Le Chant des Sirènes
18 Capítulo XVII
Notas iniciais
Capítulo XVII
Costumam dizer que existem heróis, que existem grandes pessoas por detrás de grandes atos. Que esses heróis se escondem em meio a uma máscara de que ele não possui medo de nada ou de que nada poderia feri-lo. Também costumam dizer que grandes heróis morrem como grandes pessoas que morrem por aquilo que deveriam temer, mas com sua máscara de invencibilidade ele se sente no direito de fazer tudo sem se preocupar com as consequências em que seus atos poderão resultar.
Grandes heróis existem para que as pessoas ainda possam acreditar em um futuro melhor, em algo ou alguém a se espelhar. Mas histórias de grandes heróis... Também possuem um fim.
Quando Lucy lutou com os demônios até chegar a um tipo de ruína ela soube que a luta estava apenas começando sua batalha. Natsu possuía machucados superficiais em torno de seus braços, mas parecia nem o incomoda-lo, e quando ele matou o último monstro e olhou para a loira paralisada olhando para um tipo de portal que havia do outro lado. Natsu notou que estavam em um local parecido com uma ruína ou um coliseu. Havia umas arquibancadas de pedras e o centro onde os dois estava havia duas grandes porta uma na qual eles entraram e a outra era a qual a sereia olhava.
Lucy tomou uma postura de ataque fazendo o rosado entrar em alerta, e quando ele viu olhos vermelhos em meio aquela entrada escura, ele pode sentir um tremor pelo corpo ele sentia de longe a magia negra que aquilo imitia, e diferente de como deveria ser. Aquilo o instigava, o deixava animado fazendo seu sangue passar correndo por suas veias.
Lucy correu em direção ao espirito e antes que chegasse à metade do caminho a loira abaixou na hora que um martelo foi lançando em sua direção. Ela se agachou já atirando uma flecha no monstro e novamente desviou do martelo que voltava para a mão da criatura que foi saindo das sombras. Natsu olhava espantada com a criatura, ele era enorme com dois metros e músculos com um chifre gigantesco, seu corpo estava manchado de uma mancha negra, os olhos eram vermelhos e quando ele segurou o martelo ele berrou em um som estridente e alto. Lucy trocou seu star dress pelo de capricórnio que a deixava mais ágil e rápida. Correu em direção à criatura que corria com o grande martelo em mão, e quando levou o braço para trás e virou com tudo para acertar a loira que desviou no mesmo segundo e começou uma luta corporal com a criatura que tentava a todo o momento acerta-la com a arma afiada. Quando a loira girou no ar deu um chute na criatura, mal deu para reagir quando o braço direito a acertou com um soco a mandando longe a fazendo bater com tudo na parede de pedras.
—Estou cansado de apenas olhar. — Natsu correu em direção ao bicho, ele estava pouco se importando que fosse mínima as suas chances, ele não fazia o feitio de apenas observar. Quando ele se aproximou da criatura ele conseguiu fazer um corte com sua espada de fogo antes que a criatura revidasse o poder, o rosado desviou de primeira, mas depois colocou a espada quando o Touro foi acerta-lo com o martelo, Natsu segurava com força tentando segurar a espada enquanto o outro o empurrava o arredando um pouco para trás. Ele nunca havia visto algo como aquilo, o animal tinha uma força que chegava a ser assustadora, ele imaginava que a qualquer momento sua espada quebraria com a força do impacto. Ele levantou seus olhos olhando para a criatura que parecia sem vida.
— Natsu Dragneel!- ele sentiu-se arrepiar ao ouvir a voz do animal, continha tamanha magia negra, mas o que o surpreenderá fora ele saber seu nome. — me apetece a dizer, que estas a lutar do lado errado. — Natsu apertou os olhos e o animal se pôs a apenas sorrir, e depois o jogou longe com um grande soco, e ele percebeu que o animal nem começara a usar sua força. — no fim você não poderá fugir do que você é, e aquilo que mais ama e o que irá transforma-lo. — Natsu ficará sem reação por alguns segundos com as falas de Taurus, ele definitivamente não fazia ideia do que ele falava.
—Quem muito fala, pouco faz!- a voz de Lucy veio atrás do monstro que sentiu correntes em brasa o prender e queimar sua pele. A loira usava o star dress de Virgo e usou as correntes para prender Taurus que forçava para que quebrasse aquela maldita coisa que o prendia. Depois Lucy trocou novamente usando o de Scorpion e levantou os braços erguendo cada grão de areia que poderia ter naquele local e rodopio o corpo antes de fazer um redemoinho e jogar tudo na criatura. O olho do rosado passava de um para o outro, e quando a areia caiu no chão Lucy já estava com outro star dress e andava lentamente com sua franja caindo sobre seu rosto, e naquele momento o rosado teve certeza que ela poderia ser definida como um anjo com áurea de demônio.
—Lucy Heartfilia. — a criatura deu um riso grotesco antes de levantar com o corpo cheio de feridas por conta do ataque da loira. — e Natsu Dragneel, devo dizer que é uma dupla interessante. — ele gargalhou alto. — faz tempos que não me divirto assim. — ele ainda ria quando uma espada foi acertada em seu tórax o fazendo gritar quando a luz que havia na espada o queimava de uma maneira pior que o fogo. Lucy correu até ele e uma sessão de golpes entre espadas e machado se iniciava entre eles, Natsu acabou por se juntar a loira e os dois atacavam com sincronia e perfeição e Taurus mesmo que possuísse imensa força se via em desvantagem. Lucy arrancou a espada dele antes de usar o star dress daquele que ela lutava contra e usar sua força para soca-lo em baixo do queixo e o manda-lo bater com tudo na parede de pedras a quebrando por fim.
Os dois ficaram em sua posição de ataque quando a criatura começara a levantar e uma áurea negra cobria todo seu corpo, ele soltou um grunhindo alto quando de uma hora para outra ele estavam à frente deles antes de mandar Natsu longe batendo em umas arquibancadas mais altas e segurar a cabeça de Lucy a jogando no chão com força o rachando, a criatura usava da magia negra para machucar a sereia que gritava enquanto ele apertava mais a cabeça como se quisesse quebra-la.
— Enquanto suas irmãs morrem você ajuda a raça na qual as mata. — ele pressionou mais a cabeça dela no chão. — você não passa de uma vergonha a sua espécie, assim como aquela que trouxe a maldição. — Lucy sentia as trevas falando coisas em sua mente a deixando desnorteada. – Não se preocupe Lucy Heartfilia, eu não a matarei, outra pessoa fará isso, mas a farei sofrer muito.
♡◇♡
Houve um tempo em que a paz reinava no mundo, após guerras por colonização ou minérios, o mundo parecia finalmente ter encontrado à paz. Ou pelo menos era isso que Gildarts desejava, ele viveu os momentos de amargura e tristeza da guerra e se recordava dos momentos nas quais ele vivia sobre tensão e medo. Quando jovem ele havia participado de uma revolução, nem quando os guardas do Conselho os abatiam com pauladas e jatos de água ele não teve medo.
Passado se algum tempo, hoje, ali naquele momento, naquele lugar de ar quente e calor escaldante ele voltou a sentir o sentimento que a tempo ele não sentia. Os gritos que ecoavam o sangue jorrado no chão, o pior era saber que eram de seus companheiros de guilda. As enormes montanhas de pedra que pareciam gigantes destruíam tudo o que viam pela frente, incluindo os humanos fétidos em meio ao caminho.
Seus olhos guiaram até a morena ao seu lado. Cana era como Gildarts, ela tinha uma personalidade forte e independente e ela não desistia nem quando tudo parecia vir em direção contrária. Mas os olhos e o rosto gentis e delicados eram como o de sua mãe, meiga e gentil. A única mulher que Gildarts amou um dia a mulher que lutava junto contigo pela igualdade e seu futuro. Cana era personificação perfeita da união dos dois. E também, uma das poucas pessoas que Gildarts ainda genuinamente amava. E ali ele sentia o medo de perder aquela que lhe fazia uma pessoa melhor, mesmo que não desse bem, o sentimento de amor era mútuo. Gildarts lutaria e morreria por sua filha. Mas desejava nunca na vida que ela tivesse de fazer o mesmo.
—Cana, fique atrás de mim, você precisa ficar segura. — a morena o olhou com os olhos apertados e talvez pudesse dizer que um pingo de afeto se jazia ali. Mas em sua bela face estava à incredulidade.
— O que lhe faz pensar que eu aceitaria essa proposta?- ela estufou o peito em orgulho, uma luta com sangue e morte os rodeava. Monstros de pedras com machados se transformaram em seus maiores pesadelos.
—Não é uma proposta, e sim um mandato!- foram poucas às vezes em que Cana vira tal expressão no homem a sua frente, o homem na qual ela crescera secretamente admirando.
—Acha mesmo que irei ficar parada vendo meus amigos morrerem? Eu prefiro morrer com uma louca que salva meus amigos do que como uma covarde que se esconde. — ela engoliu em seco enquanto olhava diretamente nos olhos do ruivo que no fundo sentia uma ponta de orgulho da filha. — eu vivi por muitos anos em suas costas... E hoje não vai ser mais um desses dias. — Gildarts pode sentir uma dor inexplicável, aquelas palavras pareciam lhe ferir mais que a espada mais afiada. — somos os loucos da Fairy Tail por que escolhemos viver como loucos que vivem invés de sermos covardes de que apenas sobrevivem. — ela virou as costas preparando sua espada e cartas mágicas que cortavam mais que uma adaga.
—Cana... — ele chamou enquanto ela ia caminhando de volta a batalha. — vamos acabar com a raça deles, juntos, lado a lado. — ela parou e o olhou surpresa enquanto ele sorria orgulhoso ao lado da pessoa que ele sabia que não merecia, mas ainda assim o amava. Gildarts lutaria, para também ser digno de ser o pai de Cana.
***
Lendas costumavam contar que possuímos duas faces, uma você mostrava todo mundo e a outra você a escondia. Como Yin-yang, representavam a luz e a escuridão, o seu lado benéfico e o maléfico e fica o seu critério qual delas você decide mostrar ao mundo.
Ser bom é difícil, fazer as coisas certas é complicado. Ainda mais quando tudo tende a dar errado, você apenas estaria nadando contra a correnteza e seria levado, quando tende a ir contra a natureza ela tende a te mostrar que você não passa de uma peça no jogo de tabuleiro dela. Toda vez que o homem brinca de Deus, a natureza mostra que ele não passa de um nada, você não pode ir contra algo que já e a lei, o equilíbrio e necessário como Yin-yang nenhuma parte pode tender para um lado.
Natsu nunca soube qual era sua natureza ou quão desprezível ele poderia ser se deixasse ser levado pelo ódio, mas ele decidiu lutar pela razão e a força que o empunhava a maré contraria. Ele nunca admitiria ser algo que fosse contra suas crenças, ele se negaria a tornar aquilo que já tirou uma vez o que ele amava.
Tudo ocorrera de maneira rápida e ágil, e um tempo de dois segundos Taurus havia pegado Lucy pelo rosto e a jogado com uma força extraordinária no chão fazendo o se trincar em milhares de rachaduras, ele apertava cada vez mais a cabeça dela para baixo. Natsu pensou que talvez fosse possível atravessar o chão com o corpo da sereia.
— Você não é forte o suficiente, você é fraca como qualquer uma da sua raça peçonhenta. – Natsu tentou correr até Lucy, mas fora impedido por duas correntes presas a uma rocha. Ele se debatia enquanto chamava pela sereia, mas tudo era inútil. — deixe-me te contar uma coisa Lucy Heartfilia, vocês viveram por muito tempo se achando superior, mas sabem muito bem que podem virar pó diante de outras criaturas mais fortes. — ele apertou a cabeça dela que gritou com os olhos fechados, as sombras invadiam suas memorias em busca de algo que pudesse ser usado contra ela, e elas achariam, sempre acham. — vocês não estão seguras das trevas, na verdade estão mais perto delas do que imagina. — ele chegou a uma lembrança uma única lembrança que feria e fere a temida Lucy Heartfilia. – princesa!- Taurus gargalhou alto e Natsu olhava sem compreender a situação, ele odiava esta vendo tudo aquilo e não fazer nada, ele odiava ser inútil. — isso é interessante, você é filha da primeira sereia. — Natsu olhou surpreso para Lucy que olhava com um olhar mortal o espirito a sua frente. — a princesa das sereias e dos mares, Lucy Heartfilia. — Taurus deu um sorriso mortal. — vai parar no fundo das profundezas junto de sua mãe. — quando Taurus levantou o braço esquerdo para atingir com um martelo um golpe mortal na loira. Tudo parou, o espirito não conseguia mover o braço e ele olhou intrigado com isso, quando uma força imaginaria jogou espirito do outro lado batendo com tudo na parede de rochas. A mesma força o impulsava a ficar preso na parede, ele se debatia nervoso, mas mal movia um musculo.
Lucy foi se levantando aos poucos, seus cabelos caiam pelo rosto o deixando escuro e maligno, ela se mantinha abaixada. Natsu não conseguia desviar o olhar dela, ele nunca havia sentido algo parecido, essa energia, esse poder. Ele sabia que vinha da sereia e mal conseguia se expressar por um momento ele se preocupou com o que poderia acontecer a sereia.
— Você sabe qual e o seu lugar Taurus?- uma corrente desceu das mangas da roupa de Lucy e subiu como uma cobra pelo corpo do espirito até chegar a seu pescoço e ali se enroscar. — você é um espirito dos doze portais do zodíaco, que é controlado, POR MIM!- ela levantou seu rosto e um circulo magico dourado estava na íris de seu olho- eu sou a única que pode te matar. – muitas espadas de areias se formaram da areia no chão e ficaram em volta da loira apontadas para Taurus. Natsu não conseguia entender, Lucy não estava com o star dress do Scorpion e ainda assim estava usando seu poder. Ele sabia que algo ruim poderia acontecer e usou toda sua força para se soltar daquelas correntes, ele fechou os olhos e puxou com toda sua força as arrebentando e sem pensar muito correu até Lucy parando em frente à Taurus e destruindo as espadas antes que o acertasse.
—Lucy, se recomponha. — uma mão de areia foi para acertá-lo, mas ele desviou no momento exato. – você não é assim, você não é como elas.- Lucy foi com tudo para acerta-lo e eles entraram em uma luta de espadas. Lucy rasgou o ombro de Natsu, mas ele continuo a tentar controla-la. Ele segurou o pulso dela a puxando para um abraço ele nem se importou com as espadas e com ela se debatendo. Ele sabia como ela estava se sentindo, ele mais do que ninguém sabia. — eu sei como você é. — as espadas caíram sobre seus pês, e Lucy caiu de joelhos e Natsu ainda a abraçava, de alguma forma as lembranças de Lucy estavam sendo compartilhadas com ele, sereias podiam fazer isso, mas ele sabia que ela estava fazendo sem querer ela havia saído de controle por alguns minutos. Natsu viu a memoria, ele viu uma sereia loira de longos cabelos sendo expulsa e condenada pelo seu próprio povo e uma pequena garota assustada com tudo. Quando Natsu olhou novamente para Lucy, ele viu algo que jamais pensou ver. A sereia chorava, lagrimas como cristais caiam de seu rosto. Ele ficou comovido, ela era tão linda, parecia um anjo chorando. Suas mãos foram até seu rosto e delicadamente limpou suas lagrimas, eles ficaram um tempo se olhando como em uma conexão que não conseguiam desviar. Um estrondo fez Natsu olhar para trás e vê Taurus se soltando e vindo em direção a eles. Ele se levantou e foi se aproximando devagar e quando Taurus o tentou socar, ele segurou seu pulso no ar. O olhar do espirito era de um tremendo choque.
—Mas como...- antes que ele terminasse a frase, Natsu o socou na barriga o mandando para longe de novo. Lucy olhava tudo com surpresa, nem ela estava acreditando no que estava ocorrendo.
—Estou cansado de vocês ficarem ferindo meus amigos. – Taurus após se levantar tentou acertar com o martelo em Natsu, mas ele abaixou desviando e usou a espada para a corta a perna do espirito. Enquanto eles estavam lutando, Lucy se levantou e fechou os olhos recitando uma pequena cantiga baixa, então Natsu sentiu um puxão forte e de repente ele estava em seu navio com a tripulação do lado de fora do portão de Taurus. Eles viam as grandes grades douradas fechadas a sua frente.
—ERZAAA!- ele se virou vendo Jellal gritando e tentando pular no mar, mas sendo contido pelos os outros. — a Erza ainda esta lá, me soltem!- Natsu arregalou os olhos e já ia se preparar para pular no mar, quando o portal fora aberto de novo e uma luz iluminava tudo e desapareça. A entrada não estava mais macabra e sombria como antes.
***
Lucy estava parada olhando Taurus que estava abaixado no chão com a cabeça baixa, a sereia foi se aproximando devagar. Ela havia acabado de usar um feitiço que liberou o portal de toda maldade e escuridão, apenas aqueles que poderiam ter sido corrompidos foram deixados para serem limpos juntamente de todo aquele mal. Ela parou em frente à Taurus que tremia e mal tinha coragem para olhar a sereia que se abaixou.
— Me perdoe mestre Heartfilia, eu não sabia o que estava fazendo!- ele abaixou a cabeça até o chão em uma reverencia.
— Está tudo bem Taurus. — ele levantou o rosto para ela. – você não estava consciente e não havia nada que pudesse fazer.
—Era como se eu estivesse de telespectador da minha própria vida, eu não conseguia me mover. — ele balançou a cabeça como se para afastar pensamentos desagradáveis. –eu não me lembro de muitas coisas, mas recordo das criaturas do mal estarem animadas com alguma coisa. — Lucy apertou os olhos sem entender e o espirito a olhou. – temo que algo extremamente ruim esteja para acontecer mestra Heartfilia.
Fim.
“As dores ligeiras exprimem-se; as grandes dores são mudas.”
—Sêneca-
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