Le Chant des Sirènes
60 Capítulo LIX
Notas iniciais
Capítulo LIX
Lucy
“Por quanto tempo um coração quebrado, leva para ser concertado? Se fosse para responder com sinceridade essa pergunta, diria que nunca se recuperaria de fato. Você pode se acostumar com a dor, no entanto, no momento que se recorda, ela volta a pesar como se fosse recente. Você apenas aprende a lidar com ela, e com o tempo ela passa a fazer parte de si.
Algumas pessoas dizem que se pudesse escolher, jamais escolheria se apaixonar. Eu não poderia escolher o mesmo, se eu antepusesse essa opção, eu o estaria negando, estaria negando meus sentimentos e tudo que vivemos. E mesmo que a dor seja uma constante lembrança de que não podemos ficar juntos, eu jamais me sujeitaria a aceitar a escolher não ter vivido aquilo. Por que toda a dor era equivalente o quanto eu o amava e o quanto eu fui feliz. “
Observei a caligrafia muito bem apessoada no papel amarronzado, desgastado com o tempo, sobrevivido não por escolha, mas por insistência. Nem mesmo o diário de Mavis poderia ser destruído e apagado junto a memórias, quando a própria possuía tamanha força de vontade.
Aquilo, no entanto, me fazia questionar se ela havia lutado por mim daquele modo. Se não havia ousado desistir de mim e do que poderíamos ter vivido, como encarecidamente ela descrevia sobre Zeref.
Não estava em condições de julga-la, não quando ler suas palavras descritas no papel, apenas me fez sentir simbolizada, afinal, me sentia do mesmo modo. Usar o diário de minha mãe como um escape, funcionou nos primeiros dias, porém, agora apenas me servia como uma dolorosa lembrança do que estava longe de mim. Sendo uma escolha minha, não havia muitas opções além de suportar aquilo.
O constante aperto no coração, apenas servia para me deixar aflita, a todo instante, a espera que alguma notícia ruim seja despejada quando Happy voltasse. Afinal, o gato azul havia voado em direção ao navio da Fairy Tail para colher informações, havia grandes chances de ele ficar por lá. Todavia, eu o aguardava com notícias, e por muito pouco não desistir da ideia para voltar junto a ele. Mas deveria me concentrar no objetivo atual, e focar em descobrir mais sobre Natsu para que pudesse ajudá-lo, só assim, eu me sentiria digna de encontrá-lo novamente.
—Chegamos!- duas batidas soaram pela cabine, me obrigando a voltar à realidade. Foquei-me no presente enquanto caminhava até a porta a abrindo.
Os olhares haviam diminuídos após o portal de Libra, contudo, alguns se tornaram ainda mais impactantes, quando obtiveram a certeza do que eu era. Mesmo que me forçasse a não importar com os humanos ignorantes, uma sensação incomoda sempre surgia, como uma sensação de insuficiência e camadas de baixa autoestima. Afinal, eu não passava de uma aberração a suas disposições.
Respirei fundo enquanto adentrava o bote com Gray, Erza e Sting. Meus amigos estavam calados e sérios o suficiente, para que eu soubesse que não estavam em total concordância do que eu havia decidido fazer. E eu não os culpava.
—Não é um local muito agradável, então se mantenha perto de mim. – Assenti observando o loiro remar enquanto fazia as explicações necessárias.
—Isso é uma péssima ideia!- soou o moreno exasperado, não suportando mais ficar calado. Lançou-me seus olhos negros, carregados de um sentimento que identifiquei como medo e pena. – você não deveria ter conseguido essa informação!- apontou ao loiro que arregalou os olhos em resposta, pasmo pela acusação.
—E por que eu negaria? Quando me parece a melhor alternativa!- devolveu no mesmo tom, e como consequência recebendo o olhar do moreno que ousou tentar se erguer, mas fora impedido por Erza que o puxou para senta-se de volta.
—Chega Gray!- falou autoritária sendo a voz da razão, não deixando brechas para que os outros refutassem suas falas. – é o que devemos fazer, se ele sabe algo que pode ajudar!
—É o que esse desgraçado saberia? Como espanca-lo até a morte?- lançou um olhar raivoso em minha direção, o qual me causou extrema culpa e dor. – você sabe como Natsu se sente a respeito disso, e ainda assim decidiu procurá-lo.
—Gray... — me amaldiçoei pela voz fragilizada, contudo, o moreno ergueu a mão me cortando antes mesmo de ouvir minhas justificativas.
— Espero que esteja ciente do quão ferido ele vai ficar!- aquilo fora um peso excruciante o quão se prendeu em minha garganta, em forma de choro, exigindo ser libertado. As lágrimas desejaram sair, mas eu não as permiti.
—Não fale assim com ela!- o loiro soou firme. – ele deveria se sentir grato por ter alguém lutando por ele, que não foi apenas como as outras pessoas, que sabiam que algo estava errado, mas nunca fizeram nada para ajudar!- as palavras de Sting foram impactantes o suficiente para que o silêncio se alojasse no local. Eu o observei perplexa, no entanto, seus olhos estavam frios e sem emoções em direção ao meu amigo.
Nada mais foi dito até que o bote se aproximasse da areia, o empurramos até a costa e o amarramos nas estacas disponíveis. Sting não estava mentindo quanto à áurea do local, gritos e risadas medonhas eram ouvidos da distância que encontrávamos.
Caminhamos em direção a passagem de madeira que levava até uma mata densa, a qual escondia a cidade dos perdidos e esquecidos pelo reino. A lama preta grudava em nossos sapatos como piche, os deixando pesados ao ponto de diminuir o passo. Os olhares conflitantes, constantemente sendo direcionado a nós, na esperança de encontrar um desavisado o suficiente para furtarem o dinheiro ou qualquer coisa que obtivesse valor, ou alguém que saciasse sua noite. Aquilo me fornecia arrepios por toda a pele, no entanto, a máscara de indiferença sempre tão presente, estava exposta em meu rosto inabalável.
Adentramos uma taberna escura, iluminada por pequenos lampiões disponíveis no local. O cheiro do local era pútrido e forte, assim como a higiene não era presente. Dos mais diversos tipos de acontecimentos ocorriam pelo cômodo, nenhum pouco preocupado em serem discretos.
Senti a mão de Sting em meu braço de maneira protetora, enquanto lançava olhares aos outros dois que assentiram em compreensão, os quais caminharam em lugares estratégicos com uma vista privilegiada de todo local. Os olhos azuis se voltaram a mim, a proximidade era quase obrigatória devida à quantidade exorbitante de pessoas. E eu esperava que conseguíssemos ser discreto o suficiente para sairmos sem sermos vistos.
—Ele está mais a frente!- apontou com o queixo em direção a um homem sentado ao balcão do bar em uma região mais desocupada. – eu vou com você!- não deixando brechas para que eu o contradissesse, caminhou segurando minha mão até o homem vestido de um casaco preto e desgastado. -Igneel!- o homem permaneceu parado um tempo antes de lentamente se virar e observar aquele que havia interrompido seu momento de paz. Os olhos escuros percorreram de Sting até mim, e não me agradou o brilhou que soou no mesmo após o fim da inspeção.
—Eucliffe, achei que se tornaria um merda, mas aparentemente não está tão ruim!- sorriu malicioso me observando, e um gosto ruim me subiu a boca, quase me forçando a regurgitar naquele homem.
—Para um homem medíocre em um lugar esquecido pelos Deuses, você está bastante arrogante!- uma careta irritada surgiu no rosto do homem. O loiro apenas me lançou um olhar preocupado, como se não concordasse com minha ideia de conversar sozinha com aquele homem. Porém, já havíamos falado sobre aquilo, e o que eu faria poderia ser danoso a ele também.
—Está tudo bem!- sorri pequeno na tentativa de lhe repassar todos os sentimentos necessários, para convencê-lo de que não havia um problema. Suspirou parecendo está incerto sobre aquilo, mas se afastou o suficiente para me fornecer privacidade.
Sentei-me na baqueta ao lado do homem, seus olhares me causavam arrepios assim como sua áurea. Negra, escura o suficiente para transparecer que aquele homem não estava ali por acaso, e não possuía uma vida de um homem honesto.
—Está à procura de um homem de verdade?- a voz era carregada de intenções maliciosas, assim como os olhares lançados em direção ao meu seio e perna exposta pela abertura do vestido. Respirei fundo me preparando para aquilo, e lhe lancei um sorriso delicado.
—Estou à procura de um homem que possa tirar minhas dúvidas!- os olhos escuros tão distintos dos verdes que conhecia, brilharam, deixando implícito que havia funcionado.
—Eu adoraria fazê-lo!- respondeu com a voz cantada. Não me agradava usar a persuasão e sensualidade da sereia, ainda mais no pai de Natsu. Mas não me haviam muitas opções, era maneira mais rápida e indubitável que ele pudesse me dizer o que queria. Contudo, deveria ser delicado quanto aquilo, ou poderia afetar toda a taberna.
—Conte-me sobre seu filho!- falei baixo com a voz sensual da sereia, quase regurgitando com aquilo. Um lampejo de ódio passou por seus olhos, entretanto, estava enfeitiçado para negar o pedido.
—Eu não tenho filho!- a resposta me fez unir as sobrancelhas em incompreensão. Ele não poderia mentir estando sobre meu poder.
—Como?- deixei transparecer a surpresa, mas consegui me conter no último minuto. – poderia me contar sobre sua família?
—Eu era apaixonado em uma bela moça de minha cidade, eu não possuía muito dinheiro, no entanto, tinha o suficiente para que o pai dela aceitasse meu pedido de casamento. – atentei-me a história, disposta a absorver cada detalhe crucial. – infelizmente Mayi nunca me amou, não importava o que eu quisesse. – socou a mesa com força me fazendo assustar com aquilo. – então, um belo dia, descobri que estava grávida, fora a melhor notícia que recebi, entretanto... — torceu o rosto antes de prosseguir, algo me dizia que as palavras não seriam como esperava. – quando a criança nasceu eu soube que não era o pai!- arregalei os olhos de tal forma que pensei que saltariam para fora. – eu senti aquilo no momento que olhei para aquele monstro, mas a maldita sempre negou. – em sua face era representada a verdadeira feição do ódio, o capuz que tapava seus cabelos, caiu exibindo os cabelos castanhos e longos, porém, sujos e secos. – aquele garoto era um monstro, ela se deitou com algum maldito, e foi punida pelos Deuses, que mandaram aquele monstro em seu ventre. – trinquei os dentes quando disseram tais palavras sobre Natsu, e me segurei antes que acertasse um soco em sua face. – ele não era normal, era quente, tinha olhos sombrios e não possuía sentimentos. – o observei mais interessada na história. – o garoto parecia à face perversa do mal, não sei o que Mayi fez para controla-lo, mas ele começou a agir como uma criança normal, porém, o desgraçado a matou!- socou novamente a mesa, atraindo olhares curiosos em nossa direção. – a própria mãe!- o rancor e ódio em suas falas eram quase palpáveis. Aquele homem não apenas odiava Natsu, como o desprezava.
—E você o tentou matar!- devolvi com os mesmo olhos ácidos em sua direção, tão pouco se importou. A expressão se manteve dura e inexpressiva.
—Como se o demônio como ele merecesse viver!- arregalei os olhos enquanto o homem passava a língua nos lábios, antes de prosseguir de maneira cantada. – e faria de novo, se precisasse!
Não pensei muito quando um ódio descomunal subiu em meu cérebro, com o sangue em forma de adrenalina, empurrando com força o corpo magro do homem contra o balcão, o segurando pela gola da camisa desgastada e suja. Olhos foram direcionados em nossa direção, ansiosos por mais daquela intriga que presenciavam. Os três amigos tentaram se aproximar, todavia, ergui a mão os avisando que estava tudo bem.
Levei minha mão à cabeça do homem, adentrando em suas memórias, no mais profundo de seu subconsciente. E o que presenciei me causou mais ânsia e repulsa daquele homem, confirmando o ser desprezível que ele era. Revirei os olhos juntamente do mesmo quando captei os momentos que desejava e os abri novamente encarando o homem completamente assustado e sensível.
—Sendo o ser desprezível que é, tem de ter muita coragem de julgar alguém!- apertei o tecido entre as mãos e rangendo os dentes de modo a doer os mesmo. – sua vida é manchada por pecados assim como sua alma... O único monstro aqui é você!- empurrei para longe de mim e o corpo mole e assustado caiu no chão se encolhendo.
Voltei aos meus amigos apenas passando direto para ir à saída, com olhares curiosos em nossa direção, incluindo dos três que me acompanhavam. No entanto, jamais saberiam que era uma sereia que fez aquilo, então não havia com o que preocupar.
—O que foi aquilo?- questionou Sting com os olhos esbugalhados de surpresa. Os outros dois tentavam disfarçar, mas era nítido que estavam tão curiosos quanto ao loiro.
—O que descobriu?- questionou Erza mais contida me olhando de forma carinhosa. Só então notei, minha respiração pesada e mãos tremendo. As memórias ainda estavam vivas em minha mente.
—Ele... Disse que não era o pai de Natsu!- falei quando passamos pelo caminho de madeira, e aos poucos nos aproximávamos do bote. Olhares perplexos foi minha resposta.
—Ele despreza o Natsu, diria qualquer mentira!- o moreno passou a mão nos cabelos de modo nervoso, nitidamente tenso com os acontecimentos. A ruiva se manteve quieta com as mãos na cintura e olhar vago, reflexiva sobre tudo aquilo.
—Não, isso não seria possível estando sob o efeito do meu encanamento!- suspirei passando as mãos nos cabelos e os retirando de meu rosto, os olhares se direcionaram a mim ansiosos por mais informações. – eu também vasculhei as memórias dele, ele se sentia exatamente assim olhando Natsu.- suspirei ao fim levando meus olhos as estrelas. Observando o céu da noite em um véu escuro com pontos brilhantes. – essa era uma hipótese que eu tinha antes... Que ele seria filho de alguma outra coisa.
—A outra coisa, se refere a que? – Sting ergueu uma sobrancelha para me olhar, suas palavras foram contidas em tom de tensão.
—Era meio óbvio que ele não era um humano por completo, todas as coisas que ele tem e consegue fazer como força e não morrer com uma espada no abdômen... Isso era apenas um indicativo de que ele poderia pertencer à outra espécie. – observei os olhares até mim, confusos e em completo choque. – no entanto, eu não posso dizer com exatidão, pois ele tem uma propensão à magia negra, e apenas isso é o suficiente para eliminar quase todos os espécimes.
—Ele... — Gray pausou como se fosse difícil colocar em palavras o que desejava saber. – poderia ser filho, daquelas coisas?
—Demônios não tem um corpo para isso, no entanto podem ter filhos se possuíssem alguém, porém, a parte demônio do filho se alimentaria da força vital da mãe, e consequentemente mataria a genitora antes do parto. – a cada frase dita, parecia deixa-los em choque. – Mas sempre a uma possibilidade, mesmo que seja mínima. – era difícil lidar com todas as aquelas informações, tão sugestivas sobre alguém próximo. Era doloroso não saber como ajudar um ente querido em sofrimento. – a minha intenção em olhar as memórias de Igneel, fora para descobrir alguma coisa a respeito de quem colocou o selo em Natsu!- me olharam surpresos, talvez esperassem algo mais simples, contudo, eu tinha em mente que o pai de Natsu, poderia não ser de muita ajuda. O homem parecia saber tanto quanto nos.
—E conseguiu?- questionou a ruiva ansiosa na esperança de que estivéssemos próximos de resolver o problema, todavia, eu sabia que estava apenas começando.
Toda a história de Natsu remetia a algo desconhecido, muitas coisas em seu decorrer de sua vida, não fazia sentido, ele era uma incógnita a todos, menos naquele que colocou o selo em si. Ficou implícito a mim que a intenção do selo era bloquear essa outra parte dele, as memórias apagadas foram apenas consequência. E agora, o selo parecia cada vez mais frágil e aos poucos a cada rachadura, uma nova parte dele era exposta. E eu pretendia descobrir antes que se destruísse por completo.
—Havia um homem relativamente suspeito nas memórias dele, no entanto, não consegui nada aprofundado. – suspiraram claramente desanimados, quanto mais nadávamos, mais distante a praia parecia estar. – como Igneel não possuía qualquer laço efetivo com Natsu, não teria como ele saber ou ser o autor da ideia do selo, e o que eu vi nas memórias serviram apenas para confirmar minhas suspeitas de que provavelmente fora a mãe dele que o fez. – se entreolharam antes de voltar os olhos a mim, o loiro fora o primeiro a falar.
—Tenho certeza que ela faria qualquer coisa para protegê-lo!- Sting era do mesmo vilarejo de Natsu como havia me contado, no entanto, não se davam bem quando crianças, mas eram o mais próximos de amigos que possuíam. – eles não costumavam receber muitas visitas, então, qualquer um que surgissem, as pessoas próximas saberia, porém, a casa de Natsu era mais afastada sem qualquer vizinho perto.
—Mas pelo que Natsu contou, havia apenas um caminho para chegar até ela, e a pessoa teria de passar por ele, o que seria a vista dos outros. – a ruiva expôs seu ponto de vista com a feição reflexiva.
—Não tem garantia que acharíamos essas pessoas do vilarejo!- Gray soou desacreditado, porém, sincero. Era importante que fôssemos racionais e buscasse o caminho mais prático.
—A maioria ainda permanece lá!- respondeu o loiro atraindo os olhares até si. – a família de Natsu era bastante conhecida na cidade por conta Da... Anormalidade do garoto, eles saberiam de quem estaríamos falando.
—Eu estava pensando em uma coisa mais imediata!- os olhares voltaram para mim, ansiosos pela ideia que poderia resolver o problema rapidamente. Contudo, não havia garantias que fosse mais fácil. – estava pensando em ir atrás das moiras e do oráculo!- os olhos arregalados e o engasgo repentino de Gray, deixava claro o completo choque pela minha ideia desvairada.
—Enlouqueceu?- questionou Sting com a voz esganiçada. – até aonde eu sei, ninguém sabe com exatidão aonde o oráculo se encontra, além de ser em alguma parte de Delfos, já que mudou a localização para que as pessoas parassem de procurá-lo para pedir premonições estúpidas como ficar rico. – falou rapidamente, como se estivesse ansioso e não pudesse conter as palavras. – e que as moiras são horripilantes o suficiente para até mesmo Zeus teme-las!- finalizou suspirando pesadamente.
—Ele está certo Lucy!- observei a ruiva que suspirou pesadamente. – sem contar que as moiras sempre pedem algo em troca!
—Alguns dracmas de ouro!- respondi simplesmente. – e um ser mitológico pode encontrar o oráculo com facilidade!- olhei de canto para o loiro antes de prosseguir. – as moiras são responsáveis pelo o fio da vida, são elas quem decide quando alguém morre, e como eu possuo ligação com o outro lado, posso pedir a elas que me forneçam uma conversa com o espírito da mãe de Natsu!- qualquer outra reação anterior aquela, não se comparava ao choque que me olhavam agora. – assim descubro sobre o passado dele e o futuro com o oráculo!- ditei como se fosse simples. – eu prefiro fazer isso e obter a garantia de uma informação correta, do que correr o risco de tentar consegui uma informação com moradores que podem mentir para ganhar dinheiro em troca.
—Não me parece muito agradável ir encontrar as mulheres que podem decidir cortar meu fio da vida, apenas por irrita-las!- respondeu o loiro ainda absoluto em sua vontade.
—Seu destino já está escrito Sting!- me lançou os olhos azuis curiosos. – se for para morrer amanhã, não a nada o que você faça que vá mudar isso! – engoliu em seco disfarçando o quanto havia ficado nervoso com aquilo.
—E também, você não precisa ir!- o moreno sorriu debochado fornecendo leves tapinhas nas costas do loiro que emburrou a cara.
Caminhamos em direção ao bote com os dois aos fundos discutindo futilidades, ao meu lado a ruiva me encarava com curiosidade. Apertei os punhos para que parasse de tremê-los e a ajudei a empurrar o bote para a água.
—Está tudo bem?- levei os olhos aos marrons que me encaravam com uma nítida preocupação. Ainda era recente para mim receber aquele tipo de olhar, e era quase impossível não me sentir tocada por ele. – parece incomodada com algo desde que saímos daquela taberna.
O ambiente em si possuía muita carga negativa, assim como os presentes que faziam questão de exibir o quão horripilantes poderiam ser. No entanto, não fora aquilo que me afetou.
—Acompanhar aquelas memórias e as sensações que ele sentia ao fazer aquilo com Natsu... Foi desgastante. – me observou compadecida, compreendendo meu incômodo. – aquele homem não foi ruim apenas para Natsu!- e aquilo foi o suficiente para que ela compreendesse que eu presenciei toda a maldade que aquele ser desprezível causou em várias pessoas. – ele definitivamente não é o pai de Natsu, nem mesmo na aparência ou no jeito, eles não possuem nada semelhante... E isso é um alívio.
Um silêncio se instalou quando ela levou a mão ao meu ombro e o apertou, em forma de apoio e sorriu, como se concordasse e dissesse que no fim, tudo daria certo. E eu ansiava para que sim.
**
Narrador
Não foi explanado o que ocorreu na cabine, a banheira fora retirada e descartada em um lugar qualquer. Apenas quatro marujos possuíam conhecimento do que havia ocorrido, enquanto os restantes estavam leigos sobre as coisas que aconteciam a respeito do capitão. E tem sido assim nos últimos dias,
—Como ele está mestre?- a voz doce e angelical de Mirajane fez com que o homem voltasse a si, saindo de seus pensamentos audaciosos.
—Está melhor, o medicamento o acalma!- respondeu não muito satisfeito, afinal, não lhe agradava que Natsu estivesse fazendo uso de algo tão propício a cair em tentação. No entanto, era a melhor opção até o momento.
Com o uso do alucinógeno que lhe servia como uma espécie de calmante, o rosado estava mais calmo e menos susceptível a perder consciência como em dados momentos anteriores. Segundo a mulher de conhecimento medicinal, desde que ele mantivesse o controle de seus batimentos, conseguiria se mantiver estável. Porém, Makarov sentia como se o garoto estivesse apático. E aquilo o preocupava.
—Mestre!- ergueu os olhos quando o bichano azul entrou pela cabine, batendo suas asas brancas e brilhantes. Em seu rosto, um enorme sorriso sem possuir consciência de como estava à situação atual.
—Olá Happy, como está?- a albina sorriu simpática ao gato que se sentou à mesa de madeira, descansando de sua pequena jornada.
—Um pouco cansado, mas bem!- retirou de sua bolsa verde um pequeno peixe o qual logo tratou de comer. – já faz cinco dias desde que passamos pelo portal de Libra!- soou empolgando fazendo com que os outros suspirassem aliviados. – ocorreu tudo bem, apesar de algumas baixas... Mas Lucy conseguiu liberar o portal e pegar a chave de Scorpion. – falou rapidamente com os dois o acompanhando ávidos por mais informações. – e desde então ela estava se recuperando em uma ilha, o navio estava embarcando para Alakitacia, quando levantei voo!- os dois albinos se entreolharam intrigados com aquilo, mas não houve tempo de questionar quando o gato olhou ao redor em busca de algo. – onde está Natsu? – Makarov suspirou antes de responder o bichano que já ficara tenso.
—Ele... Perdeu a cabeça quando descobriu o que havia acontecido, e desde então está algemado na prisão. — arregalou os olhos em choque com a informação. Aquilo não era possível a seu ver. – há cinco dias que ele está fazendo uso de uma medicação para deixá-lo estável, e está funcionando até o momento. – o azulado deixou um bico entristecido surgir em seus lábios, observou as mãozinhas antes de dizer com lágrimas nos olhos.
—Eu não deveria tê-lo deixado!- se culpou limpando as lágrimas insistentes sob o olhar compadecido dos outros dois.
—Você fez o que tinha que fazer Happy!- a albina acariciou seus pelos azuis e forneceu um sorriso carinhoso. – Natsu compreende isso. – permaneceu quieto, observando suas mãos sem dizer nada.
—Você pode ir vê-lo Happy, depois conversamos a respeito das informações!- Makarov falou acalmando o azulado que pulou empolgado da mesa.
—Verdade?- Assentiu em concordância e não esperou por mais antes de sair voando em direção à saída. A albina trocou um olhar preocupado com o mestre que estava pensativo.
—O que estariam fazendo em Alakitacia?- questionou nervosa ao senhor que se limitou a suspirar.
—Não sei só nos resta aguardar que fiquem bem!- a fama do local não era das melhores, assim como as pessoas que lá viviam. Mesmo piratas mais perigosos temiam embarcarem naquela direção.
— Não me restam dúvidas de que Lucy fara o que for preciso para salva-lo! – a albina soou imaginando o motivo de terem ido até lá, a qual seria a única explicação lógica.
—E esse é o meu maior medo!
Fim!
“A estrada em si é muito longa e distante e não tem respostas,
É por isso que eu preciso de uma prova poderosa para acreditar no agora,
Então, por favor, só por um pouco é bom,
Abrace-me agora, porque eu sinto que estou prestes a congelar.”
—Lonely Person-
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