Le Chant des Sirènes
15 Capítulo XVI
Notas iniciais
Capítulo XVI
A morte era inevitável, era uma visita na qual muitas pessoas não queria receber, de todos os medos que a humanidade tem, a morte por vezes ela se destacava mais, era uma certeza que você tem em sua vida, mas ao mesmo tempo não sabes mais nada dela, quando ou como ocorrerá.
E de todas as mais temíveis maneiras, muitos preferiam morrer de amor. Por que não se embebedar de um dos mais traiçoeiros sentimentos, considerado até mesmo perverso, mas... todos já amaram? Em algum momento de sua vida, se entregou tanto a um sentimento que poderia fazer tudo por aquele que você amava? Oh, mas essa era a cina dos amantes, em algum momento da vida, o amor e posto a prova e só aqueles que realmente amam, se mantém juntos. Se assim pudera ter ocorrido com Mavis e Zeref, um dos amantes mais sofridos de todos os tempos e lendas, a lenda que muitos se recusavam a crer, por se tratar de amor, como poderia alguém morrer de amor? Sofrer de amor? Por descrer no amor, muitos preferiam acreditar na história falsa de que sereias eram monstros e existem apenas para fazerem os homens pecarem, mas os humanos já não pecam sem esforço? Por que as sereias seriam o pecado do desejo e luxúria, se os humanos se entregam a eles todos os dias?
Mavis nunca fora uma garota sentimental, era sonhadora, por conta de seus amados livros, ela sonhava com aventuras, até que se tornou uma, quando conhecerá Zeref não sabia que sua vida estaria começando ou por assim dizer terminando, como os dois imaginaria que se apaixonarem seria o fim de suas vidas? Mavis amou Zeref mais do que ela pensou ser possível amar, amou mais do que lia em seus livros, mas seria apenas a ilusão de histórias? Não, ela sabia oque era real, seu coração, sabia o que era real, e Zeref era, e era ele a sua maior aventura.
Quando Mavis implorou a Deusa que lhe ajudasse não pensará nas consequências, ou em como seu amado reagiria, ela apenas cega de amor se entregou e com ela, levou uma tripulação inteira juntamente com uma fama desonrosa a sua mais nova espécie. Sereias eram seres criados através do amor, mas do amor elas morriam, uma maldição as perseguiam, elas nunca poderiam amar se não fosse recíproco, e pior do que amar um humano, era amar e não poder ter seu amor.
Por baixo do tapete de lendas, algumas histórias reais se escondiam, sereias que se apaixonaram, mas seu destino fora a depressão, ficaram para sempre isoladas até falecerem de amor, ou aquelas que por não suportar viver sem amar, beijavam seus amados e descobriam que não era recíproco, e por assim levando a vida de seu amor. Sereias estavam destinadas a solidão, por mais que descobrissem o sentimento era quase nula as chances de ficarem juntos, sereias sentiam mais que humanos, e por assim dizer, amavam mais, e por amarem demais, eram amaldiçoadas.
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Erza não sabia dizer quando começara a sentir medo, mas sabia que infelizmente o sentimento de impotência sempre a seguia, e com isso o medo de não ser capaz, era o que a ruiva mais sentia e mais temia a dominar, Erza tinha medo de falhar, não que ela seguisse a perfeição, mas ela sempre buscava estar próxima dela, afinal, deste modo ela nunca falharia, e nunca perderia ninguém, era esse sempre seu medo, ser inútil e incapaz ao ponto de proteger alguém que ama.
Enquanto todos bebiam de bebidas fortes e dançavam com algum desconhecido, a ruiva sentava a beira de um muro de pedras que dava vista para o mar e seus navios sobre o Porto. Olhando de longe a bandeira do Fairy tail, Erza sentia sua força aumentar, ela faria de tudo para defender aquilo que ela acreditava e isso já era o bastante, se ela era forte ou não, ela descobriria.
—Não está pensando em se jogar, certo?- a ruiva se virou vendo Jellal com as mãos no bolso da calça, de um jeito desleixado e preguiçoso, se sentou ao lado da ruiva enquanto rodava seu chapéu na mão, Erza nunca entenderá o por que dele usar chapéus, ele os detestava e sempre tirava da cabeça.
—Por que usa chapéu, se não gosta?- ele deu seu costumeiro sorriso de lado, com seu charme, o azulado era bastante charmoso e chamava bastante atenção, ainda mais com o desenho intrigante em seu olho.
—Por que eu fico bonito?- ele perguntou como se fosse óbvio, fazendo a ruiva revirar os olhos e ele sorrir mais abertamente.- as vezes temos que fazer coisas que nos desagrada, para um bem maior.
—E o bem maior e você ficar bonito?- ela perguntou com uma careta no rosto, fazendo ele dar de ombros, Erza apertou os olhos para o azulado o analisando.
—Você não irá descobrir meu bem maior.- ela deu de ombros fingindo não se importar, mas no fundo estava curiosa.- por que está olhando para o nada? Está pensado em que? Em como Jellal fica bonito de chapéu?- ele fez uma voz fina arrancando risadas da ruiva, na qual eram como música para seus ouvidos.
—Apenas alguns pensamentos vagos!- Jellal uniu as sobrancelhas azul.
—Erza Scarlet com pensamentos vagos? Nunca!- ele fez novamente um drama fingido, a fazendo sorrir novamente, ele amava a risada dela e tinha vontade fazê-la sorrir sempre.- algo está a incomodando?
—Algo sempre está me incomodando Jellal.- ele deu de ombros sorrindo de lado.- estou um pouco pensativa, preocupada com tudo que nos espera.
— Olha Erza , estamos indo a um lugar onde conflitos internos não e uma boa, lembra o que a sereia disse, eles vão usar disso contra você.- como ela diria que eles já começaram a fazer Isso?- seja la o que esta te incomodando, tente não pensar nisso.- ele se aproximou a surpreendendo.- eu não quero que nada aconteça a você, mas para isso.- ele olhou nos olhos castanhos dela, na alma límpida e caridosa de Erza.- você precisa está bem, eu sei que eu sou o conflituoso aqui, você sempre sabe o que fazer, mas eu não me importo se algo acontecer comigo, desde que você esteja bem.- ele sorriu, fazendo um calor subir por todo o corpo da ruiva e sua pele ficar da cor de seu cabelo.
— Desde quando está tão sentimental assim Jellal? O que está amolecendo seu coração?- o sorriso de lado da ruiva esbanjava uma maliciosidade como se para brincar com o azulado, mas por dentro ela estava bastante conflituosa a como reagir a tais reações do mais velho.
—Eu sou sentimental sempre que se trata de você Erza, por que ninguém te conhece mais do que eu, eu sei como você pode ser ferida e como você nunca vai demonstrar, e eu não gosto disso.- ela queria poder sorrir e dizer que eram as mais puras bobagens, mas diante do olhar do mais alto que exalava uma tensão nos olhos, o rosto sério e meio fechado , uma incógnita para Erza saber quais feições ele demonstrava. Ela apenas se manteve parada apenas analisando cada detalhe do rosto dele, como se fosse a última vez que poderia vê-lo, como se devesse gravar cada feição, cada detalhe desde a tatuagem no rosto até as orelhas com um pequeno brinco, ela queria poder saber os detalhes do maior até de olhos fechados, pois nos escuro, ele sempre era a luz dela. A ruiva assentiu com um sorriso fraco, não concordava, mas queria evitar discussões, Jellal assim como ela, estava preocupado com a melhor amiga, por que era isso que eles eram, eternos melhores amigos onde a paixão de Erza se escondia na sombra do namoro do azulado.
—Você também deveria se cuidar! Eu sei que me vê apenas como sua irmã mais nova, como a menina indefesa que você conheceu, mas eu não sou, eu cuidarei de mim, mas para isso eu preciso que me prometa que cuidara de você.- ela levantou o dedo mindinho e o azulado piscou os olhos a olhando meio atordoado , e depois sorriu e tocou seu dedo no dela, era um simples detalhe que significava muito para os dois, da ligação de um laço, de uma promessa, de uma razão para se manterem vivos e unidos, era a ligação inquebrável de Erza e Jellal.
Em algum lugar de Fiore 1660
Seu corpo pesava como um diamante, ela sentia o mar engolir o seu corpo e sua respiração a deixando aos poucos, mas ela simplesmente não conseguia unir forças para fugir , ela nem ao menos sabia se queria fugir, seu coração doía e aquela dor parecia bem menor do que a vivia sentindo, e por um momento passou por sua cabeça que talvez aquele fosse o fim, o seu fim, o fim de sua dor... o fim de seu amor, de seu sofrimento. E com isso em mente as pálpebras se tornaram pesadas e sob o olhar do luar iluminando o mar, ela os fechou e decidiu que o mar a poderia levar, mas o mar parecia não apenas a querer como também queria tortura-la, o sal da água queimava suas feridas as fazendo arder, seu corpo era ricocheteado pelas ondas , bateu com força em uma pedra e gritou com a água entrando em sua boca, quando achou que finalmente era seu fim, ela foi parar dentro de uma caverna, seu corpo estava na beira por cima das rochas.
Abriu os olhos sentindo arder e tentou se mexer, mas sentia que algo estava quebrado e sentia uma dor terrível, suas lágrimas automaticamente rolaram pelos olhos verdes pálidos, e ela se permitiu gritar, chorar, sofrer o que tanto guardava.
— O que uma humana estaria fazendo aqui ?- uma voz delicada e bela, se ouviu com ecos pela caverna, a loira tentou levantar a cabeça e aos poucos notou uma silhueta feminina, sua visão estava embaçada, mas ela podia dizer, que aquela mulher não era como as outras. – o que faz em meu santuário ?
—Santuário?- a loira tentou se mexer, mas o corpo protestava em dor a fazendo gemer.- o que é esse lugar?- havia várias pedras que davam o aspecto de estrelas no céu de uma noite estrelada.
—O santuário da Deusa Anfitrite.- A jovem arregalou os olhos surpresa.- meu santuário.- a jovem sentiu o corpo formiga e paralisar, enquanto a outra mulher se aproximava.
—Eu... Eu.. estou morta?- ela viu Anfitrite se aprimorar e pode notar o quanto a aparente Deusa era linda, seu vestido de pedras e justo ao corpo , com a cor do azul mais límpido, os longos cabelos castanhos caindo em cascatas pelas costas e o olhar mais azul que ela pode presenciar.
—Ainda não!- a loira gelou, queria aquilo, mas ao mesmo tempo seu corpo se negava.- você se feriu muito, Mavis Vermilion!- a loira ficou estática olhando para a deusa, completamente surpresa.- esse santuário é sagrado, não é qualquer pessoa que pode acha-lo, me surpreende o fato das rochas ao redor não tê-la matado, e um lugar perigoso, mas não é para humanos.- Mavis sabia que vários Deuses tinham templos onde os humanos iam para fazer orações a eles, mas alguns deuses não tinham, Anfitrite é esposa de Poseidon o rei dos mares, e os marinheiros costumavam fazer orações a ele, já suas amadas esposas faziam a deusa Anfitrite, mas a deusa não tinham um templo exato para isso, mas muitas lendas diziam que os deuses tinham santuários onde eles ouviam as orações de seus súditos, onde recarregavam suas energias ... Mas eram apenas isso, histórias, de templos nunca habitados por humanos, bom, era isso até o momento. – Já ouvi muito de suas orações Mavis, você orou pelo homem chamado Zeref, para que o traze-se ate você.- Mavis fechou os olhos com força, a pontada que sentirá fora mais forte que qualquer dor do momento.
—E você nunca as realizou !- a Deusa deu um sorriso fraco.
— Humanos, como sempre mal agradecidos e esperando sempre que as coisas aconteçam da sua maneira.- ela virou o rosto para a jovem.- o destino Mavis, o destino e a única coisa que nem mesmo os Deuses do Olimpo podem mudar, nos apenas cuidamos para que vocês sigam os seus, eu o protejo, mas se ocorrer de aquele ser o seu destino, não a nada que posso fazer.- Mavis fechou os olhos e a deusa pode notar gotas cristalinas caíram de seu rosto.
—Meu destino é sofrer?- a Deusa engoliu em seco, nunca ficará sem palavras, mas frente a pequena mulher que sofria lentamente, ela não ousou dizer nada.- o que eu fiz?
—Seus destinos são traçados conforme vocês vão agindo, a única coisa que não podemos interferir e no dia de suas mortes, aquele e seu destino, de resto é você quem escreve o seu.
—Não, eu não planejava me apaixonar e nem que meu pai me odiasse, eu não queria isso.- mais lágrimas caíram da face da jovem, e a deusa se abaixou ficando mais próxima.
—O amor é algo imprescindível, você nunca saberá quando irá amar ou se algum dia irá deixar de amar.- Mavis olhou para a face da bela mulher.- não comandamos suas vidas Mavis, muito menos por quem se apaixonam, o coração não é algo para se controlar, ele para de bater quando quer e ama quando quer.
— Por que não posso ficar com ele?
—Não posso interferir nas decisões humanos, isso quem decidi e você e ele, seria os obstáculos maiores?- Mavis apenas ficou olhando ao redor da caverna.
—Eu quero fazer um trato! – os olhos azuis da Deusa se arregalaram.- eu sei que vocês podem fazer isso.- Mavis tentou se sentar, mas o corpo doeu em resposta.- eu quero ficar com ele, me permita ao menos vê-lo.
—Mavis, trato com deuses são eternos, e não podemos te dar aquilo exatamente que você quer.- a loira apenas negou com a cabeça.
—Eu tenho certeza, eu quero poder vê-lo sempre!- a Deusa o olhou atenta.- se eu vim parar aqui, e por algum motivo. – A deusa se levantou, e olhou para Mavis, sua expressão e seria, sob tais lamurias e desespero da jovem, a Deusa tomou sua decisão.
—Ao fazer um trato com um Deus, você deve sua vida a ele, a sua será eternamente minha, será minha serva.- Mavis assentiu.- haverá consequências.
— Por favor faça!
Quando a Deusa tocou a testa de Mavis, a loira não pensará que sentiria a dor que estava sentindo no momento, como se a cada osso quebrado estava sendo posto no local e depois modificado, ela sentia cada mudança em seu corpo, em como ele doía e ardia, seus olhos saiam lágrimas e de seus lábios gritos altos e ensurdecedor, a Deusa observava tudo, mas nada podia fazer, era um trato, ela estava largando sua humanidade a dádiva dos seus deuses, ela estava indo contra sua humanidade, e com isso sentia a tortura em seu corpo que modificava, ate mesmo sua áurea que antes estava apagada, havia voltado a um brilho que poderia ser cegante, Mavis Vermilion estava se tornando a primeira Sereia, uma das servas de Anfitrite, um dos seres mais forte da mitologia, ela estava se tornando o ser mais desprezível aos humanos.
O amor doía, o amor causava sofrimento, mas também causava alegria e um doce sentimento de felicidade eterna. O amor curava, mas também feria, o amor salvou Mavis, mas também a matou lentamente, ele a queimou por dentro ao ponto de ela abandonar sua humanidade, ao ponto de fazê-la sentir a dor mais agonizante como punição. Anfitrite deu o que ela precisava , deu a oportunidade de vê-lo, mas o que haveria de acontecer como consequência, não era de interposição da Deusa.
Trato com deuses são tratados de vida, Mavis não só modificou sua vida como as de outras gerações, de outras sereias que foram transformadas logo depois dela, da maldição que as perseguia, do amor elas nasceram, do amor elas morrerão.
Atualmente na costa de Hargeon
De todas as prováveis situações que poderia ocorrer quando Lucy fora sequestrada, a que ela nunca esperará presenciar era o momento a qual ocorria, a proximidade com Natsu e sua declaração bastante íntima, Natsu havia contado algo que era importante para ele, algo que ele considerava como uma fraqueza, o rosado não havia pensado nas consequências como na maioria das vezes ele fazia, sua maneira de agir compulsivamente já havia o colocado em grandes enrascadas, mas ele realmente não se importava, em sua mente ele devia agir como sentia vontade e depois não se arrependeria... pelo menos não de não ter tentado.
A loira olhava para baixo e via os cabelos róseas com a aparência sedosa, e um sentimento estranho de acariciar ali e consolar o garoto que parecia tão indefeso no momento, o grande Natsu Dragneel estava frágil a frente do ser que ele julgava desprezível... pelo menos antes, o rosado ainda não tinha adjetivo para definir a sereia, ele estranhamente se sentiu confortável com ela, se sentiu como a muito tempo não sentia e se permitiu se soltar um pouco, se permitiu sofrer sem que julgasse a si mesmo.
—Do coração sofremos, do coração choramos!- Natsu apertou os olhos pensando no que ela havia dito, ele não chorava, mas permanecia abraçando o corpo da sereia , que emanava uma energia confortável.- e um dos testamento das sereia.- Lucy não via um Natsu fraco, mas sim um humano com suas dores assim como qualquer um, emoções são fortes e por muitas vezes podem mudar as pessoas, sereias não sentiam, ou ao menos não deveria, seus sentimentos eram mais fortes que os dos humanos, mas também mais raros de ocorrerem, era quase raro uma história de sereia que havia se apaixonado. Sereias consideravam o amor uma sina que causava destruição, e elas não se enganavam, era a única coisa que poderia destruir uma sereia. – eu vejo muita dor em seu coração, mas você não expõe e isso fere você.- Natsu se afastou para olhar no rosto sereno de Lucy.- isso é uma fraqueza apenas se você permitir ser, diferente de como os humanos pensam, vocês podem controlar a maneira como sentem. A dor nunca vai embora, mas você pode controlar o tanto que ela te machuca, olha para trás e enfrente esse passado.- Natsu abaixou a cabeça e os dedos delicados da sereia foram ate suas bochechas e segurou o rosto do capitão, um ato que o pegara de surpresa, a proximidade e delicadeza da sereia ou a beleza magnífica dela, o deixava inquieto.- eu posso te ajudar Natsu, mas só se você permitir.- ele uniu as sobrancelhas em questionamento, ele nem ao menos sabia no que tinha que ser ajudado.- eu ... posso ver sua lembrança, vê como tudo aconteceu e procurar pistas.
—Pistas do que? Fui eu que a matei!- ele se soltou se afastando dela.
—A mente por muitas vezes e traiçoeira capaz de pregar peças, as vezes o que você acha que viu não foi exatamente o que ocorreu, você era jovem, sim, foi você, mas você não sabe o por que, e é esse ponto que eu quero chegar.
—O como pretende fazer isso?- Lucy aproximou novamente pegando na bochecha dele e ele olhava de olhos arregalados.
— Eu preciso que pense naquele dia, conseguirei ver mais claramente se você me ajudar.- ele assentiu, e ela tocou a testa dela na dele, a pele macia em contato com a pele quente dele, o cheiro de lavanda que a sereia emanava era como um calmante, os lábios rosados que apareciam mais atrativos quando próximos, os olhos fechados concentrada em sua cantiga baixa, ela tinha o rosto delicado e milimetricamente perfeito como se tivesse sido desenhado.- sereias tem o poder de mudar memórias, molda-las, apaga-las e também ver através de memórias, eu já vi suas memórias antes, mas eu quero que você pense, vou ajudá-lo a lembrar, você vai ver comigo.- e quando Natsu fechou os olhos sua mente pareceu viajar para outro lugar , parando em seu eu criança, em sua antiga casa simples, no exato dia em que sua mãe falecera.
Ele estava voltando da pequena venda que a aldeia possuía, sua mãe havia pedido para que comprasse utensílios para que ela pudesse fazer uma deliciosa comida ao seu filho. O caminho inteiro o pequeno sentia os olhares tortos das pessoas sob si, algumas crianças da sua idade que o xingava de monstro e demônio, o atacava juntamente com as pedras jogadas por todo caminho, Natsu já estava acostumado com todos os insultos e pedras jogadas, as pessoas tinham medo dele o tratavam como o verdadeiro monstro, mas não havia nada que ele pudesse fazer. Seu pai o espancara da última vez que brigou com um garoto três anos mais velho e quebrou o braço do jovem em três partes diferentes, havia levado uma grande surra do pai, que até mesmo sem motivo costumava bater no pequeno, uma vez baterá no rosado apenas por ter chegado após o por do sol em casa, “ deveria estar em casa a três dedos antes do por do sol”, a criança questionou o motivo, afinal essa regra nunca existirá antes, e a resposta fora uma noite de surra. Natsu nunca conhecerá o carinho de um pai, ele amava seu pai, mas o mesmo nunca demonstrará retribuir o sentimento. Mas não sua mãe, ela era a pessoa mais pura no mundo, sempre caridosa e gentil, sempre cuidou e amou o filho, tinha vários amigos, mas todos se afastaram por conta do filho, o menino se sentia culpado, mas a mulher apenas dizia “ eu já tenho você, não preciso de mais ninguém”. Natsu daria a vida por aquela mulher, a mulher que nunca desistirá dele.
Chegou em casa e estranhou o fato de estar silenciosa, sua mãe estava sempre cantando e conversando com o pequeno exceed, mas aparentemente nem Happy parecia estar no local, se dirigiu até a cozinha e antes que chamasse por sua mãe, ouvira vozes e uma delas desconhecida, o que o fez ficar parado e atento ao que estava acontecendo.
—Mayi já se passaram alguns anos.- a voz desconhecida era de um homem que estava de costas para Natsu, ele tinha um cabelo longo amarrado em um rabo.- o garoto não deveria estar vivo!
—Ele não sabe de nada, não a problemas, ele é um bom garoto.- sua mãe se mantinha firme, mas Natsu podia ver em seus olhos verdes que ela estava assustada.
—Sim, eu soube que ele não sabe de nada, mas isso não e o suficiente Mayi, e você sabe que não, o mal habita nele.- a mulher fechou a cara.
—É o meu filho, ele não e nada disso e eu não deixarei nada acontecer com ele.- o homem riu como se debochasse das palavras da mulher. Depois ele a segurou pelo pescoço fazendo a mulher ficar sem ar.
—É melhor não ir contra mim, quando ele fizer dezenove anos vai ser o dia do seu arrependimento.- Natsu já não suportando vê o que estava a sua frente, saiu das sombras.
—LARGUE ELA, SEU MALDITO!- o homem se virou olhando a criança e levantou uma sobrancelha, com um sorriso debochado no rosto. Sua mãe quase implorava para o menino ir embora, fugir, mas Natsu não faria aquilo, não sem antes acabar com aquele homem.
—Ora ora o que temos aqui.- o homem soltou a mulher no chão com certa força, olhou o garoto dos pés a cabeça.- eu esperava bem mais , e esse cabelo?- o homem gargalhou e o menino fechou o pulso com força. Fora com tudo na direção do homem, mas o mesmo lhe deu um chute o fazendo bater com tudo na parede, o menino viu uma faca caída no meio dos destroços mas quando tentou pegar o homem pisou nos dedos infantil, fazendo o rosado gritar alto, sua mãe já levantará e chorava correndo até homem que apontou uma espada para ela. Natsu gritava e tentava mexer sua mão, ele estava com ódio daquele homem, que ousou machucar a única pessoa no mundo que ele amava, ele sentiu tamanho ódio e rancor, e as sombras que sempre o perseguia surgiam pelo local, mas dessa vez ele não resistiu, com seu pensamento totalmente apagado e uma irá incontrolável se apossou de si, o fazendo perder a consciência segurou com força o pé do homem lhe jogando longe, a mente de Natsu estava embaralhada e ele só lembrava de pequenos fraguamentos da briga com o homem e de sua mãe tentando o impedir de mata-lo e no fim, sem a consciência o garoto matou a mãe.
Lucy abriu os olhos soltando a respiração pesada, quase não tinha mais forças, estava exaurida, ainda encostava a testa na de Natsu e os dois tinham a respiração irregular e suavam, os olhos se encontraram tão próximos um do outro a respiração batendo uma contra a outra. Natsu estava em seu turbilhão de pensamento, sua dor que tentará a anos diminui-la voltará com tudo na recordação, e seu ódio por aquele homem apenas se nutriu mais forte, fechou o punho com força, mas sua mente sairá desse pequeno momento de ódio quando a loira caiu desacordada em seu peito, Natsu arregalou os olhos surpreso pensando no que poderia ter acontecido, olhou para a loira de olhos fechados, a bochecha corada e sua respiração fraca , Natsu não resistiu ao impulso de tocar a delicada face, o jeito da jovem de algum modo lembrava a pureza de sua mãe, que sempre via algo bom nele, Lucy podia odiar Natsu, mas ainda sim tentava ver algo nele, algo bom que até mesmo ele já havia desistido de encontrar, olhava a sereia e tentava entender os motivos dela, ou o por que dela ser assim, algo dentro de si ficava intrigado na loira, mesmo que ele tentasse negar, ele não estava conseguindo resistir a sereia e sua pureza, algo que estava o incomodando.
—Makarov!- o rosado gritou pelo baixinho, que não demorou muito já estava entrando na cabine.- ela desmaiou.- ele falará para o mais velho, mas ainda olhava a sereia.
—Ela curou e se preocupou com todos antes dela mesmo.- Makarov se aproximou e Natsu vira os machucado pelo corpo da loira.- ela não parou um minuto Natsu, ela precisa de descanso e precisa de água.- o rosado assentiu.
— Coloque água na banheira, vou colocá-la aqui por enquanto.- o mais velho assentiu e olhou de sobrancelhas unidas para o rosado, que parecia estar completamente curado.
— E como você está?- o rosado levantou e colocou a sereia na cama, retirou as botas e o cinto, e depois do colete de couro, deixando a blusa e a saia.
— Eu estou bem, não se preocupe, eu vou cuidar dela agora!- Makarov o olhou surpreso, mas não discutirá e sairá da cabine, de certo modo ele achava que finalmente os dois poderiam se resolver.
Natsu levou a sereia até a banheira e a colocou na água, ainda a segurava para que não afundasse completamente, não sabia como funcionava as transformações das sereias, mas sabia que na forma humana elas não respiravam na água e com isso ele usou seu braço como apoio para a cabeça da sereia, aos poucos uma pequena luz surgia nos machucados e os curavam voltando a pele imaculada de antes, Natsu olhou para a sereia a roupa colocada no corpo e agora transparente por conta da água, mas ele não olhava para o corpo da jovem, algo o impedia de ser desrespeitoso com a loira. Olhando o rosto sereno ele permaneceu a segurando e observando como aos poucos a sereia parecia melhor, limpando cada impureza de si, algumas palavras saíram dos lábios rosados da jovem, mas Natsu mal pudera ouvir, se aproximou em busca de um esclarecimento, e tais palavras o deixaram paralisado, imóvel.
—Você também não é um monstro!- mesmo ainda desacordado a sereia proferiu as palavras, mesmo que ainda fraca, ela lhe disse tais palavras.
Fim!
"O amor, para ser belo, não precisa de ser eterno.
—Júlio Dantas-"
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