Le Chant des Sirènes
43 Capítulo XLII
Notas iniciais
Capítulo XLII
Ela ainda estava desacreditada com tudo, estava com medo de que tudo não passasse de um sonho e então acordar e notar que nada daquilo era real, ou pior, que ela o havia perdido bem diante dos seus olhos e estava em um momento de delírio.
Contudo, o sentimento que preenchia seu corpo com uma eletrizante carga que animava todo os seu sentidos e arrepiava cada milímetro de pele, era a comprovação de que era tudo real. Ele estava ali com ela.
Ela observou o rosto dele próximo do seu enquanto estavam deitados na cabana, abraçados um com outro, ela fazia um carinho no rosto dele que fechava os olhos apenas apreciando o toque delicado que lhe proporcionava tantas sensações, e se permitiu aproveitar o momento. Ter Lucy ali consigo, daquele jeito, era perfeito, e ele não precisava de nada mais.
Pousou a mão na bochecha dele e levou os lábios até os dele lhe dando um rápido selinho, e arrancando um sorriso em seu rosto enquanto permanecia de olhos fechados, porém, a puxou para mais perto de si até sentir os lábios roçarem um no outro e então iniciarem um outro beijo, e a cada beijo parecia uma nova descoberta de sensações, algo que nenhum dos dois já havia presenciado antes.
A puxou tanto que ela quase estava em cima de seu colo e acabou por fim, subindo em cima do rosado colocando as cochas ao redor do quadril dele. Sorriram quando terminaram o beijo, olhando sorridentes um para o outro. Natsu a abraçou enchendo as bochechas e pescoço dela de beijos a fazendo gargalhar, e ele descobriu que aquele era o seu som favorito.
—Me perdoe por não conseguir parar de te beijar.- ele falou enquanto dava um selinho a cada palavra proferida. — eu estava louco para fazer isso, e agora que posso. — mais beijos que arrancavam um sorriso dela.- não vou mais parar, vai ter de suportar. — outro selinho e dessa vez mais demorado. — apenas lamento. — ela acabou rindo, estava tão feliz e leve.
Quando ele parou, deixou as mãos pousadas nas cochas da loira e ela levou as suas nos fios róseas, os acariciando, ela amava o cabelo dele. Podia notar o olhar dele sobre si enquanto estava atenta no que fazia, mas as orbes verde musgo queimavam em sua pele feito brasa.
—Você não estava com medo?- ela perguntou sem olhar diretamente para ele.
—Medo do que?- a loira lhe lançou um olhar e ele deu de ombros. – eu sabia que não ia acontecer nada, eu sentia isso. – ela suspirou.
—Eu estava aterrorizada, eu não ia suportar se te matasse. – ele ficou a encarando enquanto ela apenas se lembrava de todos os sonhos que teve com ele e se sentia acuada só de relembrá-los.
—Não se preocupe, você terá de me suportar por muito tempo ainda. – ela sorriu o fazendo sorrir e levou as mãos até o rosto dela a segurando com carinho. – eu já disse que estou do seu lado e não irei sair, nada vai me afastar de você, nem maldição. – trouxe o rosto dela próximo a si até os lábios roçarem um no outro. – nem nada. – puxou o lábio inferior dela os sugando e então a beijou novamente, era como se o beijo fosse ao contrário de tudo que se era esperado, ele lhes davam vida, não retirava. Lhes acendiam e ansiavam por mais.
Quando se afastaram apenas para recuperar o ar, ainda mantiveram os rostos próximos e finalizaram com um selinho demorado e mantiveram as tetas unidas. Os corações batiam em um só compasso, em uma velocidade extremamente rápida.
—Por que me mostrou o quarto só no outro dia e não naquela noite?- ela questionou deitando a cabeça no peitoral dele o olhando.
—Por que eu queria dormir com você. – ele disse simplesmente e levou suas mãos até as costa dela aonde fazia um carinho que subia e descia com os desde, causando um calafrio pelo corpo da loira. Ela o olhou chocada e ele deu uma risada. – se eu lhe mostrasse, você ia dormi lá, e eu estava com saudades e também senti que você precisava de cuidado. – ela suspirou, era fato que ficar com Natsu contribuiu cem por cento para sua melhora. – aliás, nem precisa mais daquele quarto, você pode ficar comigo. – ele falou brincando para quebrar o clima e ela sorriu obtendo sucesso na missão dele.
— Irei pensar no seu caso.- ele sorriu e ela o abraçou sentindo seu cheiro, sentia que aquele abraço era algo além de um abrigo, era tudo que ela sempre desejou ou precisou. Era como se fosse feito especialmente para ela, como se ele soubesse que ela precisava de abrigo e ela soubesse que ele precisava de aconchego. Era um complemento. Tinha de ser ele e mais ninguém, somente ele, somente ele estar em seu coração.
**
Quando estavam voltando para a Fairy Tail já era de manhã. Eles haviam passado a noite juntos e hoje já voltavam do seu momento de paz. Caminhavam juntos de mãos dadas enquanto conversavam e davam risadas sobre assuntos aleatórios. Pareciam um casal normal em sua vida cotidiana e simples, porém, não havia nada de simples e normal na vida deles.
—Acho melhor esperar um pouco antes de entrarmos no portal do leão.- ele falou depois de uns minutos em silêncio. – devido a tudo pelo que passou. – ela queria discordar e dizer que tudo bem, que ela não se importava, porém, no fundo ela realmente queria aquilo, queria por pelo menos algum tempo ter uma vida normal com pequenos momentos de paz. Então, apenas concordou com cabeça.
Entraram na grande casa da Fairy Tail e a maioria já estava acordada e fazia uma tremenda bagunça no salão principal. Os dois haviam optado por não contar de antemão a todos sobre o que estava acontecendo entre eles, para evitar futuras complicações. Contaria aos poucos. Como já havia virado um costume os dois estarem sempre juntos e grudados, ninguém se importou com o fato de entrarem de mãos dadas e subirem juntos, separaram apenas para cada um realizar sua higiene.
Havia dois lavabos que foi dividido entre os homens e as mulheres, Lucy estava no feminino arrumando sua banheira enquanto Erza terminava seu banho na outra banheira, haviam três iguais. A loira estava morrendo de vergonha da intimidade, porém a ruiva não parecia estar na mesma situação e não se importava nem um pouco em ficar nua diante da amiga. A sereia apenas evitava olhá-la e agradecia pela a espuma na água.
—Eu acho que poderia dormir a qualquer momento aqui dentro. – a ruiva deitou a cabeça na ponta fechando os olhos e aproveitando o momento. – dormir mal essa noite... E falando nisso, aonde você é o Natsu dormiram?- a loira arregalou os olhos enquanto a amiga a olhava de sobrancelhas em pé, sentia suas bochechas esquentarem e ficarem vermelhas como se tivesse sido pega na flagra.
—Hum?
—Você disse que ele ia te levar em um lugar e vocês não voltaram. – Erza avia fechado os olhos e os abriu os arreglando, e deu um pulo da banheira, ficando em pé. – o que vocês fizeram?
—Kyah, Erza você está nua!- Lucy tapou os olhos enquanto a ruiva não deu muita importância ao fato. – nós... Nos beijamos.
—Ah bom.- então um barulho alto fez Lucy abrir os olhos e então notar que a amiga havia levado um tombo.- vocês o que?- ela questionou sem se importar com o fato de ter caído e logo se sentou na banheira olhando chocada a loira. – e cadê o Natsu?
—Ele tá bem, não aconteceu nada.- Erza abriu um grande sorriso e a loira não conseguiu deixar de sorrir. – se ele sentir na mesma intensidade que eu, não acontece nada, porém era quase impossível disse acontecer.
—Claro que não era.- falou como se fosse óbvio. – e eu meio que desconfiava que funcionária, qualquer um que olhasse para vocês dois, poderia dizer isso. – Lucy sorriu tímida colocando o cabelo atrás da orelha. – estou muito feliz por vocês, eu torcia muito para que isso acontecesse. – a sereia tirou o robe, e entrou rapidamente na banheira para que não ocorresse da amiga a ver nua. – se o Natsu fizer alguma coisa, você me avisa que eu soco ele. – a loira deu uma risadinha olhando a amiga.
—Prontamente lhe direi. – ela ficou observando a ruiva e então decidiu questionar. – e você Erza? Quando eu voltei ao mar, você e Jellal estavam brigados, se resolveram?
—Não exatamente, digamos que não tem nada para resolver.- ela ficou com uma expressão mais desanimada no rosto e por alguns segundos a sereia se sentiu mal por questionar um assunto delicado. – eu estou o ignorando, e é melhor assim.
— Eu acho que ele gosta de você, porém tem algum sentimento que lhe impedi de confessar.- a ruiva a olhou de sobrancelhas unidas. – algo como culpa ou vergonha.
—Por que acha isso?- questionou baixo, achando ser impossível tal fato.
—Por que é algo que dá para perceber, uma vez alguém me disse que não é algo que dá para esconder.- ela sorriu ao se lembrar do conselho de Aura. – o jeito que ele te olha, que ele se preocupa, e em como ele ficou desesperado com você no portal de Taurus. – Erza sentiu seu corpo inteiro arrepiar só de lembrar a sensação. – não é algo de irmãos como ele disse, e me desculpe se estiver parecendo que eu estou te iludindo, mas estou sendo sincera e dizendo o que eu acho pelas minhas percepções. – ela olhou carinhosamente para a amiga. – se você tem a oportunidade tem de agarrar ela com unhas e dentes e aproveitar, e não deixar perder, apenas por conta de orgulho besta. As vezes perdemos muitas oportunidades passar, por medo de se arriscar. – Erza piscou os olhos a olhando. – você tem o direito de saber como ele se sente a respeito de você, e ele deve te dizer, ter responsabilidade afetiva é muito importante.
Por alguns minutos a ruiva ficou quieta pensativa apenas refletindo nas palavras da loira, e depois voltaram a falar de assuntos banais. Mesmo após o banho, o assunto ainda perdurava na mente da garota e ela decidiu por fim, colocar um ponto final na situação, e não mais uma vírgula.
Caminhou decidida até o quarto de Jellal depois de ter trocado sua roupa e bateu fortemente na porta, devido ao seu nervosismo. Contudo, não se importou com esse pequeno detalhe, e quando o azulado abriu a porta e abriu um grande sorriso ao olhá-la ela entrou de uma vez no quarto dele.
—Erza?- ele fechou a porta atrás de si e ela o olhou séria, decidida a colocar tudo o que estava sentindo para fora e retirar esse nó da garganta.
— Eu não aguento mais isso Jellal.- ele a olhou preocupado e ela desatou a falar. – você sabe muito bem o que eu sinto por você, sempre esteve ciente disso, já que eu não sei nem um pouco disfarçar, porém, você sempre me deu indícios de uma retribuição e isso não é justo comigo.- ela soltou o ar que parecia estar prendendo a um bom tempo.- se você não sente nada por mim você tem que me dizer, não me iludir e brincar com meus sentimentos me oferecendo falsas esperanças. – ela apertou os punhos e o olhava com firmeza.- não é justo comigo.- ele ficou a olhando, sério e paralisado a deixando cada vez mais nervosa. – isso... Foi idiotice, aonde eu estava com a cabeça é óbvio que você não se importa.- ela foi em direção a porta, porém quando ela passou ao lado ele a segurou pelo pulso a trazendo para mais perto de si.
—Eu gosto de você Erza.- ela o olhou de olhos arregalados. – mais do que você imagina.- se sentia bamba e que a qualquer momento poderia desabar ali. – mas é exatamente por isso que eu não posso ficar com você, eu não sou digno de você.
—Isso é eu que decido.- ela falou firme e ele fechou os olhos negando com a cabeça.
—Eu não mereço você, e estou na busca para merecer.- ela o olhou surpresa. – até que esse dia chegue, eu não posso pedi para que me espere, mas eu não irei desistir de você.- ela o olhou sem entender.
—Eu não entendo, eu não sei do que tanto você se inferioriza, eu não me importo e odeio isso. – ela falou irritada. – odeio, por que não é justo! Será que você terá de me perder para então valorizar? Tem pessoas que dariam tudo para ter uma oportunidade. – ela falou pesando em Natsu e Lucy.- e você joga fora por motivos inúteis. É ridículo que as pessoas que obtêm a chance não saibam valorizar isso, e quem não tem não veem a hora de poder ter. – ela sorriu soprado.
—Eu lhe perderia se você soubesse disso. – ela o olhou com as sobrancelhas unidas. – estou fazendo isso para não perdê-la, por mais que as circunstâncias demonstrem o contrário. – ele passou a língua nos lábios olhando para o lado antes de voltar seu olhar a ela. – eu não a perderei, não sem antes fazer de tudo para lhe ter ao meu lado. – e então ele saiu a deixando sozinha e pensativa sobre o que ele havia falado, ao mesmo tempo que as palavras lhe causavam paz, também lhe deixavam frustrada. Pelo menos serviu para ela ter a certeza de que não desistiria dele também.
**
Enquanto caminhava em direção ao local desejado e pisava no sangue que manchava todo o chão, com corpos sem vida no chão sem uma moeda para o barqueiro. Sua mente estava com mil pensamentos tentando associar os acontecimentos, e pensar racionalmente. Ao entrar na sala encontrou o corpo com metade pendurada e o restante caído no chão, o sangue espalhado e as moscas, deixavam uma imagem mais macabra a cena.
— Algum sobrevivente?- ele questionou olhando para o corpo que iniciava o estado de decomposição.
—Não mestre. – a garota de longos cabelos negros falou. – os outros cinco são os únicos que não estão aqui, porém, descobrimos que foram capturados pelo conselho. – ele colocou a mão no queixo pensativo.
—Não foi o conselho que fez isso, o conselho não mataria sem antes fazer questão de exibir a pena de morte aos cidadãos. – ele se virou para a garota. – tem alguma informação de que os cinco se entregaram?
—Não, eles foram encontrados inconscientes perto de uma base do conselho. – ele quase riu com a fala da outra. – alguma ideia mestre Hades?
—Não, mas o engraçado é que fizeram questão de entregá-los ao conselho. – ele coçou a barba. – não é e como se fosse uma perda significativa. – ele olhou com desprezo para o corpo morto de Zero. – ele já estava ficando inconveniente mesmo, porém, ainda é uma perda que pode ser significativa.- ele olhou sério para a garota. – descubra se os cinco que foram para o conselho estão consciente de alguma coisa, se abrirem o bico, você dê um jeito de deixá-los em silêncio Ultear.- ela assentiu em concordância. – antes de avisar ao imperador é necessário que não deixe nenhuma ponta solta.
—Acha que o que fez isso a ele, poderá vir atrás de nós?- ele olhou para o homem de longos cabelos azuis presos em um rabo.
—Acho que Zero acabou por cavar a própria cova Bluenote.- Hades falou ajeitando seu casaco. – ele cometeu erros dos quais não cometeremos. – dito isso ele foi se retirando do local com os outros atrás de si. – limpem isso.
Após isso, ao saírem o local inteiro se incendiou com um fogo que alastrava queimando os corpos e todo o local, não deixando mais nada ali além de ruínas caídas.
Fim.
"Oh, anjo enviado lá de cima
Você sabe que você ilumina o meu mundo
Quando eu estava triste, quando eu estava machucado
Você veio para me levantar."
—Coldplay-
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