Pov. Bella

Abri os olhos lentamente e sorri ao me lembrar da noite de ontem. A noite em que eu deixara meus medos de lado e, cedendo a insistência da minha filha, me encontrara com um completo desconhecido para, quem sabe, iniciar um romance.

E aí eu conhecera Edward Cullen, um cara engraçado, tímido, fofo e atrapalhado que me conquistara no momento em que colocara os olhos verdes e límpidos sobre mim.

Eu ainda tinha medo de estar cometendo um erro, uma vez que meu histórico com homens era muito mais do que péssimo. Mas, meus instintos me diziam que desta vez podia mesmo dar certo e eu resolvi me deixar levar.

− Mãe, já são quase oito horas. Você não tem que ir para o hospital, não? – Sofia perguntou, aparecendo no meu campo de visão já de uniforme e eu gemi, enterrando minha cabeça no travesseiro.

− Queria poder ficar aqui, sonhando um pouco mais. – Eu resmunguei e ela riu, sentando-se ao meu lado e beijando meus cabelos. Senti um cheiro delicioso de café e ergui os olhos para a caneca com o líquido fumegante que ela me oferecia. – Hum... Café. Obrigada, querida. Isso pode fazer da minha manhã algo mais doce.

− Eu sei, Dra. Swan. Conheço você e não é de hoje. Mas, vamos, me diga: com o que, ou melhor, com quem a senhorita gostaria de continuar sonhando? – Sofia perguntou maliciosa, me cutucando de um jeito irritante e eu ri, corando.

− Com o meu lindo e fofo viúvo do Tinder. Não vejo a hora de poder encontrá-lo esta noite. – Eu falei e ela riu, me olhando com carinho.

− Fico feliz que tenha gostado dele. Você foi tão exigente com os homens que selecionamos que, sinceramente, fiquei com medo de que não encontrássemos ninguém adequado.

− Filha, depois do meu último namorado, eu tenho mesmo que ser exigente. Aprendi da pior forma que mães solteiras não devem, jamais, confiar em qualquer um. Não neste mundo machista e cretino em que vivemos. – Eu declarei azeda e Sofia fez uma careta.

− Esquece isso, mãe. James é passado. Vamos nos concentrar no agora. Edward aparentemente é um cara gente boa, então, você pode sim investir nessa relação e ser feliz. Finalmente.

− Por falar em felicidade, nós não conversamos sobre o Antony Cullen. Eu quero saber tudo sobre ele, senhorita. – Eu falei e Sofia corou, fazendo uma careta.

− Não tem nada pra saber. Ele estuda na mesma escola que eu e ponto. Só isso. Eu nem fazia ideia que ele sabia o meu nome. Antony é aquele tipo de garoto lindo e popular que não repara muito em meninas comuns e nerds como eu.

− Sei. Ele é lindo e popular, então? – Eu disse de forma maliciosa e Sofia me lançou um olhar atravessado.

− Nada disso. Não vá por esse caminho, Isabella Swan. Só uma de nós vai se envolver com um Cullen e será você. Então, pode ir parando.

− Ok, Sofia Swan... Vamos deixar esse assunto de lado. Por enquanto. – Eu falei e ela revirou os olhos. – Vou tomar um banho rápido e te deixo na escola. Tenho um zilhão de coisas pra fazer hoje.

Corri para o banheiro e, em cerca de meia hora, já estava pronta para o trabalho.

Deixei Sofia na escola e voei para o hospital, encontrando Jéssica Stanley, uma das secretárias, desesperada quando cheguei.

− Ai que bom que você chegou, Dra. Swan. Recebemos um chamado urgente para o atendimento de uma criança a domicílio. A menina é paciente da Dra. Cooper, mas ela está em cirurgia e pediu para que eu passasse o chamado para a senhorita. – Jéssica me informou e eu suspirei.

Não gostava muito de fazer atendimentos a domicílio, mas se a Dra. Suzana Cooper, minha chefe e mentora, dava uma ordem, o melhor era cumprir. Imediatamente.

− Certo. Qual é o caso? – Perguntei, enquanto verificava minha maleta e Jéssica checou o prontuário.

− Mia Denali, oito anos, febre alta, delírio e calafrios. O pai disse que a menina não acorda. – Jéssica falou e eu assenti, pegando minhas coisas e correndo para o carro.

Cheguei ao endereço em menos de dez minutos e quando Edward Cullen abriu a porta de uma bela casa de dois andares em um bairro nobre de Los Angeles eu quase tive um ataque cardíaco.

− Edward? – Perguntei aturdida, me recuperando do susto, e ele me olhou pasmo, parecendo tão confuso quanto eu.

Não foi assim que eu imaginara nosso encontro hoje.

− O que está fazendo aqui? – Ele perguntou, ainda meio perdido e eu ergui minha maleta em sua direção.

− Foi aqui que pediram uma médica? – Perguntei, tentando ser prática, afinal, havia uma criança doente em algum lugar, e ele assentiu, dando passagem para que eu entrasse e me guiando pela casa até o quarto onde estava a criança.

− Não sabia que era médica. É sempre a Dra. Cooper que atente aos meus chamados.

− Ontem à noite não falamos sobre profissões. Eu sei que você é advogado porque estava no seu perfil do Tinder. No entanto, eu omiti essa informação sobre mim. E quanto a Dra. Cooper, ela está em cirurgia esta manhã e pediu que eu viesse atender ao seu chamado. Trabalhamos juntas. Suzana foi minha monitora durante toda a residência e quando optei pela pediatria, ela me ofereceu um emprego. – Eu expliquei e Edward me olhou admirado, o que fez com que eu corasse.

− Entendi. Eu liguei desesperado para o hospital, pois Mia está com uma febre altíssima e não acorda. Está transpirando e delirando e eu não me lembro de isso ter acontecido antes. – Ele explicou preocupado, assim que entramos no quarto e eu sorri enternecida ao observar a menina loira deitada sobre os lençóis amassados. Ela vestia um pijama de ursinho e se mexia agitada na cama.

Do lado da cama de Mia estava um garoto que aparentava ter uns dezesseis anos e que era muito parecido com o pai. Antony Cullen, provavelmente. Sorri de leve para ele que me olhou tão assustado quanto o pai no momento em que vira parada à porta de sua casa. Acho que ele sabia perfeitamente quem eu era e não esperava, definitivamente, me ver ali.

− Então, vamos examinar essa princesa. – Eu disse, desviando meu olhar de Antony e me concentrando em Mia. − Oi, Mia. Eu sou a Dra. Swan e vou tentar descobrir o que você tem para medicá-la, ok? Não se preocupe, pois este mal estar vai embora rapidinho. – Eu falei com a voz suave, erguendo seu pijama para poder auscultar sua respiração e seus batimentos e ela me encarou com os olhos febris. Ufa, ela acordara.

− Papai... – Mia murmurou e Edward prontamente se colocou ao seu lado.

− Estou aqui, princesa. Bella vai examinar você e ficará tudo bem. – Ele falou, acariciando os cabelos loiros da menina e eu sorri para ele, continuando a examiná-la.

− Sente alguma dor, querida?

− Minha cabeça dói... – Ela murmurou e eu assenti, examinando seus olhos.

− Já vai passar. Porque você não me diz quantos anos você tem?

− Tenho oito. Quase nove. – Ela falou e eu sorri, trocando um olhar com Edward.

− Já é quase uma mocinha, então. Agora, me conta o que fez ontem à noite?

− Eu fiquei com a minha tia. Brinquei com a Candyce e jantei. – Ela murmurou e eu sorri. Ela não estava confusa e isso era muito bom.

− Quem é Candyce?

− Minha prima. Ela também é minha melhor amiga. – Ela esclareceu e eu sorri ternamente, passando a mão por seu rostinho suado.

− Jura? Minha filha também tem uma prima que é sua melhor amiga. As duas vivem juntas.

− Você tem uma filha?

− Eu tenho. Ela se chama Sofia e tem quinze anos. Ela é linda e é o meu maior presente. Assim como você é o maior presente do seu papai. E também é linda. – Eu sussurrei e ela sorriu, me olhando com os olhinhos azuis atentos.

− Meu irmão gosta de uma menina que se chama Sofia. – Mia declarou e eu olhei para Antony no mesmo momento.

Ele estava rubro e encarava a irmã com um olhar assassino e, naquele momento, eu soube de qual Sofia ele gostava.

Sorri para ele e voltei minha atenção para Mia, ministrando-lhe um medicamento que pudesse baixar sua febre e melhorar seu mal-estar repidamente.

Depois disso, foram necessários apenas alguns minutos para um diagnóstico e Edward suspirou aliviado quando eu lhe disse que a filha não tinha nada grave.

− Mas, e essa febre? Isso não é normal!

− Ela está levemente resfriada, mas a febre não é resultado disto. Aconteceu alguma coisa fora da rotina dela? Algo que a abalou emocionalmente? – Eu perguntei, enquanto guardava meus instrumentos na maleta e Edward e Antony trocaram um olhar que não passou despercebido a mim. – Preciso de todas as informações que me ajudem a chegar a um diagnóstico preciso.

− Meu pai se encontrou com você ontem. – Antony falou, como se isso explicasse tudo, e eu olhei para Edward interrogativamente.

− Mia não lida muito bem com a ideia de eu ter uma namorada. – Edward murmurou, coçando a cabeça e eu suspirei, olhando para a menina que agora dormia tranquila sobre os lençóis.

− Certo. Bem, eu ministrei um antitérmico e vamos entrar com medicamentos para este resfriado. A febre já baixou e é pouco provável que volte. Sugiro que você converse com ela sobre... Bem, sobre seus medos e inseguranças a respeito dos seus possíveis relacionamentos.

− Eu converso. Mas, a Mia pode ser... Bem... Ela pode ser difícil quando coloca uma ideia na cabecinha dela.

− O que você acha de um psicólogo? Talvez ele possa lhe indicar a melhor forma de tratar esse assunto com ela. – Eu sugeri delicadamente, pois alguns pais podiam rejeitar veementemente minha sugestão e Edward ficou me olhando por vários segundos, sem esboçar nenhuma reação.

Será que ele me odiaria por sugerir aquilo?

Mas, antes que ele pudesse responder, uma mulher loira invadiu o quarto abruptamente, nos assustando.

− Ah, Edward, me desculpe. Eu disse que chegaria mais cedo, mas, quando cheguei na escola, descobri que Ethan se meteu em uma briga e escondeu de mim a advertência que levou. Fiquei com vontade de assassinar aquele garoto. A diretora falou, falou, falou e, por fim, resolveu não suspendê-lo, porque ele é um bom garoto. Aí, eu já estava quase de saída quando a professora da Candyce quis falar comigo a respeito do seu dom musical. Meu Deus, como aquela professora fala! E aí o trânsito estava horrível e... Enfim. Eu estou aqui. Como está Mia? Ontem, depois que você saiu para seu encontro ela estava normal. Um pouco brava, mas isso é comum para ela. Não imaginei que ela fosse ficar doente. Será que é por causa do seu encontro? Temos que ponderar se a tal... Como é mesmo o nome dela? Sofia? Não, Sofia é a filha... Enfim, se a tal mulher do Tinder vale a pena, porque você sabe que a Mia vai ser difícil. Impossível, na verdade.

− Rosalie, quer calar a boca? – Edward falou bravo, segurando a mulher pelo braço e me lançando olhares desesperados, enquanto eu a encarava divertida.

Nunca vi alguém falar tão rápido em toda a minha vida. Nem Alice conseguia falar tanto. Eu me sentia tonta com tanta informação proferida pela tal Rosalie em apenas um minuto. E ela sabia sobre mim. Sabia, inclusive, o nome da minha filha.

Interessante!

− Calar a boca por quê? Não disse nenhuma mentira. E quem é essa médica? – Ela perguntou, virando-se pra mim. − Não conheço você. É sempre a Dra. Cooper que cuida dos nossos filhos. Eu sou Rosalie Mccarty, irmã do Edward.

− Eu sou Isabella Swan. Médica que trabalha com a Dra. Cooper e a mulher do Tinder que se encontrou com o seu irmão ontem. – Eu falei, estendendo a mão em um cumprimento e ela empalideceu, me olhando assustada.

− Oh, meu Deus! Me desculpe. Eu não sabia que era você. – Ela balbuciou e eu sorri, tentando tranquiliza-la.

− Tudo bem. Não tinha como você saber. – Eu falei, tranquilizando-a e me virei para Edward. − Bem, eu já vou. Mia está medicada e a febre já diminuiu. Acho até que sabemos o motivo do aumento abrupto de temperatura. Então, qualquer problema me ligue ou a leve para o hospital. Até mais! – Eu falei, saindo do quarto rapidamente e não demorou muito para que ele me seguisse.

− Bella, espera... Minha irmã... Olha, me desculpe. Eu nunca imaginei que ela fosse falar aquilo tudo.

− Tudo bem, Edward. Sua irmã não é um problema. Fique tranquilo. Mia, por outro lado... Não que ela seja um problema, claro. Mas, acho que você tem que conversar com ela se quiser continuar a se encontrar comigo. Não quero ser a causa de febres frequentes em uma criança de oitos anos. Quase nove. – Eu acrescente, gracejando e ele sorriu, coçando a cabeça.

− Não era assim que eu imaginava nosso encontro hoje. Mas, fique tranquila. Vou conversar com a minha filha e se preciso for a levarei a um psicólogo. Só não quero que você desista de nós. Por favor... – Ele pediu, segurando minha mão e eu sorri, tentando ajeitar uma mecha rebelde do seu cabelo.

Desde ontem eu estava com vontade de tocar no seu cabelo.

− Já disse para ficar calmo. Não vou desistir. Mas, agora, mais do que nunca, precisamos ir com calma. Mia deve sentir medo de perdê-lo e precisamos provar pra ela que não será assim caso tenhamos um relacionamento. Portanto, façamos assim: amanhã é sábado. Vamos nos encontrar durante o dia. Eu, você e nossos filhos. Vamos ver como nos entrosamos todos juntos. Se der certo, a gente continua. Pode ser? – Eu perguntei e ele suspirou, acariciando meu rosto de leve.

− Certo. Vamos a um encontro quíntuplo, então. E eu tenho certeza que vai dar tudo certo. Estou sentindo. – Ele falou e eu sorri, me inclinando e beijando seus lábios de leve.

E foi mágico.

Minha intenção era apenas dar alguma segurança a Edward e garantir a ele que eu também queria tentar. Que eu não ia desistir.

Mas, aquele simples roçar de lábios foi perfeito e deixou um gosto irresistível de quero mais.

Ainda mais agora que o seu cheiro e o seu gosto estariam impregnados em mim o dia todo.

− Até amanhã, então, Edward Cullen. Eu ligo pra gente combinar o local. – Eu falei e ele sorriu largamente, ainda com os olhos fechados.

− Até amanhã, Dra. Swan. Mal posso esperar. – Ele falou, me acompanhando até a porta e se despedindo de mim com outro beijo.

Podia até ser que estávamos indo depressa demais, ainda mais sabendo do pequeno problema de sua filha. Mas, eu sentia que dessa vez eu poderia ser feliz e eu não queria desperdiçar aquela oportunidade.

Eu não podia.