Notas iniciais
Eiiii meus consagrados! Como estão? Voltei com mais um capitulo, que está gigantee, já peço desculpas. fico receosa de fazer capítulos grandes e ficarem entediantes. Espero que gostem! Antes, gostaria de saber se estão gostando do desenvolvimento da historia, e qual parte mais gostaram? Boa leitura e qualquer erro me perdoem!

Capítulo XXII

O vento batia em seus cabelos loiros que já estavam secos conforme o tempo que havia saído da água. Selecionava as melhores cores das tão distribuídas flores para montar seu delicado buquê. Havia tido preferência nas cores azuis e violetas, sendo que já tinha noção da cor favorita de sua mais nova amiga. Colocava as flores em cima das pedras perto do lago onde uma mulher repousava em uma pedra com metade de seu corpo dentro da água. Uma sereia com sua linda calda incrustadas das mais belas escamas e pedras. Possuía longos cabelos platinados definidos pelo seu tempo de experiência na terra. Mas a pele e o corpo ainda se mantinham jovens.

—O que está fazendo exatamente?- questionou a pequena garota que colhia as flores enquanto penteava os cabelos longos e sedosos.

—Um buquê de flores, para Juvia!- a pequena disse sem disfarçar a emoção. A garotinha era seu primeiro contato humano. A mais velha virou os olhos cinza em direção à pequena, mesmo que pudesse não enxergar as coisas, via mais que pudesse explicar.

—A humana?- a pequena concordou enquanto a outra se virava para frente. — não deveria confiar tão cegamente nos humanos, princesa Lucy. — a garota fez um bico enquanto cavava o chão para plantar mais flores e retribuir a natureza as que ela havia retirado.

—Não me chame de princesa. — a mulher deu um sorriso ladino enquanto a outra voltava sua atenção a plantação. — e não se preocupe Juvia não é uma humana ruim.

—Humanos são traiçoeiros Lucy, pode ser que essa jovem garotinha não seja, contudo sua espécie é. — a pequena levantou os olhos a mais velha. – são gananciosos e se descobrirem que ela conhece você, até mesmo ela pode sair ferida. — a pequena engoliu em seco. — humanos não gostam de sereias Lucy, humanos machucam nossa espécie. — ela deu um sorriso singelo e carinhoso para de alguma forma acalentar a jovem. — quanto mais rápido saber disso, melhor será. -

**

Natsu não pensará muito enquanto andava a passos largos com Lucy de volta ao navio. A loira não demonstrava alguma melhora, pelo contrário ela apenas piorava e ele lutou contra sua vontade de voltar e arrancar a espinha de cada um deles.

Agradeceu aos Deuses ao ver Happy sobrevoando a si e ao notar o rosado desceu olhando preocupado a loira no colo do capitão.

—Natsu? O que aconteceu com a Luxy?- o pequeno gatinho perguntou com um tom choroso. Estava prestes a procurar a loira para levá-la para conhecer o melhor lugar de Hargeon e acabou a encontrando daquela maneira.

—Onde está Wendy?- o gatinho tirou os olhos da garota para olhar seu amigo que tentava transparecer calmo, contudo era nítido que Natsu estava fazendo um tremendo esforço para se manter estável.

—Está no navio!- Natsu assentiu soltando a respiração e olhou sério ao gato azul a sua frente.

—Preste atenção Happy, eu encontrei com Sting hoje, eles estão aí também. — o pequeno assentiu atento a fim de não perder nem uma sequer uma palavra. — preciso que explique a situação a Sting e peça para levar Yukino até o nosso navio, ela é uma bruxa curandeira, pode ajudar Lucy. — Happy assentiu voando o mais rápido que podia ali em busca do loiro e olhava atentamente cada canto para não perdê-lo de vista. Já Natsu correu para o navio. Ao entrar no local notou que havia poucos marujos e correu até Wendy que estava com Makarov em algum jogo que logo foi deixado de lado ao notar o estado da loira. — Wendy, mestre, por favor, venha comigo. — eles entraram até a cabine de Natsu que sem pensar muito colocou a sereia em sua banheira e junto de Wendy foi a enchendo.

—O que aconteceu Natsu?- Makarov questionou ao ver a loira gemendo de dor enquanto tentava respirar. Tentava racionalizar em como poderia ter acontecido tal coisa, contudo nada parecia se encaixar e fazer sentido. Natsu contou cada detalhe desde que passará ao lado daquela cabana e sentido uma sensação ruim que o fez averiguar e ver que Lucy estava sendo abusada por aqueles homens. — só pode ter sido à flor das sereias!- Makarov disse convicto, não havia dúvidas.

—Porlyusica me disse que a erva tem bastantes fins medicinais e pode ser usados para vários medicamentos ou até mesmo alucinógenos e que às vezes e usada como morfina em soldados. — Wendy disse enquanto colocava um líquido na boca de Lucy, era água com algumas ervas medicinais que ela tinha certeza que não agravaria o estado da sereia. — eles devem usar para deixar garotas drogadas, e obviamente usaram nela. — ela segurava a cabeça da loira para que ela bebesse o liquido. — a questão e que se foi injetado pela corrente sanguínea é perigoso de chegar até o coração. Contudo a erva não deve estar tão forte por estar misturada com outras, com isso o processo deve estar mais lento, mas não menos danoso por estar no sangue.

—Desgraçados!- Natsu falou exasperado passando a mãos pelos cabelos. — como retiramos isso?

—Não retiramos! Só curandeiros conseguem fazer isso. Quando pessoas são envenenadas é utilizado um antídoto e bebem muito liquido para eliminar o veneno da corrente sanguínea. Contudo isso vai muito do tipo de veneno. — Wendy olhou para Lucy de olhos fechados e pálida.- a questão e que é completamente diferente para Lucy, não sabemos qual antídoto. Entretanto estou dando água com ervas com antioxidante para retardar o veneno.

—Sting está aqui em Hargeon pedi que Happy trouxesse Yukino, ela consegue tirar o veneno. — Makarov o olhou de canto, observando como o rosado estava e em como estava agindo com aquilo. O mesmo percebeu o olhar do mais velho e engoliu em seco enquanto estava com as mãos na cintura. Natsu suava e sua respiração estava descompassada.

— Natsu!- ele apontou com a cabeça com o canto para que o rosado o seguisse. Assim que se afastaram um pouco Makarov subiu em cima da mesa e Natsu se aproximou. — o que está acontecendo com você?

—Não é nada mestre!- o mais velho apertou os olhos desconfiados, obviamente não havia acredito nas palavras do outro. — e só que... Eu quase perdi o controle... Eu realmente quis matar aqueles caras. — Makarov assentiu compreendendo. — eu quase... — o rosado mostrou as mãos tremendo. — eu não sei o que aconteceu minha visão começou a ficar turva, eu sentia aquela sensação... Aquela escuridão. — o mais velho olhou compreensivo ao outro que estava angustiado a sua frente, colocou sua mão sobre o ombro dele para lhe passar conforto.

—Contudo você não se deixou levar. — Makarov sorriu enquanto o outro o olhava. — depois resolvemos as coisas com esses monstros. E Natsu. — ele olhou sério para o garoto. — os monstros são eles Natsu, não você!- o rosado engoliu em seco, incerto sobre as palavras do mais velho. Entretanto a atenção foi voltada a porta quando fora aberta com Happy juntamente de Yukino e Sting, os dois soltaram o ar aliviados.

—Sting!- Natsu se aproximou dele e fizeram seu famigerado comprimento. — nos desculpe por isso tudo, mas. — ele olhou para Yukino. -. Você poderia nos ajudar? – a albina sorriu singela e assentiu e seguiu Natsu até a loira. Sting fora atrás e não conseguira disfarçar a surpresa ao ver aquela garota... Novamente.

Natsu explicou rapidamente o que sabiam para Yukino para que ela pudesse fazer o que devia para aliviar a dor da sereia. Sting estava encostado na parede com os olhos atentos na sereia, não por que ele desconfiava dela e sim por que ele não conseguia desviar seus olhos. Estava fascinado e não negava tal fato.

— Usou ervas medicinais que repelem o veneno. — Wendy admitiu vergonhada enquanto Yukino olhava a água preparada pela jovem. — foi muito esperta, afinal não sabia o composto do veneno e essas ervas não iam aumentar o processo e sim retrocede-lo seja qual for seus componentes.- Yukino piscou para a azulada que sorriu feliz e orgulhosa de si mesma.- bom, primeiro precisamos retirá-la da água.- a albina olhou para Natsu que logo tratou de retirar a sereia da água e ao fazer tal ato, reparou que veias pretas surgiam do corpo da sereia bem exposta na pele branca, principalmente na região do pescoço onde estava uma grande concentração do veneno.- agora a coloque no chão. Bem esticada- Natsu parou de olhar a sereia para posiciona-la de maneira correta de frente a Yukino que agachou ao lado da loira. — poderia me ajudar Wendy?- a azulada piscou surpresa enquanto a albina sorria amigavelmente lhe passando toda confiança necessária.

—C-cc-laro!- a pequena logo se prontificou ao lado de Lucy e de frente a Yukino que sorriu reconfortante. — o que devo fazer?- Wendy não conseguia disfarçar a empolgação em poder ajudar a sereia e de poder aprender com uma bruxa curandeira, além de Porlyusica.

— Primeiro que é a toxina existente na planta que causa isso nas sereias. — Yukino ajeitava a roupa de Lucy para que não exibisse nada. — sabia Wendy? Que o que mata não é o veneno e sim a quantidade?- Wendy a olhou surpresa enquanto a mais velha molhava as mãos e pousava delicadamente nos braços de Lucy analisando as veias negras. — por isso que a dosagem do veneno é muito importante. No caso de Lucy uma quantia grande foi injetada. — Wendy se lembrou de quando a capturaram, quase não usaram nada, apenas o suficiente para desmaia-la. — e você agiu corretamente tentando impedir a toxina. Se chegasse ao coração poderia causar um estrago. Contudo a sereia sobreviveria, mas sofreria de uma grande dor ou até mesmo ficaria com sequelas. — todos os presentes escutavam atentos as palavras delicadas e bem posicionadas da jovem. — primeiramente para retirar toxina eu irei usar a água para extrair o veneno e retirá-lo pelos poros do corpo dela. — ela olhou Wendy que estava atenta a tudo. — enquanto eu faço isso Wendy, você vai usar a clorofito como um pano para absorver esse veneno. — a pequena assentiu. — sabe por quê?

— A clorofito é uma planta conhecida por remover 90 por cento das toxinas no ar com suas folhas. — Yukino sorriu orgulhosa. — ela também gosta de umidade, dessa forma ela vai sugar o veneno que vai sair. — a pequena falou com o rosto iluminado por compreender. A albina assentiu animada enquanto começava colocando a mão no pescoço da sereia em cima da mancha negra.

Ao posar suas mãos sobre o pescoço da jovem e assim que a água da mão de Yukino e a umidade do corpo da loira infiltraram pelos seus poros e encontraram em contato com a toxina a colocando dentro da água e a puxando para fora à loira grunhiu de dor ainda de olhos fechados atraindo os olhares de todos. Quando o liquido negro foi saindo da pele de Lucy, Wendy se posicionou colocando as plantas sobre o mesmo. Yukino ia descendo suas mãos assim que cada região já estivesse limpa. A albina fechava os olhos concentrada enquanto estava com a mão sobre o corpo da loira, compenetrada em finalizar seu serviço sem finais desagradáveis.

Finalmente toda toxina fora retirada do corpo da sereia, o que pareciam ter sido horas de tempos exaustivos se acabaram e Yukino pode soltar o ar aliviada. A pequena azulada passou a mão na testa retirando o liquido causado pelo constante sentimento de tensão sobre si. Os outros ali presentes pareciam aliviados também já que tudo parecia ter acabado e de alguma forma aquilo havia desgastado a todos ali presentes. A albina se levantou e olhou o rosado.

—Agora a coloque de volta, a água vai ajudá-la se recuperar. — Natsu assentiu a pegando no colo e a colocando novamente na banheira. A loira agora não possuía a face com a expressão de dor ou angústia, era como se ela dormisse calmamente em seu sono profundo. Por uns segundos reparou em seu rosto voltando a ficar com mais cor e as bochechas coradas, por um segundo ele olhou para confirmar se ela estava bem, sem realmente saber o verdadeiro motivo disso. Algo no fundo o incomodava. Ao perceber que Yukino falará algo ele voltará a sua postura ereta concentrado nas palavras do outro. Já Sting ainda olhava a loira, na verdade ele não havia conseguido fazer outra coisa que não fosse observa-la. – quando ela acordar ela deve voltar à forma de sereia onde o processo de cura deve acelerar. O organismo dela estava combatendo a toxina. — Natsu apertou os olhos confusos. — na verdade o processo de cura quanto a erva das sereias não é tão eficiente. Contudo, eles ajudam. — Yukino olhou por alguns segundos a sereia e depois voltou sua atenção séria ao rosado. — na verdade a toxina primeiramente afeta aos poderes, elas não conseguem usa-los e segundo afeta o organismo as fazendo sentir uma dor descomunal, depois a falta de ar por que ela começa a afetar os órgãos internos e vai os corroendo. — os presentes estavam chocados com o que lhes era contado. — após isso é atacado o coração fazendo as sentirem uma dor horrível. Dizem que toda a dor do primeiro amor da sereia e projetado nessa flor, os sentimentos dele. E como se elas tivessem uma dor descomunal e depois o coração simplesmente para do nada. — todos arregalaram os olhos... A planta era definitivamente mortífera as sereias. — costumam dizer que algumas sereias injetavam todos os dias certa quantia de veneno para que seu organismo fosse aos poucos aprendendo a suportar por mais tempo e não fossem tão nocivas a elas quando usado contra elas. — ela colocou seu capuz na cabeça. — não iam conseguir ficarem imunes às plantas, contudo iriam suporta-las por mais tempo. Entretanto algo em Lucy me chamou atenção. — todos ajeitaram a postura a fim de prestarem atenção em cada detalhe daquela revelação. — pela quantidade e o tempo em que foi aplicada a toxina o organismo dela suportou bem. Ela... Não havia chegado nem no terceiro estágio. — Natsu apertou os olhos tentando interpretar o que a xamã havia dito. — ela não conseguia se mover por conta da dor, seus órgãos estavam começando a serem afetados, porém a magia de cura dela estava trabalhando contra o veneno... Os órgãos dela estão quase intocáveis mesmo com a toxina tendo chegado a eles. — Natsu piscou os olhos, ainda não sabia bem o que aquilo significava. — eu nunca havia visto algo assim... Claro que nunca tive contato com sereias, mas minha avó já teve e ela disse que em menos de meia hora as sereias começam com ataques horríveis. Na verdade, talvez o veneno não causasse um estrago muito grande a ela no fim. — ela olhou a sereia e depois voltou ao Natsu. — essa sereia... Possui um poder... Eu nunca senti nada parecido... Ela é bem perto do que contavam em lendas.

—Monstros sangrentos que derrubavam navios apenas com estalar os dedos?- todos se viraram para olhar para Sting.

—Não, não creio que ela seja um monstro insensível, na verdade ela possui a energia mais pura que eu pude sentir. Contudo ela pode sim destruir navios com o estalar dos dedos. — todos soltaram o ar como se fosse um peso em seus pulmões. – o colar irá liberar o poder completo dela e ela vai se recuperar em segundos. – Natsu trocou um olhar com Makarov rapidamente. – ela está bem!- Yukino sorriu amigavelmente e depois se virou para Wendy. — você foi muito bem Wendy, me ajudou muito. — a pequena abriu um grande sorriso.

Após se despedirem e agradecerem a ajuda da garota os dois tigres foram embora com exigências de Yukino para com Lucy e ela desejava conhecer a loira alegando que havia se apegado a sereia. Gostava da energia dela. Quando Wendy saiu para acompanhar os outros Natsu sentou em sua cadeira se jogando, permitindo tentar diminuir a tensão em seu corpo.

—A última vez que ela usou o colar, alguém tentou marca-la para rastrear. — Makarov assentiu passando a mão nos pequenos tufos de cabelos brancos. — acha que devo colocar? Ela pode piorar se esse desgraçado tentar algo.

—Ela está bem Natsu!- Makarov sorriu passando bons sentimentos a seu filho, ele sabia como a cabeça dele estava naquele momento. — o colar apenas asselaria o processo, deixe que quando ela acordar ela decida se vai ser necessário ou não. — Natsu assentiu colocando as mãos sobre o rosto sentia um peso gigante em seus ombros. Ainda podia sentir a sensação pelo seu corpo, a necessidade em sangue e em se entregar aquele lado escuro mais tão convidativo. — você precisa descansar também. Irei chamar o restante para partimos daqui. — Makarov foi saindo da sala. Toda via antes se virou para o garoto. — acho que possui muitos conflitos internos em sua mente agora... Você sabe que esse seu lado está sempre com você, e está com a sensação ainda por que está preocupado... Com ela. — Natsu o olhou surpreso com os olhos arregalados. — está preocupado em como ela vai reagir ao acordar e principalmente em como ela irá enxergar você. E também está querendo voltar e finalizar o serviço. – o mais velho sorriu balançando a cabeça. — eu lhe conheço o bastante para saber o que se passa na sua cabeça meu filho. — ele olhou a sereia. — apenas... A conforte, ela vai precisar quando acordar. — ele voltou a olhar Natsu. — ela viu o lado mais feio em como os humanos podem ser. — e com isso ele saiu de lá batendo a porta atrás de si. Soltou o ar dos pulmões tentando se manter calmo.

Sentia a adrenalina escorregando pelas suas veias na busca incessante de vingança e justiça ou algo a mais. Ele custava a se recuperar, ficava por muito tempo se sentindo horrível. Entretanto ali estava diferente... Sim, Makarov estava certo. Talvez aquilo só passasse quando a loira acordasse e desse um soco em seu rosto mostrando que ela estava bem. Contudo Lucy podia acordar odiando mais os humanos e com certeza odiaria. Natsu acreditava que ela era muito boa, mas não boa o suficiente para ignorar isso, pois ela também possuía um senso de justiça.

Ele se levantou e guiou até a banheira onde ela dormia profundamente, sua respiração estava calma subindo e descendo devagar. Sentia uma necessidade de tocar seu rosto como se para testar se ela era real e foi exatamente isso que ele fez. Tocou seus dedos delicadamente sobre a pele como se fosse da porcelana mais cara e fina do mundo. Sua palma ficou sobre a bochecha dela sentindo seu calor e pele macia, seu polegar acariciou o local, descendo até seus lábios e os tocando bem devagar sentindo a maciez.

O cheiro dela estava mais forte sobre o olfato de Natsu, ele sentia que podia sentir esse cheiro a quilômetros de distância. Ele olhava apenas para o rosto dela como se estivesse perdido em alguma coisa que ele ainda não sabia definir. Ele via muito mais que uma garota bonita, ele via mais que seus olhos pudessem enxergar. Ele via uma beleza incomum, contudo não apenas a exterior. Mas sim a interior que a todo custo ela tentava ofusca-la para evitar que as pessoas vissem, contudo não tinha muito sucesso, pois ele via. O coração bom e puro e que Lucy carregava consigo dores imensas, contudo sempre a ignorava para ajudar os outros ou para manter a pose das sereias, Lucy tinha um poder de deixar as pessoas bem. Fazia as pessoas quererem se tornar dignas para ficarem perto dela... Ela fazia muitas coisas.

—N-nnatsu.- ele piscou os olhos surpreso ao ouvir da voz baixa e rouca da loira que apertou os olhos, mas voltaram a como estavam a segundos atrás, tão rápido quanto veio, se foi. Ela deitou mais a cabeça na palma dele como se para sentir mais da sensação e calor, e ele olhava tudo surpreso enquanto ela dormia.

Havia muitas coisas que Natsu não compreendia de si mesmo. Havia muitas coisas que ele sempre buscou entender. Contudo, ali naquele momento ele não quis entender nada, pois assim que isso passasse, afastaria qualquer dúvida ou sensação que poderia ocasionar a sentir. Ele trataria de afastar a sereia e qualquer coisa que ela o estava fazendo sentir.

**

“Você ama o desconhecido até descobrir o que ele pode significar. Você ama aquilo que acha que conhece, por que foge daquilo que não quer conhecer. Conjecturas falsas preenchem um coração vazio, por que você fugiu de sentir. Por que você fugiu de mim.”

Lucy acorda em um sobressalto, sua respiração está descompassada e água e jorrada para fora da banheira com o movimento brusco. Olha ao redor reconhecendo a cabine de Natsu e sua mente passa em flashes de acontecimentos não tão distantes. Seu peito enche de dor e ódio ao mesmo tempo com a pitada de nojo dos seres desconhecidos.

Passa a mão no rosto antes de se levantar e torcer sua roupa para que não molhasse mais o chão e ocasionasse um acidente. Notou que havia uma toalha sobre uma cadeira ao seu lado, junto de um vestido simples vermelho. Pegou a toalha olhando ao redor constatando que estava sozinha, então retirou sua roupa deixando que escorregasse de seu corpo até o fundo da banheira. Secou seu corpo antes de colocar o pé para fora com a toalha enrolada em si. Contudo, antes de pegar o vestido a porta e aberta e Natsu entra e fecha a porta atrás de si ao se e virar vê Lucy, ele para e ela também o olhando com os olhos meio arregalados. Natsu corre o olho pelos cabelos longos e molhados até os pés descalços, nada havia passado despercebido. A loira ainda de olhos arregalados alcança sua bota próxima da banheira e taca em direção ao rosado torcendo que o acertasse bem na fuça deveres bonita dele.

—O que está olhando seu tarado sem escrúpulos?- ele a olhou surpreso e depois abriu a boca para falar algo, mas fechou rapidamente e se virou de costas para que ela pudesse se vestir. Segurou a porta para que ninguém entrasse e flagrasse algo. Contudo pelo vidro do armário ao seu lado ele conseguiu ver levemente refletido a sereia retirando a toalha e ele ver o longo cabelo caído em cascata pelas costas dela. Olhou para frente antes que olhasse mais, não iria ser desrespeitoso com ela. — pronto!- ele se virou e ela penteava seus cabelos com as mãos, sua face estava seria e não ousava encarar Natsu.

—Estas bem?- ela o olhou com a face sem expressão. E Natsu engoliu em seco se aproximando devagar, como se analisasse o território antes.

—Como acha que estou? Vi em como os humanos podem agir na necessidade de sentirem superiores e em busca de uma riqueza abstrata ele judia e maltrata os outros. — ela ainda estava séria. Mas suas falas exalavam uma frieza que congelou o corpo de Natsu. — vocês me dão nojo! — ela falou firme com o rosto repleto de raiva. — nojo em como abusam dos indefesos e em como tem sempre a necessidade de sentirem superiores. — Natsu foi tentar se aproximar.

—Lucy!- mas ela se afastou, como se em defesa. Ela o olhava com os olhos meio arregalados. — me desculpe. — ele abaixou a cabeça. — imagino que esteja se sentindo horrível, por estar ajudando a raça daqueles que aniquilaram a sua. — ele a olhou e ela apertava os lábios e os olhos tremeluziram. — você está livre para ir!- ela o olhou surpresa. — sei que já poderia ter ido há muito tempo se quisesse, contudo não mais pedirei que nos ajude.

—Está desistindo do tesouro?- ela o questionou.

—É apenas uma riqueza abstrata. — ela engoliu em seco e quando ele se virou para se afastar ela o segurou pelo pulso com suas duas mãos. Ao sentir a pele dela contra a sua ele se virou a olhando.

—Eu sei que vocês não tem haver com aqueles que fizeram aquilo a minha espécie. — ela estava com a cabeça abaixada olhando para o chão. — entretanto estou com sentimentos horríveis. Sim, você tá certo. Sinto como se estivesse traindo aquelas que morreram pelas mãos dos humanos. Contudo também estou lutando por aquelas que morreram nos portais e ajudando os espíritos. — ela levantou o olhar transmitindo tamanha sensação a Natsu. — também estou devolvendo a honra do Fairy Tail.- eles ficaram em silêncio por alguns segundos. — eu gosto de todos daqui. — ela o olhou fundo nos olhos. — eu não quis culpa-los por aquilo... — ele negou com a cabeça.

—Você está certa! Somos tudo aquilo que disso, isso que são os humanos. — ele deu um sorriso ladino. — contudo alguns buscam melhorar. — ele voltou a ficar mais sério. — me desculpe por tudo que lhe fiz passar. — ela piscou os olhos surpresa. — nenhum ser vivo deveria passar pelo que elas passaram e nem você deveria ter sofrido aquilo. — Lucy engoliu em seco virando o rosto e soltando o pulso dele. Como se fugisse de alguma coisa, se incomodando com as lembranças e com que aquele garoto a estava fazendo sentir.

—Quando era mais nova eu vi uma chacina acontecer. — ela falou após algum tempo. Ele a olhava atento. — piratas caçando e matando sereias, eles nos doparam com a flor e arrancava as escamas das sereias dizendo que estavam procurando as pernas enquanto riam. — ela olhou para Natsu, mas logo voltou a desviar os olhos. — eu consegui enfrentar a dor, talvez ver minhas irmãs morrendo e sendo torturadas me desencadeou uma força que me fez aguentar até mesmo a flor. Eu vi o capitão da Oracion seis.- ela se lembrou de quando o reencontrou e em como as lembranças voltavam a si.- ele comandava tudo rindo e se maravilhando e eu odiei aquilo.

—É o que você fez?- Natsu questionou e ela o olhou com o rosto inexpressivo.

—Eu os matei! — ele não demonstrou nenhuma reação também. — derrubei o navio e estraçalhei cada um deles. — ela desviou os olhos por meros segundos até voltar a olha-lo. — eu pequei! Como um ser da luz eu não posso retirar a vida de seres vivos, se não aqueles que afetam o equilíbrio ou demônios. — ele a olhava pensativo. — eu fui à única sobrevivente, não contei do meu pecado a Anfitrite apesar de que saber que ela já deveria estar ciente. Contudo nunca falará nada a respeito, talvez por ser a última sereia celestial, ela precisava de mim. — ela mantinha o olhar firme no dele. — porém eu não me importo de pecar novamente. — ele compreendeu o que ela estava dizendo. Pela honra de suas irmãs ela faria aquilo de novo.

—Como Zero saiu vivo?- ele questionou com as sobrancelhas unidas. Mudando um pouco o rumo da conversa, sem sair diretamente do assunto.

—Não sei, fiquei surpresa ao vê-lo vivo. — Natsu assentiu pensativo.

—Ele viu você quando abateram eles?- ela negou balançando a cabeça.

—Não, estava mais ocupado em mandar aniquilar minhas irmãs. — ela fez uma careta.

—Tem certeza que era ele?- ela assentiu convicta e Natsu ficou pensativo, refletindo no que toda aquelas informações poderiam significar, e por um momento ele temeu o que poderiam ser. — temos que tomar cuidado, ele pode perceber alguma coisa então.

—A erva das sereias não era algo tão conhecido antes, e nem é algo fácil de conseguir. — Lucy olhou pensativa para a água na qual estava há poucos minutos atrás. — minhas irmãs tem corrido mais perigo, já que parece que isso se expandiu. Pode ter sido ele quem espalhou sobre isso. — ela engoliu em seco. Natsu a olhou por alguns segundos até ir até sua mesa e pegar uma pequena caixa de madeira e entregar a loira que o olhou com uma sobrancelha em pé sem compreender quais intenções do rosado. Ao abrir ela quase perderá o folego. Eram as escamas e pedras que estavam expostas na barraca. Ela o olhou nos olhos, tentando desvendar algo que ele não dizia em palavras. Muitas coisas estavam ambíguas a ela. — por que me salvou?- ela fora direta o fazendo ser pego de surpresa pela pergunta repentina.

—Por que era o certo a se fazer!- ele disse convicto, contudo ela o olhou de olhos apertados, desconfiada. — faria isso por qualquer outra pessoa, não poderia permitir vê isso e não fazer nada. — ele disse simplesmente. Lucy assentiu abaixando o olhar, sentindo um pouco decepcionada, mas com quê? Ele estava certo, fez o certo.

—Obrigada!- ela segurou firme a caixa sobre o seio. Ele a olhou com uma sobrancelha em pé.

—Não precisa agradecer. — ele coçou o pescoço dando um sorriso sem graça. — não fora nada!

—Já que diz! Então retiro o agradecimento. — ela revirou os olhos passando por ele que não havia compreendido o motivo de tal ato. — não precisa fazer nada então. — ela fez uma voz fina enquanto vazia uma careta, arrancando uma risada de Natsu. Ela virou o rosto o olhando de olhos apertados que logo tratou de segurar o riso colocando os braços para trás e se balançando sobre o olhar dela. – se não se importa, vou devolver as escamas e pedras para onde nunca deveriam ter saído.

—Lucy!- ele a chamou antes que ela saísse, ela o olhou esperando suas palavras e ele coçou a garganta antes. — você não tem que ser um monstro apenas por que eles são. — ela apertou os olhos para ele, sem compreender bem o que ele queria dizer. — se quiser eu faço esse papel para você. — ela arregalou os olhos sem saber evitar a surpresa, talvez ela nem se preocupasse mais em disfarçar. Natsu era sempre uma incógnita a si.

—Obrigada Natsu, mas... — ela o olhou e deu um sorriso ladino. — isso é algo que eu tenho que fazer, por elas. — então ela se retirou dali o deixando sozinho sentindo em como frio aquele lugar parecia estar sem a presença dela.

**

Ele olhava o homem que se encolhia no chão dizendo coisas desconexas. Seu corpo tremia como se estivesse no gelo sem alguma vestimenta. Contudo mesmo com roupas finas sobre o chão frio, ele duvidava que aquilo fosse o que lhe fazia tremeluzir de verdade. Os olhos olhavam aterrorizados para cada canto do local. O outro apenas o observava em pé, o olhando de cima. Sua expressão não demonstrava nada além do vazio.

—Meu senhor!- ele se virou olhando o homem de cabelos longos e olhos vermelhos. — temo que precise olhar isso. — o homem o olhou intrigado, mas seguiu Midnight deixando o homem sem a lucidez para trás. Ao entrar na cabine, viu um homem agachado no chão ao meio de cobra e Racer. – a barraca que vendiam as pedras e escamas fora derrubada. — o capitão apertou os olhos se aproximando do homem que se encolheu, e então ele notou que o homem segurava o outro pulso com força em um pano ensanguentado.

—Que tal me contar o que aconteceu? E aí eu penso se vivera ou não. — o homem agachado engoliu em seco antes de começar suas justificativas.

—Uma mulher... Chegou questionando como conseguimos as escamas, falando um monte de baboseiras. — o capitão ouvia tudo atento afim de não perder um detalhe se quer. — acontece que... Ela era extremamente linda, acabamos sendo seduzido senhor, ela nos instigou a isso, nós a drogamos. E então surgiu um garoto de cabelos róseo que destruiu tudo levando a garota e as escamas consigo. — após falar o homem abaixou a cabeça como se não fosse digno olhar acima de si.

—Cabelos róseos?- ele sorriu, perversamente. Sabia quem poderia ser. Na verdade tinha certeza de quem era. — por acaso esse homem possuía a marca da Fairy Tail no ombro?- o moreno assentiu concordando e o outro gargalhou alto. — mas me conte da garota, como ela era? Qual delas.

—Era uma de longos cabelos loiros. — ele apertou os olhos tentando se lembrar de alguma. — olhos castanhos, ela era... Perfeita. — um flash veio em sua cabeça ao se lembrar de uma garota na taberna atrás de Natsu quando enfrentou Cobra. Um sorriso apareceu de seu rosto.

—Ora ora Natsu Dragneel, me parece que você tem algo que está chamando minha atenção.

Fim.

“A maldade humana tem apenas uma motivação: a busca insana pela superioridade.”

—Lúcio Kwayela-

Notas finais
Fiiiiim! E ai gente, gostaram? Ficou um capitulo meio parado, contudo acho que logo vai chegar o portal de gemini. A parte em que Yukino retira a toxina da Lucy, eu me inspirei no episodio de Naruto Shippuden quando Sakura extrai o veneno do Kankuro. De resto, a historia vem da minha cachola e qualquer lugar além daqui e no Nyah fanfiction é plagio. Enfim, obrigada a todos que tem favoritado historia, prometo que não irão se arrepender de lerem. Leitores fantasmas, apareçam. Quero interagir com vocês. Beijocas e Arigatou! I.C.S