League of Legends: A História Não Contada

8 Arco II - Tryndamere - O Bárbaro, o Protetor e o Bêbado


Arco II — Tryndamere

Capítulo 3 – O Bárbaro, o Protetor e o Bêbado

Já se passou muito tempo desde que a dupla saiu das terras de Sherwood e atravessou a Montanha Branca. Caminhando por longos percursos meio a nevasca, enfrentando o sol e a chuva, o frio e a solidão somente para encontrar aquilo que Asmer tanto desejava.

– Para onde estamos indo?! – Gritou Tryndamere em meio à nevasca que dava no topo da Montanha do Aço Frio.

– É uma surpresa! – Gritou de volta. – Mas eu sinto que estamos bem perto, agora! –

– Não é melhor procurarmos abrigo?! Essa nevasca está ficando muito densa! – A vinte passos atrás, estava o Ex-Rei Árabe, carregando a mochila de suprimentos de Asmer, enquanto seu patrão apenas caminhava com o arco e a aljava de flechas em suas costas.

– Não! É logo ali! Venha! – Era o que Asmer berrava para seu companheiro, que frustrado e cansado, não acreditava em suas palavras, pois já ouviu as mesmas horas atrás.

De repente, a aventura que já estava complicada por conta da forte tempestade que atinge as terras gélidas de Freljord, se tornaria ainda mais insuportável.

Tryndamere para em meio a tempestade e dá atenção ao que seus sentidos são capazes de captar... O odor, quase imperceptível, o som de passos leves sobre a grossa camada de neve.

– Tryn?! – Berrou Asmer a quase cinqüenta passos adiante, observando o companheiro imóvel.

– ... – Sem dar respostas, o homem apenas fecha os olhos e tenta apagar todos os sons ao seu redor, deixando apenas aqueles em que não se misturam com o ambiente. – Asmer... – Ele diz ao abrir lentamente os olhos. – CUIDADO!! – Berra o Ex-Rei ao abrir os olhos de modo furioso.

Antes que Asmer fosse capaz de reagir, algo de dentro da nevasca o golpeia com brutalidade, atirando-o a quatro metros de distância.

Rapidamente, Tryndamere saca o punhal em sua bota e avança em direção ao seu companheiro, que agarra o arco, porem é incapaz de sacar uma flecha, pois algo o segura dentro do punhado de neve que cobre metade de seu corpo.

– O que...?! – Seus olhos ficam perplexos com a figura bizarra que é revelada em meio a tempestade, um grande e mal humorado, gorila de pelagem branca e olhos anil, com o dobro do tamanho de Tryndamere.

A criatura golpeia o Ex-Rei de modo que o força a saltar para trás, em uma rápida tentativa bem sucedida de esquiva. – Tryn! Pega! – Asmer arremessa sua espada para Tryndamere, que agarra o objeto no momento em que o grande braço peludo da vera, arremessa o bárbaro a seis metros de distância.

O rapaz loiro de olhos raivosos, dispara uma, duas flechas em seqüência, antes de correr até a besta e deslizar por entre suas pernas e disparando uma terceira flecha em sua coluna, fazendo a besta grunhir de dor. Porem... A besta não cai facilmente e com isso, Asmer é capturado por seus dedos que contornam seu corpo minúsculo.

– Deixe... Ele... Em Paz... – Disse Tryndamere que se erguida, após quase ser jogado montanha a baixo.

O guerreiro avança com a espada de lâmina fina de seu companheiro, em sua mão direita, gritando como uma fera selvagem que disputa por território.

A fera avança em sua direção, mas o gorila não é de fugir mesmo diante um inimigo tão escandaloso, e então seus punhos vão de encontro ao pequeno guerreiro, mas o bravo Ex-Rei, é habilidoso o bastante para ferir a fera e resgatar seu companheiro.

– Asmer, tudo bem? – Perguntou, após esfaquear os dedos do gorila, obrigando-o a largar o arqueiro e assim se afastar alguns metros, rolando montanha a baixo.

– Aah... Aah... – Arqueja. – Parece que minhas costelas iriam ser quebradas... Mas... Aah... Ficarei bem, ufa... Deixa eu só... Recuperar o fôlego. – Ele não queria admitir, mas Tryndamere vê suas mãos tremulas, lutando para sustentar o peso do corpo.

De repente, o gorila está berrando como uma fera descontrolada, batendo os punhos contra o chão da montanha e em meio a tremores... Eis que o temor de Asmer se concretiza, a criatura provoca uma avalanche.

– Tryn! Corre! – Gritou Asmer, por puro e incontrolável instinto, pois ambos sabiam que era tarde demais...

A correnteza glacial golpeia a dupla, sem o mínimo de piedade ou compaixão, ambos são levados montanha a baixo juntos ao animal envolvido por sua própria conseqüência. Mas é quando a neve se parte em dois, quando os corpos param de rolar geleira a baixo, que quando suas mentes estão inconscientes, que um homem desafiante da natureza surge.

Aquela avalanche nos pegou e não havia o que ser feito, senti meu corpo ser despedaçado por uma força descomunal... Até aquela mão me alcançar.

Alguém maior até mesmo do que eu, tão bravo que é capaz de desafiar a mãe natureza sem temor, me salvou, bloqueou o desmoronamento glacial e conseguiu poupar nossas vidas...

– Hahaha! – Gargalhava alegremente aquele gigante, que mantinha Tryndamere preso sob sua mão. – Não se preocupe, Pequenino. Está seguro agora. –

– Vo-cê... – Seus olhos já não suportam mais a pressão e assim, o Ex-Rei Árabe desmaia sobre as feridas em seu corpo congelado.

O Ex-Rei adormece diante a silhueta do gigante sorridente de olhos cerúleo, como um simples boneco de criança.

Duas semanas depois...

Lentamente seus olhos vão recobrando consciência em meios a risos e gritaria. Suas pálpebras estremecem e seus olhos despertam, sob uma imagem destorcida esperando se focar, Tryndamere vê Asmer jogando Age of Empires, algo muito semelhante a xadrez, com um gigante careca que está de costas e ao lado esquerdo da mesa, um gordão de barba ruiva, alaranjada, segurando uma caneca preta.

– Tryn! Meu bom amigo! Você despertou finalmente. E ai, como se sente? – Perguntou Asmer, o arqueiro de costelas enfaixadas e testa também.

– Bem... – Senta-se sobre a cama feita de feno. – Onde estamos? Quem são vocês? – Perguntou sob um olhar suspeito.

– Estamos nos pés da Montanha Branca, no vilarejo desses meus dois, antigos e grandes companheiros de caneca! HAHAHAHA! – E Asmer bate sua caneca preta repleta de cerveja até metade, fazendo o líquido chacoalhar no copo e seus companheiros rirem como loucos bêbados. – O grandão careca ai, é o Braum. E esse balofo aqui, é o Gragas –

– WAHAHAAHAHA!! Tolo pequenino, honre a Braum por salvas-tes tua vida. – O grandão bebe uma caneca de sua cerveja e gargalha muito alto.

– Escute aqui... Seu... Atirador de flechas... – Ele põe o dedo na cara de Asmer, soluçando. – Se eu fosse você... Mediria suas... Suas... – E de repente, ele acaba adormecendo com uma caneca em cada mão, vazias.

Tryndamere observa tudo por um instante, antes de se levantar da cama e perceber que estava com o peitoral completamente enfaixado e ainda sentia uma leve dor nas costelas.

– Então é essa a sua equipe? Um bando de bêbados? – De repente, eles se calam e olham para o Ex-Rei deboche.

– Ouça-te menino árabe. – Diz Braum. – Agradeça a Escudão, ou sua vida teria perdido em vão. –

– Agradeço por salvar minha vida, Poeta Bêbado. Mas dispenso a ajuda de vocês. – Tryndamere se aproxima do cabide ao lada da porta e pega um casaco. – Vou sair. – E assim, ele se vai.

Tryndamere não era capaz de compreender o que um Arqueiro, um Gigante e um Bêbado a cima do peso, poderiam fazer juntos... Alias, o Ex-rei nem mesmo sabia qual era a razão de estarem naquele lugar.

Mas uma voz na escuridão gelada da noite clamava por seu coração valente, e assim, o Bárbaro foi guiado até a Montanha Branca, nos arredores da cidade.

E lá, Tryndamere caminhou noite a dentro, subindo aquele monte de gelo, carregando apenas um manto marrom consigo, ao qual, pegou antes de deixar o estabelecimento em que seu companheiro se encontrava.

– Por aqui meu Senhor... Venha... Venha meu Lorde. – A voz era sedutoramente hipnotizante e Tryndamere não era ninguém especial para resistir a seus encantos.

E foi quando o cruel bárbaro se deparou com uma caverna no meio da montanha, onde estava lacrada pelo monte de neve... Mas simples neve não deteria o bárbaro, e assim, ele cavou e cavou... Até encontrar aquela caverna que lhe chamava tão cativamente.

Tryndamere adentrou ao desconhecido e foi guiado na escuridão e no frio rasgante, que não era diferente dos habituais territórios de Freljord. – O que é isso? – Ele pensou, ao ver aquele brilho escarlate nas paredes da caverna, alguns metros adiante.

E assim, com o punhal em mãos, Tryndamere se esgueirou cautelosamente em direção a coloração sanguinária e a voz sedutora, lhe revelaram uma belíssima e misteriosa espada que flutuava ao centro do fim da caverna.

A arma emitia a luz escarlate e seu formato era diferente, completamente diferente de qualquer arma que o Ex-rei já houveste visto em sua vida... Seu corpo tinha a forma de um raio e em sua ponta, ao invés da lâmina convencional, havia uma foice que refletia sua face perplexa.

– Mas... O que é isso? – Perguntou o Bárbaro.

– Meu Senhor... Eu desejo servi-lo, use-me. – Disse a espada.

O braço do Ex-rei se estendia até o alcance da arma, o suor escorria pelo canto de seu rosto, os olhos hipnotizados ficaram vidrados naquele objeto mágico e misterioso... Mas algo interrompe sua aquisição, uma flecha, que cruza os poucos centímetros que faltavam para tocar o cabo da arma.

– Afaste-se dessa espada, meu amigo! – Gritou Asmer, empenhando seu arco.

– O que... Asmer? – Ele virou-se e viu não só o Arqueiro, como seus dois amigos, logo atrás dele, próximos da entrada da caverna.

– Pequenino, não devestes tocar neste objeto amaldiçoado! – Alertou Braum. – Ele é perigoso, tolos são os que são usados por ele. –

– Por favor, Tryn... Não viemos aqui para isso! Essa coisa é perigosa, se afaste dela, se não... – Ele aperta mais a corda de seu arco, empunhando sua flecha.

– Asmer... Agradeço por ter salvado minha vida. Por ter me dando um rumo, novamente... Mas... Não posso viver, enquanto ele estiver vivo. Te segui até aqui e nem sei por que viemos, só sei, que essa coisa me chamou... Eu sinto o poder transbordando... Com ela... Eu terei minha vingança. Com ela... Eu serei um Rei novamente. – Seus dedos retornam a avançar em direção a arma, então, Braum estala seus dedos apenas ao fechar seu punho, enquanto Gragas certifica-se de tampar a saída, pois não podiam deixar que a espada deixe aquele local.

– Tryn, ultimo aviso. – A flecha fica pronta. – Não me obrigue... – E então, a mão do Bárbaro para de se mover. – Ah... Obrigado. Eu sabia que podia confiar me você. –

Tudo parecia correr bem, porem... Uma vez tirano, sempre tirano. Tryndamere não era capaz de resistir ao poder da espada e assim, atirou seu punhal no braço de Asmer, que disparou a flecha para uma direção qualquer, enquanto gritou de dor.

O Arqueiro caiu, mas o protetor correu furiosamente em direção ao Bárbaro, porem... Era tarde demais.

Quando Tryndamere agarra ao cabo da espada, o cabo dourado da arma se liquidifica e domina completamente o braço direito do Ex-rei, se enrolando como uma serpente, enquanto espinhos negros cresceram ao longo de seu braço.

Sua roupa rasgou completamente, as veias de seu peitoral saltaram e ficaram a flor da pele, enquanto o cabo da espada se estendia por suas costas e se entrelaçava ao braço esquerdo... E de da lâmina da espada, surgiu a cabeça de um dragão de olhos flamejantes, sob ao qual, a lâmina reluzente saia de sua boca.

– Não!! – Gritou Braum com seu enorme escudo em mãos, enorme mesmo, um gigantesco escudo azul escuro com a forma de um bode.

– Você me irrita... – Disse Tryndamere com uma voz diferente, um timbre mais... Demôniaco.

Braum usou o escudo para proteger-se do golpe da espada, porem, o impacto o atirou para fora da caverna criando uma abertura no teto.

E assim, o gigante caiu inconscientemente próximo do vilarejo, após rolar montanha a baixo... E quanto a Gragas? Bem, o estrondo do golpe de Tryndamere criou uma avalanche que o atirou até próximo da vila e Asmer somente não havia ido junto, pois na hora do desmoronamento, a neve que passou próxima do corpo de Tryndamere se derreteu... E Asmer: o Arqueiro, estava aos seus pés.

– Tryn... Por Avarosa... O que aconteceu com você? Meu amigo? – Era o que Asmer perguntava, vendo os olhos de seu amigo, serem tomados por chamas cerúleo juntamente a cicatriz em seu rosto.

– Asmer... – Ele agarra o arqueiro pelo pescoço, estrangulando-o, com sua mão esquerda. – Terei minha vingança. E se tentar me impedir, mais uma vez, você morre. – Tryndamere o larga e saí caminhando para o lado oposto ao do vilarejo, enquanto a neve derretia-se aos seus pés.

Eu desejava poder e naquele dia, no coração da Montanha Branca, eu o adquiri... Ele me chamou e então, eu fui até ele... E me transformei... Me tornei um monstro. Ou melhor, o poder que me dominou, trouxe a fora o monstro que eu sou por dentro...

Mas isso, é um preço pequeno a pagar, pois agora... Aquele que me fez essa cicatriz vai implorar pela morte... Mas só depois que eu o fazer ver o Inferno.