Leão do Inverno

14 Livro Um — Capítulo XIII


Notas iniciais
Antes de qualquer coisa: vamos responder os comentários muito, muito em breve, okay? Só nos deem um pouquinho mais de tempo? Se não for pedir muito. ShameOnMe/ Babi: Hey, guys! Como vão? Sorry pelo atraso. De novo. Mas pensa numa pessoa com tensão pós-enem, TCC pra finalizar, e 22 provas finais em uma semana? Bienvenue dans ma vie. u_u So... Cara! Esse capítulo tá tão lindo que, ai, meu core. Tô sem palavras. Leiam, porque, ai. Boa leitura. Toki: Véy, sabe o que eu não fiz devidamente no cap passado? Não agradeci a Swann 0.0 ÇUÃ, SUA GATA GOSTOSA DA BARRIGA DLÇ MT OBRIGADA, ANCIÃ!! s2, CÊ TÁ NO MEU CORE, SDÇ E prometo, DE NOVO, tirar o atraso e-e Sobre o cap: Hj está uma mistura dlç. Espero que gostem ^^ --------------------------------------------------------------- "Eu não quero muito neste natal, só tem uma coisa que eu quero. Eu não me importo com os presentes embaixo da árvore de natal. Eu só te quero pra mim, mais do que você pode imaginar. Faça com que o meu desejo se realize, tudo o que eu quero neste natal é você. (...) Todas as luzes estao cintilando por todos os lugares, tão brilhantes. E o barulho das risadas das criancas está pelo ar. E todo o mundo está cantando. Eu escuto aqueles sinos tocarem. Papai noel, não vai me trazer a única coisa que eu realmente preciso? Por favor traga meu amor bem rápido." — FIFTH HARMONY, All I Want For Christmas Is You.



ALEXANDRA

Ela evitava fazer julgamentos prévios das pessoas pelo simples fato de, quem a olhasse de relance uma única vez, veria apenas uma garota de lápis de olho e cabelos propositalmente revoltosos. E ela era bem mais que isso.

Mas foi impossível para Alexandra Winter não detestar Edward no momento em que colocou seus olhos nele. A camisa social engomada em parceria com a calça jeans justa demais lhe dava um ar absurdamente esnobe.

Inconveniente e mal educado, o rapaz simplesmente declarou:

— Olá, Sam. Vim lhe fazer uma surpresa – disse, ainda parado a porta, sem desculpar-se por invadir o espaço pessoal de Alexandra nem uma vez.

Samanta não soube como reagir e permaneceu sentada na cama. E só quando Alexandra levantou-se foi que se lembrou de manifestar-se.

— Você, hm, veio para o jantar?

— Sim. Sua mãe disse que seria bom, agora que seu pai voltou – ele explicou, sorrindo, e algo naqueles dentes muito brancos fez o estômago de Alexandra girar.

— O jantar já está servido? – Sam inquiriu.

— Sim. Seus pais acabaram de pôr a mesa.

Alex estava se sentido desconfortável perto daquele garoto e ele parecia apresentar o mesmo tipo de reação. Ao olhar pela janela da copa, a gêmea mais velha viu um Porsche Cayenne estacionado e sentiu-se um pouco mais incomodada – além de inconveniente e mal educado, Edward era rico. E muito inteligente, já que, segundo o que não pôde evitar ouvir, ele cursava medicina.

Katherine, que estava ignorando Alexandra completamente, prepara um jantar muito agradável, que fora completado com um Gaja Barbaresco 1989, trazido por Edward.

O futuro neurocirurgião demonstrou todo o seu desagrado quando Samantha preferiu sentar-se ao lado de Alex, e não ao seu, mas as bajulações da Senhora Winter pareceram ser o suficiente para fazê-lo voltar a sorrir.

Discutiram coisas muito banais durante a ceia. Ethan parecia quase tão encantado com o rapaz quanto sua esposa, e isso realmente assustou Alexandra. Thomas era o único que demonstrava a mesma falta de interesse dela, e nem mesmo a conversa sobre a Liga dos Campeões animou-o. Mas quando, por algum motivo, começaram a falar sobre política e sociologia, Alexandra sentiu-se obrigada a prestar atenção.

—... Intrometidos. É o que eu sempre digo e sempre direi. E capitalistas nojentos que só visam o lucro, como se não enxergassem as diferenças sociais que esse regime nos causa – Edward dizia, bebericando seu vinho.

— Por que você se refere aos capitalistas em terceira pessoa? – Alex perguntou, surpreendendo a todos e se manifestando pela primeira vez desde que fora interrompida em seu momento com Sam.

Ele demorou algum tempo para perceber que era com ele que ela estava falando. Piscou os pequenos olhos azuis e ajeitou os cabelos castanho-claros antes de responder, corado.

— Porque eu me recuso a me comparar a eles.

— Espere, o quê? – Alexandra riu, olhando-o com mais interesse agora. – Está falando sério? Você é algum tipo de socialista?

— Eu diria que sim. Qual é a graça?

— A graça é que você dirige um Porsche, paga por uma faculdade de medicina, usa um relógio de ouro e compra vinhos de trezentas libras – agora a gêmea mais velha ria muito. – Você é hipócrita ou só burro mesmo?

Edward corou vivamente. O sangue concentrou-se em seu pescoço e subiu lentamente para as bochechas, deixando-o quase da cor de sua camisa cor-de-rosa engomada.

— Eu só não acho aceitável esse consumismo desenfreado a que somos submetidos – ele disse lentamente, como se os quilates de seu relógio tornassem as palavras mais pesadas. – Mas está claro que você e toda sua ironia devem ser liberalistas.

— De forma alguma. Liberalista jamais – Alexandra serviu-se de mais vinho, adorando o rumo da conversa. – Veja só: eu acredito piamente que o capitalismo irá destruir o mundo que ele mesmo criou, cedo ou tarde, mas, enquanto esse dia não chega, prefiro desfrutar das possibilidades que essa política me oferece a viver isolada numa ilha. E pensando bem, mesmo as ilhas estão abrindo seus mercados, não? É o mundo. Não é justo. Mas não podemos fugir do cenário em que fomos colocados.

— Você fala isso porque não mora em Serra Leoa. Na Namíbia. No Sene-

— Eu duvido que quando você se formar, vá operar refugiados de guerra, ou namibianos sem dinheiro. Pelo contrário: tenho quase certeza de que vai cobrar quantias astronômicas por cada operação num hospital de, no mínimo, classe média.

— Isso não vem ao caso! – Uma grossa veia pulsava no pescoço do rapaz e Alex era incapaz de parar de rir. – Temos que lutar pela igualdade-

— Oh, por favor! – Ela explodiu, batendo na mesa e ignorando o protesto de Ethan para se acalmar. – Agora você atingiu o topo do ridículo. Como pode falar em igualdade, como pode dizer que “os capitalistas ignoram as necessidades do mundo subdesenvolvido” quando você dirige um carro de oitenta mil malditas libras?! Ser ignorante tudo bem, mas hipocrisia é outra coisa!

Ele calou-se e Alexandra já não ria mais.

— É triste e injusto, sim, mas pare de se comportar como se você não fosse parte disso tudo. Pare de criticar um mundo ao qual você adere. Pessoas cegas pela hipocrisia é que fazem a pior espécie de injustiça.

Irritada, Alex lançou um olhar incisivo à irmã, questionando silenciosamente como ela podia namorar alguém como ele.

— Com licença – a gêmea mais velha pediu, retirando-se da mesa.

— Não se preocupe, querido – Alex pôde ouvir Katherine dizendo enquanto se afastava. – Ela é assim sempre. Inconveniente e mal educada.

Em seu quarto, ascendeu um cigarro, sentindo a nicotina acalmar a irritação crescente em seu peito. Abriu a janela para deixar a fumaça desvanecer na noite congelante, e ouviu os protestos ofendidos de seu cunhado vindos do jardim.

— Sua irmã me odeia ou algo assim?! – Edward esbravejou, com o rosto púrpuro. – Quero dizer, ela ao menos me conhece e me humilhou na frente dos seus pais! Eu nunca passei tanta vergonha na minha vida!

Samantha nada respondeu. Permaneceu estacada na grama, olhando-o fixamente, como se não estivesse realmente prestando atenção.

— Está me ouvindo? Sam? – Ele estralou os dedos a frente do rosto dela, arrancando-a de seus devaneios. – Não. Esqueça. Eu vou pra casa.

— Veja, Ed-

— Boa noite.

Quando o Porsche virou a Arkwright Road, Alexandra não podia estar mais feliz. Viu, com o cigarro meio-consumido, Samantha correr para dentro de casa e foi impossível não revirar os olhos ao imaginar que ela ficara afetada pela partida repentina de seu namorado.

Mas logo a porta se abriu e Sam entrou, sorrindo.

— Onde estávamos?

E, naquela noite, com sua irmã cochilando em seus braços, Alex só pôde desejar que o presente se eternizasse.

ERA VINTE E quatro de dezembro e estavam todos em ritmo enlouquecido em Londres. Exceto por Alexandra Winter. Ela deixou-se permanecer toda a manhã em seu quarto, sem o mínimo de empolgação para as festividades.

Os headphones em um volume estridente impediam a garota de ouvir qualquer coisa. Estava deitada enquanto encarava o celular, pensando seriamente em responder ou não seus amigos de Berlim – Evony, em particular –, mas seus devaneios logo foram interrompidos quando seu reflexo adentrou o quarto.

Alex via a irmã mexer a boca enquanto falava algo com um tímido sorriso, e acabou distraindo-se observando. Aqueles lábios róseos tiravam-lhe a sanidade.

A mais nova franziu o cenho e revirou os olhos, cruzando os braços. Sinalizou para que Alexandra tirasse os fones e a garota o fez.

— Não estava me ouvindo, estava? – Levantou as sobrancelhas.

— Sinto muito. Pode repetir? –Alex sorriu, desconcertada.

Sam riu e sentou-se na ponta da cama, reiniciando seja lá o que estivesse a falar.

— Como eu estava dizendo, hoje terei de ensaiar algumas crianças de coral municipal. É uma atividade extracurricular, para conseguir pontos na faculdade. Estava pensando se gostaria de me acompanhar – Samantha passava as mãos inquietamente pelo cabelo, o rosto vermelho. Alexandra adorava quando a gêmea ficava desse jeito, era extremamente fofo.

— Claro! Seria ótimo – sorriu delicadamente. – Quando?

— Bem, é hoje.

— Oh, a que horas?

— Daqui a quinze minutos – fez uma cara culpada e levantou os polegares em positivo.

— Sam, sua antecedência me impressiona!

As gêmeas caíram na risada e a mais velha levantou-se, deferindo um tapa na nuca da outra e caminhando em direção ao closet.

— Já que tenho tanto tempo de sobra, vou me arrumar.

Enquanto Sam permanecia na cama, Alex trocou-se. Colocou uma calça preta colada, seus coturnos, uma camisa branca de mangas longas e agarrou o gorro roxo antes de sair.

Samantha agora estava deitada em seu lugar com os headphones. A mais velha cruzou os braços e encarou a irmã, com as sobrancelhas arqueadas.

— Eu deixei?

— E quem disse que precisa deixar? – Sam replicou, com um sorriso desafiador, mostrando a língua.

Alexandra, agora com o gorro na cabeça, levou a mão ao peito, encenando exageradamente, mas logo correu em direção à cama e jogou-se sobre a mesma, iniciando uma série de cócegas na irmã após tirar os fones de sua cabeça.

Samantha implorava por misericórdia e quase gritava para que Alex parasse, mas apenas quando as lágrimas tornaram-se aparentes em seus olhos claros é que foi atendida.

— Isso é para que aprenda a não mexer nas minhas coisas – com as mãos na cintura e um biquinho adorável no rosto, Alex fez seu discurso. – Veja só! Fico alguns anos fora e você acha que tem liberdade para toda essa ousadia. Terei de impor respeito nessa casa novamente!

— Aprendi com Thomas, o melhor. Com ele sim você deve ter cuidado e-

— Jogando a culpa em mim? – O jovem estava parado com os braços cruzados e um sorriso divertido no rosto.

— Há quanto tempo está aí? – Sam riu, atirando-lhe uma almofada.

— Cheguei um pouco antes do discurso da “Senhora Respeito” – aproximou-se, divertido. – Vim verificar se ela não estava te matando. Seus gritos foram ouvidos pela casa toda.

— Idiota! – Alexandra mostrou-lhe o dedo do meio, ainda rindo. – Já vi que ela aprendeu mesmo com você, Samantha. Ouvindo por trás das portas – deu-lhe um tapa cabeça. Adorava fazer isso.

— A porta estava aberta – defendeu-se o garoto, massageando a área atingida.

A possível briga foi interrompida por Sam que pulou da cama afobada e saiu puxando a irmã pelo braço. Agora estavam irremediavelmente atrasadas.

Vestiram seus sobretudos a caminho da porta e correram pelas frias ruas de Londres em meio a brincadeiras e risadas. Para Alex era como estar voltando de um longo período debaixo d’água, onde seus pulmões finalmente podem voltar a funcionar e inflar-se com oxigênio muito bem vindo. Estar com Samantha daquela forma era voltar à vida.

As portas do teatro foram ruidosamente abertas pelas gêmeas que dialogavam aos berros. Toda a atenção foi voltada pra elas, que ao perceberem, calaram-se imediatamente e, segurando risinhos, caminharam até o palco, como duas crianças que acabaram de ser repreendidas e acharam graça.

Sam cumprimentou uma de suas professoras que estava nas cadeiras junto a alguns pais e foi recebida por um olhar confuso.

— Olá Senhorita Jones! Esta é minha irmã, Alexandra – explicou ao perceber a dúvida pairando.

— Oh! Prazer em conhecê-la. Não sabia que a irmã de Sam era gêmea.

Alexandra apenas acenou com um leve sorriso e retirou o sobretudo após cumprimentar todos devidamente.

Samantha imitou o movimento da irmã e após jogar o sobretudo sob uma das cadeiras, voltou ao palco, parando em frente às crianças que conversavam animadamente.

— Hey, pessoal! Aos seus lugares, sim?

E rapidamente os pequenos cantores alinharam-se conforme seus tons de voz e aguardaram a próxima ordem.

— Então, preparados para o medley de Fantasma da Ópera? Ótimo –Samantha falava com um brilho nos olhos enquanto analisava a partitura.

Alexandra agora também estava extremamente animada. Adorava O Fantasma da Ópera.

Sam adiantou-se para órgão repleto de tubos cintilantes e bem polidos e sentou-se, absolutamente confortável. Endireitou a postura e entregou uma das folhas à Alexandra.

— Consegue marcar o tempo para eles?

A mais velha presenciara algumas das aulas de piano da irmã quando mais jovens, então isso sendo o básico, poderia fazer.

Analisou por um tempo a partitura e depois foi até o centro do palco.

— Vamos lá. Estão prontos? – Sorriu para os pequenos e preparou-se para dar inicio. Alexandra levantou as mãos e as abaixou, indicando à Samantha que começasse.

Logo o gracioso som do órgão preencheu o local.

Conforme a gêmea mais velha marcava o tempo, a mais nova o seguia. Quando, por um aceno de cabeça, as vozes das crianças preencheram o local, todos abriram um largo sorriso. Alguns pais tinham lágrimas nos olhos.

Alexandra não podia negar que estava tudo muito lindo. Porém... Aquelas vozes estavam muito passivas. Apesar de estarem perfeitas, Alex queria representar aquilo de maneira mais pesada.

Em um único movimento fugaz, ela levantou as mãos ao alto e fechou-as em punhos, indicando que todos deviam fechar as bocas e que Sam devia parar de tocar.

Todos olharam interrogativos para a garota, que apenas negou e voltou-se para Senhorita Jones.

— Onde guardam os instrumentos?

— Hm... Naquela sala à esquerda, atrás do palco – Jones abriu a boca, provavelmente para perguntar-lhe o que pretendia fazer, mas Winter não se deu ao trabalho de ficar e ouvi-la.

Alguns breves minutos depois Alex retornou com um simples amplificador, cabo, um pedal e uma guitarra.

— Uma Fender Stratocaster? – Sorriu ao se referir à guitarra e, em seguida, começou a unir os componentes. – Nada mal.

Alexandra caminhou até Jones e pegou a caneta que estava em seu colo sem ao menos pedir licença, voltou-se para a partitura em sua mão e analisou-a. Fez rápidas alterações e devolveu a caneta, sorrindo e lançando uma rápida piscadela para a bela mulher de longos cabelos ruivos.

Samantha parecia observar tudo interrogativa, assim como todos os demais. Alex postou-se no centro do palco, voltada para o coral e deu um sinal com a cabeça, indicando a Sam que iniciasse novamente.

Quando a introdução foi iniciada, Alex sacou a palheta do bolso e o órgão foi acompanhado por uma guitarra carregada de distorção, dando um ar pesado de metal.

As crianças logo se animaram e o ritmo da música foi acelerado. Cantaram em perfeita sincronia e empolgação. As gêmeas trocavam olharas e sorriam.

A mais nova começou a mover-se junto com os dedos de maneira teatral, entrando no clima. Alexandra, por sua vez, dava um verdadeiro show de musa do metal. As pernas flexionadas e a cabeça sendo jogada agitadamente, fazendo com que seus cabelos escuros dançassem no ritmo dos riffs.

O show não durou muito, no entanto. Apenas a primeira música do medley teve esse acompanhamento especial.

Ao final, todas as crianças haviam amado “Tia Alex”. Os pais dos pequenos – a maioria dos anos 80, amantes de rock –, simplesmente adoraram aquela radicalizada. Jones encantou-se com a irmã de sua aluna e não preocupou-se em esconder isso, acabando por levar olhares fuzilantes de Sam, Alexandra percebeu, maravilhada.

— Céus, você foi simplesmente incrível! Viu como eles amaram?! – Samantha jogou o braço pelo pescoço da irmã a caminho de casa.

— Não exagere, só dei uma temperada – a estudante de psicologia sorriu timidamente.

O silêncio então apoderou-se delas. Resolveram por tomar um atalho, caminhando pelo parque. A grama estava congelada e as poucas pessoas que se atreviam a caminhar por entre as árvores pareciam atrasadas para os preparativos da ceia de Natal.

— Não quero ir para casa agora – Sam declarou. – Vamos tomar um café?

Alex estacou e fez uma breve careta, engolindo qualquer sentimento que pudesse atrapalhar o momento.

— Contanto que não seja a Starbucks.

A gêmea mais jovem deu ombros e gritou algo como “Quem chegar por último...”. Alex não ouviu o resto, pois ela pôs-se a correr e ela não viu outra alternativa senão segui-la, mas não demorou muito para começar a protestar de dor nos pés e praticamente implorar para que Sam não corresse mais – um esforço inútil.

— Vamos lá, Sammy! Não corra, estou morrendo!

Samantha parou imediatamente ao ouvir o antigo apelido, o que rendeu uma trombada dolorosa. Ambas caíram na grama congelada e Alex, que ainda estava extremamente cansada, não se mexeu. Permaneceu por algum tempo jogada por cima de Sam. Elas ofegavam devido à corrida.

Alexandra enterrou seu rosto no pescoço de seu reflexo e ficou respirando seu cheiro de flor de lavanda, enquanto esperava a respiração normalizar. Poderia ser parte de sua imaginação, mas jurou ter sentido o coração da mais nova acelerar-se consideravelmente.

Não seja estúpida, sussurrou interiormente. E pare de criar expectativas.

Depois disso foi obrigada por seu subconsciente a levantar-se. Com dificuldade, ergueu-se e estendeu a mão para ajudar a irmã.

Finalmente em pé, Sam mordeu o lábio para conter um sorriso – sem sucesso –, e entrelaçou a mão na de Alex.

A mais velha repreendeu o coração por se animar e retribuiu o sorriso.

— Desculpe te fazer correr – Samantha disse e Alex pareceu lembrar-se de estar brava, colocando, assim, um bico emburrado no rosto.

— Não. Devia te dar uns tapas. Sabe que odeio correr – lamentou-se manhosamente.

— Oh, tire esse biquinho fofo daí ou serei forçada a fazer-lhe cócegas! Uma revanche!

— “Biquinho fofo”?! Ora, eu não faço biquinhos fofos – exclamou, indignada.

— Sim, você faz ­– Samantha apertou levemente a bochecha da irmã. – Agora venha, vou te pagar um cappuccino. E... Eu acho que já disse isso, mas... Senti sua falta – Sam sussurrou, olhando-a. Agora havia cinco centímetros de diferença na altura delas.

— Eu também sentia a sua – Alexandra riu, beijando o nariz da menor.

— Amo você, Alexy.

E Alex sentiu as borboletas agitando-se em seu estômago. Ambas chamando-se por seus antigos apelidos. Ela não podia estar mais feliz. Sorriu largamente e enlaçou a cintura da irmã, que passou o braço por seu pescoço.

Notas finais
Babi: E aí? Como foi? Eu tô jogada com tanta fofura. Isso quase não acontece, então aproveitem. Até porque treta is coming. SPOILER DA VEZ: “— É um prazer finalmente conhecê-la, Samantha – Evony disse, com um sorriso radiante.” Toki: Aah quantas dançarinas do diabo nesse cap *-* (*Diabetes) E menino Vampiro-Que-Brilha sofrendo nas mãozinhas da Alexy, que fofis *3*