League of Legends: As Crônicas de Valoran 2ª Temp.
8 Capítulo 7: Piltover
Notas iniciais
Capítulo 7:
Piltover
Os passeios pela Piltover foram bem legais, mas encarar toda uma corte de pessoas estranhas e mau vestidas fez Lux querer sair correndo. Ezreal ficara lindo naquele terno ao lado do pai; deuses, como eles eram idênticos. A única diferença era no cabelo.
Enquanto que Ezra optava por usar o cabelo loiro lambido para trás, Ez o deixava bagunçado para os lados, algo extremamente charmoso para Luxanna. Os dois usavam óculos acima das cabeças. Antes de ir ali ela fora a um almoço com os pais de Ez para uma espécie de restaurante. Haviam locais parecidos como aqueles em Demacia, mas geralmente eram bares e quando eram restaurantes, eles não eram nem metade daquilo.
O local era enorme, com vários locais onde as pessoas poderiam se sentar e comer. Tá, semelhante a um simples restaurante. Tirando pelo fato de que eram servidos por robôs, não era tão simples assim.
– Eu até poderia ter feito a comida, Luxanna – a mãe de Ezreal era extremamente linda. Ela tinha longos cabelos loiros, sedosos e lisos, que chegavam a brilhar diante dos olhos... que eram azuis como uma safira, sua pele era branca e usava um batom rosa. Ela usava um vestido rodado florido de um tecido diferente dos que Lux estava acostumada. Ela colocou um pouco de lasanha na boca e falou enquanto comia: – Mas a comida daqui... hm, que delícia!
Lux riu enquanto Ezra colocava a mão no rosto em tom de vergonha.
– Amor, não coma de boca aberta.
– Senhor Ridley, não pense que só por que vim de Demacia que irei me enojar com alguém comendo de boca aberta – todos riram.
Naquela mesa do restaurante ficou casal virado para casal, logo Lux ficou do lado de Ez e os pais de Ez um do lado do outro.
Lux pegou um pouco de sua lasanha e admitiu que aquela era a melhor coisa que havia comido em toda a sua vida. O queijo derretido, o molho, a massa, tudo estava deliciosamente encantado com os feitiços do deus culinário, se é que ele existe.
– Então quer dizer que em Demacia não existem comidas como pizza, hambúrguer ou batata-frita? – perguntou a mãe de Ezreal, a Sra. Eliza Ridley.
– Não – Lux sentiu o vazio que tal palavra naquele exato momento. – Claro, nós comemos carne e outros, mas nós focamos numa alimentação mais saudável.
Lux ficou feliz pois percebeu que a mãe de Ezreal estava gostando dela, sendo simpática. A simpatia de Ezra era clara, nem precisava contestar, mas a dela... Durante o tempo que ficou na casa de Ezreal, Lux viu alguns filmes na “caixa mágica”. Um deles se chamava A Sogra. O nome é autoexplicativo.
– Ah, claro – retrucou Ezra. – Nós de Piltover também, mas é claro que algumas porcarias de vez em quando não fazem mal, não é?
– Só de vez em quando? – perguntou Ezreal.
– Fica “xiu” aí – mandou Eliza.
Lux não conseguia imaginar uma dupla de sogros melhor; senso de humor não faltava. E também não conseguia imaginá-los sendo comilões de coisas gordurosas e de frituras, levando em conta que eram tão magros, Ez e Ezra chegavam a ser fortinhos e Eliza tinha um corpo esbelta.
– Os Ridley têm um ótimo histórico sobre anorexia, se é que existe ótimo e anorexia na mesma frase – comentou Ezra. – Na verdade, nós queimamos gordura muito facilmente, então estamos sempre magros e sempre com fome.
Luxanna se encheu com apenas metade daquela lasanha e os três estavam no terceiro pedaço... indo para o quarto. Logo, imaginou vários bebês loiros com óculos nas cabeças sentados numa mesa batendo os talheres e ela preparando um panelão.
Balançou a cabeça. Não, não vou ter que fazer comida para tantos filhos. Não vou ter tantos filhos. Não quero ter filhos... ainda não. Estava tão jovem e via, nessa guerra definitiva com Noxus, uma desculpa para não se casar forçadamente tão cedo. Ezreal será uma paixão de verão e nada mais, dissera Evan, seu pai. E ela sabia que poderia vir a ser verdade.
– ...aí o Ezinho escreveu seu nome pela primeira vez com uma sopa de letrinhas de frutas vermelhas, a favorita dele – contava Eliza com um sorriso bobo no rosto; Ezreal parecia irritado.
– Mãe...
Lux se deu conta de que havia perdido a parte mais interessante.
– Bom, já sei o que fazer para o Ez quando nos casarmos.
O sorriso no rosto de Ezra e de Eliza desapareceu no mesmo instante.
– Ahn... casar? – perguntou Eliza, meio sem jeito. – Você pretende se casar, mesmo, com o Ezreal?
Ezreal percebeu que a situação ficara estranha, mas não pôde fazer muito para intervir. Apenas observou a resposta de Lux e decidiu seguir a onda, pois a resposta errada poderia ocasionar no fim daquele almoço.
Lux hesitou.
– N-não, Sra. Ridley. Somos só namorados, não pensamos nisso.
– É – concordou Ez. – Isso é problema para os nós dois do futuro, haha.
A expressão séria de Eliza deu calafrios em Lux, algo extremamente sombrio. Ela parecia do tipo de pessoa que ou é muito animada ou é muito calada, ou muito quente ou muito fria. Lux já entendeu o porquê daquela situação. Ela não queria que Ez se casasse com uma demaciana, pois ele iria sim se envolver na guerra contra Noxus e poderia acabar não dando muito certo. Ao que Ez explicou, Piltover sempre foi muito esnobe. Acreditavam que até mesmo demacianos eram a ralé, e se misturar com eles não dava certo.
Acordos diplomáticos? Sim. Auxílio em guerras? Sim. Permitir demacianos perambulando pelas ruas? Opa, aí temos um problema. Normalmente o problema não é com os demacianos em si, é com qualquer um que vier de fora. Somente Piltover e Zaun progrediram em tecnologia e largaram o feudalismo. Bilgewater caminha com um sistema que se resume a piratas. Bandle City é levemente mais evoluído, mas, bem, yordles não são tão bem vistos mundo à fora.
Heimerdinger fez de tudo, deu do próprio sangue e suor para montar, além de sua alfândega, uma academia para yordles em Piltover. Realmente Lux viu muitos yordles pela cidade, embora tenha dificuldades já que eles são tão pequenos, geralmente.
Eliza deu um sorriso fraco forçado.
– Ótimo... – foi só o que disse.
O almoço se seguiu de forma estranha. Aparentemente a simpatia de Eliza acabou mais rápido que a comida, terminando sua saga da lasanha no quinto pedaço. Quando o garçom trouxe mais, ela recusou dizendo que estava sem apetite. O coração de Lux foi a mil e ela suou em frio.
O resto da conversa foi mais um diálogo entre Ezra e Ez sobre esportes e coisas gerais, monólogos de Ezra, e vezes em que ele perguntava algo ou se dirigia à esposa e ela se limitava a: “Hum, sim” ou “não”.
De vez em quando Eliza tomava um gole de vinho e a olhava com indiferença, como se não fosse mais a mesma pessoa. Parecia querer lê-la, achando que ela teria alguma má intenção com Ezreal. Esperava que fosse só impressão sua, mas estava ficando claro que não era.
[...]
Lux recordou-se de tudo isso só de olhar para Ezreal e para Eliza, que ainda a olhava com indiferença. Então, no final tudo aquilo foi falsidade? Odiava isso. Sempre foi otimista com as coisas, com as pessoas e sempre foi dada como boa garota, boa amiga, boa irmã, filha... nunca tratada como uma pessoa ruim. Sempre odiou rivais. Odiava aquela sensação de ser odiada por alguém.
Estava se sentindo assim naquele momento.
Também se sentia nervosa na frente de tantos piltoverianos. Aquele local era basicamente uma corte de julgamento, as pessoas sentadas em fileiras, advogados, repórteres e fotógrafos, e também outras pessoas que Lux não entendeu o porquê de estarem ali. Muitos flashes saíam das câmeras e ela desejou não ter nada daquilo em Demacia.
Ela estava de costas para todos eles, de frente para que a “julgaria”. Haviam um palanque alto com, ao todo, três lugares, um maior ao meio, vazio, dois de um lado e dois de outro. Sentados na direita do centro estavam Caitlyn, a xerife, e do outro, Ezra Ridley.
Lux olhou para trás, donde Ezreal acenava para ela do lugar onde estava sentado. Ela sorriu. Viu Eliza, ao lado do filho, a fitando com o olhar. Ela não parecia tão feliz quanto a primeira vez que haviam se conhecido.
O sorriso de Lux desapareceu. Sentiu vontade de sair correndo por ali e chorar, pedindo por seu pai e por sua mãe. Estava rodeada de gente estranha, pessoas que se achavam superiores por serem do ramo de ciências. Estava se sentindo tão pequena perto deles.
Estava prestes a se sentir menor ainda.
A porta do salão se abriu e houve alvoroço. Pessoas se levantaram e flashes foram disparados. Um homem de terno e gravata, vestido elegantemente adentrou protegido por seguranças. Ele era loiro de cabelos lisos – como metade das pessoas que Lux vira até ali –, tinha olhos azuis e pele clara, o rosto angulado, como um astro de cinema, com uma fenda no queixo.
Lux percebeu que ele caminhava em sua direção. Subiu as escadas e ficou de frente a ela, que engoliu em seco. Para vê-lo ela tinha que erguer a visão, como sempre fazia com exatamente todos os homens mais velhos. Ela devia ter uns 1,60m e ele, quase dois.
Ele sorriu e apertou a mão dela. O olhar dele era encantador.
– Então, a senhorita é a emissária de Demacia, certo? – sua voz era grossa e imponente, como a de um deus antigo.
Lux hesitou.
– S-sim, eu sou. Me chamo Luxanna Crownguard.
– Eu sou Edward Thawne, o presidente de Piltover, como pode ver – ele a deixou e ficou de frente para o maior palanque, que com um estalo começou a descer como um elevador; depois ele subiu nele e se sentou. Em pouco tempo estava no topo, ao lado de Cait e Ezra. – Primeiramente, tenho de dar minhas boas-vindas a todos os cidadãos de Piltover que estão assistindo a essa transmissão AO VIVO! E, claro, a todos os presentes. Segundamente, irei explicar a situação a nossa emissária.
Lux estava se segurando para não tremer ou gaguejar, no máximo chorar. Estava muito abalada, principalmente pois sentia a sua sogra agourar às suas costas, mas preferiu se concentrar em Ezreal, que torcia por ela. Mesmo assim não era o suficiente. Precisava de um auxílio divino.
Fez uma rápida prece enquanto o presidente dizia algo que não tinha nada a ver com nada, e quando ele percebeu que ela estava rezando, ela abriu os olhos.
– Estava rezando? – ele perguntou, quase rindo.
Lux assentiu, confusa.
– Pedi auxílio ao deus da luz que nos ajudasse nessa aliança e...
– Não fale de deuses por aqui – ele a retrucou rispidamente. – Essa é a primeira regra. Nós somos uma sociedade evoluída pois nos desvencilhamos de crenças antigas e baboseiras ancestrais.
Caitlyn fez uma expressão mais feia que a de Lux, como se a ofensa tivesse sido para ela.
– Edward! – ela exclamou. – Mais respeito com nossa emissária.
Lux piscou forte, respirou fundo e se concentrou para não deixar nem mesmo seus olhos úmidos. Não esperava aquilo do presidente, então foi como um tapa na cara.
– N-não, xerife, sem problema. Eu só pensei que poderia rezar em paz, mas vejo que o senhor presidente não se agrada disso. Pensei que aqui respeitassem as pessoas como elas eram.
Um clima estranho ficou naquela sala. A expressão no rosto do presidente era extremamente familiar. Algo sério, como um “eu vou te matar, sua pirralha”, só que mais frio e calculado.
Ele sorriu.
– Claro que respeitamos, Lady Crownguard. Eu estava brincando. Sinto muito que minha brincadeira tenha extrapolado.
Lux fez um gesto de continuidade de forma extremamente culta e sarcástica. Sorriu. Seu coração continuava a mil, mas sentia que tinha a situação em suas mãos. Sabia que Deus estava a ajudando naquilo.
– Muito bem – continuou o presidente –, há muitos anos Demacia e Noxus brigam entre si. Se não sabe, Piltover foi fundada por desertores demacianos que queriam mais que essa guerra infinita. Conseguimos prosperar a partir disso. Então por que nós devemos adentrar nesta guerra novamente após tantos anos? Já ajudamos Demacia antes, e foi dinheiro jogado fora.
Lux respirou fundo, fechou os olhos e pensou. Os reabriu e, quando falou, foi tão confiante que nem mesmo ela se reconheceu.
– Vocês piltoverianos pensam que sabem de tudo – houve espanto geral no salão, todos arquejando ao mesmo tempo. No palanque, só o presidente pareceu ofendido, pois Ezra parecia nem ter se importado e Caitlyn parecia interessada no súbito interesse em desafiar a pátria de Lux. – Acham que por serem todos livres de uma crença mais popular são mais inteligentes que nós, do lado de fora. Mas estão enganados! O mundo não se resume a esses muros, vocês bem o sabem. Poucos se aventuram lá fora – olhou para Ezreal –, pois poucos têm coragem.
– Aonde quer chegar?
– Me deixe falar – retrucou Lux. – A situação é que a guerra não é mais a mesma. A linhagem Darkwill é marcada por homens fracos, bêbados e que eram completamente controlados pela Rosa Negra.
O presidente riu.
– A Rosa Negra é só um mito.
– Não, não é. Emília LeBlanc, a mestra dos sussurros noxiana, é a matrona e os trouxe de volta, todos sentimos isso. Antes, com Boram, as guerras eram passageiras e mais pareciam teatrais. Mas essa era acabou com a ascensão de Jericho Swain.
Edward Thawne ficou sério.
– Quer dizer... o cara que vira corvo?
Algumas pessoas riram.
– Podem rir o quanto quiser! – ela exclamou. – Mas esse cara matou toda uma guarda, inclusive meu primo, e ainda levou Jarvan IV, o príncipe. – As pessoas fizeram expressões confusas, obviamente sem saber previamente a verdade sobre Kalamandra. – O meu rei está temendo o próximo ataque de Jericho, e todos deveriam temer. Se um dia Demacia ruir, ele virá atrás dos inimigos de seus aliados, e como devem saber, é de Zaun que estou dizendo. Vocês seriam os próximos.
O presidente riu, mas quem tomou a voz foi Ezra.
– Acredita que Jericho Swain tenha como nos derrotar? Nós temos armas, eles, lanças e espadas – seu tom foi justo, não tentou constrange-la, mas realmente queria saber sua opinião sobre aquilo. Lux sorriu. Gostava de Ezra. Gostava da forma como Ezreal se espelhava no pai, um verdadeiro exemplo. – Pois, sabe, temos muita tecnologia. Conseguimos banir uma grande ameaça tecnológica há alguns anos com Jayce.
Ezreal comentara com Lux sobre Jayce certa vez. Ele fora um herói, antes um mero mecânico que construiu um martelo-canhão e derrotou Viktor, destruindo a fonte de poder roubada de Piltover, criando um buraco de minhoca que engoliu todo o balcão, se fechando em seguida. Viktor nunca mais foi visto.
– Na verdade – Lux começou a dizer –, não há como prever as ameaças lá fora. Acredito que cada reino luta uma batalha a seu nível. Se a nossa é tão imprevisível como está sendo, imagino a de vocês.
Edward Thawne sorriu de forma maliciosa.
– Estamos vivendo tempos de paz, Luxanna. Quer dizer que esses tempos terminarão?
– Espere para ver – respondeu Lux. – Só estou dizendo que não se pode achar que se tem tudo sob controle, pois Runeterra tem tanta coisa que além do nosso meio.
Ezreal sorriu de onde estava. Gostava de ouvi-la falar, ela falava com emoção, todos escutavam atentamente, sem nem mesmo contestar. Todos queriam saber aonde ela queria chegar.
– Ezreal mesmo sabe do que estou falando, ele esteve em Kalamandra – as pessoas olharam para Ez, que se sentava na fileira da frente. – Vi o espírito do meu primo morto, na verdade, não era ele, era algo mais.
– Quer mesmo que eu acredite em fantasmas, Luxanna? – zombou o presidente. – Estou muito crescido para essas baboseiras.
Lux ficou sem argumentos por um breve instante, mas ao olhar para Ezra, soube o que dizer.
– Não falamos muito sobre isso, Ezra, mas nós o vimos – ele franziu a testa. – Anson Ridley estava lá – as pessoas pareceram se assustar, sobressaltadas e arquejando. – Ezreal não quis conversar sobre isso, mas acredito que ele foi atraído para lá pois era muito apegado ao tio.
Ezra engoliu em seco e olhou para Ezreal.
– Isso é verdade?
Ezreal não hesitou em tentar se levantar para depor, mas a sua mãe segurou seu braço com uma expressão de desaprovação.
– Eu te proíbo de dizer mentiras! – bradou.
Ezreal sempre amou a mãe, mas odiava a forma como ela controlava sua vida. Agora ela queria impedi-lo de depor a favor de sua namorada só por que não foi com a cara dela. Hesitou, quase se sentando novamente, mas já havia se aventurado tanto, usado sua coragem tantas vezes e iria vacilar perante sua família e amigos? Sua mente foi mais além. O que ocorreria se o presidente não desse auxílio a Demacia? Ele sentia o perigo chegando, as catástrofes se aproximando. Nunca algo como Kalamandra aconteceu antes, e mais coisas estranhas poderiam vir a ocorrer.
Incrível como um simples gesto pôde livrá-lo de correntes que o prendiam há muitos anos, e talvez salvar milhões de vidas no futuro.
Ezreal puxou o braço com força, se desvencilhando da mãe e se voltando para o tribunal.
– Luxanna diz a verdade, pai – olhou para sua tia na plateia, a ex esposa de Anson, que parecia alarmada. – Anson estava lá como prefeito do local. Ele me deu um lugar para ficar, mas depois descobri que fui enganado por um espírito confuso. Estudei um pouco sobre isso e...
– É suficiente! – retrucou Edward Thawne. Ele se levantou. – Já entendi, não preciso de mais provas. Realmente podemos precisar de vocês, demacianos – ele disse com um pouco de nojo –, em algum momento. Iremos te ajudar e esperaremos que nos retribuam futuramente quando precisarmos. Se precisarmos.
Luxanna sorriu e Ezreal foi até ela a abraçando na frente de todos. Eliza mandou um olhar furioso para Edward, que devolveu com um gesto de “nos falamos depois”.
[...]
Após terminar a seção, Lux foi parada pelo presidente. Se sentiu levemente nervosa, com medo de que ele dissesse algo ruim, enquanto as pessoas saíam. Ezreal a esperava na porta, preferindo deixa-la se virar sozinha naquele momento. Ela entendia que se ele tivesse que dizer algo, não diria na frente dele, deveria ser a sós.
Mas no final das contas, Thawne sorriu.
– Você se saiu bem, garota. A maioria das pessoas se caga só de receber uma resposta minha.
Lux cruzou os braços. Parecia mais que ele havia a testado, e ela não estava lá para ser testada.
– Então era tudo um teste?
– Não sabia se você era realmente digna, me perdoe – ele mexeu na gola de forma extremamente desnecessária, mas charmosa. Lux sabia que achá-lo bonito era bem platônico, mas não conseguia impedir. Mesmo assim algo nele era extremamente irritante. – Demacia não menciona nossa aliança há anos, desde a última guerra que ocorreu. Acreditei que fosse um blefe, já que eles nunca precisaram de nós, mas realmente, Jericho Swain parece um inimigo a altura. E quanto ao que você disse...
Balançou as mãos.
– Não se preocupe – ele estava sendo gentil demais para ela sentir raiva ou mandar uma resposta sarcástica, mesmo que fosse algo não-natural de sua parte. – É só doideira minha achar essas coisas, sabe. Mas se alguma catástrofe ocorrer, saiba que eu avisei.
Ele riu.
– Claro – suspirou. – Agora preciso ir, mas foi uma boa conferência, de fato.
Ele saiu a passos longos, cumprimentou Ezreal e passou pela porta.
Ez foi até Lux.
– Ele te disse algo ruim?
Ela balançou a cabeça, sorridente. Adorava saber que no final das contas havia passado no teste do presidente e que havia se saído bem. Aquilo salvara seu dia.
– Não, disse que eu meio que passei num teste, acho.
Ezreal suspirou, feliz.
– Que ótimo. Mas também é ruim, pois agora sei que tem dedo da minha mãe nessa história.
Lux franziu a testa.
– Como assim?
– Ela sempre usa meu tio Eddie pra conseguir informações das minhas namoradas, haha. Vê se pode?
Lux gelou por completo.
Agora entendia aquilo em Edward que tanto a irritava, aquela vaga sensação de conhece-lo em algum lugar... Ele era irmão de Eliza Ridley, tio de Ezreal. Os dois eram idênticos, como não havia percebido?
– Vamos para casa? – Ezreal perguntou com um sorriso tão doce que foi capaz de tirar toda sua preocupação.
Ela sorriu.
– Vamos.
[...]
Caitlyn adentrou o centro de pesquisas de Ezra, sempre se surpreendendo com o tanto de pessoas de jaleco de lá. Muitos olhavam para os dois, que eram as maiores fontes de cor daquele local. Cait com sua bota de couro, sua saia e seu blazer roxos, fora seu chapéu. Seu distintivo também brilhava bastante.
Ela e Ezra subiram nas escadas rolantes juntos de várias outras pessoas de jaleco branco.
– Podíamos subir de elevador, sei lá – ela sugeriu.
Ezra riu.
– Nah, eu gosto de ter uma relação muito aberta com meus trabalhadores – ele acenou para uma garota nerd de jaleco, que suspirou como se tivesse recebido uma cantada de um galã. Realmente, Ezra era muito bonito. Os Ridley e Thawne eram as pessoas mais bonitas juntas que Caitlyn já havia conhecido. – E a maior parte dos cientistas daqui são jovens e meus fãs. Devo demonstrar...
– Já entendi – retrucou Caitlyn. – Eu tinha que estar agora na delegacia, então espero que essa vigilante faça valer.
Ezra sorriu.
– Não será só ela.
Terminaram o percurso até o fim e depois seguiram por alguns corredores. Passou até pelo local onde encontrou Jayce inconsciente após seu primeiro confronto com Viktor, isso há cinco anos atrás. Precisou Ezra chama-la novamente para que ela saísse de seu devaneio e prosseguisse.
Depois de andar muito eles adentraram à uma sala. Na sala havia um painel de controle e acima um vidro, que dava visão de uma outra sala, com uma mesa e uma garota sentada atrás dela com as mãos algemadas. Haviam homens sentados ao painel de controle.
– É ela? – perguntou Cait. Ezra assentiu. – É, eu sempre percebi o rosa e a tatuagem no rosto.
A garota era exótica. Seu cabelo rosa consistia em uma grande franja na direita e a lateral esquerda raspada, como uma badgirl normalmente faz. Ela usava óculos mecânicos na cabeça, lembrando Ezreal. Usava um tipo de maquiagem escura nos olhos e tinha uma tatuagem em forma de VI no rosto na bochecha esquerda. Seus braços eram fortes e ela usava uma roupa de ferro curta que lembrava uma armadura.
Caitlyn pode perceber duas coisas nela: uma certa melancolia no olhar, como se tivesse perdido algo, e também um sorriso sincero, como se tivesse achado algo melhor. Infelizmente, quando entrou, a garota se mostrou completamente diferente do que ela havia lido.
– Detetive Caitlyn – ela disse com desdém. – Xerife, não é? Melhor eu medir minhas palavras com vossa autoridade, senão minha sentença aumenta, não é?
Caitlyn se sentou à frente da garota, que sorria maliciosamente. Ezra ficou um tempinho em pé.
– Acho que vou deixa-las sozinhas – ele deu as costas e saiu da sala, ficando com os caras do painel, claro, ouvindo absolutamente tudo o que elas diziam, embora elas não pudessem vê-los.
Caitlyn analisou a garota por alguns instantes.
– Qual seu nome?
Ela deu de ombros.
– Me chamam de Vi.
Caitlyn pensou em perguntar o porquê, mas a resposta estava no rosto da garota.
– Você tem me dado uma baita dor de cabeça, sabia? – comentou, séria. – Fica por aí, pegando bandidos...
– ...fazendo melhor o trabalho de vocês, tiras. Olha, xerife, não me leve a mal, ou leve, foda-se – Caitlyn estremeceu ao ouvir aquele xingamento –, não me importo se você não gosta de minhas “atividades noturnas”, mas eu não irei parar. Vocês se importam demais com seus próprios rabos, mas se esquecem que existem pessoas pobres nos subúrbios que sofrem com a corrupção e bandidagem.
Caitlyn sorriu.
– Claro, é muito difícil equilibrar as balanças. Mas vamos, não quero discutir. Não vim aqui pra isso.
– Veio para que então?
– Vim aqui para te conhecer. Então se puder me contar sua história, sabe, eu agradeceria.
Vi sorriu maliciosamente.
– Acha mesmo que vou contar minha história assim, de graça?
Caitlyn tinha um ponto aonde queria que ela chegasse. Queria saber da história da garota e como ela se aplicava em um antigo caso. Sabia que ela escondia muito e, se descobrisse mais sobre ela, talvez resolvesse algum caso.
– Não – respondeu Caitlyn. – Mas vou lhe estabelecer algo em troca se me contar tudo e...
Vi a observou por alguns segundos, esperando a conclusão do pensamento.
– E o que?
– Bom, eu vi que você tem luvas grandes.
– Manoplas de Ferro, e não, eu não vou dá-las praquele maníaco tecnológico do Ridley. Ninguém além de mim vai usar aquelas manoplas, ouviu só?!
Caitlyn assentiu.
– Ninguém tocará nelas se aceitar meu acordo.
– Fala logo essa merda, então!
– Então eu vou falar logo – ela parecia estar se divertindo com o climão de suspense. – Quero que você trabalhe pra mim, na delegacia, ao lado dos policiais!
A expressão de Vi esfriou.
– Cê é louca? Vai confiar numa vigilante desconhecida? Isso não faz o menor sentido!
– Estou completamente sã, dona vigilante. Acredito que você seja uma ótima pessoa por trás desse véu de ignorância. Só precisa ser bem instruída.
– Ah, claro, confie na pessoa só por que ela bate em bandidos. Continuo te achando doida!
– E eu te achando indelicada.
As duas se encararam por alguns segundos. Caitlyn estava começando a gostar dela e Vi também. Eram completamente opostas, mas tinham pensamentos iguais quando se o assunto era caçar criminosos, podiam sentir isso uma na outra.
– Então, você aceita? – perguntou Caitlyn.
– Vou pensar.
– Você terá sua ficha limpa, terá moradia, comida, roupas lavadas, uma garagem só para você e suas bugigangas e ainda por cima vai poder zanzar pela delegacia.
– Eu topo!
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