Le Chant des Sirènes
32 Capítulo XXXI
Notas iniciais
Capítulo XXXI
—Ele fora em uma missão diplomática, porém acabou se apaixonando por Helena que era casada com o Rei Menelau. – Natsu falou enquanto acariciava os cabelos sedosos da garota em seu colo. Lucy havia pedido que ele lhe contasse histórias, os olhos brilhantes de empolgação a cada palavra proferida pelo rosado, causava uma sensação aconchegante no peito dele. – ele acabou a raptando desejando que a tivesse para si, contudo o Menelau ficou enfurecido e reuniu tropas para que pudesse ir atrás de sua esposa. – Lucy piscou os olhos encantada. – eles usaram o mar Egeu como rota e com mais de mil navios em direção a Troia.- ela o olhou chocada e ele sorriu com as reações tão espontânea e sinceras da garota.
—Se o Rei havia tratado Paris bem, por que ele roubaria a esposa dele?- ela perguntou atenta. O rosado levou a mão até a bochecha dela e tocou delicadamente na pele feito porcelana. – fora errado de muitas formas.
—Sim, mas...- ele olhou nos olhos castanhos atentos a si, enquanto ela ainda permanecia o abraçando.- ele se apaixonou por ela. Não é como se fosse uma escolha, e em um momento de ausência do Rei eles tiveram um envolvimento e Paris decidiu levá-la consigo.- ele acariciou a pele fazendo com que a loira fechasse os olhos inconscientemente. – algo forte demais para que pudesse fugir.- ela abriu os olhos encontrando as orbes tão profundas em si. – o amor dos dois já fora algo premeditado pela Deusa Afrodite. Quando Eris jogou uma maçã de ouro em meio ao casamento de Peleu e Tétis, com uma escrita de que era para a mais bela Deusa. – Lucy ainda ouvia atenta cada palavra.- as Deusas Afrodite, Hera e Atena começaram uma competição para ver quem era a mais bela e quem merecia a maçã, contudo fora o príncipe Paris de Troia quem teve de decidir, receberá até mesmo muitas propostas das Deusas, porém no fim acabou por escolher Afrodite que disse que iria lhe ofertar a mulher mais bonita no mundo, e essa mulher era Helena. – ele soltou o ar antes de continuar.- a guerra durou dez anos.
—Uma guerra com várias vidas perdidas, por um amor proibido.- ela piscou os olhos e por um momento ficará um silêncio desconfortável, com uma tensão desnecessária no local. Uma sensação estranha lhes preencheram, principalmente para o rosado que acabará ficando calado e quieto. Lucy levou seus dedos delicadamente até o meio da testa dele e fora descendo, passou pelo o nariz, foi até a boca onde ele pode sentir a pele dela em seus lábios. Seus olhos ficaram detidamente fixos nos lábios dele onde seu dedo tocava, depois o desceu mais pelo pescoço arrepiando a pele quente do rosado, e foi até o peito onde localizava o coração que batia aceleradamente. Natsu sentia que seu coração poderia parar a qualquer momento, devido a rapidez. Lucy abriu a palma da mão no local sentindo que o dele se encontrava como o seu, depois levantou o rosto para encara-lo que ainda não havia parado de encara-la. Seus olhos tão atentos a cada reação dela, deixando seu corpo exposto e liberto para ela. – seres incompletos buscando para sempre sua outra metade, para se completar.- ela citou a lenda que Zeus havia separado os humanos.
Um vento fresco passou por eles balançando os galhos da árvore derrubando mais pétalas brilhantes, caindo ao redor deles como uma cama enfeitada. A pele em si estava arrepiada e eles sabiam bem que o motivo não era o vento, Lucy sentiu uma tristeza estranha e sem uma causa específica, talvez ainda fosse o álcool em suas veias fazendo efeito, ela só sabia que queria extinguir aquilo. Abraçou Natsu novamente voltando a cabeça para o peitoral dele e fechou os olhos com força desejando que pudesse ficar ali para sempre, se ele pudesse sempre continuar a acalma-la e a proteger. Era um comunicado silencioso um com outro, muitas coisas ditas, muito além de um simples gesto carinhoso. Que talvez eles ainda fossem ingênuos demais para saber interpreta-lo.
—Não acho que tenha que ter alguém para se sentir completo.- Natsu falou olhando o lago enquanto a abraçou apertado sentindo a angústia dela. Ele compreendia, de uma forma estranha e sem explicação, ele sentia o mesmo no momento. – creio que um companheiro seja uma incrementação, onde as duas partes funcionam bem individualmente, que juntas funcionam perfeitamente, fazendo cada um sua parte para cuidar e zelar por aquilo. – ela abriu os olhos enquanto o ouvia. – Paris não lutou apenas por que queria a mulher mais bela, e sim por que ele queria aquilo que lhe fazia bem, que de alguma forma dera algum sentindo em sua vida.- em toda sua vida ele nunca fora mais sincero do que agora.- por que todos tem direito de amar e ser amado, mesmo que doa, mesmo que seja algo que vá ferir, também vai curar. – ela levantou o rosto para olha-lo e as ônix ainda permaneciam no lago.- por que as vezes e a única coisa que as pessoas possuem de bom na vida.- ele abaixou a cabeça para olha-la de volta.
—Você tem uma idealização bonita do amor.- ela sorriu, suas bochechas ainda estavam coradas por conta da bebida e ainda se sentia meio bêbada, mesmo que a conversa tenha a despertado um pouco.
—É apenas o que acho.- ele deu de ombros sorrindo.- como deve ser.- ela concordou e fez uma careta logo depois ao sentir um enjoo repentino. Natsu a olhou de olhos apertados.- você está bem?- ele questionou preocupado. A loira apenas se sentou e colocou a mão na cabeça.
—Meu deus, tá tudo girando.- ele deu uma risada soprada ao tentar conter o riso, fazendo ela lhe dirigir um olhar irritado.- por que está rindo? Eu tô passando mal, não tô bem.... Eu vou morrer?!- ela gemeu fazendo uma careta e Natsu não disfarçou a gargalhada. Se levantou e depois segurou as mãos da garota para que pudesse a ajuda-la.
—Você não vai morrer, só bebeu demais.- ele riu enquanto ela ficava de pé. Mas ao ficar ereta teve de se apoiar no garoto para que não caísse com a tontura. – sua cura não deveria curar isso?
—Eu não sei!- ela falou quase chorando arrancando uma risada do rosado. – por que você está rindo?- ela fez um bico em uma birra diante da reação do garoto.
—Vem cá!- ele a pegou no colo colocando próxima de seu peitoral e começou a andar para que voltassem ao hotel.
—Eu vou cuidar de você!- ela abraçou o pescoço dele o cheirando arrancando uma risada do mesmo
—Acho que você não está em condições para tal ato.- ela levou o dedo até a bochecha dele onde ficou cutucando seguidamente.- deixa que hoje eu faço essa tarefa de cuidar de você.
—Vai cuidar de mim?- ele assentiu concordando, mas olhara sem entender para o dedo que continuava cutucando sua bochecha.- eu gosto muitoooo de você.- ela falou fazendo o coração do garoto dar o tão conhecido salto. Não conseguiu não sorrir diante da pequena demonstração de afeto. – muito, muito.- ela ainda falava embolado confirmando que ainda estava um pouco bêbada.
Durante a caminhada até o hotel ela permaneceu cutucando o rosto do garoto que não compreenderá o motivo, porém também não havia questionado e permanecera quieto aceitando sua obrigação por ter a deixando na responsabilidade de Cana. Ela cantarolava uma canção pelo caminho quando não ameaçava de vomitar, e passou a ficar mais quieta quando chegaram. Ele abriu a grande porta de madeira do quarto de Lucy e encontrou o gatinho azul que o olhou com os pequenos olhos.
—Oh, vocês chegaram.- ao notar a loira no colo de Natsu o exceed tratou de se preocupar já imaginando que algo pudesse ter acontecido, e nenhuma boa opção passava em sua mente.- o que aconteceu? Eu vim no quarto atrás de Lucy, mas ela não estava.
—Ela está bêbada!- o gatinho abriu a boca em um perfeito O e o outro tratou de colocá-la na cama.- eu a levei no festival, mas a deixei com Cana depois, e você deve imaginar o que aconteceu.- o gatinho assentiu se aproximando da cama, e quase morrendo do coração com o susto que levou ao sentir a garota o puxar para um abraço.
—Eu tô passando mal.- ela falou manhosa e Natsu buscou o balde que ele ainda não havia devolvido, e se agachou para ficar na altura dela e do gato que estava sendo esmagado pelos braços finos nos seios fartos. Os olhos castanhos estavam apertados e os lábios pressionados contra si.
—Se você vomitar vai te ajudar.- ela negou com a cabeça, não queria vomitar de novo.- vai te fazer melhor Lucy.- ele colocou a mão na bochecha dela fazendo carinho.- colocar para fora o que está te fazendo mal.- ela levou a mão dela até a dele e posicionou a sua ali em cima da dele, e o gato aproveitou a oportunidade para sair dali tossindo desesperadamente em busca de fôlego.
—Q..ue cari...nho agressivo.- Happy falou depois de concentrar seus pulmões a trabalharem devagar. Natsu sorriu e olhou para a garota que fechava os olhos, mas ainda permanecia com uma careta na cara. – se quiser posso falar de coisas nojentas para ela vomitar?!- Natsu arregalou os olhos para o pequeno e tratou de negar com a cabeça, feito que fora completamente ignorado pelo bichano.- eu lembro que uma vez eu comi um peixe que estava estragado, eu fiquei com dó de jogar fora, não tive tal coragem.- Natsu bateu na testa com a outra mão e o bichano permanecia concentrado em sua história.- entretanto ele parece ter me feito um pouco mal, acabei defecando quase minhas tripas junto. Acho que era por que estava estragado.
—Acha?- Natsu questionou meio chocado e o bichano deu de ombros. Se surpreenderam com a loira levantando apenas para pegar o balde e colocar tudo para fora.
—Viu? Eu disse que funcionaria.- o gato disse orgulhoso de seu feito, Natsu se limitou a apenas revirar os olhos indo até uma mesa para colocar um pouco de água para ela no copo e levou de volta para que pudesse beber, e limpar a garganta do mal gosto.
—Aqui.- ele entregou para ela quando pareceu terminar e ela prontamente aceitou colocando nos lábios o líquido que desceu com uma corrente gelada pela sua garganta, aliviando o gosto ruim. Ela voltou a se deitar e novamente puxou Happy que gritava por socorro, mas se aquietara quando sentiu as carícias que a loira fazia com seus dedos, e acabou por pegar no sono juntamente dela, Natsu se sentou na cama os observando com um sorriso no rosto.
—Eu gosto muito de você.- a loira disse baixinho ainda meio sonolenta. O capitão pensou que ela estivesse falando de Happy, mas tivera a surpresa feliz ao ouvir seu nome no fim.- Natsuuu.- ele não pode não sorri e passar as mãos no cabelo dela enquanto ela parecia cair em um profundo sono juntamente do Exceed.
—Eu também gosto de você.
***
Dizem que a fé do homem é imposta a prova quando em seu maior momento de desespero, ele implora aos Deuses para que lhe ajude ou salve. Nas diversas vezes um homem só se recordar de orar ou até mesmo que existe um Deus, no seu momento de decadência. Implora para que o Deus se lembre dele, daquele que não se recordara em nenhum momento de manter a fé firme através de orações a divindade.
O homem ali sentado na cadeira, no local que obtinha um cheiro forte de enxofre e era frio por ser repleto de rochas firmes lhe impedindo de ao menos saber se era noite ou dia. Orava implorando aos Deuses que salvassem sua medíocre vida, seu corpo coberto de machucados ou um olho cego não o fazia desistir de querer viver, já que viver era a única coisa que lhe sobrará nos últimos anos.
— Mesmo que eu lhe diga milhões de vezes que não será ouvido, você insiste em obter a prova por si mesmo.- Zeref entrou no local fazendo o homem se arrepiar inteiro em resposta, seus machucados parecerem se recordar dos momentos que foram criados e doeram com uma força maior.
—Como o próprio demônio poderia acreditar nos Deuses?- o homem havia unido suas forças para conseguir enfrentar o que estava em sua frente. O outro apenas sorriu debochadamente em resposta.
—Sabe Ezequiel, eu já pedi muito aos Deuses.- ele se aproximou do homem que pareceu encolher. Colocou a mão no ombro ossudo e se abaixou na altura de Ezequiel. – mas quando eu estava sofrendo e morrendo, nenhum deles me ouviu.- ele deu um sorriso ladino carregado da maldade que só ele possuía.- então eu tive de pedir a um outro Deus.- seu corpo começou a se encher de sombras o deixando cada vez mais maquiavélico. Levantou a mão direita e as sombras formaram uma lâmina negra e afiada, e com uma agilidade sobre-humana ele fincou com força no joelho do homem magricelo que berrou em resposta. Ao sentir o osso impedir a lâmina de avançar, ele forçou para que perfurasse cada vez mais até que o osso se partisse e a lâmina atravessasse o joelho. Ezequiel berrava com os olhos cheios de lágrimas enquanto Zeref parecia se deliciar com a reação do homem a sua frente, e disposto a buscar mais, rodou a lâmina na perna para que ferisse mais.- você cometeu um erro terrível ao incitar um motim contra mim, no momento em que eu havia depositado minha confiança em você. – a voz do moreno estava carregada de ódio em uma ácido invisível. A mão que estava no ombro apertou com uma força que ousou quebrar mais um osso do homem frágil, e não satisfeito apertara cada vez mais. – vou lhe mostrar que nunca deve me trair, e que seus Deuses nunca o ouviram.- ele deu um sorriso ladino diabólico.- eu sou seu Deus agora e lhe dou sua sentença.- a mão que estava no joelho fora arrancada resultando em um estrago mais profundo e doloroso no homem. E então ele passou a lâmina em direção ao pescoço, arrancando a cabeça de Ezequiel que cairá rolando para o lado inerte. Zeref permaneceu impassível com a sombras ao redor de si e seu olho vermelho analisando tudo sem nenhuma expressão. – pendure a cabeça dele, para que os outros vejam.- ele ditou ao homem atrás de si que prontamente agiu, não obtinha vontade de ser o próximo. O homem de cabelos negros se virou se retirando do local.
Havia muitas coisas que Zeref havia perdido, e naquele dia a muitos anos atrás, ele havia perdido muito mais que a vida. Sua humanidade.
Fim!
“Então olhe nos meus olhos uma última vez
Para que a gente jamais esqueça
Como nós éramos antes
Quando nos tornamos vivos no momento em que nos conhecemos
Ainda vale a pena lutar por isso
Um amor que quer viver.”
—My Darkest Days-
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