Leão do Inverno
37 Livro Três — Capítulo XI
Notas iniciais

Era difícil prestar atenção na estrada quando se estava há quase quarenta horas sem dormir. O asfalto começava a congelar pelas baixas temperaturas e as luzes dos postes de energia mostravam-se fortes demais para os olhos de Samantha Winter.
Ela estava feliz, no entanto. Conseguira ingressos para o jogo entre Stoke City e Chelsea, que aconteceria dali há dois dais, e ela não se importaria por ter de dirigir até Staffordshire se isso significasse fazer Alexandra sorrir assistindo ao time para o qual torcia jogar.
Quando finalmente avistou o condomínio em que residia na Paradise Square, Samantha deixou um suspiro de alívio escapar-lhe por entre os lábios. Aquela quinta-feira representava seu quarto dia de estágio nos estúdios This Is Metropolis, onde ela estaria vivendo sua melhor experiência com a música, se a sede não ficasse em Londres, à uma hora e quinze minutos de distância de seu apartamento na Cidade de Oxford.
Dirigir 114 milhas todos os dias não lhe incomodava, de fato, mas ter de deixar Alexandra sozinha no estado em que ela se encontrava atualmente a preocupava.
Depois de seu último encontro com Anabelle Parker, na sexta-feira anterior, Sam começara a reparar no comportamento cada vez mais recluso de sua irmã. Na véspera, a pianista dera uma carona para Alex até o consultório de uma psiquiatra indicada pela Doutora Parker, mas sentira-se absurdamente culpada por não ter podido esperá-la até o fim da sessão.
Elas tampouco conversaram depois disso. Quando Samantha regressou de Londres, a gêmea mais velha estava dormindo e, naquela manhã, quando a Winter mais jovem deixou o apartamento, bem cedo, Alexandra não dava sinais de que acordaria tão logo.
Já passava da meia-noite quando Sammy finalmente entrou em casa e, quando tirou seus saltos e soltou os cabelos, ouviu o barulho do chuveiro.
Ao empurrar a porta do banheiro, encontrou a mulher que era idêntica a ela, nua, de olhos fechados, esfregando os cabelos. Sorrateiramente, sem fazer o mínimo de barulho, a musicista abriu seu vestido e deixou que ele ficasse para trás.
— Você deveria anunciar-se quando chega. Quase me assustou – Alexandra disse de forma neutra, sem abrir os olhos.
— Como você-
— Seu cheiro. Posso senti-lo mesmo sob o aroma do shampoo – a futura psicóloga explicou, enxaguando os fios castanhos.
Samantha adentrou o box, molhando-se e puxando o corpo esguio da irmã para si, entrelaçando seus dedos sob a água, sentindo o coração acelerar com o simples toque.
No momento em que Alexandra virou o rosto para ela, no entanto, Sam sentiu a felicidade súbita dar lugar a uma ansiedade desconfortável. A ponta vermelha do nariz e os olhos injetados não negavam que ela estivera chorando.
— Oh, querida, o que houve? – Segurando o rosto molhado entre as mãos, a mais jovem das gêmeas distribuiu beijos por toda a pele sardenta das bochechas.
Alex balançou a cabeça negativamente, segurando as palmas delicadas com as suas, mantendo-as em seu rosto.
Abraçando-a com força, a pianista repetiu a pergunta.
— Eu só- Eu só estou com tanto medo – a resposta veio embargada e o corpo frágil começou a tremer com os soluços. – Eu não quero perder você outra vez, mas ao menos tenho certeza de que te tenho comigo de verdade.
— Eu estou aqui – Sam afastou-se um pouco, fazendo com que seus olhares se encontrassem. – Alex, eu estou aqui e não vou a lugar nenhum.
Com um sorriso melancólico, a mais velha das Winter declarou:
— Você não entenderia.
— Tente.
— Não posso. É complicado – libertando-se do abraço, Alexandra apoiou-se na parede úmida e morna. – Eu tenho medo que isso acabe. Tenho medo de morrer outra vez.
Sam absorveu aquelas palavras e ponderou-as por um tempo num misto de náusea e tristeza. A morbidez e o receio que exalavam de sua irmã eram quase palpáveis e feriam-na verdadeiramente.
Assistir a irmã se autodestruindo e negligenciando a si mesma transformava em cacos o emocional já não tão seguro da Winter mais jovem. Ela não poderia permitir que isso se estendesse por muito mais, ou estaria perdendo, além de o amor de sua vida, a ela mesma.
— Olhe para mim – ela pediu, com firmeza na voz.
Delicadamente os dedos habilidosos da pianista correram pelo seio esquerdo de Alexandra, passando pelo mamilo intumescido e descendo para as costelas levemente salientes, correndo pelas letras em itálico gravadas na pele clara.
— O que está escrito aqui? – Sam perguntou, forçando-a a manter o contato visual.
O rosto de Alex se contorceu num careta infeliz enquanto outro soluço subia por sua garganta, mas a mais jovem das gêmeas não desistiu.
— O que está escrito, Alexandra?
— “Se- Se morrermos, morremos. Ma-mas primeiro, vivemos.” – a futura psicóloga declarou, trêmula.
— Se morrermos, morremos, Alex. Mas primeiro, vivemos – a pianista confirmou, recolhendo as lágrimas com os polegares. – Por favor, viva. Viva e viva comigo. Viva enquanto você pode. Se é um sonho ou não, ninguém jamais poderá lhe dizer, meu amor. Mas você tem o agora. Você tem o presente, aproveite-o, abrace-o, sinta-o. Mas sinta-o enquanto ele pode ser chamado de presente.
Lentamente, como se a qualquer momento a garota em seus braços pudesse quebrar, Samantha beijou-lhe o lábio inferior, depois o maxilar e rumou para a orelha.
Enquanto seus lábios beijavam aquela região, sua mão descia para o sul. As pontas de seus dedos resvalaram na pele molhada e sedosa da barriga, alcançado o umbigo e descendo mais.
— Você sente? – Sam sussurrou, resvalando os dentes pelo pescoço de Alexandra.
Embora os lábios da futura psicóloga estivessem abertos e sua respiração saísse de forma falhada e irregular, não houve resposta.
— Você sente, Alex? – Com uma devoção velada, a pianista tocou o ponto mais sensível do corpo de sua irmã e todo o apartamento foi preenchido por um gemido falhado e instável.
— S-sim!
Sorrindo, Samantha Winter se colocou de joelhos, olhando com adoração para seu reflexo enquanto lhe afastava as coxas.
Ela sentia também.
ALEXANDRA
Estava chovendo naquele sábado e mesmo com os milhares de pessoas a sua volta Alexandra Winter sentia um pouco de frio. Sua mão estava fortemente entrelaçada nos dedos de Samantha, seu corpo todo tremendo de ansiedade, quase incapaz de continuar sentado numa das inúmeras fileiras do Britannia Stadium enquanto assistia a uma das partidas do Campeonato Inglês.
O Chelsea ganhava a partida contra o Stoke City por conta da gol marcado pelo zagueiro Terry aos 2 minutos do primeiro tempo. O outro time vinha reagindo à altura desde então, e quem sofria a cada chute para gol era Sam, pois sua irmã apertava sua mão em desespero.
Quando um atacante do Stoke furou a defesa, Alexandra e outros torcedores vestidos completamente de azul levantaram-se. A mais velha das gêmeas Winter enfiou parte do cachecol na boca, mordendo-o com força, com o coração disparado enquanto via o avanço do time adversário.
Felizmente o jogador foi interceptado pela marcação e o rebote foi imediato. Aos 33 minutos do segundo tempo, Oscar arrancou para o lado oposto do campo e em um maravilhoso passe permitiu que Fàbregas marcasse o gol que confirmaria a vitória.
Gritando de empolgação, com o coração explodindo dentro do peito, pulando e finalmente virando-se para Samantha, que parecia surpresa e um pouco perdida, Alex riu como há mais de uma vida não fazia.
— Foi nosso time quem marcou? – A pianista perguntou, mas Alexandra não respondeu.
Ela estava tão feliz, sentindo-se tão viva, tão incrivelmente presente, que simplesmente agarrou a irmã mais nova pela cintura e, entre os gritos e assovios da torcida azulada, beijou-a de forma apaixonada, sem ater-se ao cenário a sua volta.
AINDA QUE AS pílulas para ansiedade tivessem lhe deixado um tanto sonolenta, Alexandra Winter passou todo o caminho de volta à Cidade de Oxford cantando músicas dos anos 2000 com a irmã, rindo de coisas bobas, relembrando cenas da infância.
Ela continuava acordando no meio da noite com medo de que estivesse enterrada, ou achando que jamais tornaria a ver Samantha, mas nos últimos dois dias o mundo aparentava ter uma perspectiva mais suave. As palavras se tornaram suas melhores amigas e ela conseguia deixar parte da dor esvair-se através de tudo o que vinha escrevendo.
A frase tatuada em seu corpo parecia finalmente fazer sentido e o medo era gradativamente suprimido – encoberto – pela felicidade abrasadora e súbita.
— Nós podemos pedir pizza, o que acha? – Samantha riu, adentrando o apartamento com Alexandra em seu encalço.
— Certo – a mais velha das gêmeas assentiu, livrando-se do cachecol. – Prepare nosso banho enquanto eu faço o pedido.
Batendo palminhas e roubando-lhe um selinho delicado, Samantha embrenhou-se pelos cômodos, deixando uma Alexandra sorridente parada na sala-de-estar, ainda provando da sensação de calor onde seus lábios tinham estado momentos antes.
Ela jogou-se no sofá e retirou o celular no bolso, percebendo só então que ele estava tocando, silenciado pela pequena alavanca lateral.
— Hey, Tommy – Alex atendeu, ainda rindo.
“Porra, Alexandra, por que você tem um celular se não o deixa ligado?” A voz urgente do garoto fez o sorriso no rosto de sua irmã mais velha morrer aos poucos.
— Algo aconteceu? – Sentindo um mau-pressentimento erguer-se em seu íntimo e seu estômago dar uma volta em resposta, a futura psicóloga perguntou.
“Sim. Algo aconteceu. Vocês foram ao jogo do Chelsea hoje?” Ele estava sussurrando e sua voz oscilava. “Por favor, diga que não.”
— Sim, nós fomos. Por quê?
“Merda, merda, merda!” O garoto praguejou do outro lado da linha, fazendo a morena morder com força o lábio.
Ela tinha absoluta certeza do que se tratava, mas ainda assim perguntou:
— Thomas, o que houve?
“Só não atenda se a mamãe ligar. Por favor, Alex, não atenda.”
Naquele mesmo instante a porta do quarto se abriu e uma pálida Samantha esgueirou-se para fora, vestindo apenas as roupas íntimas e com o celular entre os dedos visivelmente trêmulos.
— Mamãe ligou. Ela quer nos ver agora – a pianista murmurou, parecendo atordoada.
Alexandra não tinha mais o telefone colado à orelha, mas ainda assim ouviu com perfeição quando seu irmão disse, do outro lado da linha, “Ela sabe.”
KATHERINE
Seu corpo ainda tremia e ela não sabia se algum dia tornaria a ficar estável. Katherine MacIntyre olhava para a tela rachada de seu celular – que ela própria destruíra no assomo de raiva que tivera momentos antes – e se perguntava o porquê de tudo aquilo estar acontecendo justamente com ela.
Quando pequena, Katherine ia com a mãe a todas as missas de domingo. Ela fizera sua Primeira Eucaristia aos dez anos e desde então contribuía todos os meses, sem exceção, com o dízimo. Ela se confessava sempre, participava da pastoral da criança e decorava a igreja de graça em todas as festas. Não comia carne vermelha na quaresma e no Natal montava o presépio mais bonito da Arkwright Road.
Ela era um exemplo de cristão.
E, no entanto, tudo o que vinha recebendo em troca eram provações e perdas.
Ela orava todos os dias antes de dormir e depois de acordar. Ainda assim seu filho, seu garotinho, estava namorando uma drogada. Seu marido, o homem que mais amara no mundo, com quem jurara passar o resto da vida e amar independente das adversidades, lhe traíra com uma qualquer e, depois do divórcio, criava o filho que ela deixara. Sua filha mais velha esforçava-se para ser uma aberração, relacionando-se com mulheres e...
O estômago de Kate revirou outra vez e para calá-lo ela sorveu apressadamente os últimos goles de seu whisky. O líquido âmbar desceu queimando por sua garganta e as lágrimas fizeram o mesmo, despencando de seus olhos e arrastando-se pelas bochechas.
A mensagem de Meredith Windsor ainda rebombava em sua mente.
“Não sei se você está ciente das coisas que suas filhas andam fazendo agora que estão na faculdade, mas esse tipo de comportamento não é normal. Converse com o pároco antes de tornar a aparecer no Clube da Liturgia. E reze por elas.”
Katherine poderia recitar a mensagem sem olhá-la. Ela continuaria vendo a imagem que viera anexada ao recado polido mesmo de olhos fechados.
Elas estavam se beijando. Não de forma terna ou fraterna. Não de forma normal.
Suas menininhas, suas filhas que foram geradas juntas e vieram a este mundo por meio dela estavam beijando-se da forma mais carnal e cheia de luxúria que poderia ser possível.
Puxando seus cabelos com força, Kate, que não conseguia mais acompanhar o andamento dos acontecimentos, tornou a sucumbir em outra crise de choro, desejando que o Deus que vinha servindo sua vida inteira pudesse se compadecer dela pelo menos um pouco.
— Mãe, por favor – Thomas tirou o celular quebrado de sua mão, afastando dela também o copo vazio. – Acalme-se.
— Por que ela fez isso? – Katherine choramingou, olhando para o garoto. – Por que ela é assim? O que eu fiz para que ela fosse dessa forma?
MacIntyre levantou-se, esfregando o rosto, tirando as lágrimas das bochechas e esforçando-se para que sua mente ficasse um pouco mais clara.
Ela tentava. Desde muito cedo ela tentava entender Alexandra e suas manias, embora soubesse que muitas das coisas erradas que sua primogênita fazia eram apenas para afrontá-la.
Kate estava se esforçando tanto para que a relação delas pudesse se acertar. A viagem para a Áustria fora tão boa, mas parecia que a razão de viver de sua filha mais velha era destruir sua felicidade. Era provocar-lhe raiva e asco.
E agora ela envolvera Sam naquilo tudo. Ela corrompera, conspurcara sua princesa perfeita.
O nojo que sentia era inexplicável, inconcebível.
Katherine queria morrer. Queria que Alexandra morresse.
— Não, mãe – Tom tentava acalmá-la, mas ela não queria ouvir nada daquilo. – Você precisa dar uma chan-
Ele parou o que estava dizendo no momento em que duas silhuetas mal iluminadas adentraram o escritório, juntas, de mãos entrelaçadas.
Kate deixou que seus olhos vagassem pelos rostos idênticos. As lágrimas que corriam por eles lembravam-lhe dos inúmeros choros que já assistira; das garotinhas correndo pela casa, brincando juntas.
Agora a brincadeira entre elas é outra. Algo sussurrou em sua mente e a decoradora jurou que vomitaria naquele instante.
— Mamãe- – Samantha tentou começar, mas Katherine não se sentia apita a ouvir o que ela tinha a dizer.
— Eu vou perguntar apenas uma vez e eu quero que me respondam diretamente.
MacIntyre encarou as filhas nos olhos. Não havia necessidade de introduzir o assunto, e mesmo se houvesse ela não conseguiria fazê-lo. Thomas tentou dizer algo, mas, ignorando-o e tomando posse outra vez do celular, Katherine estendeu o aparelho para as gêmeas.
O rosto de Sam se contorceu e o choro dela tornou-se mais histérico. Ela cobriu o rosto, talvez envergonhada demais para mostrá-lo. Alexandra, por outro lado, não se alterou. Ela estava chorando e continuou a chorar, mas não parecia ter sido de todo abalada.
— Isso foi um caso isolado?
— Nós não planejamos nad-
— EU NÃO PERGUNTEI SE VOCÊS PLANEJARAM ALGO, ALEXANDRA! – Katherine girou, sentindo Thomas contê-la, puxando-a pela cintura antes que ela estivesse próxima o suficiente da gêmea mais velha.
— Mamãe, por favor, deixe-nos explicar – Sam pediu. – Você precisa entender que não tivemos culpa. Não queríamos nada disso. Só aconteceu. Isso- Nós- É complicado-
— Desde quando? – Com Tom ainda lhe contendo por trás, Kate perguntou, tentando manter sua voz inteligível o suficiente apesar do ódio e do nojo subindo em forma de bile por sua garganta.
— Eu fui para Berlim com o papai porque não poderia mais viver ao lado dela, amando-a da forma como eu amava – Alex respondeu, baixo, sem coragem de encarar a mãe diretamente. – Mas quando eu voltei, nós- No réveillon, nós-
— Eu assumi o que estava sentindo – Samantha declarou, e a decoradora sentiu seu coração se dilacerar. Alex tinha realmente lhe corrompido.
Tapando os ouvidos, virando-se de costas para elas, encolhendo-se em seu choro, sendo consumida pela dor, pela desilusão e pelo desespero, Katherine gritou, sentindo sua alma ser rasgada em duas, seu mundo desintegrar-se sob o peso daquelas verdades imundas.
— Nós não tínhamos- – Alex retomou, colocando a mão sobre o ombro da mãe.
O toque fez cada célula do corpo de Kate arder em repulsa. Ela empurrou Alexandra para longe, sentindo outra vez Thomas intervir e puxá-la para longe.
— Não fale comigo! Eu tenho nojo de você! – Enquanto lutava para alcançá-la, debatendo-se nos braços de Tom, Katherine cuspia, literalmente. – A culpa é sua!
— Mamãe, pare! – Samantha implorou, protegendo o corpo da irmã com o seu próprio. – Não é culpa dela! Eu também quis isso! Nós nos amamos!
As palavras acertaram Katherine de uma forma tão ríspida que ela ficou sem ar até mesmo para gritar. Seu corpo parecia revestido com chumbo agora. Seus olhos corriam de Samantha para Alexandra, tentando entender o que dera errado com elas e o motivo pelo qual estavam fazendo isso.
— Não – a decoradora sibilou, sentindo os joelhos cederem e seu corpo escorregar do abraço de Thomas para o chão. – Não. Não!
— Mamãe – Sam adiantou-se para ela, mas apenas esse pequeno gesto fez a náusea se intensificar dentro de MacIntyre.
— Não me chame assim! – Sem forças para colocar-se de pé outra vez, mas disposta a gritar como se sua vida dependesse disso, Katherine exclamou. – Nunca mais me chame assim!
— Mamãe, por favor-
— Saia! – Kate exclamou, olhando-as de baixo, as unhas arranhando o carpete com força o suficiente para descolarem da carne dos dedos. – Vá embora!
— Mam-
— VÁ EMBORA! – O gosto de sangue começava a tomar sua garganta, mas Kate continuava gritando enquanto assistia Thomas ajudar Alexandra a levar Samantha para fora. – VÁ EMBORA DAQUI!
O que eu fiz de errado? Era tudo o que Katherine Winter conseguia pensar enquanto chorava, caída no chão do escritório de sua casa na Arkwright Road.
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