Le Clavecin Et Rosa

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
BOA LEITURA!

O Cravo brigou com a Rosa

Debaixo de uma sacada... ’’

Havia o lugar embaixo de uma sacada.O mesmo lugar em que se conheceram.Era um lugar especial.Um lugar importante,mas eles brigavam.

Era porque ela era ela e ele era ele e não havia nada que algum dos dois pudesse fazer sobre isso. E ele gritava e ela encolhia-se.Ele gritava quase berrando.

Ela encolhia-se ainda mais.

Ela.

Ela,com o cabelo tão ruivo quanto sangue.Os fios lisos e compridos de suas madeixas quase que a embrulhavam,quase que como em um gesto inútil de defesa.Longos cabelos vermelhos que outrora ele amaria afagar. A face corada e medrosa o encarava. Ela era tão pequena. Os olhos grandes de um límpido vermelho continuavam a o olhar,apavorados e doídos,grandes olhos vermelhos na mais pura clemência.Receosos,como quem sabe de que está tão fundo no poço quanto se pode estar.

Ah,ela era tão pequena,e encolhia-se ainda mais,os joelhos se flexionava tanto que se continuassem nesse ritmo logo ela estaria em posição fetal no chão.

O coração dele doeu e quis desobedecer.Quis parar,quis a envolver e um abraço e nunca mais soltar.Quis não a machucar,ele nunca quis a machucar,mas machucava mesmo assim.Ele podia simplesmente parar e a beijar.Sim,ele podia...

Ele gritou mais alto.Em plenos pulmões o Cravo gritou e a Rosa chorou.

O Cravo de punhos cerrados,músculos tensos,olhos irados.Feições tão belas distorcidas em uma face de puro ódio.

Como um anjo mau.

—Por favor,pare!-a Rosa choramingou,os olhos transbordavam lágrimas roliças e salgadas- Cravo,por favor!

—NÃO!-Gritou-lhe,então inspirou-Não-Sua voz era um sibilar venenoso-Eu te odeio,eu não quero mais ver você,você é pior do que a fera mais vil.

—Não fale isso-Ela soluçou,os grandes olhos imploravam.Ela estava implorando e ele queria tanto ceder.Tanto.—Eu não fiz nada,eu juro.

—Mentiras!-Rosnou-lhe-Eu não quero mais te ver.Pensa que sou cego? Que não vejo Amor-Perfeito?Loureiro?Narciso?

A face dolorida da Rosa distorceu-se de tristeza para raiva.Raiva que coloria as lágrimas que escorriam por seu rosto.Raiva que sempre era sua última resposta,mas que no momento era a única que ela tinha.

—Eu te amava-Ela rosnou,com a voz embargada-Eu te amava!Nunca te traí! A culpa é sua!Você nunca confiou em mim!Nunca!Eu sempre te amei,sempre fui perfeita,sempre fui o que você queria e tolerei seus ciúmes e suas loucuras.Eu o amei como ninguém pode fazer e nem fará.Eu o amei além dos apesares e do porquês,eu achei que se o amasse com força o suficiente você podia mudar e vir a me amar da mesma forma.Mas não foi assim,com você nunca é! Não importa a vontade que eu tenha não quero mais ter de amar por dois.Você me dá nojo,Cravo!Nojo!Eu...Eu...Eu te odeio.

O coração do Cravo pulou uma batida e quebrou.

Não era uma metáfora.

Quando o Cravo soltou sua respiração pode sentir os estilhaços afiados do seu coração espetando-lhe as costelas e abrindo vergões sangrentos em suas carnes.

A Rosa não odiava ninguém. A Rosa só amava,ela não sabia fazer muito mais que amar muito com todas as suas forças. A Rosa foi o única que permaneceu com ele depois de chegar.A única que suportou suas birras,seus ataques,seus ciúmes. Ele podia maltratar a Rosa e ela voltaria.Ela sempre voltava e dizia que o amava,que o amava tanto.

E ele pediria desculpas do jeito dele,iria a beijar e abraçar,sussurrar promessas que os dois sabiam que ele não conseguiria cumprir.Juraria que nunca mais faria isso.Nunca.

A expressão do Cravo enevoou-se de dor.

A Rosa odiava-o.

A única pessoa do mundo que ele amava.

E odiava-o ao ponto de chorar sua raiva.

Cravo cambaleou seus passos.

Ele queria desculpar-se.Se ele se desculpasse tudo ficaria bem outra vez por um tempo.Com certeza a Rosa o perdoaria se desculpasse-se.

Perdoaria mesmo.Se o Cravo soubesse que a única coisa que ele precisava fazer era continuar a demonstrar sua dor,que a única coisa que precisava falar era um ‘’não’’,se soubesse que se a tomasse nos braços,ela cederia...Se ele soubesse de tudo o que não sabia, muito sofrimento desnecessário teria sido evitado.

Mas ele como ele não sabia, ele não o fez. O Cravo era orgulhoso demais.Orgulhoso demais para sentir que seu coração quebrado o rasgaria por muito tempo depois da briga.Orgulhoso demais para amar do jeito certo.

O Cravo exibiu seu sorriso mais lupino e riu uma risada curta e amarga.

—Ótimo!-Gritou,com um riso ensandecido que tirou mais lágrimas da Rosa-O sentimento é recíproco .Mais do que o outro era, certo?

—Cravo... -A Rosa suspirou,começando a se arrepender de suas palavras.Sua estrutura pequena,frágil e dócil não fora feita para comportar o ódio ou raiva.Ela era uma romântica incurável,daquelas que vestem-se de amor e saem aos suspiros para encontrar a vida.

—Cale a sua boca! Você me odeia certo?-Ele deu as costas-Bem,se você me odeia eu também te odiarei.O destino decidiu um caminho mais maldito.

E virou-se,deixando a Rosa desabando lentamente ao chão entre lágrimas,choramingos e pétalas vermelhas, quais brotavam de onde quer que as lágrimas caíssem.

E se as lágrimas também banhavam o rosto do Cravo,bem...Isso não era da conta de ninguém.

"O Cravo saiu ferido

E a Rosa despedaçada’’

Notas finais
Espero que tenham gostado e se não for pedir muito,por favor comentem.
Se eu perceber que vocês apreciaram,talvez escreve uma continuação com o resto da cantiga.
Beijinhos de luz.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!