Leão do Inverno
13 Livro Um — Capítulo XII
Notas iniciais

ETHAN
Ele realmente não queria fazer aquilo; suas pernas tentavam desencorajá-lo na disputa contra os intermináveis degraus.
Ethan Winter suspirou, tentando se livrar da tontura e do enjoo intensos; encarou a porta fechada a sua frente por longos momentos, buscando uma coragem que certamente não possuía. Há quase três anos portas fechadas eram tudo o que vinha recebendo, e não podia culpar Alexandra por isso – não integralmente.
Incerto, o arquiteto bateu contra a madeira gelada, esperando uma resposta que veio mais rápido que o previsto.
Samantha abrira a porta, com as bochechas vermelhas e, sorrindo, passou por ele.
Ethan encarou a filha mais velha, esperando que ela desviasse o olhar, mas isso não aconteceu, e ele foi obrigado a ceder, fitando o piso antes de adentrar o quarto e fechar a porta.
— Diga a ela que só quero um banho antes de ir – Alex começou, puxando um maço de Marlboro do bolso da jaqueta.
— Você não está indo a lugar nenhum, Alexandra – declarou o senhor Winter, tentando manter sua voz firme.
— Não é o que sua esposa está dizendo – rebateu a garota, com o cigarro ainda apagado nos lábios.
Ela já não era uma garota, de fato. Era uma mulher; uma mulher que Ethan desconhecia, infelizmente. Era sincero o suficiente para reconhecer que se perdera na tarefa de pai há muito, e não soubera como retomá-la. Fracassara com a pessoa que mais amava no mundo por conta de pudores estúpidos e pensamentos que não lhe pertenciam verdadeiramente.
Olhando Alex ali, parada a sua frente, com pircings e tatuagens, percebeu que deixou sua princesinha desabrochar sem assisti-la, e ela devia estar mais perdida que qualquer outra coisa – ele não a reconhecia e se perguntava se ela própria poderia fazê-lo.
Ethan sentiu as retinas queimando e um nó estranho apertar sua garganta. Não sabia no que a partida para Berlim lhe transformara, mas tinha plena ciência de que agora se arrependia profundamente de todas as escolhas erradas.
— Você é minha filha, esta casa é sua, e você não vai embora – ele se aproximou, tocando o rosto da menina que, mesmo tendo crescido alguns centímetros nos últimos anos, ainda era pequena para ele. – Eu vou amá-la, independente de quem você ame também.
Ela o olhou por longos momentos como se estivesse prestes a dizer algo. Seus olhos muito claros encheram-se de lágrimas, porém, ela era forte o suficiente para não derramá-las.
— Gostaria de poder acreditar – Alex riu sem humor, desvencilhando-se.
— Eu sei que não estive presente-
— E eu sobrevivi. Em outro país, sem a única pessoa com quem podia contar. Não precisa mudar agora. Já me acostumei.
— Perdoe-me por ser um estúpido.
Alexandra riu, ascendendo o cigarro.
— Eu o perdoo por isso. Não o perdoo por não ter sido meu pai quando era tudo o que eu precisava que fosse.
Ela sorriu, enfiando as mãos nos bolsos da jaqueta e abandonando o quarto.
O vento soprava forte naquela manhã, agitando as várias camadas de roupas das pessoas que se arriscavam a sair de casa. Na véspera de Natal, toda a cidade estava brilhando com luzes comemorativas e vários Papais Noels sacudiam sinos nas lojas, desafiando o frio cortante.
Alexandra Winter fazia o caminho já tão conhecido que lhe deixara tantas saudades. Estava indo para o apartamento de Belle. Era seu segundo dia na Inglaterra e tinha acordado um pouco cedo. Para dissipar a névoa de sono que insistia em embaçar seus olhos, decidiu passar num café e comprar um cappuccino forte.
O lugar de decoração branca, verde e amadeirada era aconchegante e logo que passou pela porta pôde sentir a agradável lufada de ar quente lhe esquentar as bochechas.
Caminhou até o balcão com um sorriso nos rosto e esfregando as mãos para descongelar os dedos.
Uma atendente estava virada de costas mexendo em uma das máquinas. Seu cabelo loiro estava preso e na cabeça tinha um boné verde com o emblema do café. Algo naquele contorno lhe era muito familiar.
— Com licença – Alex pigarreou e pode perceber a garota ficar tensa.
Arqueou as sobrancelhas e esperou-a virar-se lentamente apertando firme o copo em sua mão direita. Ao vislumbrar o rosto da atendente, seu queixo caiu e uma enorme alegria tomou-a.
— Oh, meu Deus! Olívia!
No entanto, interrompeu-se ao olhar mais fixamente para Via. Ela estava muito magra. Olheiras enormes decoravam seus olhos e seus cabelos encontravam-se nitidamente emaranhados e mal cuidados, algo inacreditável, afinal, a loira sempre fora vaidosa com eles.
A garota carregava uma expressão tão cansada que parecia não ter dormido por dias.
Via tinha a boca escancarada em descrença. Depois de um tempo, seu semblante tornou-se de rancor, mágoa.
— Você? – A palavra saiu encharcada de desprezo. – O que faz aqui?
— Eu... Eu voltei recentemente... – a voz agora vacilava e Winter estava um pouco magoada pela reação da amiga. – O que aconteceu com você? – Tentou tocar-lhe a face, mas a loira desviou.
— É cômico você perguntar isso, não? A resposta é simples. Você aconteceu, Alexandra – riu amargurada. – Como tem coragem de sequer falar comigo depois de tudo o que fez? Você me enoja.
A voz de Olívia estava tremula e seus olhos já estavam marejados. Vários clientes olhavam a cena com curiosidade. Para Alex, as palavras da ex-melhor-amiga doeram quase tanto quanto as de sua mãe.
— O que eu fiz? E-Eu não tive escolha, Via!
— Não foi o que você fez, foi o que não fez. Onde você estava quando precisei? Tudo o que tinha de fazer era atender a droga do telefone, mas nem disso você foi capaz!
As lágrimas caíam incessantes dos olhos de Gold e Alexandra se viu nela, perdida, sozinha, isolada e sem escapatória; absolutamente abandonada e tendo que encontrar respostas em meio ao caos que se tornara sua vida.
Mas ela, diferentemente de Olívia, não procurara os problemas. Eles a encontraram, e ela nada pôde fazer quanto a isso, tampouco culpava outras pessoas. Olívia buscara pelo drama, pela tempestade que arrancou seus alicerces e a estava culpando por tudo aquilo.
Suas próprias lágrimas vieram ao lembrar que, mesmo Olívia a deixara, e aquilo, misturado com todo o rancor que guardara desde o momento que deixara o motel com Evony, inflamou um ódio que subiu por suas entranhas, armando-se de forma absurda e fluindo em rajadas de acidez.
— A culpa não foi só minha! Em momento algum eu pedi para que abortasse! Em momento algum eu pedi para que fodesse com qualquer um por aí! Ou pedi?! – Alex aumentou consideravelmente o tom de voz enquanto as lágrimas escorriam, quentes e amargas.
Via hesitou antes de responder.
— Não se trata só disso – acrescentou a loira, tendo a decência de ao menos corar. – Você- Você me abandonou!
E, de súbito, agora totalmente desconjuntada por um choro compulsivo, Gold berrou:
— Eu te amava, droga! Eu te amava e você simplesmente partiu!
Não havia o que Winter pudesse dizer sobre isso. O sangue latejante em seus ouvidos diminuiu a frequência rapidamente, e o rubor fluorescente de suas bochechas deu lugar a uma faceta lívida.
Um arrependimento sufocante apertou os dedos em sua garganta e, envergonhada, sussurrou:
— E-Eu não sabia. Desculpe-me – tentou tocar o rosto de Olivia novamente, mas foi repreendida com um gesto brusco.
— Por que se desculpa? Não vai mudar nada. Você ainda ama sua irmã, não é? Ou pensa que eu não sei? Ainda continua a ser aquela mesma aberração e-
Um estrondoso tapa foi desferido à face da loira pela mesma mão que tentou acarinhá-la.
As mudanças de humor tão bruscas estavam desestabilizando completamente Alexandra, deixando-a tonta e enjoada. A menção de Samantha foi o suficiente para provocar uma ferida ulcerada que ardia ao menor atrito.
O gerente já havia sido chamado antes da agressão e o zumbido dos clientes só não era mais intenso que a cacofonia de pensamentos em sua mente.
Via levou a mão sob a bochecha vermelha e encarou Alex de um jeito que a quebrou em vários pedaços. A essa altura os seguranças já se aproximavam rapidamente.
Ela abriu a boca mesmo incerta do que dizer, mas Gold a deteve.
— Não diga nada. Só vá embora, por favor.
Alexandra observou a loira soluçar e ser consolada por uma de suas colegas. Mesmo em pedaços, levantou o queixo e lançou um olhar de desgosto à amiga. Quando os seguranças tentaram tocar-lhe, pôs-se a caminhar para saída. Tinha o andar arrogante e prepotente, inspirado em Katherine.
As palavras de Olivia lhe atingiram com uma força descomunal e inesperada. Ao deixar o café, não tinha ideia de como reagir. Estava se perdendo. Se tornando algo irreconhecível. Olívia fazia parte de sua história, e agora ela simplesmente lhe dera as costas – Gold, sua melhor amiga desde que podia se lembrar, chamara-a de “aberração”.
Quem era ela agora, afinal? Já não sabia explicar nem para si mesma.
A HEATH DRIVE não era mais exatamente como se lembrava. As fachadas dos prédios agora tinham outras cores e havia mais árvores plantadas entre o asfalto.
O’Connor, o porteiro do prédio de Anabelle, surpreendeu-se ao encontrar Alexandra, mas não se opôs a deixá-la subir sem aviso prévio.
A porta do número trinta e quatro tinha a mesma aparência e Alex se conteve um pouco antes de bater, inspirando profundamente para lembrar-se do cheiro daquele lugar que tanto adorava.
Bateu a porta uma, duas, sete vezes. Estava prestes a desistir quando ouviu as correntes. Anabelle Parker abriu e encarou-a por longos segundos, e o sorriso gigantesco no rosto de Alexandra murchou sob a luz do semblante da psicóloga.
— Bom-dia – Winter sussurrou ao fechar a porta, encarando a loira de roupão de seda marrom.
— Bom-dia – ela virou-se para o balcão, apanhando uma xícara de café fumegante.
Ah, aquele sotaque. Alex adiantou-se para ela, envolvendo-a pela cintura e beijando sua nuca, mas Anabelle se soltou devagar.
— Quer café? – A médica inquiriu, sem olhá-la.
— Não, estou bem, obrigada – Alexandra franziu o cenho e puxou o braço da loira, fazendo-a fitá-la diretamente.
Com um das mãos, Winter voltou a envolver a psicóloga pela cintura, e com a outra tocou o rosto pálido.
— Senti sua falta – sussurrou.
— E eu a sua – Belle respondeu, enrijecendo nos braços da morena.
— Está tudo bem? Você parece tão... Afetada.
— E eu estou – foi a resposta de Parker, que, uma vez mais, se desvencilhou do abraço e partiu para o outro lado do cômodo.
O estômago de Alex deu uma volta completa e ela fez menção de questionar, mas Anabelle a interrompeu.
— Estou cansada. Cansada de esperar, de sonhar coisas impossíveis, de... Sentir-me inútil.
— Belle-
— Ontem, conversando com sua mãe-
— “Minha mãe”? Então isso é sobre ela? – Winter quase se sentiu aliviada. – Você melhor que ninguém sabe como aquela mulher é doente!
— Não é sobre sua mãe. É sobre mim, Lexi – e as lágrimas afloraram dos imensos olhos verdes da loira, pegando Alex totalmente desprevenida. – Ela não me disse nada além de verdades. Verdades estas que eu já conheço há muito tempo, mas era covarde o suficiente para negar.
— Por favor, Belle. Eu só... Senti muito sua falta. Faz três anos-
— Faz três anos e tudo o que eu fiz foi esperar! – Parker esbravejou, mas Alexandra sabia que aquela raiva era direcionada à própria médica. – Eu parei minha vida por você, porque eu te amo! Mas eu não posso mais fingir que o tempo não está passando, e deixar a minha vida se esvair, em virtude dos seus caprichos e necessidades!
— Eu amo você, também! – Alex gritou.
— Mas não ama só a mim – Belle sussurrou, escorregando com as costas junto à parede até o chão, soluçando.
— Belle! – Winter se adiantou para a psicóloga no chão, sentindo suas próprias lágrimas virem com força. – Não faça isso.
— Você nunca foi inteiramente minha, e nunca vai ser – Parker encarou as próprias mãos. – Eu nunca lhe pedi que fosse fiel a mim, mas esperava que isso partisse de você. Esperava que percebesse, a certa altura, que eu era tudo o que você precisava. Mas isso nunca aconteceu. E não vai acontecer.
— Mas eu amo você...
— Não é o suficiente! – Belle a fitou com os olhos muito vermelhos, soluçando, exaltada. – Não é! Você não vê que não posso sobreviver das migalhas do seu amor?
— Eu não posso perder você também – Alex sussurrou com os lábios molhados pressionados contra os fartos cabelos louros de Anabelle.
— Você não vai me perder – Anabelle sibilou, levantando a cabeça e depositando um beijo na bochecha de sua paciente predileta. – Eu só preciso me libertar.
— De mim?
— Das ilusões que você me deu – respirando profundamente para acalmar-se, Parker se ergueu. – Eu só preciso de tempo.
— Só não me deixe – Alexandra implorou ao se colocar igualmente de pé.
— Não o faria nem se realmente pudesse.
Belle a encarou por um longo instante. O rosto corado e úmido, com os olhos irritados. Abraçou-a demoradamente, afagando seus cabelos e soltando-a para voltar a olhá-la.
— Por favor, vá – Anabelle Parker pediu, indicando a porta. – Prometo que conversaremos em breve.
Alex a abraçou com toda a força que havia em seu corpo. Queria ficar ali para sempre, dentro daquele abraço, com a única fatia de sanidade, o último farelo de identidade que sobrara do que era antes.
Mas teve de partir tão rápido quanto entrou, quase caindo de joelhos quando a porta do número trinta e quatro, que sempre esteve aberta para ela, se fechou.
SAMANTHA
Katherine preparava o jantar com a ajuda de Ethan enquanto Thomas estava em seu quarto. Estavam todos afogados num silêncio sepulcral quando Samantha Winter ouviu o som da porta batendo no quarto ao lado.
Seu coração saltou no peito com a perspectiva de que Alexandra estava de volta em casa. Alex chegara no dia anterior, e hoje, ao acordar e encontrar a cama da irmã vazia tão cedo, Sam cogitou a possibilidade de ter sonhado com tudo.
Mas as memórias estavam nítidas demais. Os abraços, os beijos, as palavras sussurradas. Ela estava realmente em casa.
Seus pensamentos estavam nebulosos, absolutamente dominados pela essência amadeirada de sua gêmea, embebido nos efeitos que ela lhe causava. Não era capaz de pensar em mais nada, literalmente. Nem em Annie – vulgo Belle –, ou na orquestra que estava organizando para o Natal, e menos ainda em Edward e sua necessidade constante de atenção.
Saltando de sua cama, Samantha correu pelo corredor até a porta do quarto da irmã, ensaiando antes de bater.
Alex murmurou um fraco “entre”, e a outra prontamente obedeceu, sedenta por vê-la outra vez – a verdade era que não queria perdê-la de vista nunca mais.
Ela estava acabando de se vestir, puxando a longa blusa cinza e lisa pela cintura e Sam deixou-se apreciar aqueles poucos segundos de êxtase.
Alexandra crescera quase cinco centímetros nos últimos três anos. Ela parecia mais rígida, mais ereta. Estava inegavelmente sensual com o pircing do lado esquerdo da boca, e, céus, a tatuagem sob o seio não deixara os pensamentos de Samantha por um momento sequer.
Controle-se, ela ordenou para si mesma no momento em que colocou os olhos na barriga lisa da irmã. Não estrague tudo outra vez.
— Por onde esteve? – Perguntou, sorrindo, mas seu semblante feliz derreteu ao ver os olhos inchados de Alexandra.
— Reencontrando pessoas – ela sibilou, deitando-se na cama. – Não deu muito certo.
Sem hesitar ou pensar, Samantha se aproximou, deitando-se sobre ela, abraçando-a forte, encaixando o corpo esguio no seu. Cada célula de seu ser agitou-se com o calor que aquele contato produziu.
— Você só está emocionada. Faz anos.
Ela não respondeu, mas honestamente Sam não esperava uma resposta. Só queria fazê-la sorrir. Rir. Queria ouvir aquela risada de novo, e de novo, e...
Pare, avisou a si mesma, alarmada. Pare, sua maníaca.
Mantiveram silêncio, e mesmo o som da respiração ritmada de sua gêmea era suficientemente reconfortante. Ela tinha os dedos enrolados em seus cabeços, fazendo-lhe carinho, mantendo seus corpos em constante contato.
— Sabe, nos últimos natais eu pedi ao seu leão mágico que fizesse você vir para casa – Samantha confessou, subitamente.
— Kitty? – Alex riu, fazendo com que Sam a encarasse.
— Sim. Sei que Papai Noel não existe, mas ele é real. Eu acredito.
Alexandra riu tão alto que fez a outra corar.
Sam escondeu o rosto em seu pescoço, rindo por sua própria inocência, mas absolutamente certa de suas convicções. Porém, por mais que estivesse adorando aquela risada perfeita, o peito subindo e descendo em staccato sob seu corpo, começava a irritar-se, sentindo-se ridícula.
E, como uma adulta racional, saiu daquela situação desfavorável da melhor forma conhecida: fazendo cócegas na irmã.
Alex começou a rir mais alto e mais histericamente, tentando conter-lhe as mãos ou afastá-la de algum jeito, mas a situação só agravou-se quando Samantha, desprovida de qualquer misericórdia, debruçou-se sobre a barriga lisa e rígida da irmã e começou a assoprar, provocando barulhos constrangedores e tremores na pele muito clara.
Ambas estavam vermelhas e ofegantes quando a gêmea mais jovem resolveu atender aos pedidos desesperados de ar da outra.
Sam deitou-se com o rosto no estômago de Alexandra, sentindo as subidas e descidas rítmicas daquela região. Perderem a noção do tempo ali, juntas. Voltaram a trocar carícias como antes e tudo estaria perfeito, se a porta não tivesse sido aberta sem permissão e uma figura adentrado, surpresa.
O sangue subiu ao rosto de Sam quando ela realmente percebeu do que se tratava e, a sombra de uma Alex confusa e desnorteada, teve de adiantar-se:
— Ah – delicadamente Samantha tirou o rosto da barriga da irmã, sentando-se na cama. – Ed – murmurou, fazendo um péssimo trabalho em esconder sua frustração pela interrupção. – Olá. Hm. Alex, esse é Edward, meu namorado.
Fale com o autor