Laços de amor

76 Capítulo Bônus 22: A vida de Tommy e Sofia


Laços de amor

Los Angeles

Tommy

Tinha alguma coisa errada com a minha namorada e minha mãe simplesmente não queria me dizer o que era. E isso me irritava e muito.

Afinal, eu, Antony Denali Cullen, era o namorado da Sofia. Bella era a mãe, claro, mas eu era a porra do namorado. Eu devia ter os meus direitos, não é?

Mas, aparentemente eu não tinha nenhum e agora estava ali, andando de um lado para o outro e me perguntando quando eu finalmente saberia o que tinha de errado com a minha princesa.

Bufei pela milésima vez desde que fui mandado para a sala com o resto da minha família e meu pai me olhou divertido.

— Tantas caretas assim vão te deixar com rugas antes da hora, Tommy. — Ele comentou calmamente e eu revirei os olhos, me sentando ao seu lado, não querendo falar de rugas àquela hora. O episódio dos cabelos brancos ainda me causava arrepios.

— Sofia está estranha há semanas. Vomita sem parar, chora do nada, se irrita por pouca coisa, quer dormir o tempo todo e teve uma dor de barriga, seguida de um desmaio. Eu estou preocupado e a mamãe não podia ter me expulsado daquele quarto, pois eu tenho todo o direito de saber o que há de errado com a minha namorada. ― Eu declarei irritado e meu pai sorriu de leve, voltando a ler o seu jornal, o que me deixou mais puto ainda.

Por que ele não estava preocupado? Afinal, Sofia era claramente sua filha favorita e estava doente. Portanto, Edward Cullen também devia estar arrancando os cabelos, caramba!

― A mamãe só faz o que ela quer, Tommy, pois ela manda nessa casa e em todos nós. É assim desde que ela chegou em nossas vidas e você já devia estar acostumado. ― Mia comentou divertida não tirando os olhos do celular e eu fiz uma careta, porque ela tinha toda a razão.

Isabella Swan seguia suas próprias regras e vontades e ninguém poderia ir contra isso, porque ela simplesmente passaria por cima de quem tentasse como um compressor poderoso.

― Sua mãe nos expulsou porque queria ter um momento a sós com a filha que, aliás, não tem nada grave. Então, fique tranquilo, Tommy. ― Meu pai falou ainda de maneira irritantemente calma e eu o encarei.

― Você sabe o que Sofia tem?

Ele sorriu. Ele sorriu!

― Eu desconfio.

― E o que é? ― Perguntei ansioso e meu pai balançou a cabeça.

― Não vou dizer.

O que?

― Pai! Minha namorada desmaiou e eu não sei o motivo, o que está me fazendo pirar. Se o senhor sabe de algo, por favor me diga.

― Sofia desmaiou de susto, Tommy. Ela não está doente. ― Elena declarou, deixando de lado seu exemplar de Orgulho e Preconceito – o mesmo que um dia havia pertencido à Bella, à Sofia e à Mia — e eu a olhei desconfiado.

― Como assim desmaiou de susto? Aliás, o que você estava fazendo com ela dentro do banheiro?

Aquela era uma pergunta que estava entalada em mim desde que Elena começou a gritar por ajuda, dizendo que Sofia havia desmaiado. Eu estivera na porta do banheiro há poucos minutos e minha namorada me expulsara, dizendo que estava com dor de barriga. Tudo isso para pouco tempo depois eu descobrir que Elena estava dentro do banheiro também?

Aquilo não fazia o menor sentido na minha cabeça.

Mas, era óbvio que sendo a cópia perfeita de Isabella Swan, com uma mistura petulante de Mia Cullen, Elena não me diria nada, porque assim como nossa mãe, minha irmã caçula adorava me torturar.

― Se a Sofia que é sua namorada não te disse, não sou eu que direi. Minha boca é um túmulo, maninho. Mas, já adianto que não é nada ruim. ― Elena declarou tranquilamente, voltando para seu livro e eu bufei, me sentindo extremamente frustrado com toda minha família.

― Vocês me irritam, sabia? ― Eu resmunguei e eles riram.

Claro que eles riram, pois eu e minha preocupação éramos a piada do momento.

Ridículos!

― Ben, traga um copo de água para o seu irmão, por favor. Ele está precisando se acalmar. ― Meu pai pediu ao pequeno Benjamin, que saiu correndo da sala, parecendo muito satisfeito em poder ajudar.

Eu quase gritei para ele me trazer um uísque, mas não podia pedir a uma criança que me servisse bebida alcoólica. O que era uma pena, pois o uísque me acalmaria bem mais.

― Estar com a Sofia é que vai me acalmar. ― Eu resmunguei e meu pai revirou os olhos, mas não fez nenhum comentário engraçadinho, o que eu agradeci.

Benjamin voltou minutos depois me trazendo um copo de água e uma barra de chocolate, o que me fez encará-lo curioso.

― Açúcar acalma, mas como água doce é ruim, eu trouxe chocolate. Foi a Soso que me ensinou. Então, tome a água e coma o chocolate. Assim, quando você for falar com a minha irmã, já não vai estar parecendo um maluco. ― O pequeno declarou e eu tive que rir, pois sabia que estava mesmo parecendo um maluco.

Eu não era nem um pouco normal quando estava nervoso.

― Obrigado, parceiro. Vou seguir a indicação da Soso e comer o chocolate, então. ― Afirmei, bagunçando seus cabelos tão idênticos aos meus e Benjamin sorriu satisfeito por eu ter gostado da sua ideia.

Bebi a água e comi o chocolate enquanto esperava que Sofia ou Bella dessem alguma notícia. Declinei a um convite insistente de Ethan para irmos a um bar em Santa Monica e estava tentando me concentrar em algum jogo idiota do celular quando, depois do que me pareceram séculos, minha mãe apareceu na sala pedindo para que eu fosse até minha namorada.

Bella parecia tranquila, fato que me acalmou um pouco. Ela era louca pela filha e não estaria sorrindo se minha namorada tivesse alguma doença grave.

Portanto, antes que alguém tivesse a brilhante ideia de me impedir outra vez, eu corri até o quarto onde Sofia estava, encontrando-a sentada sobre nossa antiga cama com uma pequena caixa colorida sobre seu colo.

― Você está mesmo bem? ― Perguntei preocupado, me sentando a sua frente e Sofia assentiu, empurrando a caixa em minha direção.

― Eu não tenho nada grave, Tommy. Mas, preciso te contar algo importante. Então, por favor, olhe o que tem dentro dessa caixa.

Eu a encarei curioso.

― Eu não estou entendendo nada, Sofia. Aliás, você não está fazendo nenhum sentido há semanas. Você vomitou, teve dor de barriga e desmaiou. Por favor, me diga o que você tem antes que eu enlouqueça.

Sofia revirou os olhos e me encarou exasperada.

― Abra a caixa de uma vez, Tommy. E, só para constar, a história da dor de barriga foi só uma desculpa para você não entrar no banheiro.

Eu ergui uma sobrancelha em sua direção, mas ela se manteve séria, esperando que eu abrisse a droga da caixa.

Bufei exasperado e fiz o que ela pediu, tentando não me deter no fato de que ela mentiu para mim sobre a dor de barriga. Discutiríamos isso depois.

Ao abrir a caixa, me deparei com uma pequena touca de bebê que tinha as cores da bandeira do Reino Unido. Encarei minha namorada curioso e percebi que ela me encarava ansiosa, sendo que seus incríveis olhos verdes estavam atentos a cada movimento meu.

― Uma touca? ­― Perguntei confuso e ela assentiu.

― Quando eu ganhei uma bolsa para estudar em Oxford, desejei com todas as forças da minha alma que você pudesse dividir aquele sonho comigo. Londres é o meu lugar favorito no mundo depois de Los Angeles e eu queria que você, meu amor, pudesse estar lá comigo. Mas, isso era impossível. Primeiro por causa da faculdade e segundo porque na época estávamos separados. Acontece que sem saber, eu levei comigo um pedacinho seu, pois estava grávida e só soube disso quando perdi o nosso bebê. E eu sofri tanto àquela perda que resolvi guardar a dor apenas para mim. Pouco tempo antes de voltar para os Estados Unidos, eu fui até uma loja de Souvenirs para comprar alguns presentes e vi essa touquinha. Tentei resistir, mas acabei comprando-a para me lembrar do meu bebê que nunca voltaria comigo para casa. Mas, como ninguém além de Adam sabia sobre o aborto, nunca mostrei essa pequena touca a ninguém.

Eu respirei fundo e peguei a pequena touca em minhas mãos pensando com tristeza em nosso bebê perdido que não pôde usar o presente que sua mamãe comprou pensando nele.

― Eu guardei essa touca aqui entre minhas coisas, pois sabia que você jamais a encontraria. E quando fomos para o nosso apartamento eu a deixei para trás, pois queria esquecer tudo o que havia acontecido e começar de novo.

Eu a encarei.

― E por que você resolveu me mostrar essa touca agora?

Ela sorriu e segurou uma das minhas mãos, levando-a até sua barriga plana.

Eu prendi a respiração e olhei para minha mão sobre seu ventre, enquanto me lembrava de todos os enjoos, fome excessiva, mudança de humor e sono descontrolado.

Oh, oh!

― Porque aqui dentro de mim tem outro bebê que é nosso e que, se tudo der certo, poderá usar essa touquinha.

Sofia estava grávida. De novo. Mas, desta vez eu estaria ao seu lado, amando-a e cuidando do nosso bebê como deveria ter sido da primeira vez que ela carregou um filho nosso no ventre.

― Você está grávida. ― Constatei e ela assentiu sorrindo, enquanto lágrimas caiam dos seus olhos verdes.

― Nós vamos ter um bebê, Tommy. ― Sofia declarou com a voz embargada e foi minha vez de sorrir, enquanto a puxava para um abraço.

Talvez aquele não fosse o melhor momento para que tivéssemos um bebê, pois Sofia e eu tínhamos trabalhos que ocupavam quase todo o nosso tempo. Além disso, não éramos casados, embora isso fosse apenas um detalhe. Mas, apesar de todos os contrapontos, o fato era que tínhamos feito um bebê e ele ou ela era mais do que bem vindo em nossa vida.

― Você está feliz? ― Sofia perguntou e, ao detectar uma pontinha de insegurança em sua voz, eu a afastei do meu corpo para que eu pudesse olhá-la nos olhos.

― Eu estou surpreso. Não esperava por uma notícia dessas, embora os sintomas tenham sido bem óbvios nas últimas semanas. Fome de dez leões famintos, enjoo constante, sono excessivo e mudanças irritantes de humor. Somos dois tapados por não termos percebido antes. Aliás, sua falta de menstruação foi uma pista além de óbvia. Mas, é um bebê. Uma criança que fizemos juntos e que vamos amar além da vida. Então sim, princesa. Eu estou muito feliz.

Sofia sorriu largamente após minha declaração e eu beijei seus lábios com carinho.

― Eu ainda estou tentando descobrir como vamos encaixar um bebê em nossa rotina maluca. Mas, vamos dar um jeito, não é?

― Vamos sim. Afinal, sua residência não vai durar para sempre. Em breve, sua rotina no hospital vai ficar mais tranquila.

Sofia fez uma careta.

― Bom, eu acho isso pouco provável. Mas, vamos dar um jeito juntos.

Eu sorri.

― Juntos. Eu, você e nosso bebê.

E essa era uma perspectiva linda, pois eu e Sofia teríamos algo que nos uniria para sempre.

― Acho que precisamos descer e dar a notícia para nossa família. ― Falei, enquanto guardava a touca de volta na caixinha e Sofia assentiu, levantando-se da cama.

― Elena e mamãe já sabem.

― Acho que papai também. ― Declarei e Sofia sorriu, entrelaçando seus dedos nos meus.

― Edward Cullen me conhece muito bem, Tommy. Embora não tenhamos nenhum parentesco biológico, eu tenho uma ligação muito forte com o papai. Além do mais, ele acompanhou quatro gestações e provavelmente sabe identificar os sintomas de uma gravidez

― É. Mas, não me disse nada. ― Eu resmunguei enquanto descíamos as escadas e Sofia deu de ombros.

― Desconfiar não é o mesmo que ter certeza. Além do mais, acho que ele não queria presenciar um surto seu.

Eu a olhei bravo.

― Eu não surtei quando você me contou.

Sofia sorriu triunfante.

― Eu sei domá-lo, Tommy.

Domar? Me senti uma fera estranha depois desse comentário, mas como ela estava grávida e eu não devia contrariá-la, deixei passar.

Quando chegamos na sala, todos nos encararam e Sofia, ainda agarrada em minha mão, deu a grande notícia:

― Família, Tommy e eu vamos ter um bebê.

As reações da família Cullen à notícia foram as mais inusitadas possíveis. Bella e Elena apenas sorriram, pois já sabiam sobre o bebê. Meu pai olhou para Sofia com adoração e se apressou em abraçá-la, dizendo já desconfiar de que seria avô devido aos comportamentos estranhos que minha namorada havia apresentado nas últimas semanas. Mia estava estática, olhando para a barriga de Sofia, enquanto Noah tentava tirá-la do estado catatônico chamando por ela suavemente. E Benjamin, como não podia deixar de ser, soltou uma de suas perguntas para as quais não existia respostas fáceis e imediatas.

― O bebê está na sua barriga, Soso? Como ele entrou aí?

Todos nós encaramos o caçula da família sem saber bem o que responder. Afinal, depois de tantas emoções, não estávamos preparados para uma aula de Educação Sexual. Foi Sofia que, graças aos céus, salvou o dia com sua mente rápida e cheias de respostas prontas.

― Quando duas pessoas são adultas e se amam, elas podem fazer bebês juntas. Uma célula do homem se une a uma célula da mulher e forma um bebê, que vai crescer no útero da mulher até estar pronto para nascer. Foi o que aconteceu comigo e com Tommy.

Eu respirei aliviado, pensando que a explicação simples da minha namorada deixaria Benjamin satisfeito. Mas, é claro que eu estava errado.

― Ah... E para isso vocês namoram pelados, não é? ― Ben perguntou e meu pai e Bella arregalaram os olhos, enquanto Mia e Sofia explodiam em uma gargalhada e Elena apenas revirava os olhos.

Eu apenas balancei a cabeça, não querendo acreditar que aquelas bobagens constrangedoras pudessem passar de geração para geração nessa família. Cuidaria para que meu bebê não recebesse aquela herança de jeito nenhum.

― É, Ben. Precisamos namorar pelados sim. Mas, podemos falar disso em outro momento? ― Sofia perguntou, mordendo os lábios para controlar o riso e nosso irmão assentiu, parecendo satisfeito com as respostas que obteve.

― Eu vou ter um afilhado? É isso mesmo? ― Mia perguntou, já completamente recuperada de seu estado catatônico após a notícia do bebê e Sofia apenas sorriu, aceitando o abraço da nossa irmã.

― Mia, não decidimos ainda quem será a madrinha. ― Eu intervi, sabendo que Mia e Lara iniciariam a terceira guerra por causa dessa questão da madrinha, e minha irmã me encarou irritada.

― É claro que decidiram. Eu serei a madrinha do meu primeiro sobrinho ou sobrinha e ponto final. É o justo, pois eu sou irmã dos pais desse bebê. Além do mais, sempre fui a torcedora mais assídua da relação de vocês, mesmo quando estavam separados.

Troquei um olhar preocupado com Sofia. Essa história iria feder.

― Mia, quem decide sobre a madrinha do bebê são os pais. Então, não seja inconveniente, querida. Se Tommy e Sofia decidirem que será você, ótimo. Caso eles optem pela Lara, você irá aceitar a decisão deles como a menina bem educada e equilibrada que eu criei e vai amar seu sobrinho ou sobrinha do mesmo jeito, sem fazer nenhum drama ou alarde. Certo? ― Bella falou, abraçando Mia pelos ombros e minha irmã bufou, começando a reclamar das injustiças da vida.

Eu, por outro lado, estava preso à frase “quem decide sobre a madrinha do bebê são os pais”. Pais. Eu seria um pai e Sofia seria uma mãe. Eu seria um pai. Meu Deus, estava oficialmente ferrado, pois não tinha a menor ideia de como ser um pai. Será que conseguiríamos cuidar de um bebê e educa-lo para que ele se tornasse uma boa pessoa? Será que conseguiríamos sustentar essa criança de forma adequada? Será que eu seria um bom pai? Será que meu bebê vai me amar?

― Tommy? ― Ouvia a voz da Sofia e saí do transe em que meus pensamentos conflituosos me colocaram.

― Eu estou bem. ― Afirmei, limpando a garganta e Sofia sorriu, beijando meu rosto de leve.

― Parabéns pelo bebê, filho. Eu tenho certeza de que você será um bom pai e que essa criança vai amá-lo muito. ― Meu pai falou, me abraçando com firmeza e eu respirei fundo, querendo acreditar em suas palavras. Até parece que ele sabia o que eu estava pensando há alguns minutos atrás.

― Velho, eu vou precisar muito da sua ajuda nisso de ser pai. Estou perdido. ― Falei meio desesperado e meu pai riu.

― Quando sua mãe me disse que estava grávida, eu me senti da mesma forma, Tommy. A gente fica mesmo perdido e é absolutamente normal. Penso que para as mulheres é um pouco diferente porque o bebê está ali, dividindo o corpo com elas. Mas, nós, os pais, ficamos mais perdidos mesmo, sem saber direito qual o nosso papel na vida do bebê. Sua tarefa agora é basicamente cuidar e mimar a Sofia e apoiá-la em todos os momentos da gravidez, que não é um processo fácil. Depois, quando o bebê nascer, você deve dividir todos os momentos de cuidados com ela. Não basta ser o pai, tem que participar.

― É isso mesmo, Tommy. Ninguém nasce sabendo ser pai ou mãe. A gente vai aprendendo com os erros e acertos. O importante é você querer participar, amar essa criança mais do que tudo e, como seu pai disse, apoiar a Sofia, pois a gravidez não é um momento fácil. ― Bella completou e eu respirei fundo, olhando para Sofia que sorria tranquila para mim.

Minha namorada deveria estar surtando, afinal ela era a mãe. A mãe que carrega o bebê no ventre, que o traz à luz e que amamenta. Ela terá o corpo transformado para gerar aquela criança e, portanto, deveria estar mais ansiosa e desesperada do que eu. Entretanto, Sofia parecia estar em paz. Acho que confirmar a gravidez fez muito bem a ela.

― Eu não vou sair do lado dela, mamãe. Sofia vai até enjoar de mim durante essa gravidez. ― Eu garanti e todos sorriram satisfeitos.

― Maravilha! Agora, passamos ao brinde, pois eu serei avó! Mia, champanhe, por favor! E suco para Sofia, Elena e Benjamin. ― Bella comandou e Mia, seguida por Noah e Elena, foram em busca das taças e das bebidas.

Brindamos ao nosso bebê, ao nosso futuro e a nossa família, que tinha ganhado mais um membro para compartilhar de todo nosso amor e loucura.

E algo me dizia que essa criança seria muito feliz e amada entre os Cullen.

***********

Horas depois...

― Grávida? Como assim grávida? Carlisle, corre aqui... A Sofia está grávida! ― Vovó Esme gritou eufórica, correndo pela casa com o celular nas mãos e Sofia e eu rimos da cena, enquanto esperávamos o vovô aparecer na chamada de vídeo também.

― Grávida? Você está falando sério? Além de me curar do câncer, ela vai me dar meu primeiro bisneto? Eu amo uma neta.

― Ei, sem a minha contribuição não teríamos bebê. Então, por favor, me amem também. ― Eu reclamei e eles riram.

― Nós te amamos, meu amor, mas Sofia é a favorita. Conforme-se. E sobre a notícia: meus parabéns! Estamos muito felizes com esse acréscimo à família Cullen. ― Esme falou emocionada e eu beijei o rosto da minha namorada, que a uma hora dessas já estava chorando por causa do carinho dos nossos avós.

― Obrigada por ficarem felizes por nós. ― Sofia falou com a voz embargada e eles sorriram.

― Nós ficamos radiantes com a notícia, querida e já estamos reservando um voo para comemorar essa gravidez com vocês aí em Los Angeles. Afinal, não é todo dia que eu me torno um bisavô. Preciso abraça-la para transmitir a você toda a minha alegria com essa notícia.

― Venham mesmo. Estaremos esperando ansiosos. ― Afirmei feliz por saber que em breve os teríamos por perto e me despedi para que Sofia e eu pudéssemos dar a notícia aos outros bisavós do nosso bebê.

Charlie e Renée foram tão receptivos à notícia quanto Esme e Carlisle, embora o avô da minha namorada tenha me encarado bravo por alguns minutos quando dissemos a eles que estávamos grávidos.

― Mas, e a residência, querida? Pensei que bebês não estivessem em seus planos agora. ― Renée comentou e Sofia sorriu, colocando a mão protetoramente sobre o ventre.

Acho que era uma reação involuntária, mas eu sorri para o seu gesto maternal.

― E realmente não estava, mas foi uma surpresa muito bem-vinda. Quanto à residência, eu vou dar um jeito. Outros médicos já fizeram isso e eu também posso. Além do mais, eu terei o apoio incondicional do pai do meu bebê. Então vai dar tudo certo.

― Claro que vai. Eu e minha espingarda vamos garantir que Tommy te dará todo o apoio, não é Tommy? ― Charlie falou rindo e embora eu soubesse que provavelmente era uma brincadeira, engoli em seco, lhe oferecendo um sorriso amarelo.

Charlie Swan, seu bigode e sua carranca me davam muito medo. Mesmo.

Depois de ligar para Charlie e Renée, que também viriam para Los Angeles nos parabenizar pessoalmente pelo bebê, foi a vez de falarmos com Sarah Black, a outra avó da Sofia, com quem minha namorada havia desenvolvido uma relação muito boa ao longo desses anos.

Sarah ficou feliz com a notícia e iniciou uma torcida para que nosso bebê fosse um menino. Acho que, na verdade, ela queria que a criança viesse parecida com o seu filho e eu fiz uma careta mental para essa ideia, rezando silenciosamente para que isso não acontecesse. Acho que não faria bem para ninguém ter uma criança parecida com Jacob Black entre nós.

― Agora que todos os avós já foram informados da notícia, vamos para os tios? ― Sofia me perguntou, procurando o contato dos nossos tios no celular e eu me senti um pouco triste ao pensar que nem todos os avós do nosso bebê comemorariam a notícia da gravidez conosco. Minha mãe não estava mais entre nós e não poderia me parabenizar pela chegada do meu primeiro filho ou filha, nem tão pouco me dar conselhos sobre como ser um bom pai. ― Tommy?

― Eu queria poder dar essa notícia para minha mãe. Acho que ela ficaria muito feliz em se tornar avó. ― Confessei de repente, sentindo um aperto estranho na garganta e Sofia me olhou em silêncio, enquanto tentava conter as próprias lágrimas. Como eu disse, ela estava muito emotiva ultimamente.

― Eu sei que você sente muita falta da sua mãe e eu sinto muito por ela ter morrido tão jovem. Mas, eu gosto de acreditar que sua mãe olha por todos nós e que, nesse momento, ela está em algum lugar sorrindo e comemorando a chegada do nosso bebê. Acho que nunca falei sobre isso com você, mas a história dos nossos pais parece algo divino. Minha mãe nunca teve bons relacionamentos com homens e seu pai também não teve sucesso nas tentativas amorosas depois da morte da sua mãe, mas eles se apaixonaram instantaneamente e estão felizes até hoje. Mia era contra namoradas, mas aceitou minha mãe milagrosamente. Eu e você, mesmo depois de todos os problemas, estamos juntos, cada vez mais apaixonados e prestes a nos tornar pais. Pode parecer bobagem, mas eu acho que o encontro dos nossos pais foi algo providencial e eu tenho certeza de que Tanya Denali pode ser a grande responsável por toda essa felicidade. Portanto, ela sempre cuidou muito bem de você e da Mia e hoje está em algum lugar feliz por nós dois e pelo netinho ou netinha que logo estará em nossos braços. ― Sofia falou suavemente, secando minhas lágrimas insistentes e eu respirei fundo, me agarrando a ela pela milésima vez naquele dia, enquanto suas palavras me acalmavam de um jeito que nada mais conseguiria.

― Eu já disse que te amo?

Ela riu.

― Já, mas é sempre bom ouvir. Agora, o que acha de voltarmos aos nossos telefonemas? Não seremos perdoados se essa notícia não chegar a todos os Cullen e Swan por nossa boca.

Eu sorri e assenti, me concentrando novamente na tarefa de comunicar aos nossos familiares a chegada do bebê.

Sofia tinha razão, afinal. Minha mãe estava em algum lugar olhando por todos nós e feliz por se tornar avó do nosso filho ou filha. Tanya Denali cuidava de nós e cuidaria do fruto do nosso amor também.

Tia Rose e tio Emmett foram os próximos a receber a notícia e eles ficaram eufóricos com a perspectiva de ter um novo bebê na família. Meu tio, é claro, fez algumas piadas inapropriadas para menores, mas Sofia e eu nos limitamos a revirar os olhos, pois já convivíamos com Emmett McCarthy a tempo demais para nos chocarmos com sua mente poluída.

Tia Alice e tio Jasper também ficaram felizes com a notícia, mas se mostraram preocupados diante da chance de se tornarem avós também. Segundo tia Alice, ela era mais jovem e mais bonita do que a Bella para já se tornar uma avó. Mas, conhecendo Lara Swan e seu instinto materno abaixo de zero, eu acreditava que as chances de ela e meu primo se tornarem pais eram quase nulas. O que era ótimo, já que ter descendentes da Lara no mundo seria um risco para a humanidade.

E por falar nela, eu gostaria de não ter que dar a notícia da chegada no nosso bebê para Lara. Minha relação com ela havia melhorado bastante, mas eu sabia que a prima da minha namorada começaria uma campanha ferrenha para ser a madrinha do nosso bebê. Campanha essa que já havia sido iniciada por Mia Cullen que, aliás, não estava disposta a desistir facilmente do posto. Não sem antes lutar muito.

― Grávidos? Vocês estão grávidos? Tipo, um bebê vai nascer da Sofia daqui há alguns meses? Tommy, isso é insano! ― Ethan disse, ou melhor, gritou, depois que eu lhe dei a notícia e Sofia e eu reviramos os olhos para suas bobices tão parecidas com as do pai.

― É óbvio que se eu estou grávida, um bebê irá nascer de mim, Ethan. Não tem como parir um melão ou um cão.

Ethan gargalhou das palavras de Sofia, enquanto eu encarava uma Lara emburrada do outro lado da tela, tentando entender qual era o possível motivo da sua birra.

Mas, era evidente que ela não nos deixaria curiosos por muito tempo.

― Eu sou sua melhor amiga e deveria ter sido a primeira a saber. Mas, ao invés disso, você desmaiou em um banheiro trancada com a Elena. Ótima maneira de se descobrir uma gravidez, Sofia Swan. ― Lara falou emburrada e Sofia se limitou a sorrir.

― Agora você já sabe, Lara. Tommy e eu teremos um bebê.

― Do qual eu serei a madrinha. ― Ela afirmou e Sofia e eu bufamos em sincronia.

― Não decidimos isso ainda. Mia também está na disputa. ― Eu afirmei e tive que ouvir pelos próximos trinta minutos uma palestra sobre os motivos que ela seria uma madrinha melhor do que a minha irmã.

Lara provavelmente colocaria o meu próprio filho contra mim, então o meu voto era todo da Mia. Mas, como Sofia também tinha voz e voto, o jeito era esperar até que pudéssemos decidir juntos quem seria a bendita madrinha.

Depois que demos a notícia para todos os nossos familiares que, graças aos céus, não eram muitos, Sofia e eu aceitamos o convite para jantar na casa dos nossos pais, onde também passamos a noite, já que depois de uma sessão de recordações fotográficas no tapete da sala, ficou muito tarde para voltarmos para nosso apartamento.

― Nós vamos ter um bebê. Sabe que ainda estou tentando assimilar essa notícia. ― Comentei, enquanto me ajeitava sobre os travesseiros e Sofia sorriu.

― Eu também estou em processo de assimilação ainda. Eu não me vejo como uma mãe, pois tenho medo de não saber o que fazer com um bebê. Como vou educar uma criança se eu mesma me sinto confusa sobre tantas coisas? Mas, ao mesmo tempo, eu quero muito esse bebê, entende? Quero tê-lo em meus braços, discutir com você sobre com quem ele ou ela se parece, sentir o cheirinho, amamentar, brincar... Eu quero leva-lo ao primeiro dia de aula, ajuda-lo a andar de bicicleta, compartilhar com ele minha paixão por Harry Potter...

― Vou ensiná-lo a gostar dos vingadores também. ― Eu declarei e Sofia riu, se aconchegando em meus braços.

― Eu sei que é confuso, mas a gente vai se sair bem. Tivemos pais incríveis e seremos incríveis com o nosso bebê. Além do mais, saber que eu tenho você ao meu lado me deixa forte para enfrentar tudo o que está por vir.

― Você também faz com que eu me sinta forte, princesa. E eu te amo.

Sofia sorriu e se inclinou para me beijar.

― Eu também te amo, Tommy. Boa noite!

― Boa noite, amor. Boa noite bebê do papai. Dorme com Deus.

Eu tinha acordado como Antony Denali Cullen e dormiria como pai de alguém. Era uma mudança e tanto, mas eu me sentia muito feliz em encarar aquele novo desafio ao lado da única mulher que eu amei verdadeiramente e que continuaria amando para sempre.

Notas finais
A doçura desse capítulo chegou aí, gente? Ficou muito fofo, né? E dessa vez nem demorou tanto. Olha só que avanço! Muito obrigada pelos comentários, pelo carinho e pela resiliência de todas que ainda acompanham essa fic. Beijos!