Laços de amor

56 Capítulo Bônus 3 - A vida de Tommy e Sofia


Laços de amor

Los Angeles

Sofia

Minha cabeça ia explodir e a culpa era daquele residente idiota e G.O.S.T.O.S.O que não parava de me encarar.

Eu gostaria muito que Adam Jones sumisse e que minha vida voltasse ao normal.

Mas, depois da briga que Tommy e eu tivemos ontem, duvido que alguma coisa pudesse ser normal outra vez, mesmo que meu ex-namorado voltasse para o buraco de onde saiu.

― Você está com uma cara péssima. ― Nick comentou, enquanto passávamos as visitas da manhã e eu suspirei, desviando minha atenção do prontuário que eu lia.

― Eu me sinto péssima. Quase não dormi essa noite.

― Sexo? ― Ela perguntou de forma maliciosa e eu fiz uma careta.

Quem me dera!

― Briga. ― Eu respondi e Nick me olhou com pena.

― Sério? E o motivo é o ex-namorado bonitão que não para de te olhar? ― Eu suspirei, olhando rapidamente para Adam que atendia um paciente idoso na emergência.

― É. Tommy é meio irracional quando está com ciúmes. ― Ela riu.

― Olha, Sofia, até eu seria irracional sabendo que o ex-namorado da minha namorada é lindo e fofo como o doutor Adam Jones. Dá um desconto para o Tommy. Ele deve apenas estar se sentindo inseguro. ― Eu bufei.

É. Tommy estava se sentindo extremamente inseguro com a chegada de Adam e, sua infantilidade quando o assunto era minha vida amorosa no tempo em que ficamos separados, fez com que ontem tivéssemos uma das piores brigas das nossas vidas.

― Por que você não me contou, Sofia? Por que escondeu de mim que Adam está em Los Angeles e que vai trabalhar com você? ― Tommy me perguntou puto quando já estávamos no carro e eu respirei fundo, me preparando psicologicamente para o embate.

― Porque eu sabia que você ia surtar. ― Respondi calmamente e ele socou o volante com força, o que me fez pular e o encarar assustada.

― É claro que eu iria surtar. Aquele imbecil veio da puta que pariu para ficar perto de você. Não tem como me sentir bem com isso. ― Revirei os olhos.

― Adam veio para trabalhar com a Dra. Cooper, Tommy. Nossa história já acabou. Então, você não tem com o que se preocupar. ― Ele riu.

― Ele é a porra do seu ex-namorado, Sofia. Como eu não vou me preocupar?

― Você não confia em mim? ― Eu perguntei magoada depois de alguns segundos e ele suspirou.

― Confio. Claro que confio. Mas, como você se sentiria se a Melissa viesse para Los Angeles trabalhar no mesmo escritório que eu?

A menção de Melissa fez com que toda a tensão acumulada desde a chegada de Adam borbulhasse em minhas veias.

As lembranças de tudo o que eu sofri por causa dela e da sua obsessão pelo meu namorado evocava o pior em mim.

― Você sabe que é diferente. ― Eu falei brava e ele riu.

― Diferente porque? Ela também é minha ex-namorada. ― Eu respirei fundo e me virei no banco para encará-lo.

― Melissa é o motivo de você ter terminado comigo para “curtir a vida”, Antony. Adam só é meu ex-namorado por causa da vadia da sua ex, que se esforçou para convencê-lo de que eu não era boa o bastante para ser a única na sua vida. Eu nunca tive a intenção de ter outras experiências, porque eu te amava e estar com você era suficiente. Mas, você terminou comigo e outros caras aconteceram na minha vida. Adam aconteceu e não tem como mudar isso. Aliás, eu não quero mudar nada. Meu passado faz parte de quem eu sou hoje. Adam Jones foi meu namorado, está aqui agora e vai trabalhar comigo. Quanto antes você se conformar, melhor.

Tommy bufou irritado após o meu discurso, mas ficou em silêncio, perdido em pensamentos e concentrado no trânsito caótico de Los Angeles. Eu, por outro lado, virei o rosto para que ele não visse as lágrimas que teimavam em queimar meus olhos.

― Você era apaixonada por ele. ― Tommy falou depois de alguns minutos e eu suspirei.

― Era. Mas, não sou mais. Fim de papo. ― Ele bufou.

― É difícil para mim saber que vai estar ao lado de um cara por quem foi apaixonada durante todo o dia. Porra, Sofia, vocês moraram juntos em Londres. ― Eu o encarei surpresa.

― Como sabe disso? ― Perguntei, pois eu nunca havia falado com Tommy do período em que passei em Londres com Adam.

― Meu pai pegou vocês juntos na primeira vez que ele e a mamãe foram visitá-la. E ele fez questão de me dizer, pois adorava me torturar e esfregar na minha cara o quanto eu havia sido estúpido em terminar nosso namoro.

Ai que ótimo!

Por que meus pais tinham que ser tão indiscretos?

― O que Adam e eu vivemos ficou no passado. Supere isso. ― Eu falei e Tommy bufou.

― Impossível. Odeio aquele cara.

― Então, nós temos um sério problema, Tommy, pois Adam é residente no mesmo hospital que eu e isso não vai mudar apenas porque você não gosta dele.

― Você podia trocar de hospital. ― Ele falou enquanto estacionava o carro em nossa garagem e eu ri, porque só podia ser uma piada. ― É sério. Poderíamos voltar pra Boston. Tenho certeza de que minha avó adoraria ser sua monitora.

― Eu não vou trocar de programa de residência só porque você está inseguro, Tommy.

― Você poderia trocar de hospital porque me ama. ― Eu respirei fundo e o encarei.

― Eu amo, mas não vou mudar minha vida por sua causa. Eu continuarei no mesmo hospital, trabalhando com Adam. E essa é minha palavra final. Não adianta insistir. ― Eu declarei, subindo direto para nosso quarto e Tommy não me seguiu.

Não sei dizer onde ele dormiu ou se dormiu, porque eu chorei quase a noite toda.

E agora estava parecendo um zumbi, com dor de cabeça, olheiras e extremamente irritada, sem saber se eu ainda tinha um namorado ou o que ia fazer com a droga da minha vida.

― Sofia, gostaria que me acompanhasse em um procedimento hoje. Você e o Dr. Jones. Quero ver como vocês trabalham juntos. ― A Dra. Cooper falou, depois que terminamos de passar as visitas e eu assenti.

O que poderia fazer? Me negar a trabalhar com a minha chefe? Dizer que eu me negava a dividir uma sala de cirurgia com o meu ex-namorado porque o meu namorado estava surtando de ciúme com essa situação?

Bufei.

Óbvio que não.

Suzana Cooper era a lei naquele lugar e se ela queria me confinar numa sala de cirurgia com Adam eu não podia fazer mais nada ao não ser obedecer.

Assim, me vi presa em um procedimento de doze horas com Adam Jones e Suzana Cooper, que não parava de especular sobre nossa rotina e experiências em Boston e sobre o período que passamos juntos em Londres.

― Fomos selecionados por causa de um projeto de Anatomia e passamos seis meses em Oxford, desenvolvendo nossa técnica. ― Adam explicou orgulhoso e eu revirei os olhos, reação que não passou desapercebida a Suzana.

― Algum problema, Sofia? ― Eu corei e sorri sem graça, mesmo sabendo que ela não podia ver, já que eu estava de máscara.

― Não. Nenhum.

― Não gostou do período em que passou em Londres? ― Ela me perguntou interessada e eu suspirei, evitando o olhar de Adam.

― Foi um período muito rico, Dra. Cooper. Aprendi muito em Oxford.

― E como era a convivência de vocês? ― Eu corei com a pergunta e percebi que Adam sorria. Filho da puta!

― Foi muito boa, Dra. Cooper. Não sei se você sabe, mas Sofia e eu namoramos durante o período em que estivemos em Londres. ― Adam falou e Suzana me lançou um olhar surpreso.

― Pensei que você e Tommy nunca tivesse se separado. ― Ela comentou e eu respirei fundo. Lá vamos nós de novo!

― Nós terminamos e ficamos separados por dois anos. Nesse período, Adam e eu fomos para Londres e acabamos nos namorando por um tempo.

― Sei. E o término foi tranquilo? Pergunto, pois não quero drama pelos corredores do meu hospital. ― Suzana falou de forma desconfiada e Adam e eu trocamos um olhar.

Sim. O término havia sido tranquilo, pelo menos da minha parte. Mas, aí, Adam resolveu vir para Los Angeles, Deus sabe por que, roubar minha paz e desestruturar minha relação.

Talvez, para ele, o término do nosso namoro não tivesse sido tão tranquilo assim.

― Da minha parte está tudo resolvido, Suzana. ― Eu declarei confiante e Adam ergueu as sobrancelhas, parecendo em dúvida com a minha afirmação.

― Dr. Jones? ― Suzana perguntou e ele suspirou.

― Da minha parte também está tudo certo, Dra. Cooper. Embora eu ainda seja apaixonado por ela. ― Adam sussurrou a última parte, para que apenas um pudesse ouvir e eu prendi a respiração, olhando-o fixamente por alguns segundos, antes de voltar minha atenção para a cirurgia e para os procedimentos que a Dra. Cooper tentava nos ensinar.

Embora eu ainda seja apaixonada por ela.

Meu Deus!

O que eu ia fazer?

Nada, Sofia, porque você não é apaixonada por ele. Você ama seu namorado, Tommy, e é com ele que vai se casar e ter filhos um dia.

Era no que eu queria acreditar, mas o que eu ia fazer com o ciúme de Tommy? Como resolveríamos nossa briga se ele queria que eu saísse do hospital? E como eu conviveria numa boa com Adam sabendo que ele ainda era apaixonado por mim?

Puta merda!

Por que minha vida tinha que ser tão complicada?

***********

― Sofia, posso falar com você? ― Adam me perguntou assim que deixamos o centro cirúrgico e eu lancei a ele um olhar irritado.

― Não. Me deixa em paz. ― Falei, pisando duro em direção ao vestiário e ele veio atrás de mim.

― Você disse que poderíamos ser amigos, lembra? Até apertou minha mão. ― Eu revirei os olhos.

― Disse. Mas, isso foi antes de você ficar de graça na frente da chefe da cirurgia.

― Não é graça. Eu fui sincero, oras. O que prefere? Que mintam pra você? ― Eu respirei fundo e me virei para encará-lo.

― Eu preferia que você não tivesse vindo para Los Angeles, Adam, porque eu não quero te fazer sofrer. Eu amo o Tommy e isso não vai mudar só porque você está aqui agora. ― Ele bufou.

― Eu sei que não vai mudar, mas gosto de ser sincero. Eu vim para Los Angeles a fim de trabalhar com a Dra. Cooper, mas saber que eu estaria novamente perto de você também me animou. ― Eu revirei os olhos.

― Por que? Você sabe que eu namoro e que amo Tommy.

― Ele já te magoou uma vez. Quais garantias eu tinha de que ele não o faria outra vez? ― Eu estreitei os olhos em sua direção.

― Você queria que Tommy me magoasse de novo?

― Não. Claro que não. Mas, ele poderia tê-lo feito, não é? Afinal, ele já terminou com você uma vez para curtir a vida. ― Eu respirei fundo, contendo a vontade de socá-lo.

― Vai pro inferno, Adam. Tommy e eu estamos muito bem. ― Ele riu.

― É? E por que você está com cara de quem não dormiu e chorou quase a noite toda?

― Porque a sua chegada fez com que Tommy pirasse.

― Seu namorado não sabe lidar com um pouco de concorrência? ― Eu o olhei irritada.

― Não há concorrência, Adam. Eu não quero nada com ninguém além do meu namorado. Então, me deixe em paz! ― Eu pedi e segui para o banheiro, deixando-o para trás.

Tomei um banho e já estava pronta para vir para casa quando Anny e Nicolly apareceram, tentando me convencer a ir para um bar.

― Eu estou exausta, gente. Tudo o que eu quero é dormir.

― Deixa de ser velha, Sofia. Já faz uma semana que estamos encarando plantões intermináveis e casos escabrosos. Precisamos de álcool, petiscos, música alta e homens gatos. ― Nick falou e eu fiz uma careta, mas sabia que ela tinha razão.

Minha semana tinha sido horrível e eu precisava mesmo me distrair.

Assim, fui para o bar com as meninas e não me dei ao trabalho de avisar ninguém. Quer dizer, falei para minha mãe, pois não queria que ela se preocupasse. Mas, não avisei Tommy, pois o cretino não havia me mandado nem sequer uma mensagem de oi naquele dia.

― Cerveja? ― Anny me perguntou, assim que nos sentamos no balcão de um bar que ficava em frente ao hospital, e eu neguei com um gesto de cabeça.

― Vodka. Dose dupla. ― Eu declarei e ela me olhou espantada.

― Sério? Então, tá... Vodka para todas, então. ― Ela falou divertida e quando nossos drinks chegaram, eu nem esperei pelo brinde. Tomei de uma vez, sentindo o líquido queimar minha garganta.

― Acredito que Tommy e você ainda não tenham feito as pazes. ― Nicolly comentou, me olhando divertida e eu neguei com um gesto de cabeça.

― Vocês brigaram? Por que? Por causa do residente novo? ― Foi a vez de Anny perguntar e eu respirei fundo, fazendo um gesto para o barman encher meu copo outra vez.

― Tommy é um idiota. ― Eu declarei brava, virando minha bebida outra vez e já sentindo minha cabeça rodar.

― E Adam? Ele é um idiota? Porque eu estou muito interessada nele. ― Anny falou animada e eu revirei os olhos.

― Nem vem, Anny. Eu vi primeiro. ― Nick protestou e eu bufei.

Adam nem era tão G.O.S.T.O.S.O assim para que todas as mulheres do hospital estivessem arrancando as calcinhas pela cabeça.

― Pensei que você fosse lésbica, Nicolly. ― Anny provocou e Nick riu, piscando pra nós.

― Eu sou bi, Anny e, no momento, estou muito interessada em ter Adam Jones e seu corpo fabuloso na minha cama. Então, se afasta, porque eu vi primeiro.

― Ele é bom de cama, Sofia? ― Anny me perguntou animada e eu sorri, enquanto bebericava meu terceiro copo de Vodka.

― Eu não lembro. ― Menti e ela revirou os olhos.

― Claro que lembra. Então, trate de nos dizer se vale a pena tanta disputa para transar com ele.

― É, Soso. Eu também estou curiosa para saber como é o desempenho de Adam Jones na cama. ― Nick falou e eu bufei.

Elas não iam desistir. Então, eu resolvi ser sincera.

Quer dizer, eu não e sim o monstro interior que vivia em mim e que o álcool libertava, às vezes, uma vez que, sóbria, eu jamais falaria do desempenho sexual de Adam para ninguém além da minha mãe.

― Ele é magnífico. Sabe muito bem o que fazer na cama. Vale a pena o investimento. ― Eu falei de forma meio enrolada e elas riram, batendo palmas animadas e começando uma conversa ridícula de como elas fariam para ter o novo residente entre os lençóis.

Como não queria ouvir nada a respeito daquilo –aliás, que nojo! –, me desliguei de qualquer conversa e me concentrei na minha bebida.

Eu não me lembro muito bem o que aconteceu depois da minha quarta dose. Tudo que sei é que eu dancei – espero que não nua em cima do balcão do bar –, ri e me diverti como há muito tempo não fazia.

E, no outro dia, acordei na minha cama, com uma dor de cabeça terrível e com o gosto de pano velho na boca.

Abri meus olhos lentamente e me deparei com um copo de água e comprimidos, que deviam ser para amenizar a ressaca mortal que tomava conta de mim naquele momento.

Tentei me sentar com dificuldade e quando consegui notei que estava nua sob as cobertas. Estava fedida também, exalando álcool.

― Merda! ― Resmunguei e, depois de tomar os remédios e a água, me deitei novamente.

“Morte, pode vir. Você é bem-vinda nesse momento”. ― Pensei, sentindo meu cérebro derreter.

Maldita seja toda a Vodka que eu tomei na noite anterior!

― Bom dia, Soso. Como está se sentindo? ― Mia entrou no quarto de repente e eu gemi, querendo desesperadamente que ela respeitasse minha ressaca e falasse mais baixo.

― Shiii... ― Eu sussurrei e ela riu.

― Ressaca? ― Mia perguntou ironicamente e eu levantei o dedo do meio, o que a fez rir. ― É serio... Preciso saber como você está.

― Melhor do que eu mereço. O que não significa muito. Estou uma merda. A sensação é de quase morte. ― Sussurrei, mantendo os olhos fechados, pois a claridade estava me incomodando.

― Você vai preferir mesmo estar morta quando meu irmão vir aqui para conversar com você. Ele está furioso! ― Mia declarou divertida e eu abri os olhos, encarando-a preocupada.

― O que? Por que?

― Como por que? Por causa do que aconteceu ontem. ― Eu prendi a respiração.

Que merda eu havia feito?

― E o que aconteceu ontem? ― Perguntei suando frio e Mia riu.

― Você não se lembra como chegou aqui? ― Ela perguntou e meu coração falhou uma batida.

― Não me lembro de nada que aconteceu depois da minha quarta dose de Vodka. Mas, imagino que as meninas tenham me trazido. ― Eu falei baixinho, tentando conter a ânsia que eu sentia e Mia riu outra vez, negando com um gesto de cabeça. ― Fala logo o que aconteceu, Mia. Quem me trouxe para casa?

― Adam Jones. ― Ela declarou e eu arregalei os olhos, me sentando na cama rapidamente, o que fez minha cabeça girar e meu estômago protestar.

E é claro que tudo o que estava no meu estômago foi parar no tapete do meu quarto, bem no momento que Tommy abriu a porta e me lançou um olhar mortal.

Puta que pariu!

Eu estava tão ferrada.

Notas finais
Esses são os que eu tinha prontos. Assim que escrever outros postarei aqui. Espero que tenham gostado. Beijos!