League of Legends: A História Não Contada

1 Arco I - Ashe. - A Tribo de Tundra


Arco I – Ashe

Capítulo 1 – A Tribo de Tundra

Freljord, a aconchegante e gélida terra dos ursos polares, onde a temperatura sempre está próxima de zero e raramente a cima dos doze graus, porem, não há uma só pessoa que caminha sobre a neve que reclame desse frio.

Ou, melhor dizendo, Freljord é como minha terra costumava ser chamada quando todas as tribos eram unidas e nosso país pacifico, porem... Nosso lar se desfragmentou e com isso, o reino de Freljord se tornou ruínas e apenas suas histórias vivem.

Meu nome é Ashe, sou filha dos atuais reis de uma tribo guerreira vivente nas terras gélidas do norte e minha família é descendente da maior rainha que já pisou sobre nossas terras, Avarosa: A rainha de Freljord.

Existem muitas lendas sobre Avarosa e eu amo todas, não consigo negar tal admiração por alguém tão incrível quanto à antiga rainha do antigo reino gélido... Porem existe outros, tais como minha mãe, que tentam por em minha cabeça que meu fascínio é tolo e sem lógica.

Mas convenhamos... Alguém que carrega um poderoso arco capaz de disparar flechas congelante, que guia um país com força e bravura, que mantém seu lar vivo mesmo sob as terríveis condições do frio, é incrível demais, não é?

Nosso povo, a tribo Tundra, são pessoas muito gentis e bem amigáveis que trabalham duro em suas plantações, que treinam arduamente para proteger nosso lar quando necessário, que ajudam uns aos outros.

Meu pai, o rei de Tundra, é talvez o maior guerreiro de nossa tribo, pelo menos, posso afirmar que é o mais honrado dentre todos.

Já minha mãe, a rainha, descendente de ex-rainha Avarosa, é uma mulher que se pode dizer que tem “coração frio”, irônico, porem, é verdade. Não quero dizer que ela é uma má pessoa, mas pelo contrário, sua determinação é firme e seu julgamento é justo, por isso nosso povo respeita-a tanto, afinal, liderança é preciso pulso firme.

E ainda resta eu... Ashe, a adorável herdeira da tribo de Tundra, uma jovem moça de belos e longos cabelos loiros como gira-sois, olhos tão brilhantes quanto às graciosas esmeraldas e de corpo muito bem desenvolvido, atraente, para não me gabar, mas para alguém com quinze anos é algo que não se pode deixar de destacar.

Mas minha história começa alguns anos atrás... Quando eu era apenas uma doce e ingênua princesa de oito anos de idade.

– Mamãe! Vamos visitar as fortalezas de nossos ancestrais? – A garotinha puxa o vestido de sua bela mãe, que está sentada sobre o trono da rainha, com a atenção voltada para um livro de capa vermelha.

– Ashe, querida, não foi assim que lhe ensinei. – Sua voz é firme, inabalável.

– Ooh... Perdão mamãe. – De imediato largo seu vestido e me ponho com as mãos rentes à cintura, curvando diante minha rainha, minha mãe. – Mamãe, gostaria de ir visitar uma das fortalezas de nossos ancestrais. A senhora poderia me levar? – Minha afeição infantil desaparece e uma expressão séria paira sobre minha face.

– Melhorou. E não, infelizmente não posso querida. Seu pai e eu temos assuntos a resolver com a tribo da Guerra do Inverno. – Sob suas palavras, meu olhar se entristece, mas... – Mas. – Diz ela. – O que acha de olharmos as estrelas ao anoitecer? –

– Vai me contar uma nova história sobre Avarosa?! – Berro em um êxtase de felicidade, enquanto dou pulinhos e bato as palmas das mãos.

– Ah-ham! — Ela tampa a boca com a mão, para o que deveria ser uma tosse, mas lógico que não era.

– Quero dizer... – Paro com os saltos e os gritos e volto a me curvar. – Adoraria, mamãe. – E a vejo sorrir.

– Vá se divertir. Mas não quero que se afaste de nossas fronteiras. – Ela ordena.

– Sim, claro. Até mais tarde mamãe. –

Ela beija minha testa e logo saio correndo pelo grande salão de jantar, passando entre as mesas de madeira, até chegar às enormes portas de carvalho dos quais se abrem antes que eu possa tocá-las.

Quando aquelas coisas enormes se abrem, sou atirada ao chão e é claro que meu “gritinho” chama atenção de minha mãe, que imediatamente se ergue do trono com seu olhar mortalmente gélido, pronto para degolar quem se atreveu a derrubar a princesa de Tundra.

– Minha rainha! – Anuncia. – Ah...! Que dia espetacularmente maravilhoso para nos banharmos nas águas termais de Pololo, o que me diz? – Esse é meu pai, o rei de Tundra. Um guerreiro esplendido, mas um homem gozador da vida e diante seus soldados, um “coração mole”.

– Anh... Querido? – Perguntou a rainha.

– Hm? O que foi? – E é então que ele me vê. – Oh minha filha! O que fazes caída ai no chão frio? E essa mancha vermelha em sua testa? – Ele me pega no colo com seus braços grandes e fortes como toras.

– Foi você papai... – Respondo manhosamente. – O senhor bateu a porta em mim, quando iria sair, por que não bateu na porta antes? – Faço um olhar de choro, pois sei que é ponto fraco dele.

– Oooh...! Minha princesinha, perdoe seu tolo pai por tal imprudência, deveria ter anunciado minha entrada antes. – Ele dá um beijo em minha testa, depois outro, outro e logo estou afogando-me em seus lábios, enquanto me contorço com risos.

– Amor... Você se esqueceu? Temos que ir ver a Garra do Inverno, lembra-se? – Diz minha mãe, enquanto volta-se a ler aquele livro de capa vermelha.

– Aah... – Suspira. – É sério? Eles são bárbaros. Não vão ouvir uma palavra do que temos a dizer. – Diz meu pai, enquanto me mantém em seu braço esquerdo, onde me apoio em seu ombro musculoso.

– “Bárbaros”? O que isso significa papai? – Pergunto de forma inocente.

– Hm... Como posso explicar... – Então minha mãe o interrompe: — Eles não tem bons modos como nós, minha filha. –

– Oh... – Suspiro. – Então o papai bate neles com toda força, tcha!! – Começo a dar golpes leves no rosto barbudo de meu pai.

– Hehehe. É isso mesmo princesinha. – Ele ri de minha graça, enquanto minha mãe não nos dá à mínima, pois sua leitura está gostosa demais.

Me despeço dos reis e corro para fora daquele castelo, quero logo me encontrar com as crianças de minha tribo, meus amigos Yig, Binbu, minha amiga Jade e sua irmã Safira.

Sou uma terrível, como diz meu pai, e talvez ele tivesse razão, pois logo que encontro o quarteto peço que me acompanhem além das fronteiras, até a Fortaleza Glacial ao norte de Tundra.

– Você ficou louca! Seus pais, alias, nossos pais vão matar a gente! – Gritou Yig.

– Is-so se ou-tr-o bicho na-o nos ma-tar pri-pri-meiro! – Disse Binbu sob sua gagueira.

– Ah qual é meninos! Deixem de ser covardes! – Ponho as mãos sobre a cintura de meu vestido anil. – Serão apenas algumas horinhas e nossos pais nem estarão na vila. –

– Yig e Binbu estão certos, Ashe. Será perigoso – Essa é a Jade, a irmã mais velha.

– Sem essa! Estou contigo Ashe. E se aparecer algum bicho, você dá um jeito com seu arco! Né amiga? – A garota se apóia em mim é Safira, a menor do grupo e mais nova também, porem, a mais corajosa e que mesmo estando sempre com um gorro de panda sobre a cabeça, não pelo frio de nossa terra, mas pelo fato de que Safira teve o cabelo queimado em um acidente aos seus quatro anos.

– Beleza. E ai mocinhas, estão dentro? – Ah! Quase me esqueci de dizer, desde os seis anos eu já era uma ótima arqueira, pois meu pai me obrigava a praticar todos os dias, pois filha dele tem que saber se proteger. E tudo bem, eu adorava, afinal, sempre amei o arqueirismo devido a minha heroína Avarosa.

– Aah... Ok. Estou dentro, mas vou levar minha clava! – Diz Yig cruzando os braços.

– Oh me-meu Deus... Va-mos lá... – Só faltava uma.

– Vai mana, por favor, por favor. Eu quero muito ir... Mas só se você for também. – Jade olhou sua irmãzinha de cima a baixo e lembrou-se do terrível acidente que acabou com sua cabeleira e sobre isso, não é mais capaz de negar seus pedidos... Pois tudo ocorreu quando Jade se recusou a ascender uma vela para Safira e a pobrezinha acabou incendiando sua casa tentando ascender uma vela...

Então a princesa corria de volta a seu quarto, onde retirava da parede dele, um arco com as letras “A-V-A-R-O-S-A” estancadas em seu cabo, a aljava de flechas feita de pele de urso.

A garota voa para fora do local e junto de seus amigos, fugiram para a fronteira de Tundra e sem serem avistados por alguém, deixaram a tribo e adentraram as florestas congeladas do norte.

E não demorou muito para avistarem a gigantesca fortaleza, caminhamos em torno de meia hora e logo estávamos lá, admirados, com nossas bocas abertas diante o local abandonado por nosso povo e tomado pelo gelo.

– Vamos lá galera. – Digo, indo na frente.

Avistamos uma pequena abertura próximo dos portões de gelo, por onde tem o tamanho exato para uma criança como nós passarmos, vou primeiro, pois sou aquela que está armada.

– Hey Ashe, podemos ir? – Perguntou Yig.

Mas nada respondo e a pergunta se segue novamente, mas uma vez mais lhes dou meu silêncio, até que tentam se aproximar da entrada e ponho minha cabeça para fora gritando “BOO!”.

– Eu te odeio, Ashe... – Disse Jade me olhando com raiva, pelo susto que ela e os outros levaram.

– Hahahaha. Vocês não sabem rir da vida, venham, está seguro. – E após eu chamá-los, eles entram.

O local é quase mais gélido do que o lado de fora e a escuridão toma conta daqueles corredores vazios, mas rapidamente retiro a tocha que ascendi na parede e a entrego para Jade, aquela que tem o pulso mais firme.

Yig caminha na frente com sua grande clava, ele é o mais velho, tem treze anos e já é um guerreiro, mas ainda lhe falta coragem... Por isso estou em sua retaguarda com meu arco e flecha em prontidão. Safira e Binbu caminham atrás de Yig e Jade, mas na minha frente, pois sou a ultima para cuidar da retaguarda de nosso grupo.

Nós andamos por aqueles corredores sem o menor sinal de problema, até chegarmos ao topo de uma das torres, onde caminhamos pela muralha e vimos o sol no horizonte, aquecendo nossos corações, enquanto os pingos de neve caem lentamente sobre nossas cabeças.

– Uau...! Olhem essa vista! – Disse Safira impressionada.

– In-incrível! – Concordou Binbu ao aproximar-se da borda da marulha.

– Eu não falei gente. Essa vista aqui valia a pena. Dá para ver nossa tribo bem à frente, logo mais ao sudoeste a Garra do Inverno, onde nossos pais tentaram um tratado de paz. – Eu guardei a flecha e coloquei o arco sobre meu ombro, para ficar mais fácil de subir na borda da muralha e sentir o ar congelante cortar meu corpo, enquanto estou de braços abertos.

– Por que será que nossos ancestrais abandonaram essa fortaleza? Ela é tão bela. – Disse Jade, a garota que apenas mantinha uma mão sobre a borda coberta de neve e um olhar sério para o horizonte... Talvez, eu acho, imaginando se seu falecido pai estaria em algum lugar à cima das nuvens de Freljord.

– Minha mãe diz que é por que esse lugar fica tão frio durante o inverno, que é impossível se manter lá dentro. – fala Yig, enquanto aquece suas mãos, esfregando uma na outra.

– Mas se isso é verdade, então... – Mas antes que eu possa terminar a frase, ouço um rosnar vindo da parte leste da muralha, da sua outra ponta, de onde um grande urso de pelagem negra e olhos amarelados caminhando para fora da torre leste com seus dentes a mostra.

Imediatamente nossos olhos se arregalam e nossos corpos se movem cuidadosamente para trás, pois nossos pais nos alertavam: “Se encontrarem com um urso, não façam movimentos bruscos. Mas se eles avançarem, CORRAM!”.

E conforme minha mão vai se estendendo cautelosamente até a pena branca de minha flecha, vejo seus olhos me fixando, como se dissessem: — Tente me acertar. Mas se falhar, saiba que irei de comer no jantar –

O urso urra de forma que a geleira do telhado despenca em uma avalanche, onde nesse mesmo mento, ordeno que corram para fora.

E assim nós quadro entramos na torre oeste e descemos aqueles degraus como se todo o edifício estivesse desmoronando, mas aquele tremor, vinha é do urso negro que nos perseguia.

– Por ali! – Grito saltando por cima dos meus quadro amigos, rolando sobre a queda no chão frio e apontando a direção certa em meio a três corredores que se interligam na entrada da torre.

Nós ouvíamos claramente o rugir do urso e não parecia estar longe, mas estávamos perto da entrada e assim poderíamos escapar, prendendo-o lá dentro.

Perante a pequena entrada, levaria alguns segundos até todos atravessarem, então mando que vão na frente, enquanto saco minhas flechas e disparo as cegas no breu do corredor.

– Vem Ashe!! – Berrou Yig, o ultimo a atravessar a passagem.

Porem... Sinto aquele ar quente percorrer meus cabelos e meu coração saltar pela boca, quando meu corpo tremulo se vira e vejo aqueles grandes olhos amarelados, me encarando do alto, estava muito distante, por isso afirmo que a besta estava de pé ao meu lado.

E por alguns segundos o silêncio reinou ali, até o apavorando rugir da besta que avançou em minha direção, onde desesperada, saquei uma flecha, estendi a linha e disparei o projétil que atravessou seu olho direito, enquanto me lancei para trás e vi a grande besta destruir meio portão da fortaleza.

De imediato, meus amigos me agarram pelos braços e me ergueram, onde aproveitamos para fugir, enquanto olho para trás uma ultima vez, vi aquele animal rugir angustiadamente com a flecha cravada em seu olho.