você está bem, Akali?
Ela olhou bem nos olhos do amigo, e sorriu.
– Estou bem agora.
Haruka e Zed resmungaram para si mesmos, enojando aquela cena. Ela, por ciúmes, e ele, por raiva mesmo, de ambos os dois.
A terceira luta chegara, e Zed sabia quem teria que batalhar. Ele foi até a arena aberta, olhou para trás, na arquibancada, Kyrie acenar para ele, torcendo, feliz. Olhou para frente, para ver Shen o olhar com aqueles olhos acolhedores que lhe traziam ira.
– Zed! – ele disse, animado. – Novamente lutaremos juntos, não?
Sem emoção alguma, Zed respondeu:
– Estou tão animado.
Olhou para o local onde os mestres estavam, para observar Shyon o observando, fuzilando-o com os olhos.
– Vamos começar? – perguntou-lhe Shen.
– Por que não?
Zed tinha determinação em derrota-lo, mas não tinha tantas esperanças, pois já se decepcionara tantas vezes. Já perdera para ele uma dezena de vezes, e em todas elas, era humilhado por seguidores de Shen. Isso fazia com que ele odiasse cada vez mais cada membro da Ordem de Ninjas. Somente Kyrie permanecia ao seu lado. Por que? Zed já se perguntara isso algumas vezes, e mesmo assim não conseguia entender o porquê de uma confiança tão cega nele. Por que aquele garotinho o adorava tanto? Olhando para ele, para aquele brilho nos olhos, Zed percebeu que se não tinha esperança em vencer, deveria ter, pois pelo menos uma pessoa confiava e torcia por ele.
Colocou-se em posição de ataque, assim como seu adversário.
– Boa sorte, amigo – disse Shen.
Zed nada disse, apenas esperou que o Chanceler desse a ordem de começar, e avançou em Shen, agarrando sua barriga. Os dois caíram no chão, e Zed começou a socar a face dele com força, até que ele prensou os pés em sua barriga, e o empurrou, fazendo com que ele caísse, mas logo se levantasse.
Os dois fizeram novamente a posição de ataque, e com um piscar de olhos, Shen deu uma rasteira que o fez cair de cara não chão. Rolou para o lado e se ergueu do chão, somente para receber uma voadora de Shen, bem na barriga. Ele caiu de costas no chão, novamente, e foi quando o inimigo pulou em cima dele, deu-lhe dois socos, agarrara suas pernas, e o lançara longe.
O rosto de Zed já sangrava, assim como o de Shen, mas ele já podia sentir o chakra fluindo em seu corpo, e logo poderia utilizar uma habilidade poderosa. Mas qual usaria? Não sabia usar magia direito; não tinha um elemento dominado como Kennen, que dominava o relâmpago, nem Haruka, que domina as pétalas. Também não podia criar um Véu do Crepúsculo, como Akali. Ele teria que deixar nas mãos do destino.
Literalmente ele deixou nas mãos do destino.
Estendeu as mãos em direção a Shen, e gritou:
– Mãos do Destino!– uma garra de pura maldade e sombras avançou em direção a Shen, erguendo-o do chão, e lançando aos céus.
Ele caiu no chão com um baque surdo, encarou Zed com uma expressão furiosa, e gritou:
– Investida Relâmpago! – em um piscar de olhos ele estava à frente de Zed, com o punho exalando um chakra poderosíssimo, e foi quando sentiu uma dor imensa no peito. Shen havia o socado com toda a força, e ele tinha voado longe, caindo dentro do lago. Ele havia perdido... novamente.
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