League of Legends: A História Não Contada
13 Arco III - Veigar - A Essência do Poder

Arco III — Veigar
Capítulo 3 — A Essência do Poder
O meu nome é Veigar e eu sou um Yordles, meio homem meio fera... Eu nasci e vivi parte da minha vida em Bandópolis, nas terras de Valoran. Mas tudo mudou... Quando consegui a permissão para explorar o mundo de fora dos portões de minha cidade, algo deu errado... Meu grupo foi atacado pelos guerreiros Noxianos e eu fui seqüestrado... Mantido em cativeiro por meses, minha mente sucumbiu a loucura e o medo... Agora, vivo fugindo das trevas que me perseguem e com ajuda de Morgana, eu sobrevivi.
Até agora...
Palácio Imperial — Há quilômetros de distancia do solo.
Quando um corpo é arrebatado por uma força com o triplo de seu peso, várias em uma seqüência de dor interminável, ele perece. Mas este não é o caso de Veigar, que prevalece a se levantar cada vez que uma das esferas negras de Syndra, o derrubam.
Após ter sido resgatado das garras do ceifeiro, Karthus. Veigar e Morgana foram acolhidos pela misteriosa imperatriz do palácio flutuante, Syndra: A soberana Sombria.
Esta poderosa feiticeira de longos cabelos prateados, ofereceu comida, abrigo e treinamento... Vigiando o reino de Valoran com suas grandes orbitas das sombras, Syndra se impressionou com a valentia e o poder do pequeno Yordles.
Desde então, Veigar passou a ser seu aprendiz e dia, após dia, ele confronta as esferas em uma tentativa de destruir uma delas com a focalização de sua magia interior. Mas o fracasso o persegue... E apesar de seu progresso considerável, Veigar está longe de dominar seus poderes e isso é uma decepção para a imperatriz.
— Aaah!! – O gatuno negro é arremessado contra uma parede, na sala de treinamento, antes de cair com ferimentos ao longo de seu corpo.
— Já chega! – Morgana flutua com graça até seu pequeno protegido, enquanto a cicatriz negra em forma de um raio que corta seu olho direito, é uma lembrança do poder de sua anfitriã. – É o bastante por hoje! – Um excesso de treino ao qual ela não deseja ver Veigar sofrer.
— Isso quem decide é ele, não você. – Diz a imperatriz. – E então? –
— Saí! – O Yordles tenta empurrar sua guardiã, enquanto se mantém de quatro no solo de madeira rígida, manchado com as gotas de sangue que escorrem de sua boca. – Ainda posso agüentar mais. – Relata arfando com dificuldade em respirar.
— Veigar... Você já usou poder demais... –
Semanas já haviam se passado desde o dia em que estiveram de joelhos diante a imperatriz, oferecendo ajuda. E ao longo desse tempo, Veigar e Morgana se tornaram amigos próximos... Próximos o bastante para que ela abrisse seu coração ao gato negro e lhe revelasse a verdade, o verdadeiro motivo por ter aceitado a proposta de Syndra. Encontrar e destruir sua irmã, Kayle.
Criadas juntas desde a infância, Morgana e Kayle se amavam e protegiam uma a outra no reino dos serafins, mas tudo mudou quando a guerra de Valoran chegou até o reino dos céus... Em um conflito de dividiu seu povo, os pais das meninas foram assassinados diante seus olhos, mas forças aliadas chegaram a tempo de salvá-las.
Desde aquele trágico dia, Kayle dedicou cada minuto da sua vida a fortalecer seu corpo e tornar-se uma com a lâmina flamejante de seu pai, o antigo general das forças serafins.
Quando a idade lhe foi concebida, Kayle assumiu o posto do falecido pai e se tornou a nova general dos serafins, onde com seu poder levou os guerreiros alados a vitória sobre seus opressores Noxianos.
Porem... Morgana jamais havia conseguido obter o poder que a irmã possui, mas isso nunca foi um problema, pois ela sempre tivera Kayle para lhe defender... “O que aconteceu?”.
A verdade é incerta, mas o que Morgana relatou a Veigar naquele quarto, quando contava-lhe a história de sua vida, foi que ao fim uma batalha que durou três dias inteiros... Kayle havia retornado com menos da metade dos homens que levou em batalha e sua irmã havia ficado naquele campo de batalha.
Kayle retornou para casa totalmente mudada, estava fria e mais agressiva do que jamais fora. E esta foi a razão ao qual levou as duas a discutirem, sobre como Morgana era inútil e desonrava a memória de seus pais se acovardando a cima das nuvens, enquanto seu povo morria em batalha.
— Kayle... – Sussurrou a irmã incrédula, com a marca vermelha feita sob a mão guerreira. – Por que...? – Seus olhos relutando para desaguar em lagrimas, enquanto seu peito batia em fervor para não sucumbir a raiva.
— Como você pode...?! Como pode ser tão covarde?! – Gritava a general, ainda trajada com sua armadura dourada manchada com o sangue de seus aliados e inimigos. – Nosso povo está lutando na terra dos homens para defender nosso reino, homens e mulheres! E o que você faz para ajudar? NADA! Você deveria ter vergonha de carregar o mesmo de sangue de nossos pais! – E assim, a general deixou seu lar para permitir que seus pensamentos vagar pelo ar gélido da noite que a aguarda.
Morgana por outro lado... Jamais havia sentido tamanha melancolia e dor em seu coração, escorregando parede a baixo, até permanecer reclusa em seu abraço, desejando o fim daquela terrível guerra.
Cansada de chorar, de sofrer em reclusão, a serafim havia tomado uma atitude que mudaria o rumo de sua vida para sempre... Na mesma noite, Morgana deixou seu lar e partiu em busca de poder.
Consultado a grande biblioteca de seu povo, onde o segredo de sua cultura e toda sua história é mantido, a jovem dama aprendeu a linguagem falada por poucos... A língua da magia do qual sua mãe era dotada.
Alertada sobre o perigo da magia, Morgana persistiu em seu estudo e cada vez mais passou a desenvolver o apetite pelo saber, até não sobrar um único livro de pé na estante... Não sendo o bastante, ela sabia que precisava de mais, mas onde encontraria?
— Como é? – Perguntou Kayle pasma, colocando seu elmo de batalha sobre a simples de jantar.
— É o que você ouviu, Kayle... Eu vou embora. – Morgana já estava de malas prontas, mas foi surpreendida pelo retorno cedo da irmã.
— Pa-para onde você vai? Por que vai fugir? –
— Eu não estou fugindo! Eu só... Eu preciso ir. – Com as malas em mãos ela segue até a porta da frente, porem tem a porta fechada pela irmã pouco carismática. – Kayle. Tira sua mão da porta, agora. –
— Não. Você não vai fugir. Quando vai parar de ser criança Morgana?! Estamos em guerra! Mas que inferno! Será que você nunca vai entender que não podemos fugir disso?! –
— Eu sei! Eu sei! – Berrou. – Mas essa guerra imbecil tem que acabar! E eu sei como fazer! A mamãe também sabia, agora saia do caminho! – Kayle se põe entre a porta e sua irmã.
— É, ela sabia. Por isso não foi só morta, como a alma dela foi levada! Magia é perigosa, você não entende isso?! –
— Kayle... Eu to avisando... Me deixe ir, ou... –
— Ou...? Ou o que, Morgana?! – Ela agarra-a pela gola do vestido púrpuro, com mãos firmes. – Ahn? Vai fazer o que?! –
— Me... LARGA!! –
De repente, o povo serafim recuou em espanto quando a simplória casa da general explodiu em chamas negras e sua guerreira foi lançada para o meio da rua.
Os guerreiros alados chegaram rapidamente, mas se mantiveram em prontidão conforme a ordem dada pelo sinal de mão de Kayle, que começa a se erguer. Limpando o sangue que escorre pelo santo do lábio, a general pega o elmo que vôo junto consigo e o põe.
— Vai se arrepender disso, Mor... – Ela saca sua espada, a lâmina dourada que se incendeia conforme é manipulada pela vontade de seu mestre.
— Por que não me deixa ir? – Enquanto a cortina de fumaça dilui gradativamente, a aura púrpura é vista sob os destroços da mais velha casa da cidade paraíso.
— Covarde... SUA COVARDE!! –
Eu lutei contra Kayle pelo restante da noite, mas ao amanhecer meus poderes haviam se esgotado e então eu caí... Julgada como traidora, eu fui levada para as prisões imperiais de nosso reino. Ordens da general.
Mas eu escapei e pude ver com meus próprios olhos o que acontece do outro lado...O desespero e o medo do povo Noxiano, não é diferente daquele que meu povo sentia... Eles me abrigaram e me ajudaram quando meu próprio povo me desprezou... Desde então eu vi a real ameaça nesta guerra.
A luta acabou, mas Kayle não percebeu e por isso continua a atacar, até que não haja mais ninguém vivo.
— Veigar... Por favor... – Seus olhos dourados encaram a profundeza daqueles olhos melancólicos de Morgana, onde a história de sua queda é recontada através dos flashes em sua mente.
— Tudo bem... Já chega. – Sentando-se sobre suas pernas, o gato negro recupera seu fôlego, enquanto as lembranças de sua vila natal tornam-se cada vez mais distorcidas e aos poucos... Esquecidas.
— Como queira. – Syndra recolhe suas orbes negras e seus pés tocam o chão do palácio com delicadeza, enquanto o ar agitado que permitia seus cabelos prateados dançarem, se acalmam. — Veigar... Você já pensou na sua resposta? –
Hesitante, o Yordles desvia o olhar e busca em seu coração a resposta para sua questão, pois há algum tempo atrás, enquanto Morgana passava por um duro treinamento para aprender a controlar sua magia. Veigar a observava dia, após dia, estudando seus movimentos e com isso tentando aprender... Mas para que?
Foi durante uma das sessões de treino da bruxa alada, que Syndra fez a pergunta para qual atormentaria Veigar pelas próximas semanas: “Eu ofereci minha sabedoria e paciência, para ensiná-lo. E você aceitou, mas Veigar, meu querido... Por que deseja obter poder? Você está disposto a fazer o que for preciso para consegui-lo?”.
— Não... – Ele responde desviando seu olhar, como se buscasse em algum lugar de sua alma, a resposta para sua questão.
— Tenha calma pequeno Yordles. Você descobrirá o motivo que o guia atrás de poder. – Os lábios cobertos por um batom púrpuro, se contraem em um sedutor e mortal sorriso. – Mas... No momento, há algo que eu quero... Algo do qual necessito. –
Uma de suas esferas negras flutua até a frente de seus aprendizes e revela para eles a imagem do mundo fora daqueles muros, um mundo de perigos e guerra... Nas áridas e escaldantes dunas de areia de Runeterra, o país de muitos feiticeiros e amantes das artes místicas. “O que existe neste deserto?”. Perguntou Morgana.
E sem pestanejar, Syndra contou aos dois uma história antiga, sobre uma terra perdida chamada há séculos, onde relatos e textos descritos em pergaminhos a denominam como Icathia.
Curiosos sobre o conto, Veigar e Morgana prestam atenção em cada detalhe, em cada palavra de sua Imperatriz.
Há muitos e muitos anos atrás... Em uma terra abandonada pelos homens e esquecida pelos Deuses, uma civilização foi destruída e sua cultura perdida.
Mas os ventos sussurram no ouvido de um profeta atormentado, ordenaram que o ingênuo rapaz abandonasse seu povo e encontra-se as cinzas dessa cidade... E assim ele o fez.
Dias e noites de peregrinação, o Profeta havia alcançado as tumbas de Icathia e como as lendas diziam, somente as cinzas sobreviveram... As lendas dizem que o Profeta esperou por uma nova mensagem dos deuses, dias e noites inteiros, até o fim de sua vida. Porem... Há aqueles que ousam afirmar que o Profeta realmente encontrou Icathia, viva em todo o seu resplendor, mas o jovem rapaz garantia que ninguém mais encontra-se sua localização.
— O que tem de tão importante neste conto? Além de um monte de pedras velhas? – Interrompendo-a, Veigar se manifesta.
— Meu pequeno Yordles, há muito sobre aquelas “pedras velhas” que pode nos oferecer uma nova gama de magias. – Seus lábios se contraem em um charmoso sorriso. – É uma lastima que Icathia esteja perdida... Oh, como eu desejo poder encontrar o conhecimento daquela civilização. Mas, nem tudo está ao nosso alcance. – Seus olhos meigos e serenos, mas que transbordam crueldade são quase hipnotizantes. Veigar sentia aqueles perturbares par de olhos penetrando sua alma e confundindo seus pensamentos e sentimentos, ou será que tudo era parte de sua loucura Yordles?
— Vão até Runeterra e encontrem a antiga localização de Icathia. Há inúmeros relatos de exploradores que dizem terem presenciado um cintilar esmeralda em meio as sombras do deserto. – Uma das orbes de Syndra, voa até sua mestra e é usada como trono de sua rainha. – Se isto for o que minhas pesquisas indicam, significa que esta jóia poderá mudar o rumo da guerra. Veigar e Morgana, meus discípulos. Tragam esta esmeralda até mim e garanto a vocês que obterão poderes além do inimaginável. – E de uma feição meiga e dócil, um sorriso mórbido e cruel, ansiando pelo poder que tal objeto é capaz de proporcionar se manifesta na face de Syndra.
Com o pergaminho que contém a magia de teletransporte até o Palácio Flutuante de Syndra em mãos e as antigas escritas sobre Icathia, o jovem Yordles e a anja traidora partem vôo rumo as longínquas terras de Runeterra.
Sentindo o calor do som sobre suas penas braças e delicadas, Morgana se permite respirar fundo aquela sensação que antecede o salto da fé, ou assim é chamado pelos arcanos. Com o pequeno gato negro preso em um abraço caloroso e seguro, Morgana salta do parapeito da varanda noroeste do palácio em uma queda livre que faz Veigar ter seus pelos arrepiados.
Sentindo seu coração querer saltar pela boca, o gatuno que não lida muito bem com grandes alturas se força a tampar a boca com uma das mãos, enquanto a outra cobre os olhos, antes de Morgana erguer vôo. Seu corpo em queda livre desliza graciosamente sobre a superfície do rio cristalino e ondas se formam, enquanto sua imagem é refletida sobre a luz do sol.
E foi apenas quando seu par de asas emprestado conseguiu manter a altitude, sem mais surpresas, que Veigar teve coragem para abrir seus olhos e se deleitar com a magnífica visão do mundo abaixo de seus pés. Tudo tão pequeno e belo, que por alguns instantes, Veigar não se sentia pequeno e indefeso.
Encantada com o deleite do pequenino, Morgana dispara com toda sua força em um bater de asas rítmico e veloz, alcançando as nuvens com rapidez. Revelando para o pequeno Yordles a visão privilegiada dos anjos, o mundo a cima das nuvens... O grande sol no horizonte dando vida a tudo e mais alto ainda, havia alguns anjos, soldados patrulhando os céus e foi naquele momento que a verdade atingiu Morgana... Que sob a visão da irmã, Kayle, o medo e a ameaça de ser atacada novamente, fez com que suas asas os levassem para mais próximo das terras e longe das nuvens.
— Morgana... Quando isso acabar, jamais irá precisar sentir medo novamente. – Ela não o respondeu e nem queria descobrir como ele havia lido seus sentimentos, mas Veigar sabia... De alguma forma, de algum jeito, o fluxo da vida falava com ele e o medo no coração de Morgana estava gritando em seu ouvido e a visão de vê-la recuando perante a tal sensação, era um estopim em seu desprezo pela vida opressora.
Os ventos fontes do leste sobravam e há cerca de um dia inteiro de vôo, Veigar pediu que Morgana pousassem para descansarem. E assim eles desceram sobre uma grande rocha no meio da savana, protegido de predadores terrestres, mas a mercê do gélido vento de Freljord ao leste.
As grandes asas angelicais de Morgana criaram uma cobertura para eles, enquanto o gatuno coletava vários tipos de gravetos para darem a vida a sua fogueira. E assim o fez.
Observando as labaredas dançarem sobre o fogo vermelho-alaranjado que queima em torno de um punhado de rochas e assam alguns petiscos proporcionados pela natureza para os viajantes, as memórias de Bandópolis cada dia se tornam mais distantes.
— Veigar? – Abocanhando uma suculenta maçã verde, Morgana percebe que o peixe que Veigar havia pescado estava quase queimando, cozinhando na fogueira e seus olhar distante, muito além daquelas terras. – Veigar! – Ela o chama uma segunda vez.
— Anh? Disse alguma coisa? – Seus olhos piscam repetidas vezes, antes de normalizarem.
— Vai ficar sem refeição desse jeito. – Outra mordida na fruta.
— Mor... Você acha que sou louco? – Tirando o espetinho de peixe da fogueira, ele assopra algumas vezes antes de abocanhar.
— Eu não sei, talvez. Todos nós somos um pouco loucos. Mas por que pergunta? –
— É... Talvez. Eu não tenho certeza, mas acho que eu não lembro mais de como era minha vida... Eu não consigo mais me reconhecer. Parece que sempre estive fugindo minha vida toda, eu não consigo me lembrar o que fazia antes disso tudo. –
— Hm... Eu te entendo. Às vezes é difícil imaginar que a vida poderia ter sido diferente... Para melhor ou pior. Mas Veigar, não se preocupe, tudo será resolvido quando retornarmos. –
—Eu espero que sim... –
A fogueira se apaga e o Yordles adormece sobre os braços da anja que o acolhe, cobrindo-o com seu manto de plumas como um cobertor natural e assim eles passam o resto da noite protegidos do frio.
E foi durante seu sonho em que Veigar presenciou uma beleza rara, uma dama de longos cabelos brancos e olhos índigos, tão belos e frios como gelo. A jovem princesa que era coroa, segurava um arco em suas mãos e tinha um bom grande e forte ao seu lado, um bárbaro, um guerreiro.
Mas então algo acontece... Eles discutem e entram em confronto, são atacados por um exercito, mas lutam até o fim de suas forças, até a ultima gota de sangue pingar da lâmina curvada e as flechas disparadas.
Mas eles não resistem... Há outros guerreiros, mais poderosos que os soldados de antes e estes, os cercam com suas armas e magias. Desesperada, em meio as lágrimas de percorrem sua pele pálida a jovem princesa sussurra em suas ultimas palavras: “Precisamos de ajuda”. E com o golpe final, sua visão se estilhaça em pedaços sob um fundo negro, mas um pequeno pássaro cristalino voa para longe em busca de ajuda e é quando seu grito, seu clamor por socorro é ouvido, que Veigar desperta.
A mão tremula e o suor frio escorrendo por seu rosto, a voz da princesa ainda clara em sua mente, o Yordles sempre um mal pressagio e isso o preocupa.
Morgana desperta em seguida, abrindo seus olhos sob o raiar do sol e estendendo seus braços para um preguiçosa espreguiçada. Despertos, a arcana segura seu pequeno mago com força e salto rumo aos ventos que os guiaram até Runeterra.
O sol cintila com voracidade no horizonte e o vento se torna cada vez mais acolhedor, enquanto a dupla abandona o cenário florestal e adentra o escaldante deserto de Runeterra. Uma terra onde o sol é impiedoso e transforma a terra em um inferno e a lua surge para contra por com suas noites gélidas e mortais.
As dunas de areia estão por toda sua extensão, de várias formas e tamanhos, assim como as criaturas que habitam aquelas terras traiçoeiras. Por isso, Morgana achou melhor manter uma alta altitude, porem, seu suor escorria por todo seu corpo sob a tremulação de um horizonte que parecia jamais ter fim. Exausta, ela pousa sob um pequeno Oasis para recuperar suas forças.
— Falta muito? – Ela colhe um pouco de água com as mãos em concha, da pequena poça de água potável para refrescar seu corpo.
— Hm... Isso é estranho. A bussola de Syndra esta enlouquecida. – O artefato mágico dado a eles para se guiarem nas terras desérticas de Runeterra, havia perdido a noção do posicionamento e isso o fez rodopiar em todas as direções. E o mapa da antiga localização de Icathia havia se inflamado, combustão espontânea no momento em que Veigar o toca.
— Isso sim que é magia. – Resmungou Morgana. – Não consigo voar por muito tempo neste clima. O que faremos? –
— Em Bandópolis, antigamente nós Yordles criávamos túneis para nos proteger os predadores. Incríveis cidadelas subterrâneas. Então vamos para baixo. – Abandonando aquela bussola enlouquecida, Veigar e Morgana concentram suas magias para criarem um deslize de terra, o que não exigiu muito já que a superfície cedeu e desmoronou em uma queda de vinte metros.
Enquanto Veigar despencava em queda livre junto a um turbilhão de areia, seu corpo é envolvido pelas mãos de Morgana que dispara em vôo rápido e desce com precisão, desviando das ondas áridas que mergulham em um quase afogamento de areia. E em meio ao seu show de manobras, uma rota surgia vinte metros abaixo da superfície, uma entrada rochosa.
Não havia tempo para pensar duas vezes, era agora ou nunca, então Morgana avançou em direção a aquela entrada minúscula onde passam por muito pouco, antes dela se fechar para sempre com as toneladas de areia que a cobrem por inteiro.
— Escapamos... – Arfando, Morgana recupera o fôlego apoiada sobre os joelhos.
— Sim... Este túnel não é natural. Alguém esteve aqui. – E iluminando sua mão com um pouco de magia púrpura, o local se revela uma grande caverna com aquecimento natural do mar de areia a cima do teto recheado de estalactites.
— Vamos com cautela. Não sabemos o que podemos encontrar. – E o Yordles balança a cabeça em concordância, caminhando a frente de Morgana, já que era ele quem iluminava o caminho obscuro e tortuoso.
Aquela caverna parecia estar lá fazia décadas, era estranho como havia sobrevivido há tanto tempo com tamanho cuidado. Mas logo descobririam as origens de uma civilização perdida, pois desenhos em rocha e escritas ilegíveis eram encontradas cada vez com mais freqüência.
O caminho serpenteado era difícil de passar, não para Veigar, mas para Morgana devido a sua estatura normal, pois muitas vezes teve que se abaixar e se espremer para conseguir atravessar passagens que Veigar a deixou com inveja.
E sob uma luz branca no fim da escuridão, Veigar passa por uma difícil fenda e ajuda Morgana a atravessá-la, para depois se derem conta da gigantesca sala oval que há dentro daquela caverna. Onde uma luz natural vinha do teto, sem conseguirem imaginar como ela existia sem gotejar areia por aquele orifício, enquanto gigantescas estatuas de seres religiosos estão sentados em torno daquela sala. As grandes esculturas de pedra de deuses esquecidos pelo homem, estão segurando uma grande esfera de pedra, cada uma delas é de um tom diferente do outro.
— O que isso significa? – Perguntou-se Morgana, curiosa sobre aqueles seres mortos.
— Claridade, Honestidade, Fé, Respeito e Força. Essas são as cinco grandes orbes que mantém a estabilidade do mundo. – De repente, uma voz misteriosa surge da escuridão da caverna. Era uma voz brava, destemida, mística e imponente.
— Quem está ai?! – Gritou Veigar, ondulando suas mãos mágicas para um tom mais ofensivo. Morgana saltou para próximo dele, tocando suas costas as dele, alerta para qualquer ataque.
— Vocês não deveriam ter vindo até aqui. Vão embora agora e viverão! –
— Hm... Você é algum tipo de guardião? Ou coisa assim? E caso não saiba, nossa única saída foi bloqueada. Estamos presos aqui, amigo! – Gritava Veigar para o além.
— Eu não irei repetir! Este é meu ultimo aviso! –
— Mor... Se prepara. – Veiga sussurra. – Então vamos abrir uma saída aqui! HÁ! –
E de uma de suas mãos, Veigar dispara uma bola massiva de energia púrpura que voa em direção a cabeça de um dos deuses de pedra, porem... De repente, um portão dourado surge e absorve sua energia, desaparecendo com ela. E de um redemoinho de fragmentos dourados, surge no alto da cabeça daquele deus, um homem... Um ser mascarado de cintilantes olhos cerúleos, com um cachecol dourado em torno do pescoço e uma blusa dourada presa sobre a cintura.
Essa figura estava cercada por magia, uma magia amarela reluzente como ouro e sua expressão não era nada agradável, mas Veigar havia consegui fazer seu oponente aparecer.
— Como ousam! – Gritou em um duplo vocal. – A guerra consome o mundo de vocês e ainda assim, ousam vir até as tumbas dos antigos deuses e profanar este local sagrado!? Vocês não dão valor as suas vidas?! –
— Não queremos problema com você... Apenas viemos atrás da esmeralda de Icathia. – Disse Morgana abrindo suas enormes asas angelicais.
— Co-como sabem sobre Icathia? – De alguma forma, aquele ser dourado parecia surpreso ao ouvir aquele nome.
— É você... Você é o Profeta. – Disse Veigar e neste momento, os olhos do inimigo se fecham e um exercito de criaturas do abismo brotam da escuridão. Cercando-os.
— Meu nome é Malzahar... – Seus olhos se abrem lentamente, revelando um súbito lampejo índigo. – E sim, eu sou o Profeta de Icathia. –
— Onde está a esmeralda? – Perguntou Veigar.
— A jóia não deve ser tocada por mãos humanas. Vocês servem a um propósito maior, mas caem a tentação do poder... Hm. Isso é depressivo. Criaturas do Vazio! – Ordenou, iniciando um guinchar de feras. – Destruam nossos intrusos! –
— Seu desgraçado!! – Berrou Morgana disparando lasers mágicos branco de suas mãos, enquanto seu parceiro bombardeava as criaturas roxas com esferas mágicas.
As criaturas do Vazio são seres semelhantes com formigas, porem do tamanho de cachorros adultos, enormes monstruosidades de carapaça roxa capazes de devorar rochas e metais. E todas elas vêem de um mundo conhecido como “Vazio”, por trazer apenas a origem de tudo, o caos em toda sua forma. E de algum jeito, Malzahar parecia controlar estes pequenos soldados de um mundo sem leis e sem líder.
E enquanto a batalha contra o exercito do Vazio se desenrolava, com milhões de magias lançadas uma atrás da outra, estremecendo toda a caverna com os estrondos luminosos.
Veigar que estava saltando de um lado para o outro, disparando suas esferas mágicas, de repente, é surpreendido pelo punho de Malzahar golpeando-o no rosto e disparando-o até os pés de uma das estatuas.
E com um próximo movimento de suas mãos, o Profeta cria uma grande possa púrpura sob os pés do Yordles, enquanto seus olhos cada vez mais cintilam. – Veigar! – O corpo de Malzahar havia sido petrificado e antes de conseguir reagir, o guardião é arrebatado por uma explosão de luz branca que o arremessa para longe junto com alguns de seus soldados do Vazio.
Cercados pelas Criaturas do Vazio, Morgana recua com Veigar logo atrás dela, ainda tonteado pelo impacto do seu corpo. E em meio aquelas bestas, seu Projeta caminhava com elegância e total controla da situação, enquanto sua magia dourada circula seu corpo.
— Desistam. Seu corpo foi forte, mas não é o bastante. Estão em menor numero. É suicido. – Dizia Malzahar.
— Cala a boca! – Disse Veigar, tomando a liderança. – Eu posso ouvir o medo em seu coração! É você quem deveria desistir, Malzahar! – O guardião se enfurece e então duas esferas se formam, uma há direita e a outra a esquerda da dupla.
— Vocês não viveram por muito tempo. A fraqueza humana é inevitável e por isso, vocês serão destruídos! – Outra vez a possa de energia roxa sobre os pés deles, o que deixou claro de que Malzahar iria atacá-los com tudo que tinha.
— Eu vou...! – Mas a mão de Morgana impediu que Veigar caminhasse e olhando por cima do ombro, ele a vê com olhos carregados de fúria.
— Malzahar... Eu entendo que você esteja apenas tentando proteger este local, mas... – Flashes de Kayle em sua mente, desde a infância até a noite em que receberá a cicatriz que cruza seu olho. – EU NÃO VOU PERMITIR QUE FIQUE NO MEU CAMINHO! EU TEREI MINHA VINGANÇA!! –
Uma onda de ar e de repente, Veigar foi impulsionado para trás e preso contra a parede, as Criaturas do Vazio lançadas para longe e de repente, havia uma tempestade dentro da caverna.
Outra possa surge e dessa vez sobre os pés de Malzahar, mas ela não é roxa como a do Profeta, mas é vermelha como sangue e aquilo o machucava terrivelmente. Sua dor era tanta que ele não era mais capaz de permanecer com sua técnica e assim tentou recuar, desfazendo seus feitiços. Porem...
Era tarde demais para o pobre Profeta, pois Morgana já o havia enfeitiçado com sua magia de congelamento e assim, ele foi obrigado a permanecer de pé sobre a possa de sangue que o feria de dentro para fora, enquanto berrava em agonia sobre aquela magia profana.
— Para Morgana!! Já chega!! – Eram as palavras do Yordles, sentindo a escuridão preenchendo o coração ferido de Morgana, mas a tempestade estava tão forte que os ventos rugiram mais alto que sua voz. Ela jamais ouviria o que ele tentava lhe dizer.
— Reze agora! Reze para seus deuses mortos!! –
Os olhos de Morgana foram consumidos pelas trevas que habitam sua alma e do peito de Malzahar uma luz se esvaia e se encaminhava para dentro da garganta da anja feiticeira, que se alimentava do poder da alma do Profeta. “Não!! Você vai matá-lo!!” Veigar sabia que Malzahar teria matado-os, mas havia algo dentro de sua alma dizendo que ele não merecia morrer... Não agora.
E isso foi o bastante para forçar Veigar a lutar contra a magia de Morgana e conseguir disparar uma ultima esfera de poder, quebrando a ligação dela com o Profeta. “Já chega!!!”
Uma cortina de poeira havia se erguido e isso deu tempo para que o Yordles fosse capaz de respirar, de recuperar um pouco suas forças, tento o bastante para pensar em qual seria seu próximo passo. Mas quando a cortina diluiu-se e revelou uma mulher caída, apoiada contra o chão com lágrimas em seus olhos e um corpo quase sem vida, foi que Veigar percebeu que a luta havia se encerrado.
As Criaturas do Vazio desapareceram no momento em que Malzahar perdeu a consciência. Assustada e em choque, Morgana tremia, enquanto seus olhos lagrimejavam em uma tola tentativa de livrar-se do que havia dentro de seu corpo... Aquele sentimento, aquele ódio reprimido, aquele poder... Eram coisas que ela jamais havia desejado, mas que agora residem dentro de si e isso a assusta.
— Mor... Tudo bem? –
— Veigar... Me mata. – Seu olhar de espanto foi ao mesmo tempo de recuar um passo, diante da feição melancólica e desesperada de Morgana. – Eu suplico! –
— Acalme-se, tudo ficará bem... – Ele segura-a em seus braços, deixando a cabeça dela repousar sobre seu ombro, onde suas lágrimas poderiam correr em conforto. – Todos nós somos um pouco loucos... Não se desespere por isso. – Por mais estranho que suas palavras fossem, para Morgana eram tudo naquele momento. Um conforto que ela não sentirá há meses, Veigar a compreendia e foi isso que a fez parar de tremer e conseguir se recompor.
— Obrigada... – Ela ainda secava as lágrimas nos olhos inchados.
Enquanto Morgana se recuperava do choque de seus poderes, Veigar refletia sobre tudo que acabará de acontecer e foi quando se deu conta de algo... Malzahar não permitia que atacassem aquelas estatuas, mas por quê? Claridade, Honestidade, Fé, Respeito e Força. É isso, essa é a chave do mistério.
Quando seus pés movem-se em direção ao centro daquela reunião de gigantes, algo agarra-se a sua perna e sob seus frios olhos felinos, Veigar presencia a patética e desesperada tentativa do Profeta em detê-lo.
— Não... Por favor... Você não tem idéia do mau que irá libertar... – Com o pouco de energia que lhe restava, Malzahar se forçava a pronunciar aquelas palavras em uma ultima suplica.
— Hm... Como se o mundo fosse perfeito. – Não foi preciso muita força para livrar-se de seu encosto, e assim, Veigar caminhou até o centro das estatuas e concentrando grandes quantidades de magia em suas mãos, o mago disparava esferas mágicas na direção de cada uma das grandes orbes de pedra.
De joelhos, respirando com dor em seu peito, Morgana assistia Veigar destruir parte dos orbes de pedra e revelar fragmentos de uma preciosa pedra cintilante em verde intenso. A poeira que se ergueu com a queda das rochas não era nada, se comparado a luz emitida das cinco pedras místicas, onde sua luz iluminava o ambiente como se ele naturalmente tivesse aquela coloração esmeralda.
E então se segue o tremor... Veigar e Morgana se apoiaram no chão, enquanto toda a caverna estremecia e com isso, a queda das estalactites. Imediatamente seus pés foram em direção a sua parceira desprotegia, saltando até Morgana para criar uma barreira mágica capaz de protegê-los da chuva de espinhos. Malzahar havia se beneficiado da atitude de seu adversário, recebendo uma pequena parte da barreira mágica convocada.
Após alguns minutos de intenso tremor, a chuva se encerra e a poeira começa diluir-se para revelar os cinco fragmentos flutuando em um circulo perfeito, livres de sua prisão geológica. E juntas elas desceram rodopiando em uma dança harmoniosa, até estarem aos olhos de Veigar e Morgana, onde em um rápido flash e um som estridente, os cinco fragmentos tornam-se um magnífico cristal esverdeado.
— Conseguimos... – Sussurrou Veigar impressionado. Tirando seu casaco cinzento, ele acolhe o objeto dentro dos panos de sua vestimenta. – É melhor termos cuidado. Não sabemos o que acontecerá se tocarmos nessa coisa. –
— Concordo. – Respondeu Morgana em um sorriso charmoso.
De repente... O tremor.
— O que é isso?! – Veigar foi atirado para trás, rolando pela caverna, pois dessa vez o tremor voltou em grande intensidade. Aquele terremoto irá fazer a caverna desabar sobre seus intrusos e com isso, levando seu guardião derrotado para as profundezas do pós-vida. — Veigar!! – Berrou Morgana.
Cambaleando de um lado para o outro, quase não suportando manter os pés firmes no solo da caverna, o Yordles tentava correr de volta para sua parceira caída.
Enquanto o gato negro lutava contra as forças da natureza, sua adversária não poupava esforços para tentar soterrá-los e com isso, buracos no teto se foram para liberarem uma cachoeira de areia quente.
E em uma dessas rupturas Veigar foi atingido e o cristal lançado para Morgana, antes de seu corpo ser soterrado pela imensa quantidade de areia que despencava rapidamente. Desesperada, a arcana consegue reuniu os últimos resquícios de sua magia para lançar um feitiço de congelamento temporal, sobre o turbilhão de areia que afoga seu parceiro.
Impedindo com que a areia escorresse por alguns segundos, congelando-se no ar, Veigar foi capaz botar a cabeça para fora do amontoado de areia que o soterrou e respirar fundo. Sem ter tempo para pensar no que fazer, Veigar usa sua magia em si mesmo causando uma explosão de areia e livrando-se de sua prisão. Onde rapidamente saltou para escapar de outra avalanche.
Correndo com toda a força de suas pequenas patas, o gatuno usufruiu de sua sagacidade natural para lançar-se o mais rápido possível até Morgana, desviando da areia que caí do céu em torres perfeitas, fazendo um zigue e zague ao longo do caminho.
Mas de repente, um som faz seus olhos assustados voltarem-se para o alto e é quando seu coração dispara, ao ver um enorme pedaço do teto trincando e resquícios de areia atravessando aquelas minúsculas fendas. Ele desabará sobre Morgana e Malzahar.
Seu corpo se esforça ao máximo para alcançar o outro lado, faltando apenas alguns metros, mas a cada passo o teto fica mais próximo de esmagar aqueles dois. Mas Veigar impedirá aquele futuro de morte, de um jeito ou de outro, não permitiria que sangue inocente fosse derramado.
E foi assim, em um estalar de dedos, quando Veigar focalizou-se ao lado de Morgana e de repente, em um Flash, ele estava lá. Não sabia como e nem mesmo iria parar para questionar aquele movimento veloz, pois tudo que seu corpo fez naquele instante foi retirar o pergaminho do teletransporte e desenrolá-lo de uma vez.
Toda a estrutura do teto despenca seguida de uma avalanche de areia escaldante, inundando aquela caverna subterrânea cultivada por séculos de vida e perdida em um único dia, tornando-se parte do deserto de Runeterra.
Muito longe daquelas terras místicas e amaldiçoadas, muito além do alcance dos homens, em um reino flutuante que vive sobre as nuvens seguro de todo o mal externo, há o Palácio Encantando de Syndra.
Sentada em seu trono majestoso de mármore, confeitado por jóias raras, em uma sala luxuosa com grandes janelas que chegam até o teto, há metros de altura do chão. O tapete vermelho a frente de seus pés, onde todos que desejam vê-la curvam-se diante a sua imperatriz.
Vassouras, rodos, panos, cortinas, mobilhas, tudo era encantado para trabalhar na limpeza e organização de sua residência, enquanto a Imperatriz observa o mundo há fora sob a superfície envidraçada de seu orbe negra.
E naquele momento, Syndra vasculhava cada centímetro de Runeterrra em busca de seus discípulos, mas não os encontrava em lugar algum... Normalmente ela não se preocuparia com outros que não fossem ela mesma, mas quando perdeu o sinal deles algum tempo atrás, uma pequena pontada de preocupação e angustia começou a infringir seu coração solitário.
De repente, uma forte luz celeste e então sua sala do trono estava coberta de areia e poeira, fazendo os olhos de Imperatriz se revelarem em uma rara expressão de espanto. E de no centro da areia esparramada ao longo do salão, caídos diante seus pés, estavam seus discípulos e um homem mascarado desacordado, todos feridos e exaustos.
— Veigar! Morgana! – Anunciou Syndra em espanto. – O que aconteceu com vocês? –
— Aah... Você não vai querer saber... – Resmungou Veigar, respirando fundo, sentindo areia dentro de seus pulmões, o que faz tossir de forma rouca.
— Onde está? – Perguntou de imediato.
— O que? – Respondeu Morgana, não tão melhor do que Veigar.
— A jóia. Onde ela está? – Poderia ser impressão dos discípulos, mas aquela troca de olhares dizia a mesma coisa... Não importa o que houvesse acontecido com eles, tudo o que interessa a Imperatriz é sua jóia. E isso... É algo do qual deixaram aqueles dois muito irritados.
— Hm... – Veigar abre um sorriso cruel. – Sabe o que é engraçado? Nós quase morremos e para que...? Por uma estúpida jóia! Então ouça essa, minha rainha! – Anunciou Veigar em alto tom de ironia. – Nós escolhermos viver ao morrer por um objeto sem valor! Sua jóia está perdida para sempre nas profundezas de Runeterra! –
Morgana observou tudo quietamente, não deixando passar um detalhe na expressão de incrédula de sua imperatriz, onde se ergue do seu trono com a respiração ofegante e aqueles púrpuros olhos tremendo em pavor. Ou seria... Raiva?
— I-isso é mentira. Você está brincando comigo... Oh meu amado Yordles, não machuque o coração de sua bela imperatriz assim. – Era evidente que ela estava se esforçando ao máximo para manter aquele sorriso doce e meigo, tentando esconder seus reais sentimentos.
— Me poupe. – Veigar se põe de pé e a encara com desprezo. – Pode parar com essa encenação barata, Syndra. Você nunca sentiu nada por nós! Tudo o que sempre quis foi nos usar para ir atrás da sua maldita jóia, pois se morrêssemos você estaria aqui, segura em seu palácio intocável... Não acredito que fui tão tolo de achar que realmente você se importava conosco... Comigo... –
Nas profundezas de sua mente perturbada, Veigar ouvia a melodia de sua falecida mãe em uma memória do qual estava lá, mas inacessível em sua consciência.
E a imagem de Syndra, os olhos púrpuros de sua Imperatriz lhe traziam conforto, calor, segurança... Em Syndra havia o reflexo distorcido de uma mãe que não existe.
Toda aquela imagem doce e serena de mãe, havia desaparecido tão rápido que era quase inacreditável que a Imperatriz fosse capaz de amar... Seu olhar cruel e sem compaixão refletiam a imagem de um órfão guiado pelo ódio sem compreensão da razão.
Seus ombros relaxados, toda a compostura de realeza havia sido deixada para trás... Seja quem for que estivesse diante de Morgana e Veigar nos últimos tempos, não é a mulher diante seus olhos.
— Tem razão... Não me importo com vocês. Nunca me importei. – Em um tom desprovido de amor, Syndra dispara suas orbes negras contra Veigar e Morgana, golpeando-os com uma saraivada de grandes esferas negras. Derrubados, feridos e exaustos os dois tentam se recompor, mas seus corpos são esmagados pela magia da Imperatriz. – Há muito tempo quando descobri meus poderes, eu os achei fascinante e era incrível como eles evoluíam rapidamente! Mas então, meus pais e amigos temiam o pior... E por isso, me enviaram para um monastério ao sul de Valoran, onde um monge mestre das artes arcanas me ensinaria a controlar meus poderes. Hm... – Seus lábios se contraem em um sorriso sádico. – Tola. Eu era tão ingênua quanto você, Veigar... Eu o via como o pai que nunca tive e isso foi o meu erro... Estava cega pelo amor que ele tinha por mim, não percebi que na verdade, o monge estava me segurando! O local havia sido preparado para drenar meus poderes e impedir que eu alcançasse meu total potencial! –
— É... Acho que te entendo... – Sussurrou Veigar com o pouco ar que sobrou em seus pulmões achatados, relutando para se libertar de seu esmagamento.
— Entende? Você entende que eu precisei arrancar a alma daquele velho tolo, não é? – A rainha dá as costas para seus hospedeiros e observa mais atentamente o jovem Malzahar, desacordado no chão de seu palácio. – E seu templo precioso? Hm... Eu o arranquei das mãos dos homens... Eu o levei para além das nuvens, onde nenhum humano pudesse tentar me controlar novamente! Eu nunca mais serei controlada por ninguém! –
— Sua cretina...! Como ousa nos usar desta forma! – Exclamou Morgana, enquanto suas mãos e pés se forçavam a mantê-la apoiada contra o chão, suportando o peso da esfera em suas costas.
Houve-se uma explosão de magia e de repente, Veigar e Morgana estavam livres e flutuando em meio a um buraco que leva ao andar inferior. A fumaça roxa exalando do braço de Veigar, sinalizando o fluxo de magia recente, enquanto seu corpo está envolvido pela mão de Morgana que o sustenta com suas asas.
— Com o guardião morto, obterei a jóia com minhas próprias mãos. Tudo de que preciso é me alimentar da alma de vocês e me tornarei ainda mais poderosa! – De repente, enquanto seus olhos estavam voltados para seus aprendizes, sua mente manipulou várias esferas negras para que cercassem os traidores.
— Eu jamais deveria ter ignorado meus instintos... – Aconteceu em instantes. A sala se preencheu de grandes orbes negras que atacariam ao comando de Syndra. – Mas não cometerei esse erro novamente! –
Como um trovão ecoando no céu, as orbes destruíam o salão em clemência, vindas de todas as direções em velocidades esmagadoras. Veigar jamais se sentiu um felino nato como naquele momento, onde saltava de esfera para esfera, enquanto destroços de madeira, mobilha, paredes e vidraças eram dissipados ao seu redor conforme o jogo de sua Imperatriz.
Morgana, por outro lado, já desprovida do instinto de sobrevivência, corria para longe do caos saltando e rolando, esquivando-se e paralisando os objetos com três vezes o seu tamanho. Mas nem mesmo assim, ela foi capaz de escapar ilesa, onde cada golpe trocado com seu corpo era como reviver a dor dos punhos pesados de Kayle.
A defesa pessoal de orbes negras rodeia-a como o centro do universo, enquanto sua deusa, a Imperatriz Syndra, comanda seus planetas sombrios para que esmaguem os que um dia chamou de “aprendizes”.
Os Yordles são criaturas magníficas, pensam e agem como humanos, mas seus instintos animalescos são levados até a morte. Veigar naquele momento de ação frenética e morte quase certa, jamais imaginaria ser grato por ser algo do qual jamais teve orgulho... Um gato preto.
O mesmo animal que agora salvará sua vida provido de despreza e sagacidade, saltando com elegância de orbe a orbe, até finalmente estar planando sobre a defesa pessoal da Imperatriz. Obtendo a brecha necessária para dar o golpe que acabaria com aquele conflito de uma vez por todas.
— Veigar... – Sua voz era como um sussurro dos campos de Bandópolis, calmo, sereno e doce... Seus olhos são como um desejo intocável, seus lábios em um sorriso sincero clamando por clemência. Veigar não conseguia atingi-la, não parecia certo aquilo, na verdade, estava errado, parecia errado mesmo que todo seu corpo falasse o oposto.
Duas orbes negras golpeiam o Yordles com exatidão em um momento de lucidez, arremessando-o para o cômodo do andar superior. Por que não consigo atingi-la? O que está acontecendo comigo?
Outro golpe e Veigar é trazido de volta ao grande salão arruinado, enquanto as esferas sessão seu ataque aglomerado ao verem a mão de sua Imperatriz erguida em sinal de pare.
— Veigar!! – Berrava Morgana, presa contra a parede sob o pesar das esferas contra seu corpo. – Levanta! Você precisa lutar! -
— Ele não vai. – Respondeu Syndra, aproximando-se do Yordles caído de rosto no chão. Estático, imóvel como um morto, ou, como alguém que deseja a morte... Veigar parecia ter se rendido, enquanto sua mente buscava a resposta para seus punhos, seu corpo se recusava a se mover. – Ele é incapaz de me tocar... – Suas mãos protegidas por longas mangas pretas, pegam o Yordles com delicadeza segurando em sua pelagem natural. – Olhe para ele... Tão ingênuo... –
— Veigar... – Seu nome saiu como um sussurro deixado ao vento para desaparecer sem ser ouvido, quando Morgana presenciou algo que jamais imaginaria ver... Veigar sorria.
O Yordles sorria em uma alegria melancolia, uma alegria de dor e perda... Seja o que for que Veigar estivesse vendo a sua frente, não era Syndra e com certeza não estava vivo... Morgana já se pegará muitas vezes com aquele mesmo sorriso no rosto, enquanto as lágrimas percorriam sua pele gélida e seus olhos fixos na cova de seus pais, relembravam as melhores lembranças de momentos que já não existem mais.
— Acorda Veigar! Não importa o que esteja vendo, não é real! Veigar! –
Mesmo sobre os gritos em suplica, Morgana é golpeada no rosto até o sangue falar mais alto, escorrendo por seus lábios entre abertos como um remédio que deixa um gosto amargo na garganta.
Realmente, Veigar não enxergava mais Syndra ou Morgana, tudo que seus olhos enfeitiçados eram capazes de ver era a imagem de sua mãe... A bela gata negra de olhos cerúleos, tocando com delicadeza e calor seu rosto ferido e exausto. Um órgão como Veigar fora toda sua vida, que teve os únicos momentos juntos de sua família quando recém nascido, era quase um sonho realizado estar junto da pessoa que faz seu coração pulsar rápido em amor.
— Mãe... – Mesmo jamais tendo uma imagem clara em sua mente, era inegável, Veigar sentia em seu coração que aquela pessoa diante dele era sua mãe. Dizendo que tudo bem, tudo ficará bem, enquanto feridos surgem repentinamente em seu corpo. – Eu sento tanta a sua falta... –
Seus olhos encontram os dela em uma vastidão branca que os separa da realidade, talvez, Veigar estivesse prestes a morrer e como um desejo final, a Morte lhe concedesse a chance de rever a única pessoa que realmente amou Veigar algum dia.
— Veigar, meu grande e valente Yordles. — Disse sua mãe, com a voz que ele sempre imaginou que ela tivesse. – Você sabe que isso não é real... Você está sonhando. E você precisa acordar, ou irá me reencontrar no além... –
— Eu não me importo. Eu só quero ficar junto de você! – Veigar abraça a cintura de sua alma gata, tendo o dobro de sua altura.
— Veigar... – Ajoelhando-se perante seu filho, sua altura se iguala e assim ela é capaz de olhá-lo no fundo de seus olhos e sentir todo o amor enterrado em seu coração. – Isso está além de você, ou de mim, é muito maior do que nossos desejos. Você é especial meu filho e está aqui para fazer coisas grandiosas... Veigar, enquanto você está aqui comigo, outros estão sofrendo. –
— Mãe... E-eu não tenho propósito algum... Tive meus poderes por acidente... Teemo era para ter acabado em meu lugar. Ele é um herói, não eu! – De repente, uma voz familiar ecoa na mente de Veigar... Era uma voz triste, solitária, uma voz vinda de seus sonhos. – O que é isso? –
— O mundo é vasto e está além dos muros do palácio... Há pessoas por ai que precisam de você. Veigar, meu filho, você foi escolhido para ter este dom por uma razão. – Com gentileza ela põe suas mãos por cima das de Veigar, fazendo-as cintilar em tamanha luz negra. – Você é capaz de tornar as trevas do mundo em algo bom, em algo do bem. Você faz da escuridão à luz que guia a todos nós. –
— Eu... Eu não sei... Eu tenho medo. Tenho medo de fracassar! Eu não sei mais o que é real ou não... Eu não lembro de quem eu era! Eu não sei quem eu sou! – Em seus desesperos, as lágrimas escorrem por seu rosto angustiado, enquanto o toque caloroso de sua mãe acalma seu coração aflito.
— Veigar, acalme-se. E feche os olhos. –
— Tudo o que vejo é escuridão... – Busque mais fundo. — Espera... Há luz... Vejo um garotinho correndo com livros na mão e... E... Senhor Yagi! E-ele está em apuros! Bandópolis! Não! Não! – Abra seus olhos, meu filho. – Mãe... Eu vi meu lar sendo destruído por um poder maligno... Mas, eu também vi... – Sim, amor?— Eu vi a mim mesmo combatendo o mau. Usando o poder que corrompe o mundo para vencê-lo. –
Os lábios de uma mãe tocam sua testa e deixam uma marca inapagável... Uma marca em seu coração, algo que Veigar carregaria pelo resto de sua vida. A fonte de seu poder, de sua vontade. Lute meu filho. Lute até o fim de suas forças e continue lutando além. Eu amo você, Veigar.
...
Ouvindo a gargalhada maléfica de Syndra, enquanto está prestes assassinar a mulher que esteve ao seu lado todo este tempo, Veigar é incapaz de não sentir aquele calor subir por seus punhos e emanar o poder que há em sua alma.
Caído em meio a destroços, seu corpo se ergue emanando a luminescência de seu poder... A luz negra que o cobre de preto e roxo, o poder que corrompe e destrói. O poder de sua luz.
— Syndra!! – Ele grita, chamando sua atenção.
— Você esta vivo?! – Ela se espanta e Morgana sorri em alivio.
— Chegou à hora de pormos um fim nisso... —
Sob ordens de sua Imperatriz, as esferas negras atacam o semi-morto do Veigar e são repelidas para longe sobre disparos de magia negra. Desesperada, Morgana reúne todo o poder de suas esferas e as dispara em um único e veloz ataque, Poder Irrestrito!!
A saraivada de esferas negras disparadas a uma velocidade que desintegraria seu corpo, vem agora a sua frente, mas medo é o que alimenta o pequeno Yordles.
E como um Flash nutrido de um Fantasma, O feiticeiro negro escapa do devastador poder de Syndra e com a ajuda de Morgana, eles a empurram com raios de magia até o extremo da sala.
— Isso não acabou! — Veigar impede a fuga de sua mestra, prendendo-a dentro de uma barreira mágica que faz apavorar-se. Onde após anos longe dos perigos do mundo de Valoran, Syndra esquecerá que assim como ela, outros poderosos podem nascer.
— Veigar! Para! Por favor! – Usando de seus poderes sobre o pequeno Yordles, Syndra tenta uma ultima e desesperada tentativa de colocado sob seu controle novamente. – Pense em sua mãe... O que ela iria querer? –
Os punhos serrados, os dentes rangendo e serrando uns sob os outros, o poder cresce no Yordles até os olhos serem preenchidos de trevas e somente as pupilas douradas sobressaírem sobre o breu.
— Como ousa...!! Como tem coragem...!! COMO OUSA USAR MINHA MÃE CONTRA MIM?!!! SYYYYNDRAAAA!!! –
Primeiro um turbilhão de magia a empurra aos limites da barreira, ferindo-a superficialmente, mas então vem a luz... Iluminada por uma luz negra, Syndra é mergulhada em um raio de poder mágico que caí do céu, perfurando cada andar de seu palácio até atingi-la.
Suas roupas queimam e se desfazem a medida de sua pele se fere sob aquela magia tão mortal e poderosa, que faz com que Morgana erga os braços para proteger o rosto do fulgor que a cega.
— Eu vou destruí-lo! Yordles desgraçado!! – Berrava em agonia a Imperatriz que tinha seu corpo dilacerado pode fluxo de magia continuo. – DESTRUIREI SEU MUNDO E TODOS QUE VOCÊ AMA!!! –
— Hehehehe... – Começou com uma pequena risadinha, mas logo se tornou uma enfática gargalhada. – HÁ!HA!HA!HA! – Então o silêncio... Seguido das palavras sombrias e distorcidas de uma voz possuída. – Eu vou engolir sua alma... –
A mão direita erguida pro céu convoca toda a escuridão, toda magia contida naquele salão para se concentrarem em um único ponto. Veigar havia reunido toda a magia do local, de Syndra, Morgana e do pobre Malzahar que teve seu corpo quase arremessado para as longínquas terras de Valoran.
Houve apenas uma fração de segundos, milésimos, um pequeno espaço de tempo ao qual a barreira se desfez em conjunto com o raio que cortou os céus... Mas este não foi o tempo para Syndra salvar sua vida, não mesmo, pois aquele foi o momento em que todo o poder de Veigar fora disparado em um único golpe...
A Explosão Primordial.
Uma fração de segundos e era o fim... O palácio voador de Syndra se desfez em pedaços sob uma explosão de luz púrpura, sobre chamas de magia, lado a lado em um único momento.
Veigar foi lançado por uma das janelas que permaneceu de pé até aquele momento, onde um corpo a atravessa seguido de uma explosão mágica. Ferido, exausto, inconsciente, Veigar havia usado todo o poder que lhe restara e isso ocasionaria em sua morte.
Seu corpo despencando em queda livre, rodopiou após bater contra alguns pedaços de parede, vigas, partes do castelo que viajavam mais rapidamente rumo ao novo lar na terra firme.
E sob um segundo... O ultimo segundo de vida consciente, onde Veigar foi capaz de abrir seus olhos negros mais uma vez... Viu ao seu lado alguém que teve orgulho de chamar de amigo. Morgana despencava com suas asas envolvidas pelo fogo negro que a consome e a perece em um sonho eterno.
Por que você busca poder?
Um dia me fizeram esta pergunta e na época eu não sabia a resposta... Mas agora eu sei... Não é por mim, não é por desejo, não é por prazer.
Eu busco poder para que outros não obtenham, para que aqueles que trazem as trevas não possam usá-la contra nós. Por isso... Eu escolhi me sacrificar para permitir que o mal seja contido. Eu sou o receptáculo das trevas e assim eu posso proteger a todos que amo.
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