Le Chant des Sirènes
26 Capítulo XXV
Notas iniciais
Capítulo XXV
A sensação que dominava todo seu corpo em uma adrenalina recorrente a cada momento passado e vivido naquele instante a fez com que suas veias estivessem em combustão ao escorrer o sangue entre elas revivendo cada sentido de seu corpo ao estado de alerta. O coração batia descompassado à medida que seu corpo era puxado pela força invisível e desconhecida a jogando em uma escuridão fétida e fria. Seu corpo se chocou em uma água gélida que a fez se arrepiar ao entrar em contato com o líquido que se encontrava viscoso demais para uma água.
Tentando se recuperar do baque que fora tudo aquilo que havia acontecido, Lucy nadou até a superfície em busca de algo que lhe ajudasse a instruir aonde se encontrava e como se livrar das infinitas possibilidades que poderiam ocorrer. Sejam elas boas ou ruins. Guiou seu corpo até o raso para que pudesse achar uma saída para encontrar seus companheiros e claro, Natsu. Uma sensação de eletricidade percorreu em seu corpo só de imaginar o que poderia ocorrer com o rosado. Não admitiria isso em voz alta ou até mesmo para si mesmo, mas no profundo e bem fundo de seu ser, ela estava preocupada com Natsu e em sua cabeça só passava as inúmeras possibilidades que poderia acontecer com o garoto e todas elas eram de fato ruins e não a agradavam. Mas por que diabos ela estava preocupada com ele? Natsu sabia muito bem cuidar de si mesmo, não é? Bom, ao menos era o que ela imaginava e desejava.
Quando chegou a sair da água e colocou os pés sobre o que pareciam cascalhos uns barulhos chamou sua atenção e um arrepio em sua espinha em um claro aviso de que algo não muito agradável estava por vir a fez ficar em alerta.
— Preciso admitir que estou levemente desapontada!- aquela voz. A sensação que ela causou em seu interior foi algo indescritível e horrendo, como se uma mão invisível socasse seu estômago e ali remexesse em tudo. Com os lábios entre abertos e desacreditados junto dos olhos arregalados no qual ela olhou em direção de onde vinha à voz. O que virá havia a deixado surpresa, mesmo que no fundo ela sabia que isso poderia ocorrer, não conseguiu disfarça sua reação, mesmo que ficasse anos se preparando para tal momento, ela nunca de fato estaria pronta. Mesmo que não fosse real. Os olhos ainda tinham o mesmo verde claro e agora com um tom mais opaco sem o mesmo brilho de antes, a pele pálida brilhava como estrela em um céu escuro, cabelos longos de um loiro vivo e brilhante. Ela parecia à mesma e ainda mais radiante que antes, contudo uma áurea negra estava em volta de si junto de um sorriso desdenhoso no rosto, tudo nela parecia compunha uma aparência macabra e mais aterrorizante o possível. – eu sempre lhe disse Lucy, que não deveria se envolver com os humanos. — ela deu um sorriso de lado sem achar graça de fato. — é uma pena que não tenha me escutado, agora a de arcar com as consequências de seus atos, que devo lhe dizer que são ineptos.
—Não ouse lhe dirigir a palavra a mim como se fosse ela!- a raiva fervia em sua voz e sua garganta tremia diante das palavras e as mãos fechadas limitando sua braveza. Contudo a outra a sua frente fez a rir diante da situação que ocorria.
—No fundo você sabe que é a verdade, bem no fundo desse seu coração podre, você sabe que independente de tudo estou certa. — de repente a garota ficou seria e a olhou com olhos profundos e sérios. -São as coisas que mais amamos que nos destroem. — Lucy não disse nada diante da exclamação, ela não queria ter de argumentar com aquela coisa, ela sabia as intenções malignas do ser a sua frente. Estava a usar a aparência de sua mãe para lhe desestabilizar e assim ficar frágil diante da luta que logo se encontraria. Lucy não permitiria tal coisa. Ela tinha de ser forte e lutar contra esses fantasmas que a tanto atormentava, não apenas para si e sim para todos os outros que se encontravam ali com ela, ela devia ser forte pela Fairy Tail. Eles depositaram a suas vidas confiando que Lucy conseguiria tira-los dali. E era exatamente isso que ela faria, não importa o que Gemini fizesse ou dissesse.
—O quão baixo você tem de ser para usar a aparência de outra pessoa para tentar ganhar do adversário? Não possui confiança em si mesmo para fazer um jogo limpo?- Lucy deu um sorriso ladino coberto de sarcasmo no qual ela veio aperfeiçoando mais com o tempo de intrigas com o capitão. — chega de seus joguinhos Gemini. – a coisa com a aparência de Mavis gargalhou alto como se tivesse ouvido a coisa mais hilária de toda a terra e Lucy tentou não se abalar com aquilo.
—Gemini está ocupado com o pequeno monstro enjaulado. — Lucy arregalou os olhos não sabendo disfarça sua surpresa com a revelação e a sensação que percorreu em seu corpo de longe fora algo bom. — eu sou apenas um demônio que estava usando de sua franqueza para me entreter e mantê-la ocupada enquanto Gemini mata aquele garoto fétido.
—O que?- Lucy olhou desesperada ao redor em busca de qualquer mínimo detalhe que a ajudasse a chegar até Natsu. Agora mais do que nunca ela tinha que ir até ele e o desespero que tomou conta de seu corpo com um furacão em seu coração e um gosto de bile que subiu em sua boca e o coração que batia tão acelerado quanto às ondas revoltas do mar.
—Você definitivamente é patética Lucy Heartfilia. – a sereia nem ao menos conseguia processar as palavras que escutava, sua cabeça estava a mil enquanto tentava se organizar em prol de sair dali, mas não sem antes mandar aquele demônio para longe. — por que se importa com ele? Sabe ao menos o que ele é? Sabe ao menos o que ele irá fazer com você?- Lucy levou os olhos à imagem de sua mãe. Que apenas sorriu com um claro desgosto. — ele não se importa com você Lucy, humanos apenas usam as coisas enquanto lhes forem favoráveis e quando já não possuem mais utilidade é descartado como se não fosse nada. É e isso que irá acontecer com você. — a sereia permaneceu com a expressão impassível sem demonstrar nada, mesmo que seu coração estivesse em um claro conflito entre a razão e a emoção. Mas afinal que emoção? Sereias não se importavam com nada ou ao menos era como deveria ser.
—Não se preocupe que irei acabar com você antes de sair daqui. — a representação quase perfeita de Mavis gargalhou com gosto das palavras da garota em um claro deboche e com a nítida intenção de a feri-la.
—Devo admitir que admiro essa atitude prepotente das sereias, achando que são superiores a tudo e a todos.- a criatura sorriu ladino com os olhos sem vidas focados em Lucy enquanto fios loiros caiam de sua testa deixando uma imagem mais macabra e pesada em torno de toda situação.- contudo é essa atitude que as levam a morte. Sempre. — a criatura havia sido objetiva e clara em suas palavras e Lucy podia as lê-la como um pergaminho aberto pronto para ser desvendado.
—O que é você?- Lucy foi direta olhando séria para a coisa com a imagem de sua mãe a sua frente. Todos os sentidos de seu corpo estavam atentos a cada mínimo detalhe daquele local.
— Eu sou aquele que sabe tudo, aquele que tudo vê. — uma risada irônica e rouca surgiu.- sou a personificação do seu maior pesadelo.- ela deitou a cabeça de lado enquanto o cabelo tampava metade do rosto, mas os olhos a olhavam como um predador olha sua presa, e Lucy não possuía dúvidas de que era a presa ali. – eu sou a própria divisão. — os olhos castanhos de Lucy se arregalaram levemente ao concluir seu raciocínio após a descoberta. A outra deu um sorriso com a expressão de reposta da outra.
Lucy sabia que aquilo não era um demônio comum, contudo não esperava por aquela afirmação. Gemini possuía um tipo de lâmina viva que servia para separar os lados dos humanos, assim como Gemini ela podia tomar a forma que seu mestre Gemini desejasse. Nunca que passaria em sua cabeça que um demônio poderia possuir a lâmina. Afinal era um artefato dos deuses e sua divindade era algo extremamente preciso, é quase impossível que isso ocorresse mesmo que fosse algo como um boneco de ventríloquo que se movia conforme a vontade de Gemini. Possuí-lo seria como possuir um Deus ou semideus.
—Como... — ela não havia conseguido terminar de formular sua frase. As coisas estavam piores do que imaginava, para um artefato de tal porte está manchada com as trevas a situação estava bem destrutiva.
—Deixe-me mostra lá como. — com a velocidade de um relâmpago a criatura estava à frente de Lucy e antes que ela pudesse reagir à mão pálida e delicada se transformou em uma lâmina negra e extremamente afiada e longa no qual fora enfiada com toda força no abdômen da sereia que arregalou os olhos sobre o ataque profundo. Uma névoa negra surgiu em torno da lâmina negra e subia como uma cobra peçonhenta até a ferida da sereia e ali adentrando perfurando cada camada de magia branca e um grande grito de dor surgiu dos lábios rosados da loira. – sabe como funciona a transfusão de magia branca para negra ou vice versa?- a criatura aproximou a boca do ouvido da garota e depois girou a lâmina a fazendo gemer de dor. — ela vai perfurar e destruir cada camada da sua pele e infiltrar na sua corrente sanguínea e destruir cada registro de glóbulos de magia em seu corpo os fazendo explodir em contato com o “vírus” invasor e após isso seu corpo vai criar um anticorpo para lhe prevenir de morrer e combater esse inimigo. – ele perfurou mais e mais névoa entrava por sob a ferida que a todo custo tentava se curar mesmo com a arma ainda pregada no corpo. — e claro que também tem sua cura de sereia que está inutilmente tentando resolver esse ferimento. — sangue começava a escorrer dos lábios da sereia que caiu de joelhos, mesmo que conseguisse se mantiver em pé estava uma situação complicada. –tudo depende da capacidade do organismo de se defender das agressões externas e internas. A questão é a quantidade, que vai fazer uma mudança nas células as tornando mais vulneráveis ao processo de injeção da magia, e claro ao tempo em que a célula está exposta a essa magia. Vai chegar um tempo em que por conta da quantidade de magia negra em seu corpo ele próprio vai tentar se adaptar ao invasor para que você não morra. Magia branca possui energia positiva e a negra negativa, deste modo às cargas vão se atrair e a que possuir mais quantidade irá predominar sobre as outras e assim se transformando em uma só. — Lucy apertou os olhos com força olhando com ódio para aquela coisa que ainda ousava a usar sua mãe. — é uma dor terrível na qual você vai desejar está morta. Não se preocupe, eu vou apenas mata-la para que não envergonhe mais sua raça. Ao menos, não mais do que sua mãe. — Mavis usou a mão esquerda para pegar no rosto da garota e apertar com força e um líquido negro foi surgindo na sua palma e subindo lenta até a boca da loira depois nos cantos dos olhos enquanto um grito agudo de dor da garota foi se ouvido.
**
Já fazia algum tempo que Natsu estava lutando contra seus demônios internos e contra aquele monstro que se dizia ser Gemini. A luta estava acirrada e o rosado não estava possuindo muita vantagem já que mal conseguia se concentrar na luta, mesmo que fosse um espirito celestial a sua frente, sua cabeça estava na sereia e nas milhares de coisas que poderiam estar ocorrendo. Mas isso de fato ocorria, pois ele se preocupava com todos, não é? Ele era o capitão e tinha o dever de proteger todos.
Quando um grito alto e agonizante de dor surgiu em meio aquelas rochas como um vento trazendo notícias ruins. Natsu paralisou ao constatar de quem era aquele grito, no fundo de suas entranhas ele sentia que algo estava acontecendo com Lucy e ele estava a ponto de enlouquecer.
—Onde está a Lucy seu desgraçado?- ele perguntou alterado já no seu ponto de ebulição para explodir e quebrar aquela caverna pedra por pedra até acha-la. – se ousa encostar-se a um fio de cabelo dela, eu juro que te mato!- a criatura deu uma risada gutural e carregada de todas as possíveis sensações ruins.
—Por que se importa com ela? Deveria nós agradecer por livrar você dela. — Natsu apertou os pulsos de tal forma que os nós de seus dedos ficaram esbranquiçados. Sua respiração era pesada e seu peito subia e descia de forma acelerada, nem mesmo o corte em seu braço esquerdo estava o incomodo mais do que aquele grito. — pragmatikí lepída irá cuidar dela. — Natsu apertou os olhos em incompreensão.
—Do que está falando?- perguntou entre dentes sem muita paciência para lidar com aquele cachorro. -A lâmina da verdade! Eu o deixei encarregado especialmente para a princesa das sereias.- Natsu soltou o ar com força enquanto olhava enraivecido, ele sentia que a qualquer momento poderia perder o controle. Teve certa dificuldade de se controlar no começa e agora com toda essa energia e a situação o deixava cada vez mais propício a perder o equilíbrio entre a linha tênue do que ele queria e deveria fazer. – perfurando a pele delicada enquanto despeja descarga de magia negra. — Natsu arregalou os olhos enquanto a criatura se divertia com a situação.
A respiração descompassada e a adrenalina que corria em seu corpo o fizeram correr até a criatura com sua espada em chamas em sua mão e a criatura correr em sua direção já preparada e ansiada por aquele ataque. Natsu abaixou no momento que a criatura de duas cabeças ia pular em sua direção e desceu escorregando por baixo dela e usou de sua espada para perfurar a criatura do pescoço até abaixo da barriga e a criatura deu um grito alto. Mesmo que não fosse um corte profundo, havia causado um dano considerável. A criatura se virou irritada, contudo o garoto o ignorou indo até a parede de pedra e fincou com toda força sua espada e causando um grande rachado no local que subia até o teto e depois com um soco forte com o braço direito no local da rachadura que se abriu mais.
— o que pensa que está fazendo sua criatura imunda?- Natsu permaneceu de costas a aquilo que lhe dirigia a palavra. Suas costas estavam tensas enquanto seus punhos se mantinham fechados e um deles escorria um pouco de sangue. Ele virou a cabeça de lado exibindo sua face conturbada de ódio e tampada pela a pouca iluminação da caverna.
Não foi preciso muita coisa para a criatura entender que seu oponente estava no seu limite e talvez aquele fosse o momento ideal de ataca-lo. Ela correu em direção do outro que permaneceu quieto se mantendo do mesmo modo que estava quando a criatura fizera o primeiro movimento. Havia um pequeno erro de cálculo ali... Nunca devia se voltar a um Natsu irritado. Assim que você o desafiava e chegava ao momento em que ele se encontrava daquela maneira, era o momento que você deveria mata-lo ou correr... Pois se não o cadáver será você.
Quando a criatura se aproximou com as duas mandíbulas arreganhadas prestes a atacar a jugular do rosado, em um movimento rápido e quase imperceptível ele se virou agarrando o pescoço da criatura negra e o jogando com tudo na parede que começava a desmoronar devido ao seu longo tempo de ataques constates. Natsu retirou a espada criando uma fenda maior enquanto o local rugia sobe suas cabeças e o chão tremia em um aviso ensurdecedor. Após girar com precisão a lâmina ele enfiou com tudo no ombro da criatura que rugiu com dor em um só movimento na espada e as lâminas se inflaram em chamas queimando a carne perfurada e deixando um cheiro pútrido de pele queimada no local e com o rosto enraivecido Natsu perfurou mais a espada e a criatura gritou em protesto e logo mordeu o ombro do garoto enquanto a parede se destruía e eles caíam rolando em um penhasco e se soltarem devido à queda enquanto rolavam até um rio de água escura e ao levantar a cabeça Natsu observou Lucy de longe com uma mulher em sua frente fincando algo em seu abdômen. Sem pensar muito e ignorar as dores e protestos de seu corpo, ele correu até ela o mais rápido que pode. E antes que se aproximasse um rugido alto foi se ouvido tremendo todo o local e a mulher que estava em frente Lucy se virara olhando na direção de onde viera e então sumirá como uma fumaça e o corpo da loira fosse caindo inerte, contudo antes que chegasse ao chão o garoto a pegou em seus braços a segurando com força enquanto se agachava no chão com ela.
Ele olhou desesperado para a garota a trazendo para mais perto de seu corpo, o contraste que ocorreu com a pele extremamente gelada dela e a quente dele fora como um choque. A ferida em seu abdômen era profunda e sangrava muito sujando quase toda a roupa da garota e até então a de Natsu. Os olhos escorria um líquido preto como lágrimas negras e em sua boca o sangue junto do liquido negro escorria de seu queixo até seu peito. Natsu sentiu seu corpo tremer ao olhar o estado da garota e aquilo o apavorou mais do que imaginava.
—Lucy?- ela não respondeu, seus olhos estavam abertos, mas opacos e sem o costumeiro brilho e olhavam o teto sem vida. — Lucy! Droga!- com a mão tremendo ele tocou o rosto dela e os olhos castanhos opacos o causou um grande desconforto e uma pontada no coração. Ele se sentia culpado e algo mais ainda não identificável. Ele sabia que Gemini ainda estava ali, junto da porcaria de sua lâmina, toda via ele não poderia se importar menos. O que importava no momento era ela. E somente ela. – Lucy, vamos, acorda!- ele pediu desesperado, não lembrava a última vez que ficará assim. Ele sempre só sentia raiva e fazia anos que não sentia aquilo... Medo. Mas não era o costumeiro medo que crianças possuíam do monstro abaixo de sua cama e sim o medo de perder tudo. O medo de perder algo extremamente valioso. Por que diabos ele estava se sentindo assim? Droga! Ele deveria tomar alguma atitude. Não apenas ficar observado temendo pelo pior sem de fato o impedir. Ele olhou para o abdômen e notou que mesmo que lentamente o corpo dela estava se curando e isso era um bom sinal. O processo estava lento por se encontrarem em um local de magia negra e pela quantia que havia sido enjerida na garota. Demoraria, mas ela se curaria.
Ele se virou para trás para constatar que Gemini já não se encontrava mais aonde haviam caído, mas ele estava ali. Ele sabia e sentia. Estava se divertindo com cena.
Voltou se a garota e retirou sua blusa branca de botões para limpar o rosto da garota e praguejou baixinho por não ter nenhuma cumbuca de água contigo. Pela primeira vez se arrependeu de não dar ouvidos a Wendy quando mandava levar água consigo.
Mesmo que não tivesse obtido tanto sucesso, havia conseguido tirar ao menos um pouco do líquido e então se lembrou do colar e levou a mão até o bolso, mas ainda não sabia se era uma boa colocar nela por conta do local que se encontravam. Isso poderia atrair a coisa que a atacou da última vez e piorar a situação. Droga estava irritado por não saber o que fazer, por estar no escuro literalmente. Por esta impotente.
Quando estava a ponto de surtar sentiu a mão de Lucy na sua, a dela tão delicada e macia apertando a sua. Ele olhou esperançoso para as mãos juntas e depois voltou ao rosto que não saia de sua mente há dias e ela tinha os olhos fechados apertados e depois começou a tossir e se virou para o lado vomitando uma coisa negra e pegajosa. Ela grunhia de dor enquanto se agachava e colocava tudo para fora, Natsu só fez se aproximar e segurar os cabelos loiros e a outra mão na cintura da garota enquanto ela dava um grito alto e colocava para fora todo aquele liquido maligno. Quando parou ela permaneceu na mesma posição enquanto sua respiração estava pesada e Natsu tocou lentamente o ombro dela em um silencioso conforto onde fora correspondido com um arrepio pelo corpo da garota. Ela se virou olhando Natsu sem saber o que fazer ou expressar, seu rosto demonstrava confusão e vergonha, ela se sentou olhando para o outro lado evitando olhar para o rosado, mas o outro pouco se importou e segurou o rosto dela com suas mãos e a fez o olhar no rosto e após ver o tão famoso e conhecido brilho no olhar achocolatado ele acariciou a bochecha com o polegar enquanto abaixo de sua mão o tom rosado fora sendo adquirido na pele albina. Ela estava tão linda, ele não via nada mais além daquilo, pouco se importava com as machas ou qualquer outra coisa. Apenas aquilo.
Lucy piscou os olhos sem saber como reagir à reação inesperada do garoto ou sob suas reações. Sem se importar com que ela fosse fazer ele a puxou para um abraço onde enterrou o rosto na curva do pescoço dela sentindo seu tão conhecido cheiro e percebendo como ali era um lugar agradável para si. A garota ficou estática diante da reação do garoto e com as mãos paralisadas diante do peitoral nu e quente do rosado. Ela podia sentir seu coração batendo forte e rápido e sentia que ele também podia sentir, toda via o que a deixava confortável era saber que o dele estava do mesmo modo. Então sem saber o porquê os seus braços quase involuntariamente foram até o pescoço dele o abraçando de volta como um quebra cabeça se encaixando em sua peça que faltava. Os corpos dos dois se encaixavam e combinavam perfeitamente era como se uma carga os prendia cada vez mais próximos na qual eles não conseguiam se puxar de volta e ficavam presos naquilo. Como se cada célula e matéria de seu corpo, combinassem perfeitamente.
A respiração do rosado fazia cócegas em seu pescoço e a pele dele era agradavelmente quente era como uma chama em um inverno frio e solitário. Ele colocava em combustão cada parte de seu corpo e desejando cada vez mais aquele calor.
—Estaria eu, atrapalhando alguma coisa?- os dois se afastaram sentindo aquele sentimento vazio e frio ao completar a ação. Toda via ao olharem o dono da voz, fez seu sangue subir com rapidez por suas veias. – não se preocupe, ela não vai morrer... Ao menos não agora. — a coisa deu uma risada e Natsu apertou as mãos no chão olhando com ódio para aquela coisa. Ele sentiu uma mão delicada por sob a sua onde uma calmaria se instalou quase instantaneamente e temporariamente o fazendo olhar a culpada daquilo. – você tem muito poder Lucy, é isso que a salva. Contudo de nada adianta um poder de tamanha precisão e um corpo e mente tão fraca.
Lucy não se importou com as palavras dirigidas a si, talvez fosse verdade o que o espírito lhe dizia. Que após certas circunstâncias que lhe fizeram ter tal pensamento também. Ela tinha de admitir que estivesse mais fraca do que imaginava, admitindo isso para si mesma ficava mais fácil aceitar o fato. Vidas estavam em suas mãos, ela não deveria apenas ser poderosa, mas sim algo mais.
— Eu já perdi minha paciência com você!- Natsu falou alterado se levantando e atraindo a atenção da loira para si. As sobrancelhas em pé demonstravam dúvida a cerca de quais seria os próximos passos do rosado.
—O que está fazendo Natsu?- ela segurou o pulso dele a fim de impedi-lo, seja lá o que fosse o que ele estivesse pensando em fazer. Vindo de Natsu deveria se duvidar de cada passo. Ele se virou a olhando, mesmo que sua face demonstrasse raiva ela se suavizou ao olhar a loira, ele piscou os olhos os desviando por alguns segundos antes de se voltar aos achocolatado dela.
—Chega Lucy!- ela o olhou sem entender. — você não tem que fazer tudo sozinha, você não tem que aturar tudo sozinha!- ela piscou os olhos surpresa. Aquilo era a última coisa que ela esperava. — você faz parte da nossa tripulação, e a Fairy Tail luta junto! E não importa o que esse merda diga você não é nem um pouco fraca. — Lucy sentiu as bochechas corarem devido ao elogio repentino, ela ainda estava processando o que havia acabado de escutar.
—Faz parte da tripulação?- o monstro gargalhou com aquela voz duplicada e insuportável aos ouvidos humanos. — ela não é como vocês, ela mata cada um de vocês quando quiser. — Natsu apertou o punho irritado. — sua inépcia me assusta garoto!
—Você vai ver onde vou enfiar... — antes que ele prosseguisse a loira o puxou para mais perto dele e o olhou seria querendo passar com firmeza o que ela iria dizer.
—Sim, você está certo!- ele piscou os olhos surpresos, nem em cem anos esperava que a sereia fosse concordar algum dia com ele. – podemos lutar juntos, mas para isso ocorrer eu preciso que você colabore comigo. — ela o olhou esperando sua resposta e ele assentiu prontamente.
A sereia virou para frente e uma luz surgiu ao seu redor iluminando o local e assim surgirá sua vestimenta de Libra. O rosado olhou não conseguindo tirar seus olhos de cada passo dela. Era como se seus olhos não conseguissem fugir dos mínimos detalhes da loira.
A garota se posicionou com as balanças na mão enquanto o animal fazia sua posição de ataque já se preparando para o que estava por vir. Lucy jogou o braço direito para frente como se estivesse partindo alguma coisa e assim que terminou seu movimento uma pressão forte e invisível jogou Gemini de maneira esmagadora na parede ao lado. A criatura tentou se soltar forçando o rosto a se mover na direção que queria então a garota rodou forçando mais a gravidade contra a criatura ousando partir até a rocha atrás do monstro. Lucy se virou para Natsu e mandou um olhar a espada flamejante do garoto que compreendeu exatamente o que ela queria. Era de fato algo extraordinário a conexão dos dois, principalmente em um campo de batalha, era extremamente preciso e certeiro.
Natsu correu até o monstro e quando estava em uma proximidade favorável, ele rodou sua espada jogando com toda força na direção do monstro que ainda lutava contra a força invisível. A espada fincou no ombro direito da criatura onde se encontrava um desenho de uma espada que fora desaparecendo aos poucos até sumir completamente. E então uma coisa foi surgindo aos poucos ao lado de Gemini. Ao tomar a forma completa, Natsu paralisou no local com olhos arregalados ao reconhecer os cabelos vermelhos longos e o corpo grande forte com as mãos que muitas vezes fora usada para agredi-lo. O homem olhou raivoso para o outro que ousou a se arrepiar, o ruivo usava uma grande espada na mão onde ele virou para trás e se preparava para usar um golpe em Natsu, voltando à espada para frente em direção ao rosado que estava paralisado.
—NATSU!- o grito de Lucy soou abafado sob os ouvidos do garoto e só acordou do grande choque quando uma lã rosa surgiu em sua cintura lhe puxando com força o retirando do local no exato momento em que a espada ia acerta-lo. Lucy correu até o capitão se abaixando ao lado dele que ainda parecia em choque. — Natsu! Acorde, não é real!- ele não conseguia prestar atenção no que ela dizia só olhava o homem a alguns metros a sua frente em posição de ataque. – olha para mim!- ele sentiu as mãos macias e quentes em seu rosto e Lucy o virou em direção a ela. — olha para mim Natsu, foca em mim. — ele piscou os olhos olhando a garota a sua frente, a franja loira de lado que caia sob o rosto delicado, sobre os olhos marrons e os lábios grossos rosados. Era como se ele soubesse cada mínimo detalhe do rosto dela, e ele poderia ficar horas o memorizando novamente. – não é ele! A lâmina de Gemini tem o poder de se transforma em quem seu mestre ordenar. Ele está querendo nos desestabilizar. – Lucy olhava fundo nós olhos do garoto, a forma que ele se encontrava a fazia sentir um aperto no coração. Ela acariciou a bochecha do rosado e ele fechou os olhos com toque e pareceu deitar a cabeça em sua mão e depois aspirou profundamente sentindo o cheiro dela e aos poucos foi se acalmando. — estamos juntos! Eu estou aqui com você!- ela disse singela com um sorriso delicado no rosto. Por Deus, aquela garota parecia um anjo.
—Devo ofertar mais tempo aos romancistas? – a criatura estava de pé rosnando ao lado do homem ruivo, os dois ignoraram e apenas se manterão com os olhos um no outro como se pudessem dizer tudo com apenas aquele olhar. E realmente diziam algo tão profundo que nem ao menos eles sabiam o que. Ao menos, não ainda.
Lucy levantou junto de Natsu que levou a sua mão até a dela e a entrelaçou com a sua, ela o olhou surpresa, mas ele estava focado nos inimigos a frente. A loira por vez desceu os olhos para as mãos juntas, a dele grande e com calos junto da pequena e delicada dela. Era um contraste interessante, contudo o mais interessante era o fato delas parecerem se combinar perfeitamente como se tivessem sido moldadas para permanecerem daquela forma. O espírito por sua vez entre olhou com sua espada em um olhar dizendo algo a respeito daquele momento. Mal sabia os dois jovens o que eles pensavam.
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Não importa o quanto você tente, o quanto você lute contra. Você não consegue fugir daquilo que você verdadeiramente é. Está entranhado em suas veias sem escapatória. Dizem que você pode fugir de todos, menos de você mesmo.
Gajeel Redfox era um homem que fazia de tudo para fugir da pessoa que ele achava ser ou que pensava em se tornar, não possuía os melhores exemplos paternos para lhe dar dicas sobre o mundo no qual vivemos. Ele não obteve uma presença em sua vida que lhe indicasse o que era certo e errado, ele havia aprendido por si só como a vida era boa, mas como também ela poderia ser difícil. Ele obtinha a plena certeza que seria um homem como seu pai até entrar na Fairy Tail e descobrir algo que ele nunca virá antes. Cumplicidade, companheirismo e acima de tudo como tirar proveito dos bons momentos da vida. Gajeel não tinha coisas boas em sua vida até fazer parte daquela tripulação e descobrir que todos têm direito de serem felizes e serem quem quiserem ser. E ele lutaria para ser quem desejava.
—Está muito escuro!- a pequena garota de cabelos azuis falou atrás de si enquanto andavam pelo local desconhecido. – e silencioso isso não é um bom sinal!- Gajeel permaneceu andando mesmo que escutasse e não relevasse o que ela falava. Ele estava tentando pensar em uma saída. — estamos em uma caverna enorme, qualquer barulho era para soar um eco. Quando gritamos o som e ricocheteado nas paredes e volta como eco.
-Humrum!- ele apenas murmurou enquanto continuava a caminhar. — O ouvido humano consegue perceber os sons que chegam até ele em um intervalo de 0,1 segundo. — ele revirou os olhos já ficando impaciente com a garota. – quando há uma proximidade do emissor ao obstáculo, o som pode chegar mais rápido e ser mais alto. — ele murmurou novamente enquanto descia devagar um degrau e depois segurou a mão da azulada para ajuda-la. – ou seja, não ouvimos nada desde que ficamos perdidos, isso quer dizer que estamos longe dos outros.
—Levy, isso é uma caverna amaldiçoada, não acho que essas coisas vão valer alguma coisa. – ela revirou os olhos sem dar muito importância às palavras do moreno.
Os dois estavam andando em silêncio um ao lado do outro quando o chão começou a tremer e rachar sob seus pés. Levy gritou assustada quando o chão começou a ceder e então rapidamente Gajeel segurou a mão dela a puxando para trás, contudo o moreno acabou caindo no lugar dela batendo com força a cabeça e as costas. Um minuto desacordado do que se pareceram horas, ele abriu os olhos sentindo uma forte dor na cabeça e um zumbido em seu ouvido, parecia que estava no fundo da água e não conseguia ouvir direito os berros de Levy o chamando. Demorou alguns segundos para que conseguisse se recuperar e se sentar colocando a mão na cabeça a fim de extinguir aquele incômodo.
—Gajeel! Aí meus Deuses!- Levy estava abaixada ao lado da falácia que havia se formado com a queda. — GAJEEL!
-Estou bem Levy!- ele falou a fazendo soltar o ar dos pulmões em alívio.
—Graças aos Deuses!- ela deu um sorriso aliviado do desespero que havia tomado seu corpo por alguns segundos.
—Você está bem?- ele perguntou gritando para que ela ouvisse olhando para cima vendo a cabeça da garota o olhando. – cuidado para não cair também.
—Sim, estou bem!- ela falou acenando para ele para mostrar que estava bem e ele pudesse vê-la. — viu?
—O que?- ele perguntou olhando ao redor para se preparar contra algum inimigo que pudesse surgir.
—Nossas vozes estão dando eco, eu estava certa!- ele parou um segundo e depois olhou para cima com uma expressão revoltada no rosto. Ela deu uma risadinha convencida.
—Você está brincando comigo Levy?- ele falou bravo sem disfarça sua frustração diante da falta de noção da menor.
—Creio que aqui tem alguma corrente de água. — ela falou ignorando o que ele havia falado o fazendo soltar o ar de maneira frustrada. Aquela pequena garota o deixava louco em menos de segundos. – acabou de formar aqui uma falésia. Elas são formandas pela erosão que a água do mar causa no solo, rocha, a água do mar retira os componentes químicos deixando o solo fragilizado e consequentemente desgastado e com tempo ela vai se desfazendo.
—E?- ele perguntou frustrado passando a mão nos cabelos.
—E que isso é uma falésia viva, significa que ela ainda está em processo erosivo por que ainda tem contato com água e é extremamente perigoso por estarem sempre em perigo de deslizamento e desmoronamento. – ela falou irritada.
—Jura?- ele perguntou irônico com os braços abertos olhando ao redor.
— Isso quer dizer que podemos morrer com um monte de rocha e solo desmoronando em cima da gente. — ela gritou irritada com a ignorância do moreno. — e onde está a porcaria da água? – ele apertou os olhos tentando compreender o que ela estava falando. — estamos na encosta do mar, com certeza o mar entra aqui dentro, ou seja, também corremos o risco de morrer afogados!
—Está de brincadeira comigo! – ele olhou ao redor frustrado em busca de alguma saída e depois olhou para cima para a garota. — como tem certeza que essa parte fica submersa?
—Pelo formato das rochas!- ela falou convicta. — é como se o mar dessa forma as rochas quando entra em contato com elas ocorrendo à abrasão marinha que é quando os sedimentos derivado da erosão são transportados pelo mar e depositado em outro lugar. Sem contar pela falésia viva, para ela ainda estar em processo erosivo significa que ela ainda possui contato com a água. — ele assentiu prestando atenção no que ela falava. — pelo formato das rochas e certeza que o mar passar por aqui.
-Droga!- ele praguejou baixinho socando de leve o chão enquanto tentava raciocinar em alguma ideia para tira-los dali antes que morresse de duas mortes terríveis. — espere Levy, vou tentar subir.
—Você por acaso é um acéfalo? Não ouviu nada do que eu disse?- ela gritou irritada. — o solo tá frágil, você só vai derrubar mais terra em cima de você enquanto tenta subir. — ela mostrou as duas mãos como se pedisse para que ele tivesse calma. — vou descer aí!
-O que? Você que está maluca?! — ele gritou irritado também. — não vai descer coisa nenhuma!- ele disse convicto enquanto ela apenas o ignorava e procurava uma maneira de descer. – você não ouse fazer isso Levy!- ela apenas o ignorou enquanto ia colocando os pés devagar nas partes que ela observava estarem mais firme. — Levy!- ele falou irritado sabendo que não conseguiria impedi-la.
-Cala boca Gajeel!- ela falou enquanto descia devagar. — a saída está por aí mesmo, já havia essa falésia, nós que não notamos e acabamos pisando a derrubando mais. — ela disse simplesmente. — se a água entra, ela sai. Só temos que achar por onde. — ele soltou a respiração frustrado, aquela garota nunca o escutava. Quando ela já estava quase chegando até ele um pouco de terra cedeu a fazendo escorrer e ele a segurar na hora com as mãos em sua cintura e ela com as mãos no peitoral forte dele.
Seus rostos estavam próximos um do outro com os narizes se encostando enquanto seus olhos se encontravam arregalados surpresos com aproximação. Levy podia sentir suas bochechas corarem enquanto sentia as mãos de Gajeel ao redor de sua cintura.
—Peço perdão por atrapalhar o momento!- uma voz grossa e conhecida surgiu em meio à escuridão fazendo os dois se afastarem surpresos e olharem um para o outro de canto de olho. E quando eles olharam para frente e a pessoa se aproximar revelando um Gajeel e uma Levy com roupas negras e olhos vermelhos.
—Mas que merda é essa?- Gajeel perguntou de olhos arregalados enquanto os outros dois apenas sorriram.
—Somos sua pior versão!
Fim!
“Seja qual for a matéria de que as nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais.”
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