Laços improváveis de olhares sem cor
1 Prólogo
Ela vem correndo ao longe com sua mochila chacoalhando a ponto de cair de seus ombros, gritando a plenos pulmões "SAI DA FRENTEEEE!!!"— Os cadarços desamarrados a faziam correr de uma forma meio desengonçada mas logo ela chegou ao seu destino.
Num banco em uma praça ela se sentou, colocando sua mochila de lado e levando os pés até o assento do banco para amarrar os cadarços. Por ali passavam centenas de pessoas todos os dias, mas aos fins de tarde esse movimento diminuía, o que tornava o lugar bem agradável para se passar um tempo...Mesmo assim a garota olhava para os lados como se estivesse esperando algo, até que alguém familiar passa por aquele lugar, olhando fixamente pra frente.
Rapidamente ela tira um bloco de notas e começa a escrever:
"Diário da missão:
Essa é a 183ª vez que eu cruzo caminhos com ele e toda vez é sempre a mesma coisa, até parece que é um robô.
E o que tem naquele moletom?! Todos os dias usando aquilo, será que ele não lava!?
Além do mais, ele sempre parece com pressa...sempre olhando pra frente.
Mas...Aquela expressão...Eu não diria que é triste, é só...Não sei mas tá me matando de curiosidade!"
É um novo dia, as coisas definitivamente vão melhorar. — era o que ele pensava até aquela tarde, quando seu chefe o chamou com uma expressão não muito amigável.
— Vá embora e nunca mais ponha os pés aqui seu inútil! — Essas palavras ressoavam em sua mente quando saía da sala e seguia para o elevador.
Durante o caminho de volta pra casa, passando pela praça ele se senta num banco, ao lado de uma árvore que fazia sombra sobre sua cabeça enquanto o vento soprava levemente.
Ele tira uma garrafa d'água da mochila, dá um gole e para pra observar as pessoas em volta, toda aquela gente indo e vindo chegava a dar náuseas mas pouco a pouco o lugar ia ficando mais tranquilo — Talvez o fato de que eu não devia estar aqui a essa hora explique o porquê de tanta gente... — pensou enquanto tomava mais um gole de água.
Estava ficando tarde e o sol começava a se pôr e lá estava ele, ainda sentado no mesmo lugar olhando fixamente o nada, perdido nos próprios pensamentos quando uma garota senta ao seu lado, seu rosto estava encharcado de suor e suas bochechas estavam coradas; ela carregava uma bolsa da qual tira uma toalha de rosto para se secar e enquanto fazia isso ouviu uma voz dizendo "Dia cheio, huh? ".
— Pois é, heheh... — A garota responde tirando a toalha do rosto e vê o garoto lhe entregando a garrafa d'água que já estava pela metade. Ela estava tão cansada que nem sequer tinha reparado que havia alguém sentado naquele banco também.
O garoto então levanta e começa a caminhar para casa e ao ver a expressão dele, ela se toca que aquele era o cara com quem cruzava caminho tantas vezes.
Imediatamente ela deu um pulo do banco e tentou chamá-lo mas ele não dava ouvidos.
— Como é que você começa uma conversa e vai embora?! — A garota gritou enquanto ia em direção a ele quando acabou tropeçando nos cadarços e soltando a garrafa d'água que molhou o moletom do garoto.
— Ai, me desculpa... — Ela dizia ainda no chão.
Ele a ajudou a se levantar mas ao ver que algumas pessoas agora estavam encarando os dois, se fechou novamente, apenas respondendo "Tá tudo bem" e seguindo o caminho de volta pra casa.
Fale com o autor