Laços de amor
50 Capítulo 49
Capítulo 49
Pov. Bella
Alguns meses depois...
Ouvi um choro fraco vindo da babá eletrônica que repousava sobre minha mesinha de cabeceira e gemi baixinho, enterrando o rosto no travesseiro.
Eu já havia levantando duas vezes naquela noite para amamentar o meu bebê de seis meses. Mas, Elena era esfomeada demais e não conseguia me deixar dormir uma noite toda de sono a mais de um mês. Eu estava virando um zumbi e a culpa era toda daquele bebê lindo que eu tanto amava. E do meu marido que não desenvolvera ainda a capacidade de matar a fome da nossa filha caçula sem a minha ajuda.
─ Sua vez. ─ Eu resmunguei, cutucando Edward que gemeu, alternando o olhar entre meu rosto e o relógio.
─ Eu vou ter que trazê-la aqui de qualquer forma. Não tenho o que ela quer. ─ Suspirei. Ele tinha toda a razão.
─ Essa criança nunca mais vai me deixar dormir na vida. ─ Eu resmunguei ao me levantar e Edward riu.
─ Vai sim. Amanhã é sábado e eu vou levá-la comigo para a casa da minha irmã. Assim, você poderá dormir em paz. A tarde toda. ─ Eu sorri largamente para a notícia.
Eu adorava ficar com Elena. Muito mesmo. Ela era meu bebê lindo e fofo e estava crescendo depressa demais para o meu gosto. Mas, eu estava realmente precisando dormir.
Elena Swan Cullen havia sido um bebê calmo e colaborativo com o cansaço dos pais em algum momento dos seus seis meses de vida, mas de umas semanas pra cá acordava durante toda a madrugada exigindo minha atenção e os meus seios. Eu sabia que seu sono intranquilo tinha a ver com o nascimento dos dentes e só por isso eu ainda não havia dado nenhum tranquilizante para aquela criança. Por isso e porque eu jamais faria isso com minha pequena arrasadora de sono. Aliás, eu não faria isso com criança nenhuma.
─ Jura? Uma tarde inteira só pra mim? Eu já disse que amo você? ─ Perguntei ao meu marido lindo, me inclinando sobre o colchão para beijá-lo antes de ir até o meu bebê esfomeado e ele sorriu.
─ Já, mas é sempre bom ouvir. Faça a ordenha amanhã de manhã que a tarde será toda sua. ─ Edward falou e eu parei na porta do nosso quarto me virando para encará-lo.
─ Ordenha? Por acaso você está me chamando de vaca, Edward Antony Cullen? ─ Ele arregalou os olhos e sentou-se na cama em um pulo.
─ Claro que não, amor. Foi só uma maneira de falar, já que você tira leite com aquela bombinha esquisita. Eu só quis dizer pra você estocar leite pra que eu possa levar Elena comigo sem que ela me enlouqueça chorando por sentir saudades dos seus seios. Eu cuido dela com prazer, mas você sabe que eu não dou leite como você e...
─ Pare de falar imediatamente. ─ Exigi e ele apertou os lábios, me encarando meio ressabiado.
─ Você está brava? ─ Revirei os olhos. Edward era pior que criança às vezes.
─ Vou cuidar da sua filha. Depois conversamos sobre essa história de ordenha.
Segui para o quarto de Elena e sorri ao encontrar Sofia com ela nos braços. Ela fazia isso às vezes. Acordava de madrugada para mimar a irmã caçula e eu me derretia toda ao ver as duas interagindo.
─ Oi... Ela dormiu outra vez? ─ Eu perguntei suavemente a minha primogênita que desviou o olhar do rosto da irmã e me encarou sorrindo.
─ Acho que ela queria apenas um chamego. Cantei a música dos macaquinhos e ela dormiu rapidinho.
─ Pensei que ela quisesse mamar outra vez.
─ Talvez ela quisesse, mas Elena gosta do meu colo quase tanto quanto gosta do seu. ─ Eu sorri para a afirmação de Sofia, pois era totalmente verdadeira. Elena era apaixonada pela irmã. Completamente.
─ Ela vai sentir sua falta quando você for para Boston. ─ Eu comentei e Sofia revirou os olhos, me encarando divertida.
─ Nem sabemos se eu serei aceita em Harvard, mãe. Não sofra antes da hora. Tenho um campeonato de vôlei para terminar antes de sequer pensar em ir para a faculdade. Além disso, minhas notas em matemática podem ser um empecilho imenso para eu ingressar em uma das melhores universidades do mundo.
─ Suas notas nem são tão ruins assim. Além disso, você tem um excelente currículo. Não tenho nenhuma dúvida de que você será aceita e quando isso acontecer todos aqui em casa morrerão de saudades. ─ Eu falei com a voz meio embargada e Sofia sorriu ternamente, beijando o rostinho da irmã antes de colocá-la no berço. Depois, ela andou até mim e me abraçou.
─ Eu também vou morrer de saudades, mãe. Não sei viver sem você. Mas, sempre existe a possibilidade de vocês virem com a gente para Boston. Tenho certeza que a vovó e o vovô iriam adorar. Tommy e eu também. ─ Eu sorri tristemente.
─ Nossa vida está aqui, amor. Além disso, eu sou a garantia que você virá fazer a residência em Los Angeles. Suzana me mataria se eu fosse embora antes de ela conseguir colocar as mãos em você. ─ Eu declarei divertida e ela riu, beijando meu rosto.
─ Não sei ainda se vou para a escola de medicina. ─ Bufei, o que a fez rir outra vez.
─ É claro que você vai. Está no seu sangue, amor. Além disso, você foi fantástica no hospital. Não há outra profissão tão perfeita pra você quanto a cirurgia.
─ Tem sim. Literatura inglesa. Eu adoro. Eu poderia ser uma editora ou mesmo uma escritora. Imagina que legal? ─ Fiz uma careta para suas ideias e ela riu.
Eu queria muito que Sofia fizesse medicina. Tanto que recrutei Esme e Carlisle para me ajudar na campanha em prol de tornar minha filha a mais nova cirurgiã da família. Suzana também aderida à campanha, pois era simplesmente apaixonada pelas habilidades médicas da minha filha.
Mas, era óbvio que por mais que eu quisesse que Sofia se tornasse médica eu não iria obrigá-la a seguir a mesma carreira que eu. Minha filha tinha a total liberdade para escolher a profissão que quisesse. Tudo o que eu podia fazer e faria seria apoiá-la. Incondicionalmente.
─ Certo. Você pode até escolher a literatura. Mas, enquanto isso não acontece, eu vou sempre torcer pela medicina, pois sei que você será uma médica fantástica. Agora, vamos voltar para a cama enquanto nosso anjinho está quieto e sereno. Logo Elena vai querer mamar outra vez e eu preciso dormir, nem que seja por alguns minutos. ─ Eu falei, me despedindo de Sofia com um beijo e voltei para meu quarto, onde Edward roncava.
Bufei e me deitei ao seu lado, empurrando-o para que ele liberasse meu travesseiro. Eu amava meu marido, mas, às vezes sentia vontade de ter uma cama só para mim. Edward era muito espaçoso.
Milagrosamente Elena só acordou na manhã seguinte e para me mimar um pouco, meu marido foi buscá-la em seu quarto, o que me deu mais uns minutos de sono.
Ele a trouxe até mim já de fralda limpa o que eu agradeci com um beijo.
─ Amor, Elena já completou seis meses. Não está na hora de ela experimentar outros alimentos além do leite materno?
─ Eu já comecei com frutas e legumes. Ela não gosta muito, mas está se adaptando bem. ─ Eu expliquei e Edward sorriu, sentando-se ao meu lado e beijando os cabelos escuros da nossa pequena que estava totalmente concentrada em obter seu sustento.
─ Quando você volta a trabalhar?
─ Daqui duas semanas. Mas, meu coração sangra só de imaginar que terei que deixar meu bebê a cargo de uma babá. Não estou pronta para me separar de Elena ainda. Eu quero estar com ela todo o tempo... Quer dizer, de madrugada não. ─ Eu brinquei e Edward riu, beijando meu rosto.
─ Entendo seu sentimento, pois essa é a minha vontade também. Bebês crescem tão rápido. Mas, nós precisamos mesmo trabalhar e encontramos uma boa babá para nossa pequena. Bree parece ser responsável e tem excelentes recomendações. Elena gosta dela, então não temos com o que nos preocupar. Além disso, vai ser bom para você voltar para o hospital. Eu sei que você sente falta do trabalho. ─ Edward falou e eu suspirei. Ele tinha toda a razão. Eu sentia a maior falta do hospital. Mas, deixar a minha pequena para voltar ao trabalho seria uma das coisas mais difíceis que eu faria na vida.
Como prometido, Edward saiu com Elena e Mia naquela tarde e eu fiquei sozinha em casa, já que Lara e Sofia foram ao cinema. Aproveitei meu tempo livre para cuidar de mim e descansar.
Hidratei os cabelos, limpei as sobrancelhas, tirei cutícula, lixei e pintei minhas unhas, me depilei e relaxei na banheira ouvindo minha playlist favorita.
Depois, simplesmente dormi. Dormi até o anoitecer, só acordando quando Mia entrou no meu quarto e se deitou ao meu lado.
─ Mamãe?
─ Hum...
─ Eu tenho um projeto enorme de Ciências pra fazer. Você me ajuda? ─ Ela falou baixinho, tirando alguns fios de cabelo do meu rosto e eu a encarei, sorrindo em seguida.
─ Claro, amor. Separe tudo o que precisamos que eu já vou. Antes, preciso amamentar Elena. Aliás, onde ela e seu pai estão?
─ Papai foi dar banho nela e pediu que eu viesse falar com você sobre o projeto.
─ Certo. Faça o que eu pedi que eu já te encontro. Você comeu?
─ Sim. Papai e eu lanchamos na casa da tia Rosalie. Ela fez torta de frango e chá gelado. Ah... E reclamou a tarde inteira por você não ter ido com a gente. Segundo a tia Rosalie, sem você o papo sobre esportes dura muito tempo. ─ Eu ri.
─ Da próxima vez eu irei com vocês. Eu prometo. Agora, vamos cuidar da vida.
Enquanto Mia separava os materiais para o projeto de Ciências eu fui atrás do meu marido que fazia festa com Elena no banheiro.
─ Quem é o amor da vida do papai? Hein? Quem é? ─ Me recostei no batente da porta e fiquei observando os dois com um sorriso nos lábios.
Elena gritava feliz e batia as mãozinhas na água, o que fazia com que Edward risse, enquanto sua camisa ficava aos poucos ensopada.
─ Assim você me molha todo, senhorita Elena Swan Cullen. Eu sei que estou fedido, mas vou tomar banho assim que te deixar sob os cuidados da mamãe. Aliás, eu estou morrendo de saudades dela. E você?
─ Mã... ─ Elena balbuciou e Edward riu.
─ Isso mesmo. Mamãe. A mamãe mais linda e perfeita do mundo. E eu? Você sabe quem eu sou? Papai. Fala. Pa-pai.
─ Mã. ─ Nossa filha insistiu e eu sorri ainda mais.
─ Ela é sua favorita, não é mesmo? Eu também sou apaixonado por ela. Muito apaixonado. Você sabia que eu quase desisti de ir ao primeiro encontro com a mamãe? É... Fiquei com medo de ela ser uma adolescente problemática em busca de aventura. Bella parecia tão jovem naquela foto. Tanto que seu irmão a confundiu com Sofia. Mas, ainda bem que eu fui àquele restaurante. Aquele encontro só me trouxe felicidade. Muita felicidade. Ele me trouxe sua mamãe, Sofia e você. E o papai ama tanto esse trio de vasos.
─ Vasos? ─ Eu perguntei confusa e Edward pulou assustado, estreitando o olhar em minha direção.
─ Você estava nos ouvindo esse tempo todo? Que coisa feia, esposa. ─ Revirei os olhos.
─ Eu vim atrás do meu bebê. Agora, me explique isso de vasos.
─ Vocês são idênticas. Sofia, Elena e você. As três parecem um trio de vasos. Tipo aqueles que usamos em decorações. ─ Eu bufei ao ouvir sua explicação.
─ Sério mesmo, Edward? Trio de vasos? ─ Ele riu da minha indignação.
─ É a comparação mais perfeita que achei.
─ Você é idiota. Agora, me dá minha filha e desaparece. ─ Eu falei, pegando a toalha e Edward me passou Elena, enquanto me olhava de cara feia.
─ Não sou idiota. Não me ofenda ou eu te deixo sem sexo. ─ Gargalhei.
─ Até parece, Cullen. Você é um tarado. Jamais ficaria sem sexo para me castigar. Basta que eu tire a roupa na sua frente para que sua birra acabe. Na mesma hora. ─ Eu falei enquanto colocava roupa em Elena que se virava no trocador de um lado para o outro e Edward bufou.
─ Sua nudez é muita provocação. A culpa é sua se eu não resisto. ─ Edward resmungou e eu ri.
─ Minha? Você não resiste e a culpa é minha?
─ Claro que é. Seu corpo é perfeito demais. Você é toda linda. Sou um fraco quando se trata de você.
─ Então a culpa é sua por se render aos meus encantos. ─ Eu concluí e ele riu, andando até mim e beijando meu pescoço.
─ Essa noite irei me aproveitar dos seus encantos. Muito. Mas, por hora, vou cuidar dos meus processos enquanto você ajuda Mia com aquele projeto de Ciências.
─ Certo. O que você acha de pizza para o jantar?
─ Acho ótimo. As meninas vão gostar também. Vou desaparecer agora, como é a sua vontade. ─ Eu ri.
─ Claro, amor. Vai lá. Eu te amo.
─ Também te amo. Tchau amor do papai. ─ Edward falou, beijando o rostinho de Elena, que soltou um gritinho, o que me fez rir.
─ Esse papai é demais, não é, amor? O melhor que eu podia te dar. ─ Eu falei, enquanto me sentava com ela para amamenta-la e Elena sorriu como se entendesse minhas palavras.
Depois que terminei com ela, a levei para Sala onde Mia me esperava e com Elena no carrinho, brincando com seus mordedores coloridos, foi possível adiantar bem o trabalho de Ciências de Mia.
Sofia nos ajudou quando chegou do cinema e depois, enquanto esperávamos a pizza, falamos com Tommy por uma chamada de vídeo.
─ Você parece cansado, amor. Anda estudando muito? ─ Eu perguntei a Tommy que fez uma careta, jogando-se no sofá.
─ Você nem imagina, Bella. Eu gosto da faculdade, mas se eu soubesse que era tudo tão complicado, intenso e cansativo não teria inventado isso. Jamais.
─ Logo você se acostuma à rotina, filho. Aí não vai mais parecer tão difícil. ─ Edward falou e Tommy sorriu cansado.
─ O que me anima é saber que a Sofia vai estar aqui comigo no ano que vem. Porque é bem difícil estudar tanto e não ter ninguém para dividir problemas, frustrações e alegrias.
─ Se eu for aceita estarei com você em breve. Eu prometo. ─ Sofia garantiu e Tommy sorriu.
─ Você vai ser aceita, princesa. Não tenho nenhuma dúvida. A propósito: como vão os jogos? Fiquei sabendo que vocês foram classificadas para a semifinal. ─ Tommy falou animado e eu sorri, deixando os dois conversarem sozinhos, enquanto Edward, Mia e eu colocávamos a mesa.
Jantamos pizza e depois de lavarmos os pratos, nos enfrentamos em uma partida de videogame. Edward e eu contra Mia e Sofia. É óbvio que perdemos e como castigo, ficamos responsáveis pela louça por uma semana.
As meninas adoraram.
Os dias se passaram e quando eu menos esperava voltei a trabalhar. Elena ficou sob os cuidados de Bree e graças aos céus se adaptou bem a babá e a nova rotina. Mas, ainda era doloroso deixá-la todas as manhãs. Edward e eu íamos para o trabalho com lágrimas nos olhos.
Bem próximo do início das férias de verão a final do campeonato de vôlei chegou e a família toda se reuniu para assistir ao jogo das meninas. Sofia, que era a capitã do time, estava uma pilha de nervos.
─ Fica calma, Sofia. Vai dar tudo certo, amor. ─ Eu falei, tentando acalmá-la e ela respirou fundo, me olhando nervosa.
─ Mãe, as meninas do outro time são realmente boas. E se elas ganharem? E se a gente perder feio? Tipo três sets a zero? Minha entrada em Harvard também depende do resultado de hoje. ─ Revirei os olhos.
─ Vocês também são realmente boas. Duvido que alguém naquele ginásio tenha o saque mais certeiro que o seu. ─ Eu falei, piscando em sua direção e ela me lançou um olhar divertido.
─ Nunca vão me deixar esquecer aquela bolada, não é? A propósito: Mary Jane devia estar aqui hoje. Ela era chata e inoportuna quando o assunto era o MEU namorado, mas era uma jogadora excelente. Amanda também. É uma pena que elas tenham morrido daquele jeito tão horrível. ─ Eu a puxei para um abraço e a apertei contra mim. As lembranças daquele tiroteio sempre seriam dolorosas. Eu quase perdi minha filha naquele dia e todas as vezes que aquele episódio era mencionado uma necessidade quase vital de sentir Sofia perto de mim me tomava. Era como se eu precisasse ter a certeza de que ela estava mesmo viva e bem.
─ Jogue por elas hoje, meu anjo. Jogue em memória de todas as meninas do time que morreram naquele dia e que não puderam estar aqui hoje. E não fique preocupada com o resultado. Dê o seu melhor que as coisas vão acontecer naturalmente.
─ Você é a melhor, mãe. Sempre sabe o que me dizer. Eu só... Bem, eu queria que Tommy estivesse aqui também. Ele sempre sabe me acalmar, assim como você.
─ Tommy estará torcendo por você, amor. Então, vai lá e arrasa. ─ Eu falei, beijando seu rosto e a deixando com as meninas do time, enquanto voltava para a arquibancada junto de Edward e Elena, que estava fofa vestida em uma réplica do uniforme do time de vôlei de Sofia.
Mia fazia parte da equipe júnior de líderes de torcidas e estava tão bonitinha em seu uniforme que eu enchi a galeria do meu celular com fotos suas em todos os ângulos.
─ Está esperando alguém? ─ Edward me perguntou quando eu olhei para a entrada do ginásio pela milésima vez e eu respirei fundo, encarando-o com um sorriso.
─ Na verdade, sim. Tenho uma surpresa pra você e para Sofia.
─ Surpresa? Tommy? ─ Ele me perguntou e eu assenti, respirando aliviada quando nosso filho finalmente cruzou a entrada do ginásio e veio em nossa direção.
─ Já começou? ─ Tommy perguntou ansioso, nos cumprimentando com beijos e abraços e eu sorri quando Elena se jogou para o irmão, como se mal pudesse esperar para estar em seu colo.
─ Ainda não. Mas, falta pouco. Pensei que você não chegaria a tempo. ─ Ele fez uma careta.
─ O trânsito estava horrível. Quase desci do táxi e vim andando.
─ Como você está aqui? E a faculdade? ─ Edward perguntou confuso e Tommy e eu rimos.
─ Minha namorada vai ser campeã hoje, pai. Eu tinha que estar aqui. Adiantei algumas matérias e provas e consegui uns dias para ficar com vocês. Fique tranquilo. Bella e eu resolvemos tudo. Não vou me prejudicar na faculdade por conta dessa viagem. Entretanto, sua conta bancária vai, pois as passagens aéreas ficaram por sua conta. ─ Tommy gracejou e Edward bufou me olhando emburrado.
─ Claro que ficaram. É só pra isso que eu sirvo... Pagar, pagar e pagar. ─ Edward resmungou e eu revirei os olhos para o seu mau humor, aproximando minha boca do seu ouvido para que ninguém mais ouvisse o que eu iria dizer.
─ Você serve pra muitas coisas além de pagar, Cullen. Me fazer gritar de prazer é uma delas. ─ Eu sussurrei e ele sorriu maliciosamente, beijando meus lábios e esquecendo seu mau humor no mesmo instante.
─ Não me provoque, doutora ou eu te levo para o vestiário e te faço gritar de prazer aqui mesmo. ─ Ele falou com a voz sedutora e eu senti meu corpo se arrepiar, mas me contive. Estávamos ali para assistir o jogo da nossa filha e nenhuma promessa de me fazer gritar, por mais tentadora que fosse, me tiraria daquela arquibancada (até porque estávamos em uma escola). Sofia precisava do nosso apoio. Eu me aproveitaria do meu marido mais tarde.
O jogo começou depois da apresentação das líderes de torcida, a qual nós aplaudimos de pé, orgulhosos do desempenho perfeito de Mia, que sorriu contente e satisfeita para nós.
Eu me vi nervosa e roendo as unhas a cada passe. O time de Sofia venceu o primeiro set e ela me lançou um sorriso confiante, sem notar que Tommy estava sentado ao nosso lado torcendo por ela.
Foi um jogo complicado. O time adversário venceu o segundo set e o terceiro se estendeu até vinte e um pontos, quando após um saque perfeito da minha filha, o time dela foi declarado campeão. Vibramos na arquibancada e até Elena aplaudiu a vitória, mesmo sem saber exatamente porque estava batendo palminhas.
─ Você foi ótima, amor. Seu discurso também foi lindo. Estamos todos muito orgulhosos de você. ─ Eu falei, abraçando minha campeã que já estava com sua medalha de ouro pendurada no pescoço. Minha filha falou em seu discurso de capitã em nome das companheiras de time mortas no tiroteio e emocionou a todos no ginásio, principalmente os pais de Mary Jane Volturi e Amanda Trump que estavam ali para assistir o jogo e torcer pelo ex-time das filhas.
O fato era que àquelas garotas mereceram vencer o campeonato da liga de vôlei, não só pelo ótimo jogo de hoje, mas também por tudo o que viveram até ali.
─ Eu estou tão feliz, mãe. Foi um longo campeonato, mas nós conseguimos. Somos campeãs. Eu nem acredito.
─ Eu disse que vocês iriam ganhar, princesa. Você precisa acreditar mais em mim. ─ Tommy falou ao meu lado e Sofia arregalou os olhos ao reconhecê-lo em seu boné, blusa de capuz e óculos escuros.
─ Tommy?
─ Surpresa! ─ Ele gracejou, tirando os óculos e Sofia soltou um gritinho, pulando em cima dele, o que nos fez rir.
─ Acho que ela está muito feliz em ver meu irmão. ─ Mia concluiu e eu sorri assentindo.
─ Pode apostar que ela está.
Depois do jogo, fomos para uma grande pizzaria em Santa Monica a fim de comemorar com todo o time a vitória do campeonato.
─ Daqui a pouco tempo o semestre acaba e nossa filha vai embora. Você tem noção do quanto nossa casa vai ficar vazia sem Sofia? ─ Edward me perguntou, enquanto observávamos nossos filhos se divertindo no Karaokê e eu suspirei.
─ Na verdade, eu prefiro nem pensar nisso. Eu sei que ela vai ser aceita em Harvard e que vai estar feliz ao lado de Tommy. Mas, eu nunca me separei dela. Não sei como vai ser quando isso de fato tiver que acontecer. Parte do meu coração vai com ela. ─ Eu lamentei e Edward sorriu, beijando meu rosto com carinho.
─ Eu vou cuidar muito bem da outra metade do seu coração que ficar comigo. E sempre que der vamos visita-los. Não vou conseguir ficar longe de dois dos meus filhos por muito tempo. Seremos dois pais com apenas metade dos nossos corações, felizes por eles estarem realizando sonhos, mas sofrendo pela separação. ─ Edward falou e eu assenti. Seria dolorosamente difícil deixar Sofia ir embora.
─ Por que eles têm que crescer? Por mim, todos os filhos ficariam como Elena está agora. Linda, fofa e totalmente dependente de nós. Aposto que não passa pela cabecinha dela nos deixar. ─ Edward riu das minhas palavras.
─ Mas, um dia ela também terá que ir, amor. É difícil aceitar, eu sei, mas nós realmente criamos os filhos para o mundo. Eles não são realmente nossos. Infelizmente. ─ Edward falou e eu bufei, odiando aquela realidade cruel que insistia em nos afastar dos nossos filhos amados.
Tommy ficou em Los Angeles por quatro dias e partiu de volta para Boston deixando uma Sofia toda chorosa pela falta que ele fazia. Mia também reclamou afirmando sentir saudades do irmão o tempo todo. Segundo Mia Cullen, Harvard não fazia parte dos seus planos, pois ela não iria ficar longe do papai e da mamãe. Eu a enchi de beijos depois dessa afirmação.
Elena crescia a cada dia que passava e encantava a todos com suas descobertas e façanhas.
Aos oito meses ela começou a engatinhar por toda a casa, o que aumentou minha dor de cabeça, já que a pequena parecia um furacão, mexendo, fuçando e puxando tudo o que encontrava pela frente.
Ela se aperfeiçoou em sua tentativa de fala e chamou por Edward um dia ao vê-lo chegar do trabalho o que, juro por Deus, arrancou lágrimas de emoção do meu marido babão.
Depois que os dentes deram uma trégua minha caçula voltou a dormir a noite toda, fato que eu agradeci imensamente.
Seus olhos se firmaram verdes como os do pai, mas de resto ela era toda Sofia e eu. Chegava ser engraçado o quanto éramos parecidas. Todavia, modéstia a parte, minhas filhas eram lindas. Perfeitas pra dizer a verdade.
Com o fim do campeonato de vôlei, todos os esforços de Sofia se voltaram para as provas finais e Edward e eu tivemos que ajudá-la com matemática. Mas, nossas horas extras de estudos foram recompensadas com as excelentes notas que, como previsto, garantiram a ela uma vaga em Harvard.
─ Está escrito mesmo aí que eu fui aceita? ─ Sofia me perguntou em dúvida, olhando amedrontada para a carta de admissão em minhas mãos e eu revirei os olhos, olhando-a divertida.
─ Não. Eu quis fazer uma piada para depois te dizer que eles não te aceitaram. ─ Ela me lançou um olhar exasperado. ─ É claro que está escrito que você foi aceita, amor. Ninguém tinha dúvidas nenhuma deste fato. Só você.
─ Eu vou mesmo para Harvard, então?
─ Isso é você que decide. A Universidade da Califórnia também te quer. ─ Eu concluí, balançando a carta de admissão da universidade na qual eu me formara e Sofia riu.
─ Se eu não for para Harvard, Tommy morre. Ele estava mais ansioso por essa carta do que eu. Preciso ligar pra ele dar a boa notícia. ─ Ela falou e eu sorri tristemente, embora estivesse explodindo de orgulho por ela ter sido aceita em uma das melhores universidades do mundo.
─ Vai lá. Vou ligar para o seu pai e avisá-lo de que teremos comemoração esta noite. Ele vai ficar orgulhoso.
Edward surtara de felicidade e trouxera um computador novo para nossa filha, alegando que ela precisava de um para suas atividades acadêmicas. Ele também chorou ao abraça-la, afirmando que morreria de saudades quando ela se mudasse de vez para Boston. A cena tirou lágrimas dos meus olhos, que eu disfarcei por não querer estragar a felicidade plena da minha menina linda.
Sofia também recebeu flores do namorado, que dissera voltar para Los Angeles a tempo de sua formatura na escola e para comemorar “de verdade” a nova conquista da namorada.
Carlisle, Esme e meus pais ligaram para parabenizá-la e Rosalie e Emmett vieram pessoalmente para abraçá-la e enchê-la de mimos.
Eu estava muito feliz pela nova fase que estava prestes a se iniciar na vida da minha filha, no entanto, todas as vezes que eu ouvia alguém pronunciar a palavra Harvard, sentia meu coração diminuir no peito.
Seria um doloroso verão, mas era melhor eu começar a me acostumar com a ausência da minha eterna criança. Ela iria embora e não havia nada que eu pudesse fazer para impedir.
**********
Algumas semanas depois...
─ Tem alguém triste aí com a formatura da filha? ─ Edward me perguntou baixinho, enquanto eu observava Sofia receber o seu diploma de conclusão da High School e quando eu funguei, limpando minhas lágrimas que eu pensei serem discretas, ele riu me oferecendo um lenço.
─ Não é engraçado. Minha filha vai embora. Eu nunca me separei dela antes. Não sei se vou suportar.
─ Vai ser difícil, mas você dá conta, amor. Temos Mia e Elena para nos distrair da saudade dos nossos primogênitos. Além disso, sempre que quisermos poderemos ir visitá-los. ─ Eu bufei para as palavras de consolo do meu marido.
Visitar não era a mesma coisa do que viver na mesma casa. Minha filha iria embora e nenhuma viagem de fim de semana iria amenizar aquele fato.
Eu havia tido semanas para me acostumar com a ideia de que Sofia iria mesmo embora para Boston. Mas, bem... Eu não me acostumei. E acho que não me acostumaria nunca.
Mas, aquele era um momento importante em sua vida e eu não podia estragá-lo com a minha melancolia e tristeza. Por isso, tratei de enxugar minhas lágrimas e sorrir quando ela se aproximou de mim e me abraçou forte.
─ Eu sei de todo o seu empenho, dedicação e esforço para me dar uma educação de qualidade, mãe. Esse diploma, a carta de aceitação em Harvard, quem eu sou hoje e a profissional que eu vou me tornar um dia eu devo a você. Só a você que é e sempre foi uma mãe incrivelmente maravilhosa. Obrigada! ─ Ela falou emocionada e eu não tentei mais disfarçar minhas lágrimas. Eu não precisava. Chorar era permitido depois de declarações assim.
Depois da cerimônia de formatura seguimos para o nosso restaurante favorito acompanhados de toda a família. Lara e Sofia estavam radiantes por finalmente se livrarem da escola.
─ Matemática nunca mais. ─ Sofia gracejou e nós rimos.
─ Sra. Connor nunca mais. Não via a hora de me livrar daquela megera. ─ Lara falou, referindo-a a diretora e eu revirei os olhos, enquanto prendia Elena na cadeirinha.
─ Minerva Connor era realmente uma megera, mas você só foi vítima da ira dela porque aprontava demais, Lara.
Minha sobrinha me olhou indignada.
─ Tia Bella... Isso é uma infâmia!
─ Não, Lara. Isso é uma verdade. Só Deus sabe quantas vezes eu fui chamada na direção para tirá-la de encrencas. Acho é a diretora que ficou aliviada por finalmente se livrar de você. ─ Alice falou divertida e Lara bufou, sentando-se em seu lugar a mesa e ficando emburrada por um tempo.
Na verdade minha sobrinha estava chateada porque Ethan não viera para a sua formatura. O garoto até tentara, mas a raiva que meu irmão estava nutrindo por ele desde que descobrira que os dois adolescentes tinham uma vida sexual bastante ativa o impedira de colocar a vida em risco para visitar a namorada.
Eu sinceramente achava que Jasper estava exagerando, mas ninguém era capaz de convencê-lo do contrário.
─ Harvard, hein? Como você está lidando com isso? ─ Alice me perguntou, enquanto eu prendia Elena a cadeirinha e eu soltei um longo suspiro. Pensar na partida de Sofia para a faculdade sempre seria doloroso.
─ Está sendo difícil. Eu nunca me separei dela antes. Mas, é o que Sofia quer. Ela trabalhou duro para ser aceita e o melhor que posso fazer é apoiá-la. Aliás, é o mesmo que vocês deveriam fazer por Lara. ─ Alice fez uma careta.
─ E deixá-la morar com o namorado? Jamais! Lara vai se formar aqui na Califórnia sob nossa supervisão. Aquela garota não tem juízo para ficar longe de nós. ─ Revirei os olhos. Por que eles eram tão teimosos?
─ Lara foi aceita em uma das melhores universidades do mundo e vocês vão mantê-la aqui por conta de preconceitos ridículos e hipocrisia? Você se casou grávida, Alice! Na idade de Lara sua vida sexual era mais ativa do que de uma garota de programa e você sabe muito bem disso. Então, qual o problema da sua filha fazer sexo com o namorado, que a propósito, é um garoto maravilhoso?
─ Lara perdeu nossa confiança quando iniciou uma vida sexual sem nos contar. ─ Revirei os olhos.
─ É claro que ela não contou a vocês. Olha só como reagiram quando descobriram... Não é o fim do mundo, Alice. Lara é inteligente e independente e merece estar em Harvard. Pense nisso.
Alice suspirou e foi para perto do meu irmão, sentando-se emburrada, assim como Lara há alguns minutos atrás. Aqueles dois precisavam repensar alguns conceitos ou acabariam interferindo de forma negativa na vida da filha.
─ Não adianta insistir. Eles nunca vão deixar Lara ir para Harvard comigo. ─ Sofia falou, abraçando-me pela cintura e apoiando o queixo em meu ombro e eu sorri.
─ E isso não é motivo suficiente para fazê-la desistir e ficar em Los Angeles com a mamãe? ─ Eu perguntei de brincadeira e Sofia sorriu, se inclinado e beijando meu rosto com carinho.
─ Mãe, você é motivo mais do que suficiente pra eu ficar aqui. Mas, eu fui aceita em Harvard. Eu nunca tive essa pretensão e você sabe. No entanto, agora que é real e tudo o que posso fazer é aproveitar a melhor chance que a vida me deu. Eu vou morrer de saudades de você, do papai, da Mia, da Elena e da Lara. Mas, eu tenho que ir. Você entende isso, não é?
─ É claro que entendo, meu amor. Não quero que você vá, mas estou orgulhosa de tudo o que você conquistou. Foi um longo campeonato de vôlei, muitas horas estudando matemática, entrevistas, festas beneficentes, bailes, comissões e estágio... Você merece estar em Harvard e mesmo que eu sofra por ficar longe do maior amor da minha vida, eu jamais te impediria de perseguir os seus sonhos e objetivos, amor. Tudo o que eu posso fazer é torcer pelo seu sucesso. Sempre.
─ Eu já te disse que você é a melhor mãe do mundo? A mais incrível, a mais linda, a mais inteligente e a mais maravilhosa mãe do universo? ─ Ela perguntou, beijando vários pontos do meu rosto e eu ri, abraçando-a.
─ Já disse sim, mas é sempre bom reforçar. Adoro ser bajulada.
─ Vou te bajular para sempre. Eu te amo! ─ Sofia falou, se agarrando a mim e eu sorri, beijando seu rosto.
─ Eu também te amo, minha vida. Para sempre!
Jantamos em um clima muito agradável. Carlisle e Esme vieram para a formatura da minha filha, assim como Tommy, que passou quase a noite toda grudado na namorada, enquanto dividia sua atenção entre Mia e Elena que eram completamente apaixonadas pelo irmão mais velho.
─ Eu devo exigir que eles se casem? ─ Edward me perguntou, enquanto observávamos Tommy e Sofia mimando Elena, que gargalhava com as graças do irmão e eu sorri, me recostando em seu peito.
─ Não será necessário. Os dois já terão muitas responsabilidades morando juntos em Cambridge durante a faculdade. Não precisam acrescentar os problemas de um casamento a isso. Além do mais, somos pais modernos e não vamos pirar com o fato de eles estarem vivendo em pecado. ─ Edward bufou e eu ri, me virando para encará-lo.
─ Você não conhece limites, Isabella Swan Cullen.
─ Pois é! E você me ama assim mesmo. ─ Ele sorriu e me beijou.
─ Amo mesmo. E só para constar: casamento não tem apenas problemas. O nosso é maravilhoso.
─ É mesmo. Eu adoro estar casada com você. Foi a melhor decisão que tomei na vida. Mas, isso não significa que para os nossos filhos será igual. Além disso, eles são jovens demais e tem muito que viver ainda antes de se casarem.
─ Pensando bem, casamento não é uma boa mesmo. Vai que os dois tem a brilhante ideia de se tornarem pais.
─ Eles não precisam se casar pra isso, Cullen... ─ Eu debochei e Edward fez uma careta.
─ Nem brinca com uma coisa dessas, Isabella. Sou jovem demais para me tornar avô. Eu ainda nem terminei de ter filhos com você.
Eu o olhei surpresa.
─ Você quer mais filhos?
─ Você não?
─ Nós já temos quatro filhos, Edward? Você não acha que é um número bastante satisfatório? ─ Ele riu maliciosamente e se aproximou do meu rosto.
─ Eu adoro fazer filhos com você, Bella. Adoro muito.
─ Eu também gosto de fazer filhos com você. Mas, podemos praticar bastante sem que eu tenha que engravidar. Elena é apenas um bebê ainda e trabalhando fica complicado ter mais um filho. Não quero parir e deixar minhas crianças a cargo de babás e creches.
─ Isso é um não, então? ─ Edward perguntou fazendo um biquinho de manha lindo e eu ri, beijando-o.
─ Isso é um por enquanto não. Voltaremos a falar desse assunto daqui a um tempo. ─ Ele sorriu.
─ Eu vou cobrar, Sra. Cullen. Pode ter a certeza de que eu vou cobrar.
Eu sabia que ele cobraria mesmo. Edward era um pai tão apaixonado pelos filhos que se pudesse teria um bebê por ano. Mas, nossa rotina de trabalho era um grande empecilho para a produção de bebês e por mais que eu adorasse ter filhos com ele, esperava que ele demorasse bastante para me cobrar aquela promessa.
**********
Pov. Sofia
Algumas semanas depois...
Terminei de colocar minhas roupas na última mala que seria despachada para Boston ainda hoje e desabei sobre a cama, encarando o teto do meu quarto.
Eu queria ir para a faculdade. Muito. Mas, deixar minha mãe seria doloroso demais. Tanto que eu não conseguia nem pensar a respeito sem me debulhar em lágrimas.
─ Está chorando de novo? Estou quase desistindo de te levar comigo. ─ Tommy falou, se deitando ao meu lado e eu funguei, me conchegando em seus braços.
─ Eu quero ir... Mas, minha mãe... ─ Ele suspirou.
─ Ela vai ficar aqui com o papai e com nossas irmãs. Sempre que der vamos nos visitar. Isso não é o bastante? ─ Ele me perguntou e eu neguei com um gesto de cabeça. Minha cara emburrada o fez rir. ─ Amor, faculdade é algo intenso. Eu te garanto que você não vai ter tempo de sentir saudade de ninguém.
─ Quer dizer que você não sente saudades de mim quando está em Harvard? ─ Meu ciúme perguntou e ele riu, beijando meus lábios.
Eu estava puta com sua afirmação, mas deixaria que ele se explicasse.
─ Deixe-me reformular... Você não vai ter tempo de se lembrar da saudade que sente, pois vai estar ocupada. Muito ocupada. Além disso, eu estarei com você. O tempo todo. ─ Eu fiz um biquinho e me aconcheguei em seus braços.
─ Eu sei que eu pareço uma menina mimada e birrenta, mas eu nunca me separei da minha mãe em toda minha vida. Nunca. Nós duas sempre fomos um time e sempre estivemos juntas, vivendo uma pela outra. É difícil mudar isso. Muito difícil. Ela é minha amiga, companheira e confidente.
─ Eu sei, minha princesa. Eu te entendo perfeitamente. Acho linda essa ligação de vocês. Mas, a vida não pode parar só porque vamos sentir saudades das pessoas que amamos. É natural que a vida nos separe. Além do mais, você foi aceita em uma excelente universidade. É uma chance que não se pode desperdiçar. Por motivo nenhum.
Eu sabia que ele tinha razão. Era Harvard. Era o meu futuro. Mas, deixar minha mãe em Los Angeles seria doloroso demais.
Despachamos tudo no fim daquela tarde e depois saímos para jantar. Todos nós. Minha mãe tentava mostrar que estava bem com a minha partida, mas eu sabia que ela estava sofrendo. Assim como eu.
Pedi que ela dormisse comigo nas noites seguintes e fui prontamente atendida. Minha mãe ficava ao meu lado até que eu pegasse no sono e voltava na manhã seguinte para me acordar e me encher de mimos.
No entanto, por mais que eu quisesse desacelerar o tempo, o dia da minha partida chegou e para combinar com meu estado de espírito triste, deprimido e saudoso, ele amanheceu chuvoso.
─ Fazia tempo que não chovia assim em Los Angeles. Acho que é um sinal. ─ Minha mãe falou, enquanto me servia de panquecas e eu lancei a ela um olhar confuso.
─ Sinal?
─ É... Um sinal para que você não vá para Boston e fique aqui com a mamãe. ─ Ela esclareceu e eu sorri tristemente, enquanto meu pai a olhava com cesura.
─ Bella... Já conversamos sobre isso, amor. ─ Edward a advertiu e minha mãe bufou, sentando-se ao meu lado e encarando o marido com exasperação.
─ Você não pode me culpar por querer manter minha filha ao meu lado.
─ Claro que não. Até porque, eu queria a mesma coisa. Mas, é uma decisão que apenas Sofia pode tomar. E nós prometemos não interferir de forma alguma nas decisões dos nossos filhos sobre o futuro. ─ Minha mãe bufou outra vez, mas não falou mais nada que desse a entender que ela gostaria que eu desistisse de ir para Boston. Mas, eu sabia que ela gostaria. Acho que até eu gostaria...
Passei aquele dia curtindo minhas irmãs e meus pais. Tia Rosalie e tio Emmett vieram para o almoço e passamos um dia muito agradável em família. Lara não veio. Segundo minha prima, seria difícil demais se despedir de mim.
Ela ficaria na Universidade da Califórnia, pois meus tios não permitiram que ela fosse para Harvard viver em pecado com o namorado, mesmo ela tendo sido aceita em uma das melhores universidades do mundo com honras.
─ Tio Jasper bem que poderia mudar de ideia sobre Lara. Seria bem menos difícil ir para Harvard se ela fosse comigo. ─ Eu falei para minha mãe, enquanto me vestia para a viagem e ela suspirou.
─ Seu tio é muito teimoso e retrógrado, amor. Eu falei com ele sobre a ida de Lara para Harvard diversas vezes, mas ele insiste na ideia de mantê-la em Los Angeles. E como ela é a filha dele, não há nada que possamos fazer além de aceitar sua decisão, mesmo não concordando nem um pouco com ela. Talvez se sua prima tivesse contado para Alice sobre a primeira vez dela isso não estaria acontecendo. ─ Revirei os olhos. É claro que estaria. Meus tios eram ultrapassados e se soubessem sobre Lara e Ethan a teriam trancado em uma masmorra protegida por um dragão.
─ Tia Alice nunca deu liberdade para Lara confiar nela, mãe. Como ela sequer podia pensar em contar sobre sua primeira vez para a mãe? Eu no lugar dela teria feito a mesma coisa.
─ Ainda bem que nossa relação é diferente, então. Eu ficaria muito chateada se você não me contasse sobre sua primeira vez.
─ Eu te conto tudo sempre, mãe. Mas, isso vai da confiança que construímos ao longo dos anos. A tia Alice sempre foi muito autoritária e o tio Jasper nem se fala. Como a Lara ia confiar algo assim a eles? ─ Minha mãe fez uma careta. Ela sabia que eu tinha razão. Meus tios eram ótimos pais, mas quando o assunto era a liberdade sexual da minha prima ou qualquer outra coisa menos tradicional eles eram teimosos, preconceituosos e retrógrados. Acho que Forks fizera isso com eles.
─ É... Acho que se àqueles dois hipócritas sonhassem que Lara estava transando com o namorado era bem capaz de eles a prenderem no quarto.
─ Justamente. E agora eles a proíbem de ir para uma excelente universidade por puro preconceito. Se eu fosse a Lara fugiria de casa. Sem nem pestanejar. ─ Minha mãe me encarou espantada.
─ Fugiria?
─ Sim. Mãe, os pais não devem obrigar os filhos a viverem de acordo com o que eles pensam ser correto ou não. Nós filhos temos o direito de experimentar, errar, cais, levantar. Pensa comigo: tio Jasper e tia Alice acham errado transar antes do casamento. O que eu acho uma tremenda hipocrisia, já que tia Alice casou grávida. Mas, enfim... Eles acham isso errado. Lara não. Pra ela, tá tudo bem fazer sexo com o namorado e viver em pecado, desde que ela possa ir para Harvard. Mas, ela tem que viver a vida de acordo com o que os pais dela acham correto. Os pais dela. Não ela. E isso não é nem um pouco justo. ─ Minha mãe suspirou e se aproximou de mim, me abraçando com carinho.
─ Você tem razão, princesa. Não é justo. Por isso, por mais que me doa, está na hora de te levar ao aeroporto. Então, pegue suas coisas e vamos logo, antes que seja eu a mãe maluca que vai te trancar no quarto. ─ Eu ri e beijei o seu rosto.
─ Logo eu volto para uma visita, mãe. Fique tranquila. Eu estarei em Boston, mas meu coração estará aqui com você. Pra sempre!
─ O meu também, meu amor. O meu também. Agora, vamos de uma vez.
Fomos para o aeroporto e lá, após despachar as malas restantes, eu fiquei agarrada à minha mãe tentando prolongar o máximo o nosso abraço.
Minha mãe gostaria de ir comigo para Boston e estar ao meu lado no primeiro dia de aula, mas seus compromissos médicos a impediram. Seria ruim não tê-la ao meu lado em um momento tão importante, mas eu já era quase uma adulta e tinha que entender quando as coisas não saiam como eu gostaria.
─ Promete pra mim que a senhorita vai se alimentar bem, dormir oito horas de sono, evitar bebidas e qualquer outro tipo de drogas e usar camisinha em todas as transas. ─ Eu sorri e beijei seu rosto antes de responder.
─ Prometo. Eu sei cuidar de mim, mamãe. Você me ensinou isso muito bem.
─ Certo. Eu te amo, minha vida. Saiba que você sempre vai poder voltar para casa. Eu estarei aqui para apoiar qualquer decisão que você tomar.
─ Eu sei mãe. E não sofra. Eu estarei bem, apesar da saudade que vou sentir de todos vocês.
─ Cuide bem da nossa menina, Tommy. E qualquer coisa nos ligue que vamos voando para Boston. ─ Meu pai falou e eu sorri, me soltando da minha mãe e correndo para os seus braços.
─ Cuida da minha mãe, papai. Não a deixe sofrer muito.
─ Vou fazer o possível, princesa. Eu te amo e faço das palavras da sua mãe as minhas. Você pode voltar para casa no momento que quiser.
─ Terei isso em mente. Agora, eu preciso mesmo ir. ─ Eu falei com a voz embargada quando ouvi o chamado do nosso voo e minha mãe começou a chorar também, o que fez com que meu coração se apertasse no peito.
Abracei Mia e dei um beijo no rostinho lindo e sorridente de Elena antes de dar um último abraço apertado na mulher da minha vida.
─ Eu te amo, mãe. Até o infinito...
─ E além. Vai com Deus, minha vida. Eu também te amo. Pra sempre. ─ Ela falou, beijando meu rosto e eu deixei que as lágrimas escorressem livremente enquanto andava para o portão de embarque agarrada ao braço de Tommy.
Foi uma viagem tranquila.
Quando chegamos em Boston, nossos avós nos esperavam e nos receberam na casa deles, para a tranquilidade dos nossos pais.
Fomos para o apartamento em Cambridge dois dias depois e eu me instalei no quarto de Tommy, para total felicidade dele.
Nossa primeira semana foi agitada. Muitas festas de recepção aos calouros e aulas magnas as quais eu fiz questão de aproveitar.
Eu ligava para minha mãe todos os dias e trocava mensagens com Lara constantemente. A vida estava diferente. Ficar sem minha mãe, meu pai e minhas irmãs era ruim, mas como Tommy havia me dito uma vez, com o passar dos dias, eu não tive tanto tempo de me lembrar da saudade.
Minha rotina era louca e eu não tinha muito tempo além de estudar, estudar e estudar.
Eu sentia muita falta de Los Angeles também. Do clima quente, do sol, da praia... Mas, era preciso me acostumar com minha nova vida.
Eu nunca havia tido a pretensão de estudar em Harvard, mas já que estava aqui, aproveitaria cada segundo.
Aproveitaria por mim, pelo meu futuro, pela minha felicidade e principalmente pela minha mãe, que se sacrificara a vida toda para me dar uma boa educação.
Isabella Swan, mais do que ninguém, merecia o meu sucesso e eu me esforçaria por ela. Sempre e para sempre.
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