League of Legends: A História Não Contada
4 Arco I - Ashe - A Escolha

Arco I — Ashe
Capítulo 4 – A Escolha
– Rápido Ashe! Mais de pressa! Rápido! – Era o que eu dizia a mim mesmo em meus pensamentos, enquanto meus pés saltavam de galho em galho, até alcançarem o solo gélido de minha terra natal.
Há quase um ano atrás, deixei minha tribo, minha família e meus amigos, tudo por que acreditava que jamais seria uma boa rainha, não depois da morte de meu pai...
Agora, sob o árduo treinamento de meu novo amigo, Tryndamere da tribo Lâmina Fria, eu finalmente me encontrei... Finalmente resolvi que havia chegado a hora de encarar meus temores e retornar para casa...
Porem...
Os planos seriam outros, realmente estou voltando para casa, mas não como eu havia planejado... Tundra está sendo atacada, vi a fumaça de meu vilarejo em chamas e é por isso que agora corro feito uma louca para salvar meu povo, meus amigos e o que restou de minha família.
Avisto os guardas, Eli e Michael, cercado por grupos de quatro homens que portam de lanças e escudos, enquanto os homens que já me salvaram inúmeras vezes se mantém firmes, diante os ferimentos, apenas com a espada na mão direita e o arco sobre o ombro esquerdo.
– Aaah!! – Disparo três flechas de uma só vez, atingindo a coluna de meus inimigos, dando a oportunidade para Eli e Michael derrubarem os cinco restantes.
– Princesa Ashe! Que bom que a senhorita voltou. A tribo está em apuros, fomos atacados de surpresa! Precisamos da sua ajuda! – Gritou Eli ao apontar em direção ao vilarejo, enquanto o sol se desvanecia no horizonte.
– Deixem comigo! – Salto por cima deles, segurando em um galho de uma das arvores, para pegar impulso e me lançar mais adiante. – Eli e Michael! Um amigo meu virá em poucos minutos, ele é enorme, deixem que passem! – Quando caio sobre a neve e me afundo alguns centímetros, ouço eles dizerem que tudo bem, então posso seguir ladeira a baixo até a entrada da vila.
Não demoro mais que dez minutos até adentrar em minha vila, atirando flechas em todas as direções que vejo pessoas em perigo.
– É a princesa Ashe! Ela voltou! – Ouço de toda parte, minha presença inspira o povo a continuar lutando para defenderem sua terra.
– YIG!!! – Berro com todo o ar de meus pulmões.
– ASHE! – Ouço Safira, deslizar pela esquina que vai de encontro ao caminho que percorro.
– Onde estão todos, Safira?! –
– Estão ajudando pessoas em toda a vila, Yig está ao leste, Binbu está com ele. Estou indo até minha irmã, ela está próximo da entrada sul! – Ela me passa algumas informações, enquanto corremos sob a mesma direção. Vejo que a garota tem uma besta em suas mãos e uma aljava em suas costas, nossa... O tempo passou mesmo, Safira não é mais uma criança, já é uma moça crescida.
– Safira, preciso que vá até o acampamento do oeste e peça reforço! – Mas ao meu pedido, ela me olha com raiva.
– Eu não vou abandonar minha irmã! – Ela grita.
– Então mande alguém até lá! Precisamos de ajuda! Eu vou até minha casa, minha mãe está lá?! – Estamos se aproximando de uma encruzilhada.
– Sim! Ela está combatendo a líder invasora! E deixe comigo Ashe, vou enviar alguém até lá! Boa sorte amiga... – Então Safira toma o caminho da direita e eu o da esquerda, percorremos caminhos diferentes com objetivos iguais... Salvar quem amamos.
O caminho é complicado, sou forçada a subir sob o telhado das casas, pois o resto do caminho está tomado por uma batalha mortal entre meu povo e os invasores.
Eu queria poder ajudá-los, porem, preciso ver ajudar primeiro minha mãe, pois sem ela, essa batalha pode ter fins trágicos.
Cinco minutos e avisto meu antigo lar, onde imediatamente meus olhos se apavoram ao ver minha casa em chamas e ruínas... Meu lar, foi destruído...
– Essa não... – Sussurro, enquanto continuo a correr ao meio da nevasca que se inicia sob a noite que cobre o céu.
Mas por pior que a situação fosse, nada se comparava ao que vinha a seguir... Vejo a rainha, minha mãe, caída sob a neve... Desarmada... Com seu vestido oriental avermelhado, arruinado... A neve manchada de vermelho pelo sangue da realeza, seu olhar orgulho que se recusa a desistir diante o inimigo que está prestes a triunfar.
– Adeus... Rainha de Tundra. – São as palavras ditas pela guerreira de olhos anil e longa cabeleira loira, liso, trajada com uma armadura de prata brilhante, portando de um grande escudo na mão direita e uma morningstar, uma espécie de cabo que sustenta uma enorme corrente de aço onde em sua ponta há uma bola de espinhos. E essa mulher rodopia aquele negócio com tanta facilidade no ar, que suspeito ser feito de papel, mas não acho que alguém que monta sob um Ronron, um javali gigante da neve das terras de Freljord, portaria de uma arma tão inofensiva.
– FIQUE LONGE DA MINHA MÃE!! – A flecha atinge seu capacete que é arremessado para longe, enquanto a mulher é derrubada de seu monstro e jogada a neve.
– Ashe!! – Berrou minha mãe, ao momento que caio do telhado ao seu lado, com arco e flecha em prontidão.
– Levante-se mãe! Vamos acabar com essa mulher! – Grito.
– Não dá... Ela quebrou minha perna... E destruiu meu arco... Ashe, querida... Precisa detê-la. – Vejo suas lágrimas gotejarem no solo, mas ignoro e dou alguns passos à frente dela.
– “Uma rainha jamais chora diante o inimigo”. – Olho por cima do ombro e sorrio, enquanto a vejo me olhar com olhos espantosos.
– Sua pirralha!! – Esquivo-me da bola de espinhos que avança em minha direção, por sorte, minha mãe estava caída e o ataca passou alguns centímetros a cima de sua cabeça. – Então você é a herdeira de Tundra?! HÁ! Que patética. Ashe de Avarosa, eu pensei que havia desertado da tribo. – Ela retoma o objeto, enquanto seu monstro de estimação fica bufando próximo a ela.
– Hum... Alguém fez a lição de casa. Mas pensou errado, apenas direi umas férias da posição de princesa. Mas estou de volta e farei com que se arrependa de ter invadido meu lar... A propósito, qual é o nome que devo colocar na sua lápide? – Analiso cada parte de seu corpo e o único que não está protegido, é seu rosto, mas obviamente não será fácil atingi-lo com um escudo desse tamanho na frente.
– Meu nome é Sejuani, sou líder da Garra do Inverno! E em breve... Líder dos Tundra também. – Quando ouço ela falar o nome de seu clã... Minha flecha passa por seu rosto, deixando-lhe uma marca que apavora seus olhos.
– “Garra do Inverno”, você diz...? – As lágrimas de ódio começam a escorrem por meu rosto gélido, enquanto ranjo os dentes. – Traidores... Desalmados... VOCÊS MATARAM O MEU PAI!!!!! – Começo uma seqüência de disparo de flechas, sem pensar, sem questionar, apenas atiro e desejo matá-la.
Sejuani sua seu escudo para bloquear minhas flechas e assim avançar em minha direção, onde se descobre próxima a mim e tenta fazer com que sua corrente de derrube, enquanto ela arrasta a mortífera arma ao momento do avanço.
Rolo por debaixo das correntes e quando me levanto, estou de cara com aquela mulher desalmada, tento sacar uma flecha de minha aljava, porem estou sem nenhuma... Descarreguei todas em seu escudo, pois estava cega de ódio... Então, retomei a realidade quando me vi indefesa...
– Acabou as flechas, querida? – Ela diz em tom sarcástico, largando o a arma e batendo o escudo em meu rosto, me afastando alguns passos.
A mulher rapidamente larga sua defesa e me agarra pela gola de meu manto, onde me puxa e me golpeia no estomago, antes de socar meu rosto, me atirando na neve.
Ela retira um punhal da bota de inverno e caminha até mim, mas quando sinto que ela está próxima o bastante, rodopio e a derrubo em uma rasteira, onde de imediato já levanto e uso meu arco como um bastão para golpeá-la.
A mulher capota para trás, onde salto sobre seu corpo e começo a socá-la até que ela bloqueia um de meus golpes, quando sua boca já está sangrando, revidando com uma cabeçada e um gancho de esquerda.
Sejuani se levanta e me puxa através do arco, onde sou desarmada, após ela tentar me enforcar com a corda de meu arco, mas eu sabia como quebrar a linha de maneira fácil e rápida, assim eu escapei da morte certa.
– Desista Sejuani... – Estou ficando exausta... E a tempestade de neve não está ajudando em nada...
– Oh não... – Ela sorri para mim de forma sarcástica. – Essa luta já acabou. –
De repente, percebo uma sombra ocultando minha luz e é quando vejo o enorme javali avançando ao oeste. Eu salto para o lado esquerdo, onde vejo aquele brutamontes passar como uma manada que atinge meu lar, ficando preso sobre a pilha de destroços, porem...
Sejuani contava com minha evasiva, pois assim que escapava de seu “amiguinho”, sinto o ar se repreendendo diante a massa espinhosa que avança em minha direção e minha vida, passar diante dos meus olhos.
– Papai! Eu errei... Não acertei ao alvo. –
– Tente mais uma vez querida. Vai acertar na próxima. –
...
– Mamãe! É verdade que Avarosa é um anjo? –
– Hehehe... Não, minha querida Ashe. Mas ela é tão incrível quanto. –
...
– Hey Ashe! Vamos brincar! –
– Yig! Binbu! Safira! Jade! Achei que vocês não iriam querer mais brincar comigo depois que aquele urso quase nos matou... –
– Está brincando?! Foi emocionante! Hahahaha! –
...
– EU QUERIA QUE VOCÊ TIVESSE MORRIDO NO LUGAR DO PAPAI!! –
– Se eu pudesse... Daria a vida pelo meu marido... –
...
– Concentração! Esqueça Tundra, esqueça seus amigos, esqueça sua mãe, esqueça que é uma princesa! Concentre-se apenas em sua flecha e seu arco! –
– Obrigada Tryn... Você é um amigo e tanto. –
– De nada garota. –
...
– ASHE!!!!!!!!! – Ouço um berro de horror que me trás de volta a realidade... Mas quando abro os olhos... Estou caída na neve, sem ferimentos mortais, apenas risos, porem...
– Mamãe... – Sussurro com meus olhos trêmulos, com meu corpo perplexo e minha alma inquieta... Vendo minha mãe presa contra a muralha de minha casa, enquanto aquela bola de espinhos está contra seu corpo ensangüentado.
Sejuani retoma sua arma e o corpo de minha mãe despenca sobre a neve, mas antes que ela tente fazer alguma coisa a mais, Tryndamere surge para espantar a mulher que se vê em desvantagem com a chegada do exercito do acampamento do norte.
Eu dou um passo atrás do outro, lentamente, pois não consigo acreditar na visão que vejo... Da rainha com o corpo perfurado, sangrando, enquanto seus olhos lutam para se manter abertos.
– Mamãe... – Caio de joelhos ao seu lado, despenco meu corpo e a pego em meu colo.
– Arg.... – Sangue escorre por sua boca, ao qual limpo com a manga de minhas luvas. – A-Ashe... Vo-você está bem...? Querida... –
– Sim, mamãe... – Passo a mão por seu rosto, enquanto minhas lágrimas caem sobre suas bochechas geladas.
– Eu... Tenho tanto... Orgulho... Pela rainha que irá se tornar... – E de imediato eu respondo.
– Não! Não! Não serei a rainha! Você é a rainha! Mamãe...! Por favor... A senhora tem que comandar Tundra! O que será deles sem você?! – Grito apavorada, enquanto a vejo sorrir e se esforçar para passar as mãos entre meus cachos enlourecidos.
– Eles... Tundra... Tem você, minha querida... Me orgulho... – Seu corpo se amolece aos meus braços, seus olhos começam a fraquejar e o meu coração a querer saltar de meu peito, meus olhos em espantados tentar compreender a situação que é simplesmente inaceitável para mim. – Que Avarosa... Cuide de você... Minha filha... Te amo... –
– Mamãe...? –
– ... –
– Mãe...? –
– ... –
– MÃEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!! –
Eu berro de forma tão apavorante e desesperadora, que Tryndamere é obrigado a me arrancar dos braços do corpo de minha mãe, pois começo a sacudi-la, implorando que ela viva...
O povo começa a chegar, eu acho, pois estou de joelhos berrando ao céu, enquanto minhas mãos esmagam minha cabeça e as lágrimas despencam de meus olhos, como se fossem duas cachoeiras.
– Ashe...! – Quando dou por conta, desmaio no meio da neve...
Ao despertar algumas horas mais tarde, faltando alguns minutos para o raiar do sol... Descubro que os caídos foram maiores do que pensei, pois Yig e Jade faleceram em batalha, lutando por aquilo que mais amavam... Nosso lar.
Sobre uma pilha de troncos há o caixão da rainha ao lado do caixão do rei, localizado no limite de nossa vila, e de frente para ele há os caixões dos mais de cem abatidos naquela noite, dentre eles meus amigos... Pais de amigos... Conhecidos de minha mãe... Tundra inteira e Tryndamere, vieram para dar suas ultimas preces aqueles que nos deixaram.
– Bem... – Inicio o meu discurso diante toda a vila que está de pé, vejo seus rostos entristecidos, suas lágrimas escorrendo pelas bochechas, vejo Binbu tentando se manter forte, enquanto Safira o abraça, não suportando da forma alguma sua perda...
– Ontem a noite, a tribo de Tundra sofreu um ataque da Garra do Inverno... Não vencemos a batalha, mas sobrevivemos... Porem, aqueles que darem suas vidas para que nós possamos estar aqui agora, foi uma perda inestimável para todos nós... – Eu começo a chorar, mas tenho que manter forte diante todos. – Durante essa madrugada violenta, perdi amigos... Amigos que jamais irei esquecer! E... Não só eu, como todos nós... Perdemos alguém que jamais poderá ser substituída... A rainha, minha mãe... – Engulo minha saliva a seco, pois estou prestes a desmoronar em desolação. – Há cerca de cinco anos, perdi meu pai, o rei, e agora minha mãe... Hehe... Parece até irônico, mas acho que o destino não quer minha família em comando. – Passo a mão sobre o caixão de minha mãe e limpo minhas lagrimas, antes de me virar para todos e exclamar: Eu não sou uma a pessoa mais ideal para guiá-los, eu fugi, mas voltei quando mais precisaram... Pois Tundra, é meu lar... Ou melhor, Freljord é nosso lar! E é por ele que eu quero lutar. Minha mãe e todos os outros deram suas vidas não apenas para que sobrevivêssemos, mas para que construíssemos um futuro melhor para a próxima geração! Não importa quem assumirá a liderança de nossa tribo, o que importa, é o que essa pessoa fará para que Freljord volte a ser o que era. Aah... Isso mais parece um discurso de guerra do que uma despedida, mas é o melhor que consigo... Yig, meu grande amigo, Jade, minha irmã amada... E mamãe, saibam que eu amo todos vocês e que jamais esquecerei tudo que fizeram por mim. Eu amo vocês... Mas devo deixá-los livres, adeus... –
Sinto meu coração se partir em pedaços como um espelho que se quebra em fragmentos, enquanto arrasto meu corpo acabado para os braços de Tryndamere, que me acolhe durante todo velório.
E então, somente após tantas horas de sofrimento... Perto do final do dia, quando retorno de uma caminhada solitária, é que sou abortada pelo meu amigo que está de partida.
– Você já vai? Sabe que tem um lar aqui. – Digo dando-lhe um abraço bem forte.
– Eu sei garotinha. Mas tenho que ir... Chega de fugir, meu povo precisa de mim. – Diz o homem que põe a mão sobre minha cabeça, enquanto nossos olhares de aflição se cruzam.
– Do que você foge tanto? – Pergunto.
– Um dia saberá... Quem sabe... Mas qual é sua decisão? O que fará agora? – Eu olho para meu povo do alto da colina, enquanto respondo a única coisa que sou capaz de lhe dizer.
– Irei assumir as responsabilidades de meu reino... Irei me tornar rainha. – Digo com palavras frias.
– E se eles não te quiserem como rainha? Você os abandonou, lembra? – Ele me pergunta.
– Então... Cuidarei para que a pessoa eleita rainha ou rei tenha total proteção... Não vou mais largar meu reino, não vou deixar Tundra sozinha novamente e não vou permitir que outro líder seja morto... – Sinto sua grande mão sobre meu ombro, me dando um tipo de conforto.
– Boa sorte, Ashe. Que Avarosa proteja você. – Então ouço seus passos pesados de afundarem na neve, afastando-se pouco a pouco. Então viro-me e observo aquele homem encapuzado sumir no horizonte da floresta gelada.
– Boa sorte, Tryn... Que Avarosa cuide de você também, meu bom amigo. –
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