Le Chant des Sirènes
58 Capítulo LVII
Notas iniciais
Capítulo LVII
Sentia o corpo pesado, como se caísse em um abismo e não conseguisse controlar seu próprio corpo, que parecia longe de obedecer a suas vontades. E a dor alucinante que surgiu em suas entranhas, deixava explícito o motivo de não conseguir se movimentar. Era como se cada tendão e nervo de seu corpo houvessem sido arrebentados e perdesse por completo o controle.
Sua cabeça latejava como se houvesse um peso de chumbo sobre a mesma, e o mesmo acontecia com suas pálpebras que pareciam pesadas demais para serem abertas. E ao fazê-las sentiu as mesmas protestarem em resposta, e ao conseguir abri-las por completo, notou estar em um lugar estranho, bastante diferente de onde se lembrava.
Seu corpo parecia paralisado enquanto estava com o mesmo metade na água, e o tronco exposto em uma árvore de raízes. O local se assemelhava a um pântano, escuro com o céu tapado por copas de árvores negras e um cheiro pútrido ao redor, aonde deixava explícito a carnificina.
Ergueu o rosto a fim de enxergar algo a mais, contudo, apenas conseguiu observar sua calda longa em meio à alga escura e pegajosa. Sentiu um formigamento pela mesma, e ao fixar seus olhos, percebeu vários bichos peçonhentos subindo por suas escamas brilhantes, e as patas finas e asquerosas se adentrarem por entre as mesmas, como se infiltrasse em sua pele. Gritou desesperada quando sentiu as larvas grudarem por seu corpo e subir lentamente até seu rosto, mordidas repulsivas foram depositadas em sua calda, arrancando lentamente a pele aonde larvas adentravam no sangue espesso.
Em seus lábios ecoavam os ruídos de temor e repulsa, contudo, ninguém parecia ouvi-los, ela estava sozinha em meio aquele local escuro e esquecido pelos Deuses. Um território perfeito para sua morte, ou eterna agonia.
Após um esforço fatigante, obteve êxito em mover seu corpo para a lateral, aonde seu rosto se afundou na lama suja e fedida. Um vômito subiu em sua cavidade bocal e jorrou pela gosma amarronzada, aonde os animais peçonhentos tratavam de subir, ela os sentia por seus orifícios, olhos, causando sensações horripilantes em seu corpo.
Sentia-se imunda, fedida, com feridas excruciantes pelo corpo, e completamente perdida aonde não se tinha ideia de onde estava e muitos menos onde estavam seus amigos. E novamente aquela sensação de incapacidade lhe atingiu em cheio, como se toda a insegurança lhe preenchesse por inteiro. Estava perdida.
Lágrimas inconscientes desceram de seus olhos, não pela dor, não pelo asco, não conseguia identificar os motivos pelo choro, ele apenas surgiu. Forte e incandescente e quase infactível de se parar.
—Lucy!- a voz soou baixa e abafada, mas ela sabia que era a voz dele. A reconheceria em qualquer lugar e circunstância. – você precisa se levantar!
—Eu... não... consigo!- até mesmo dizer as palavras, o simples movimento de abrir os lábios, parecia doloroso e difícil. Ainda lhe era um choque como Libra havia conseguido fazer aquilo com apenas alguns ferimentos.
—Você consegue!- a voz soou tão próxima que poderia dizer que ele estava ali. Mas não, Natsu havia ficado para trás, sem nem imaginar para aonde ela tinha ido. – você pode fazer qualquer coisa que queira!- e a voz se tornou abafado e cada vez mais distante, a deixando sozinha novamente.
Fora quase impossível de impedir a saudade que lhe atingiu, não havia como enganar que Natsu era sua âncora. Era ele que a fazia sempre lutar adiante e nunca desistir, era força oculta que a impulsionava para frente. E ele não precisava estar perto para que o fizesse, aonde quer que ele esteja ela sabia que ele estaria torcendo para si. E foi aquilo que a fez fechar seus olhos e concentrar sua cura nos pontos estratégicos que Libra havia atingido.
Foi preciso um esforço quase exorbitante para curar seus meridianos, onde a energia estava desequilibrada. Concentrou-se, imaginando em sua mente a imagem das agulhas sendo retirada e a cura sendo feita, para que conseguisse se recuperar. Baseou-se na ideia da magia de Libra para aumentar sua disposição física, forçando a melhorar a imunidade destes pontos específicos. Aos poucos, sentia seu corpo mais leve às dores se desfazerem aos poucos, assim como todos aqueles insetos que subia por sua pele a adentrando e se alimentando da mesma.
Quando abriu os olhos novamente, estava no local a qual nunca havia saído apenas sua mente fora empurrada para uma região assustadora de seu subconsciente.
A batalha ocorria nas proximidades da estátua, aonde se encontrava o navio da Sabertooth com uma tripulação destruída. Sangue e corpos enfeitavam o assoalho de madeira, e gritos pavorosos completavam um cenário de horror, a risada satisfeita de Libra era possível de ser ouvida de longe, se deliciando da desgraça dos marujos. Contudo, fora paralisada quando sentiu seu corpo levar dano de um ataque fornecido por uma garota albina, aonde acertou sua espada nos esqueletos cortando os fios que os ligavam a imensidão do céu. Os corpos enferrujados caíram no chão como se não fossem nada e se transformaram em pó.
—Cortem os fios localizados acima da cabeça, são os fios que interligam a Libra, e através dele que ela depositava seu poder e os controla. – Yukino gritou aos amigos enquanto usava de suas poções para invocar mortos vivos que faziam o serviço desejado.
Não demorou para que os presentes fizesse como havia sido pedido, e aos poucos os corpos caiam ao chão se transformando em uma pilha de areia escura ao redor de seus pés.
Aproveitando-se da distração de Libra, a sereia retirou os espinhos de seu corpo, engolindo os grunhidos de dor que ressurgiram. Caminhou em passos lentos até a morena parada lançando mais feitiços contra os marujos. E então, fincou a própria agulha na coluna de Libra, acertando em um meridiano da região e torcendo o metal em mãos, sentindo o sangue escorrer até as mesmas.
—Não é possível... Como? – ditou entre dentes em completo choque. Sua face estava carregada em uma careta de surpresa e dor.
—Toda magia é reversível!- quebrou o espinho na costela do espírito, antes de lhe chutar longe. Arrancou a espada presa ao peito a jogando ao chão, sangue respingou do metal e pintando o local.
Libra se contorcia no chão enquanto o corpo tremia por completo, o deixando em posições deveras complicada. Sua mão se alongou feito uma borracha até segurar com firmeza no metal preso em suas costas, os olhos castanhos observavam tudo com pavor. O espinho foi retirado antes de ser jogado com força se prendendo na parede da estátua. Aos poucos o corpo torcia novamente para voltar à posição inicial, e Lucy observava em choque aquele ser humanoide se erguendo até ficar ereta, tombar a cabeça de lado e a encarar.
—Você tem muitas feridas aberta, Lucy Heartfilia!- sorriu ladino carregado de uma maldade que arrepiava a pele da sereia. – feridas da alma são mais perigosas que feridas do corpo, pois, elas não se curam por completo. – remexeu o corpo fazendo as balanças se mexerem e soarem um tilintar em seus ouvidos. – irei me deliciar de cada uma delas!- sorriu maquiavélica.
Abaixo de onde se encontravam as duas mulheres, o restante da tripulação lutavam contra os seres esqueléticos e enferrujados. Suas espadas negras e afiadas fora o suficiente para conceber ferimentos que os faziam questionar como fora possível. Mesmo com a aparência fragilizada, os monstros possuíam imensa força e consideravelmente maligna.
A jovem de longos cabelos escuros feitos o céu daquele portal, correu em direção a um dos soldados bem encaminhados de Libra quando fora surpreendida com outro ser esquelético surgindo ao seu lado segurando sua cabeça com os dedos finos, permitindo que as sombras negras caminhassem dos dedos até os olhos, adentrando a pequena abertura. Os olhos se tornaram negros por completo enquanto os lábios se mantinham abertos e gritos ensurdecedores fossem ouvidos.
—Minerva!- Rogue gritou pela amiga enquanto correu em direção a mesma quando notou os fios quase invisíveis, surgirem da pele dela a segurando como um fantoche. Preparou a espada para corta-los quando seu pulso foi segurado por uma mão com firmeza. Lançou um olhar irritado para a albina que o segurou. – o que está fazendo Yukino?
—Se fizer isso, vai mata-la!- o encarou com firmeza transparecendo o risco implícito ali. Observou tons enevoados na pele da morena, que subia caminhando como minhocas adentrando a pele até o fio que a estava a mantendo de pé. Yukino retirou seus potes de dentro de sua bolsa localizados na cintura e encarou a mulher a frente que aos poucos o corpo se entortava mais, como se os ossos fossem quebrados e repostos no lugar.
—O que vai fazer?- questionou mais calmo, a espera de explicações para que pudesse realizar sua parte sem interferência.
—Ela só irá voltar ao normal, quando Lucy realizar o processo de expurgação do lugar!- a resposta fez com que o moreno a encarasse de sobrancelhas unidas.
—O que faremos até lá?- segurou firme a bainha de sua espada, pronto para realizar os passos posteriores. Os monstros não paravam de subir pelo navio como uma infestação.
—A impedimos de se ferir e ferir os outros!- fora a resposta da albina antes de jogar os potes no chão e deles abrissem um portal, o qual permitia que seres zumbificados saíssem de lá.
A movimentação atraiu a atenção de Minerva que sorriu maligna observando a jovem pouco a frente. Girou nas mãos as duas espadas em espirais, se preparando para o combate.
—É muita ousadia controlar os mortos em um portal de espíritos!- lançou maligna com uma voz completamente distinta da real, causando arrepios nos marujos presentes. Yukino sorriu ladino não se deixando abalar pela ameaça velada.
—E é exatamente por isso que estou em vantagem!- a morena arregalou os olhos surpresa com a audácia direcionada a si, e logo em seguida, mais corpos surgiam do chão como se crescesse ali feito flores na primavera.
A imensa quantidade de espíritos no local permitia que Yukino os invocasse como bem entendesse. De certa forma, garantindo uma vantagem a Sabertooth que por alguns segundos se permitiu empolgar. Havia chances de sobreviverem aquilo, mesmo que algum não houvesse conseguido alcançar essa conquista. Era gratificante enxergar o ponto de luz quando se estava tempo demais na escuridão.
Em um momento de dispersão, Yukino quase fora acertada por Minerva que direcionou a espada na albina, contudo, fora impedida por outra espada soando o impacto dos metais pelo local. A ruiva que impedira o ataque sorriu ladina satisfeita antes de impulsionar a espada para frente com seu corpo, e consequentemente obrigando a morena a pular para trás para fugir da lâmina. Direcionou um olhar raivoso na direção da morena, antes de voltar a atacar. O barulho do tilintar era excruciante enquanto cada passo das duas espadachins eram calculados. Dançavam sob as lâminas, refutando com maestria cada ataque adversário, como uma bela apresentação se não estivesse cada vez mais próximo da morte.
O capitão da Sabertooth sentia a adrenalina correr pelo seu sangue, que bombeava para seu coração e cérebro a energia necessária para prosseguir com as investidas. Os homens feridos e desfalecidos ao chão serviam como fonte de força ao homem que impediria qualquer um de ir ao chão novamente.
Houve um tempo, em que seria egoísta ao ponto de se importar apenas com a glória que os tesouros poderiam proporcionar, entretanto, aprendera com a Fairy Tail como a vida era valiosa e quanto mais poderia se viver se obtivesse quem proteger. Jamais deixaria que aquela missão se tornasse um fracasso e que ocasionasse em mais dores em seus corações.
Tamanha fora a surpresa quando sentiu um fio ser passado pelo seu pescoço, o puxando com aspereza, sentindo o cordão queimar contra sua epiderme. Levou as mãos em busca de retirar aquilo que o impedia de respirar, porém, seus dedos pareciam grandes demais para tocar a delicadeza que era o fio. Sentiu o ar lhe faltar os pulmões, o rosto vermelho pela falta de oxigênio. O cordão parecia queimar sua pele, perfurando cada camada dela e se satisfazendo com o sangue.
Tudo ocorreu rápido, quando Lucy direcionou um chute na costela de Libra a mandando em outra direção, depois mirou uma flecha em direção ao crânio do esqueleto. No momento que a flecha dourada acertou a camada dura do crânio, o mesmo explodiu em luzes amarelas se tornando um pó soprado e esquecido pelo vento.
—Eu acho que estou apaixonado!- soou o loiro depois e ser liberto enquanto encarava a sereia lutando. Um esqueleto fora jogado ao seu lado, e encarou o homem de cabelos longos.
—Acorda Romeu!- ditou Gajeel debochado após cortar os fios do esqueleto. Sorriu ladino encarando o loiro antes de voltar ao meio para a luta, não se esquecendo de fazer uma nota mental sobre aquilo para dizer ao rosado. Era sua especialidade jogar a bomba e observar o estrago.
A luta prosseguiu, os marujos estavam cansados enquanto o inimigo não parava de surgir, aquilo era um desgaste sem igual o qual não pareciam preparados para suportar. No entanto, os marujos da Fairy Tail trabalhavam em conjunto, mantendo o inimigo sob um plano de ataque, ocasionalmente os deixava menos desgastados. Observando os marujos da outra embarcação, os três da Sabertooth se encararam antes de assentir e seguir os mesmo movimentos e exterminando de uma só vez, vários inimigos.
Acima dos humanos que lutavam avidamente por suas vidas, as duas seres mitológicos batalhavam entre si em uma luta nivelada. Entretanto, Libra demonstrava Menos paciência quando simplesmente rodou suas balanças quando Lucy sentiu o chão estremecer. Tamanha fora sua surpresa quando a estátua a qual lutavam acima começava a se mexer, criando vida como um gigante de pedra. Foi necessário que segurasse em algo próximo quando a estátua rodou as balanças no ar e consequentemente movendo a gravidade de todo o local do portal. O mar se movimentou quando começou a virar, todo o seu conteúdo sendo jogado para a direita antes de o mar subir, ficando sobre suas cabeças. O navio acabou indo junto, fazendo com que os marujos desavisados caíssem diretamente ao chão do que seria o fundo do mar e se espatifassem no mesmo.
O restante foi obrigado a se segurarem em algo para que impedisse de sofrer uma queda dolorosa. O navio ficou completamente de cabeça para baixo em uma altura considerada extremamente alta aqueles que nunca se vira longe do chão. O mar se movimentava como uma larva, tremeluzindo por baixo deles e cobrindo todo o céu escuro.
—Eu odeio essas porcarias!- Gajeel fincou a espada com força no assoalho do navio para que lhe fornecesse sustentação, enquanto seu braço rodeava a cintura da pequena Levy que se sentia como uma boneca sendo segurada pelo moreno.
Mesmo quando a gravidade não parecia colaborar, ela parecia atenciosa quanto à garota sem consciência que caminhava tranquilamente enquanto cortava as cordas que sustentavam os marujos, que poucos segundos depois se despedaçavam no chão, restando apenas um monte de massa acefálica e sangue. Os olhos de todos se arregalaram com a frieza da mulher que não parecia se incomodar, por conceder o caminho da morte aos amigos.
Gargalhou friamente quando lançou sua espada em direção ao rosto de Erza que ricochetou a mesma com sua própria lâmina, a lançando para longe.
—Vou ter de lhe socar, até que recobre a consciência!- soou irritada, não conseguindo disfarçar a insatisfação pelo que havia acontecido. Não que estivesse em posição de julgar, mas sabia que a morena se condenaria para sempre e não poderia permitir que aquilo procedesse por mais tempo.
—Erza!- o azulado gritou quando a ruiva correu em direção à morena, porém, tamanha fora sua surpresa ao constatar que ela não caiu, mas sim permaneceu ao chão como Minerva. Bastou lançarem um olhar em direção à sereia para ver que ela erguia a mão em direção à ruiva.
No entanto, Libra não parecia satisfeita em notar que a atenção de sua oponente estava em outro lugar que não fosse à luta. Sentia-se frustrada por ver que a loira estava atrapalhando seus objetivos. A estátua ainda se movia tentando acertar a sereia que rapidamente desviou, usou as correntes de Virgo para que obtivesse impacto necessário para que a mandasse ao céu, e antes de cair girou em mãos a espada de Hefesto e usando a força de Taurus para partir a estátua ao meio em um fecho de luz. Todos pareciam chocados demais para reagir de outro modo, mesmo quando suas vidas pareciam estar a metros do chão. A luta entre as duas era algo a ser admirado.
Em plenos pulmões, um grito agudo e raivoso do espírito soou pelo local, antes dela erguer a balança direita e ocasionando a mudança gravitacional do corpo de Lucy a jogando para o alto, antes de mudar novamente a fazendo cair como se pesasse chumbo, abrindo uma grande cratera no chão. Logo o mar juntamente do navio começou a cair, como se nada mais os segurasse. Os gritos de pavor dos marujos eram ouvidos quando constatavam o quão próximos do chão estavam a cada segundo.
Entretanto, como se o tempo parasse, o navio paralisou no ar, a água passou por ele em peso, molhando todos os presentes e quase os levando com a pressão. Embaixo, recebendo toda aquela água, estava Lucy controlando a gravidade do navio, antes de virá-lo para a posição correta e o depositar ao mar. Os amigos correram até a beira olhando ao fundo em busca da sereia, afinal, em sua forma humana ela não conseguia respirar debaixo da água e estaria sendo pressurizada pela pressão da água.
—Eu já me irritei com isso!- Libra pousou tremeluzindo todo o navio. Os marujos se assustaram por alguns segundos antes de reagirem, correndo até ela para o ataque. No entanto, só bastou que ela erguesse a mão para que todos se levassem do chão.
Sorriu maligna quando a madeira do navio retorceu abaixo de si, se quebrando e transformando em vigas de madeira em forma de espinhos. Estalou os dedos quando um corpo caiu se espatifando nos espinhos, e todos se assustassem com a cena de horror. A mulher fez questão de descê-los lentamente enquanto observava o pânico e os gritos de pavor, quando se aproximava cada vez mais dos espinhos que perfurariam seu corpo os levando a morte.
Um estrondo alto chamou a atenção de todos quando a sereia surgiu subindo como um torpedo na água, e caindo em pé no navio. Não esperou muito para chutar libra a mandando em direção aos espinhos, e ergueu a mão segurando os amigos. Entretanto, o espírito não tardou em ataca-la e Lucy se viu dividida entre proteger os outros e se proteger. Mas ela sempre optaria pela primeira opção.
Uma luta acirrada voltou a ocorrer entre as duas, à lâmina da espada da sereia se chocava com o metal das balanças o qual foi utilizado para segurar a espada, e a jogar longe da loira. Uma lâmina escura e enferrujada surgira na mão direita da morena, e ao notar a curvatura e aspereza da lâmina, Lucy usou as lâminas de Câncer surgindo em suas mãos em um brilho como se fosse um rápido lampejo. O espírito utilizou de seu poder para descer os marujos de uma só vez, para que seus corpos se chocassem contra os espinhos e perfurassem cada camada de pele. No entanto, nos últimos minutos, quando enxergaram a ponta fina a milímetros dos olhos, seus corpos pararam no ar, ousaram até mesmo pensar que Libra estaria se divertindo de seus desesperos, quando notaram a sereia com a mão erguida e utilizando daquilo a seu favor a morena passou a lâmina profundamente na garganta de Lucy. O corte fora tão profundo que atingirá a veia principal, jorrando sangue pelo assoalho do navio se mesclando ao marrom desgastado. Os olhos castanhos perderam a vida por alguns segundos enquanto o corpo caia ao chão, completamente sujo de sangue de uma hemorragia não contida.
A emoção que transbordou nos corações dos presentes, era desigual a de Libra que gargalhava alto antes de chutar o corpo inanimado da sereia a qual era o único brilho do local, pareceu se apagar. Os marujos da Fairy Tail se sentiam em um mar de emoções não ponderadas, se recusando a acreditar que aquilo poderia de fato ter ocorrido. A sereia havia suportado coisas piores que aquilo, e era um ser imortal, então, apenas aguardaram que a amiga se recuperasse pedindo aos céus que funcionasse. Enquanto os que não possuíam conhecimento se sentiam arrasados e desestruturados com aquilo, a única coisa que os poderia tirar dali havia falecido. Os mais próximos da loira sentiam desespero por imaginar que ela nunca se ergueria.
—Aonde paramos?- virou-se com os olhos tapados e cobertos de sangue, e um sorriso que roubava a felicidade pautado aos lábios. Abaixou um dedo de cada vez e logo em seguida um corpo de cada vez caia nos espinhos.
Pavor era identificado nos olhos de todos, assim como o cheiro do medo era nauseante, contudo, para o espírito carregado de magia maligna, era o manjar dos deuses.
Arregalou os olhos quando sentiu uma lâmina perfurar sua região abdominal, levou as mãos até a lâmina dourada queimando sua pele no processo. Sangue escorria de seus lábios quando a espada cavada em si foi girada causando mais ferimentos e os deixando abertos, para a luz penetrar. Virou o rosto observando a sereia olhar profundamente antes de pronunciar as palavras.
—Quando matar uma sereia certifique-se de ter finalizado o serviço!- entrou em desespero quando a magia negra na sua pele explodia ao entrar em contato com a luz. Berrava em plenos pulmões quando começou a ouvir a sereia conjurar um feitiço. Todos sem exceção observavam pasmos. – καθαρίζω!
E então, uma luz azul preencheu o local.
**
Enquanto caminhava pelo assoalho de madeira que rangia sobre seus pés, sua mente estava atordoada de pensamentos os quais a deixava nervosa. Sua paciência não era das mais duradouras, e já havia esvaído completamente por ter de entrar em um navio novamente. Torceu o nariz enquanto caminhava avaliando o local, seu olfato apurado a fazia perceber quais marujos não viam a água há determinado tempo, e apenas o pensamento a fez ficar ranzinza.
—Eu deveria lhe matar, por me trazer a esse lugar!- rangeu para o pequeno homem assim que parou ao seu lado. Porém, o senhor apenas forneceu um sorriso simpático não se deixando abalar pelo mau humor diário de Porlyusica.
—Não a chamaria se não fosse urgente!- suspirou apenas de ouvir tais palavras e observou como o velho amigo estava tenso.
—Vamos logo com isso!- começou a caminhar na frente do homem que a guiou em direção à parte mais baixa do navio, aonde se localizava a prisão. – me adiante sobre o que aconteceu, a gata não me repassou os detalhes. – contou se recordando da gata branca que foi a sua procura, mesmo recusando e odiando a ideia, teve de utilizar da carona do animal para chegar mais rápido.
—Basicamente, Natsu está perdendo o controle de si mesmo. – a voz de Makarov era carregada de um pesar. – mandei Lucy e um grupo especial para limpar os portões até que ele melhore.
—Não me parece uma boa ideia retirar a única coisa que acalma ele! – respondeu sincera o que fez o pequeno senhor suspirar.
—Sim, mas a carga negativa dos portões estava o influenciando negativamente, não poderia deixar que ele fosse correndo o risco do pior ocorrer. – observou que estava se aproximando do local. – acreditamos que limpando os portais possamos ajudar ou descobrir alguma coisa. – a rosada assentiu enquanto paravam frente à cela aonde o rosado se mantinha preso, sentado a uma cadeira com a cabeça tombada para frente.
—Não seria mais fácil explicar a ele então?- questionou como se fosse óbvio e o senhor deu de ombros.
—Não houve tempo para isso, ele surtou antes que pudéssemos tomar uma medida preventiva. – a rosada se virou observando o garoto, nitidamente sedado e amordaçado. Questionava-se o que havia ocorrido para Makarov chegar ao ponto de amarrar um de seus amados filhos.
—Creio que isso esteja além da minha competência. – suspirou segurando sua maleta com ervas e todos os outros tipos de utensílios medicinais. – mas farei o possível!
—Obrigada Porlyusica!- agradeceu sincero olhando com carinho a senhora que bufou revirando os olhos.
—Não me agradeça, estou fazendo isso por que sua cara medíocre dá pena. – o homem sorriu ladino antes de caminhar até a fechadura e abrir com suas chaves, fornecendo passagem à rosada que caminhou até a mesa colocando sua maleta. — imagino que deva ter doído mais em você do que nele!- não havia como refutar aquilo, então o pequeno homem apenas se manteve calado.
Retirou seus apetrechos de sua bolsa os preparando para o insumo, tudo sob os olhos atentos do homem que a observava. Notou quando a mulher retirou uma espécie de planta de dentro de sua bolsa, à iguaria possuía uma aparência de um botão de flor esverdeado. Desta mesma planta, a mulher retirou um suco que assemelhava a um látex leitoso e coagulado após corta-la, e então, secou a substância com o calor do pequeno balde que ascendera com um pouco de carvão dentro, tornando-se o suco em uma pasta acastanhada a qual foi fervida em uma panela no mesmo balde. O odor que surgiu no local era tão desagradável que ardera às narinas do pobre senhor, presenciando o cheiro acre e amargo.
—Mas o que diabos é isso?- torceu o nariz observando a mulher realizar seu trabalho. – tem cheiro de morte!
—Devem ter, pessoas entraram em guerra por isso e consequentemente morreram. – o modo frio que a mulher dizia as palavras, fazia com que ele sentisse uma sensação estranha em seu ser. – é um suco obtido por essa planta conhecida como papoula no oriente, e então, transformada em ópio. – Makarov arregalou os olhos surpreso. – como ontem opiáceos naturais, como a morfina e outros, tem efeitos analgésicos e hipnóticos, eles diminuem o funcionamento do sistema nervoso central, produzindo uma hipnose analgésica.
—Você vai droga-lo?- Questionou em choque a observando pasmo, a reação apenas fez com que a mulher revirasse os olhos.
—Na guerra o ópio foi utilizado como morfina para diminuir a dor dos soldados, no entanto, eles acabavam por se tornar viciados na toxina. Foi o que ocorreu quando houve a guerra entre o povo de Alvarez e o povo de Ishigar conhecida como guerra do ópio, basicamente Ishgar não possuía interesse nos produtos de outros reinos, então os Alvarenses os forçavam a consumir o ópio que era um produto que possuía em grande demanda em Alvarez. Deste modo ficavam viciados e obrigados a comprar para manter o vicio, já que era o único interesse deles nos produtos de Alvarez e era a maneira a qual acarretavam lucros. — o homem a observava pasmo enquanto ela preparava a substância. – mas, quando administrado corretamente sob a prescrição médica, não tem problema. – acalmou o senhor que observava aquele que considerava filho. – eu não posso usar as ervas que usei em Lucy para retirar as substâncias malignas, já que elas parecem fazer parte do sistema nervoso dele, poderia acarretar em algo desagradável, então, irei apenas acalma-lo o suficiente para tentar usar incensos para manter as substâncias sob controle. – suspirou com as mãos na cintura, e observou quando com uso de uma seringa a mulher fincou na veia do rosado a substância antes de voltar a preparar os incensos. – não a muito que podemos fazer Makarov, essa luta que ele está travando, apenas ele pode vencê-la.
Possuía consciência daquilo, afinal nem mesmo a medicina poderia compreender o que Natsu era, e o que poderia ser feito para ajudar. Esperava que ele fosse forte o suficiente para conseguir suportar.
Fim!
“Monstros são reais e fantasmas são reais também. Vivem dentro de nós e, às vezes, vencem.”
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