Leão do Inverno
15 Livro Um — Capítulo XIV
Notas iniciais

KATHERINE
As vezes, a única coisa que ajudava Katherine Winter a passar por um ano difícil, era a perspectiva do inverno e da comemoração anual que sua família, os MacIntyre, costumavam fazer. Reuniam-se todos em Howsham Hall, uma propriedade isolada em Howsham, North Yorkshire, e tinham um adorável feriado juntos.
Era basicamente a única data do ano em que encontrava seus parentes, tendo em vista que sempre estava ocupada sendo mãe de três adolescentes, lapidando seu casamento ou sendo uma decoradora admirável.
Naquele ano ela estava se esforçando sobrenaturalmente para que tudo saísse perfeito. Encomendara aos cozinheiros dezessete pratos diferentes, e esperava que eles atraíssem mais a atenção que Alexandra ou a amiga que ela disse que buscaria Aeroporto Internacional de Leeds Bradford.
Todos tinham várias outras coisas no que reparar, claro. Como, por exemplo, os nove quilos que Margot, sua prima, havia ganho. Ou a ausência de Shane, o marido de sua irmã Lisa (a pobrezinha dizia a todos que ele estava numa viagem de trabalho, mas Katherine sabia que o rapaz a deixara por sua secretária, vinte anos mais jovem). Ou até mesmo o hiperativismo de Laurence, seu sobrinho mais velho, que o bom Deus sabia, estava envolvido com drogas.
Mas ela realmente tinha a impressão de que Alexandra e sua deficiência roubariam todos os holofotes.
Eram duas da tarde e Samantha estava ajudando-a com as flores. Mesmo com o namorado a sua espera, Sammy se oferecera para socorrer Kate com a decoração. Era esse espírito de colaboração que a encantava. Ela pensava no próximo, e isso era adorável.
Queria que seus três filhos pudessem ser assim.
— Um pouco mais para cá – disse, indicando o lugar do arranjo de dois metros e setenta para Samantha. – Não. Você veio muito. Volte... Não, agora você foi demais-
— Ei, cuidado, loira! – A voz de Alexandra irrompeu pelos corredores, risonha, e ela desabou no hall de entrada com uma mala de aspecto pesado.
— Sinto muito! – Uma loira de feições angelicais cobriu a boca, vendo-a tropeçar e estatelar-se no chão polido com a bagagem.
Samantha pareceu ficar tão estática quanto a própria Katherine quando viu a garota desconhecida ajudar Alexandra a se erguer e carinhosamente afagar suas roupas para desamassá-las, corada de uma forma quase respeitosa.
— Sinto muito. Mesmo. Foi sem querer.
— Eu a convido para conhecer minha família e você tenta me matar? Monstro – num tom descontraído, Alex a puxou pela cintura e só então pareceu repara nas outras duas pessoas na sala. – Oh! – E limpando a garganta com um pigarro desajeitado, acrescentou: – Sam, essa é Evony Stortzmann. Acho que já falei dela pra você.
— É um prazer finalmente conhecê-la, Samantha – Evony disse, com um sorriso radiante.
Sam demorou vários momentos para conseguir digerir o que estava acontecendo, assim como a própria Katherine. Ela ao menos tentou devolver o sorriso, o que já a tornou mais receptiva que sua mãe, mas os músculos de seu rosto pareciam um pouco rígidos.
— O-o prazer é, hm, todo meu.
— E a senhora deve ser a Senhora Winter – a garota estendeu a mão, mas Kate foi incapaz de retribuir o aperto.
Desconcertada, a loira recolheu a mão, enfiando-a no bolso como se fosse um motivo de vergonha – e era, na verdade. Não pense onde ela já enfiou esses dedos, Kate. Não pense.
— Nós vamos tomar um banho. Evony deve estar cansada, não é, querida? – Alexandra não desmanchava o sorriso.
Ela ajeitou a mala de uma maneira relativamente confortável e voltou a agarrar Evony pela cintura, depositando um beijo em seus cabelos e guiando a garota de rosto púrpuro para o andar superior.
Assim que viraram as costas, Katherine Winter deu-se conta de como seu estômago estava agitado. Ela apertava a fita de decoração com tanta força que seus dedos estavam insensíveis.
— Eu não acredito que ela realmente fez isso – sentindo um ódio arrebatador, a Senhora Winter sibilou. – É claro que foi de propósito. Para me atingir.
Samantha ajeitava o arranjo sem olhá-la, em um silêncio mórbido.
— Eu já disse a ela: se ela quer ser uma degenerada, pode muito bem fazê-lo longe de pessoas de bem como nós.
Kate foi até Sam, afastando um pouco as ramificações das flores.
— Quero dizer, o que sua avó vai pensar quando as vir de mãos dadas? Ou pior, dividindo o mesmo quarto?
— Eu vou dormir com Edward no mesmo quarto. Está preocupada com o que ela vai pensar? – Samantha perguntou num tom diferente, ácido.
— Não é a mesma coisa – Katherine sorriu, estranha a inflexão utilizada na voz de sua filha. – Vocês são absolutamente normais, ao passo que Alex... A garota é problemática. Essas ações dela... Logo se nota que ela não domina todas as suas faculdades mentais.
— Como pode tratar sua própria filha dessa forma? – Sam largou o arranjo com brutalidade e a decoradora teve de esforçar-se para não deixá-lo desabar. – Que tipo de monstro você é?
Havia lágrimas nos olhos de Samantha e seu tom passou de amargo a revoltado. Estava à beira dos berros e logo as pessoas que estavam na sala de tevê viriam ver do que se tratava.
— Não sou nenhum monstro – sussurrou Kate, corando de leve. – Só gostaria que sua irmã fosse normal como você.
— Ela é normal! – Samantha gritou, apontando para a escadaria. – Absolutamente normal! Como pode odiá-la dessa forma quando tudo o que ela faz é... É amar outra pessoa?!
— Não seria mais fácil se ela amasse um homem?! – A culpa por ter sido incompetente como mãe a assolou e Katherine sentiu suas próprias lágrimas aflorando.
— Não seria mais fácil se você pudesse aceitá-la como ela é? – Sammy secou o rosto, revoltada. – Você sempre encontrou alguma forma de culpá-la, de preteri-la, de fazê-la sentir-se errada.
— Ela sempre foi errada, Samantha! – A Senhora Winter se viu confessando, e um peso descomunal deslizou de seus ombros.
— E se eu gostasse de mulheres, mãe?! – Ela exclamou a plenos pulmões. – E se hoje eu dissesse a todos que meu relacionamento com Edward não passa de uma mentira e que eu estou perdidamente apaixonada por outra mulher?!
Naquele instante Kate sentiu que vomitaria.
É claro que Sam só estava supondo, certo? Ela nunca envergonharia a família daquela forma. Sua Sammy não. A garota dos prêmios de música e recitais maravilhosos. A Miss Primavera do ensino fundamental. Ela não poderia cogitar a hipótese de ser uma sapatão.
— Você nunca faria isso, Sam. Eu sei que não.
Mas a frase mal acabou de ser formulada e Samantha já estava galgando as escadas com passadas rápidas e empoçadas de ódio, enquanto Claire, a irmã mais velha de Katherine, entrava pela porta da sala, procurando a fonte dos gritos com aqueles seus olhos avaliadores.
— O que aconteceu?
— Só Samantha. Ela ficou um pouco chateada quando eu lhe disse que ficaria um pouco mais em North Yorkshire – Kate riu, escondendo as lágrimas rapidamente. – As aulas começam logo, e ela é muito apegada a mim, mas quero esperar mais para voltar à Londres.
Claire não pareceu convencida, mas concordou.
— Já lhe contei sobre a terrina de frutas que estamos preparando? Nosso cheff espanhol está no comando...
Os saltos de Samantha Winter faziam um barulho insuportável ao colidir com o chão. A garota divagava com fúria, a todo o momento socando o ar e basicamente rosnando só em lembrar o comportamento da mãe.
— Querida, vamos lá... Acalme-se! – Edward envolveu os braços na cintura da namorada e beijou-lhe a nuca, causando um leve arrepio na garota. – Sua mãe só estava-
— Sendo uma homofóbica que trata a própria filha com aberração! – Completou por ele e desvencilhou-se de seu abraço. – Isso é ridículo.
Ela caminhou até a penteadeira para por os brincos e Edward riu, se divertindo com a inquietação da garota. Jogou-se sobre a cama, cruzando os braços atrás da cabeça, observando Sam.
— Feche aqui, por favor? – Ela caminhou até Ed e virou-se de costas, indicando o fecho do colar.
Ele se sentou e jogou o cabelo da jovem por cima dos ombros. Ao finalizar, depositou outro beijo em sua nuca. Era um habito.
— Não acho que deva se estressar com essas coisas. Sua irmã não está totalmente certa. Se não ficasse se esfregando descaradamente, isso não iria incomodar sua mãe.
Sam levantou-se bruscamente e encarou o namorado com descrença.
— Como pode dizer isso?! – Seu rosto fora transformado numa máscara rígida de incredulidade. – É claro que essa garota talvez não seja flor que se cheire – hesitou por um momento – mas é como nós! Ninguém fica enojado ou com raiva por ver nós dois nos abraçando ou nos beijando. Consegue entender? É isso o que me irrita. Elas são iguais a nós!
— Não foi isso o que-
— Foi isso sim! Não tente defender minha mãe – olhou pra ele com desgosto e, exausta, deixou os ombros caírem. Tapou o rosto e, em seguida, completou friamente: – Termine de abotoar sua camisa. Estamos ficando atrasados.
Samantha adorava as festas de fim de ano. Era a única parte que realmente a alegrava no inverno, essa estação tão monocromática e melancólica. Porém, nos últimos anos, todas essas reuniões festivas tornaram-se cansativas e detestáveis, porque não havia Alexandra.
E agora que ela finalmente estava em casa, suas atenções estavam direcionadas a outra pessoa que não Sam. E a própria Sam precisava dedicar-se a seu novo par.
Quando chegou à mesa, com o braço firmemente preso ao de Edward, não encontrou Alexandra e sua amiga Evony. Sua família toda estava disposta ali, no entanto. Seus pais, ostentando uma bandeira resplandecente de casal feliz, Tom com um olhar absurdamente entediado, e seus tios, avós e primos, encarando-a com semblantes que variavam de adoração à inveja.
— Você está tão linda, Sammy, querida – sua avó disse, cobrindo a boca com os dedos finos, nodosos e faiscantes de anéis imensos.
— Realmente. Edward, tome cuidado – seu tio Matt, o inconveniente e alcoólatra, ergueu uma taça em sua direção e a virou por completo em seguida.
Sam forçou um risinho e assim que seu namorado lhe puxou uma cadeira, acomodou-se, desejando tornar-se invisível, mas sua avó estava muito disposta a tecer um diálogo sobre seus planos para o futuro – casamento, filhos.
Estavam quase todos presentes quando Alexandra chegou, com as mãos entrelaçadas as de Evony Stortzmann. Parte da mesa ficou em silêncio, e a outra parte – talvez a que já estivesse sob um sutil efeito do álcool – fez um coro de suspiros pela beleza da visão.
Alex estava tão incrivelmente linda que Samantha teve medo de partir o cristal de sua taça pela forma como foi obrigada a apertá-la. Seu vestido parecia feito de mil fragmentos de estrelas douradas e quando ela se mexia, todas as luzes da imensa sala refletiam e derramavam-se a sua volta; sem falar na pele sedosa de suas pernas e costas, que apesar de todo o frio, estavam descobertas. Os cabelos longos e escuros foram atados acima da cabeça num coque desleixado, deixando apenas duas finas mechas para emoldurar o rosto de porcelana. Sam estremeceu e soltou a respiração pesada que não se lembrava de estar contendo.
Evony, perto de Alexandra, não parecia mais que um agradável plano de fundo. Ela era bonita, e sensual, e Samantha mataria para ter aquelas pernas, mas... Mas não era Alex.
Sammy teve de olhar furtivamente para os lados para certificar-se de que ninguém flagrara sua boca levemente aberta pela visão estonteante; estava tão absorta na beleza de sua irmã que perdeu toda a apresentação de Evony. Só conseguiu voltar a prestar atenção em algo que não os seios de Alex subindo e descendo dentro do decote depois do que pareceu uma eternidade.
Estava ficando quente ali ou era apenas ela?
— E seu pai não tenta lhe convencer do contrário? – Sua tia Lisa perguntou à Stortzmann e Sam tentou inteirar-se do assunto, fosse ele qual fosse.
— Todo o tempo! – Evony riu, e Samantha decidiu que já odiava aquele sotaque tanto quanto aquela risadinha. – Eu o ajudava quando tinha uns seis ou sete anos e ainda morávamos todos jutos. Minha mãe desmaiava ao ver sangue, mas era algo tão natural pra mim que mesmo sendo muito pequena eu o ajudava a suturar alguns pacientes na clínica que tínhamos em Copenhagen.
— E em que você se especializaria? – Tom perguntou, com um olhar apaixonado. Quase tão apaixonado quanto o olhar de Alexandra.
— Ginecologista – Samantha se viu murmurando e arregalou os olhos ao perceber que tinha pensado alto demais. Todos os olhos estavam postos nela e Evony começava a corar. – Quer dizer... Vo-você tem cara de quem... Gosta... Gosta de trazer... Crianças ao mundo.
Merda.
Merda.
Puta merda.
— E-eu gosto de crianças, mesmo – Stortzmann pigarreou, olhando para as mãos. – Gostaria de pediatria. Mas também considero a oncologia. Gosto de dar alívio a quem está realmente sofrendo.
— Ela é voluntária num hospital em Berlim duas vezes por semana! – Alex declarou, com uma devoção clara na voz. – As crianças com leucemia a amam!
— Adorável – Sam resmungou, forçando um sorriso ao ver Alexandra afagando a mão de Evony sob a mesa.
E a noite não poderia ter sido mais longa. Depois do jantar, foram todos assistir à queima de fogos preparada pelos empregados da casa, e, pouco antes de ser beijada por Ed, Samantha vislumbrou Alex beijar Evony sob a chuva de luzes coloridas.
A imagem não lhe saiu da cabeça, mesmo com toda a música proporcionada pelo ambiente. A comida não foi útil para fazer seu estômago agitado aquietar-se, e nem mesmo toda a bebida que ingeriu foi capaz de tirar a vontade de gritar para a loira intrusa afastar-se de sua irmã.
Graças aos céus Edward resolveu jogar cartas no salão de jogos com seus tios e ela foi arrastada para lá, mas depois de duas horas, quatro Martines e uma tonelada de fumaça inalada, ela era incapaz de permanecer ali.
— Ed – ela o chamou, mas ele fez um aceno brusco que significava claramente “não perturbe o macho poderoso enquanto ele blefa”. – Vou tomar um ar.
O restante do Howsham Hall estava fantasmagoricamente gelado às duas e meia da manhã. A maioria das mulheres já havia se retirado, e o que restava delas congratulava-se por suas vidas supostamente perfeitas num falso círculo de amizade na sala principal. Thomas e seus primos mais jovens pegaram alguns consoles e trancaram-se num dos salões com salgadinhos e refrigerante o suficiente para provocar uma parada cardíaca, enquanto os outros homens da família assistiam à uma partida reprisada da Liga dos Campeões.
Sam, sentindo-se incrivelmente solitária, vagou por todos os incontáveis cômodos da mansão, até passar pela biblioteca e perceber que a luz estava acesa e vazava por baixo da porta. Aquela ala estava deserta até mesmo de empregados, e foi estranho ouvir barulhos vindos de lá.
Curiosa, Samantha aproximou-se da porta e deslizou-a minimamente. O que encontrou, no entanto, fez suas pernas tremerem de um jeito muito bom.
O vestido dourado estava no chão e Alexandra estava completamente nua sobre a mesa de madeira da imensa sala recheada de livros. Evony estava despida também, com os cabelos louros dispostos sobre a taboa rígida. Os dedos de Stortzmann enrolavam-se nos fios escuros de Alex, e gemidos de puro prazer escapavam por sua garganta.
O cérebro de Sam gritava para que ela saísse o mais rápido possível dali. Para que ela simplesmente esquecesse aquela cena e fosse tomar um banho frio. Mas contrariando todos os comandos, sua mão deslizou para a barra de seu vestido e embrenhou-se na calcinha pequena e apertada, encontrando um clitóris minimamente inchado.
Os lábios de Alexandra deslizaram do pescoço da loira para seu seio descoberto. A boca dela se abriu e cobriu todo o mamilo rosado e intumescido e Samantha mordeu o lábio com força, imaginando sua irmã fazendo exatamente a mesma coisa em seu corpo.
Os chupões foram breves, no entanto, e para a surpresa de Sam, uma trilha de beijos foi traçada pelo corpo muito pálido de Evony, em direção ao sul. Ela gemia algo, como se não tivesse medo de ser ouvida, e o perigo palpável fazia o corpo de Samantha tremer, enviando cargas elétricas que estouravam em seu clitóris, incentivando-a com seus estímulos.
A coxa de Evony escondeu o rosto de Alexandra quando o rosto da morena encontrou o centro de seu corpo. Sam gemeu ao imaginar a língua da gêmea mais velha percorrendo toda a área mais sensível dela própria.
— Oh, Alex! – Stortzmann murmurou, arqueando o corpo.
Ela devia estar no caminho certo.
Sam apoiou-se na parede, ofegante. Seus dedos trabalhavam rápido entre seus lábios íntimos. Ela podia sentir a respiração de Alexandra ali, entre suas coxas, se fizesse certo esforço. Podia claramente provar a língua quente forçando sua entrada, mordiscando seus pequenos lábios e...
— Mais... Por favor! – Evony suspirou, agarrando com força os cabelos da Winter mais velha.
Sim! Sam também queria mais!
Era difícil se decidir entre deixar os olhos abertos e apreciar o espetáculo, ou fechá-los e imaginar Alexandra bem ali sugando, lambendo, massageando, tão perto, tão rápida, com força e...
Ah!
O sangue pulsava com força nos ouvidos de Sam. O calor crescente entre suas pernas se espalhou para o resto de seu corpo. Dois dedos simplesmente deslizaram para dentro de seu corpo, proporcionando um alívio descomunal, arrepios e contrações, num choque térmico absurdo, onde ondas de torpor a engoliam. Ela queria Alex ali, aliviando aquela sensação de necessidade.
Alexandra levantou o rosto e ergueu-se para beijar Evony Stortzmann. Samantha tentou regular sua respiração, corada, confusa e sentindo-se imensamente culpada, embora satisfeita.
Tudo o que conseguiu foi correr para seu quarto, com as coxas parcialmente meladas, as pernas bambas e um sorriso incerto nos lábios.
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