Laços de amor
32 Capítulo 31
Capítulo 31
Pov. Bella
Forks, 2002
− Só mais uma vez, Bella. Empurra! – A médica pediu e eu gemi, respirando fundo e fazendo o que ela mandava. Mais uma vez.
Aquelas contrações eram insuportáveis e estavam resgando meu corpo de dentro para fora, mas eu precisava ser forte para trazer o meu bebê ao mundo. Eu lutara muito para ter aquela criança e não podia desistir agora, mesmo estando tão cansada e com tanta dor.
− Vai. De novo. Só mais uma vez. Já posso ver a cabecinha do bebê. – A médica falou animada e eu gritei, usando toda a força que ainda me restava depois de dezesseis horas de trabalho de parto para empurrar o meu bebê para fora.
E quando ouvi o seu choro, eu não pude fazer outra coisa ao não ser sorrir em meio às lágrimas de emoção e cansaço. Meu bebê nascera. Minha vida estava completa agora.
− É uma menina, Bella! Uma linda menina. – A médica falou sorridente e, depois de alguns minutos, colocou minha filha em meus braços e eu sorri para aquela coisinha pequena, tão linda, tão perfeita e tão minha.
− Ela vai se chamar Sofia. – Eu sussurrei, beijando o rostinho lindo da minha pequena e a médica sorriu.
− É um lindo nome. Mas, você não prefere que a família adotiva escolha? – A médica me perguntou com suavidade e eu a olhei confusa.
− Família? Que família? Sofia vai ficar comigo! – Eu falei decidida e a médica me encarou surpresa.
− Sua mãe nos disse que seu bebê seria dado para adoção. – Ela explicou e eu a olhei com ressentimento, apertando Sofia em meus braços.
− Minha mãe está enganada. Eu amo minha filha e ela vai ficar comigo. – Eu falei com raiva e a médica suspirou, sentando-se aos meus pés e me encarando com atenção.
Minha mãe não tinha o direito de tomar aquela decisão por mim. Durante minha gravidez, Renée insistira várias vezes para que eu entregasse meu bebê para adoção e eu sempre respondera que isso estava absolutamente fora de questão. Jacob sumira ao saber da minha gravidez. Ele não amava nosso bebê e não queria ser pai. Todavia, eu amaria Sofia por nós dois e jamais me separaria dela. Eu seria a mãe que ela precisava e merecia. Nem que para isso eu tivesse que abdicar da minha própria vida.
— Você tem mesmo certeza de que quer ficar com esse bebê? Você tem apenas dezesseis anos, Bella. Talvez, a ideia de dar sua filha para adoção não seja ruim. Uma família estruturada terá mais condições de criar uma criança do que você, que nem terminou a escola ainda. – A médica voltou a falar e eu bufei, encarando-a irritada.
− Minha filha vai ficar comigo, doutora, nem que eu tenha que trabalhar dia e noite para criá-la. Ela é minha. Eu sou a família dela e isso não está em discussão.– Eu falei decidida e a médica suspirou mais uma vez, levantando-se.
− Tudo bem. Você é a mãe, afinal. Deve saber o que é melhor para o seu bebê. Mas, nós vamos levá-la agora. Sofia precisa de um pediatra e você, de cuidados médicos. Mais tarde, quando você acordar, ela estará no quarto para a primeira mamada. – A médica falou e eu assenti, beijando o rostinho da minha filha antes de entregá-la à enfermeira.
Depois disso, eu acabei dormindo e acordei já no quarto. Para minha alegria, Sofia estava em um bercinho ao lado da minha cama e eu me sentei, pegando-a nos braços imediatamente.
− Oi, meu amor. – Eu falei baixinho, beijando seu rostinho e ela abriu os olhos para mim, me fazendo sorrir. Eram esverdeados. − Eu sou a sua mamãe, Sofia. Aquela que falava com você dia e noite enquanto você estava bem protegida dentro da minha barriga. Eu prometo que vou amá-la e protegê-la para sempre, minha vida. Nós seremos grande amigas. E eu vou trabalhar e estudar muito para te dar uma vida digna. Um dia, você e eu vamos sair de Forks e nos mudar para uma cidade ensolarada, bem perto da praia. A mamãe vai entrar para a faculdade e vai ser tornar uma grande cirurgiã. Mas, não se preocupe. Eu não a deixarei com ninguém. Você vai comigo e nós duas teremos uma vida ótima, meu amor. – Eu falei emocionada, e quando ela mexeu os lábios em um ensaio de sorriso eu senti meu peito se expandir. Aquela criança era a coisa mais importante do meu mundo e eu daria minha vida para protegê-la e fazê-la feliz.
**********
Eu baixei a pinça que eu usava quando senti um forte aperto no peito e a instrumentadora me olhou confusa.
− Algum problema, Dra. Swan? – Ela perguntou preocupada e eu respirei fundo, sentindo o aperto no meu peito aumentar, junto com uma inexplicável vontade de chorar.
− Eu... Acho que tive uma queda de pressão. Dr. Smith, pode assumir? – Eu perguntei ao residente que acompanhava minha apendicectomia e ele assentiu ansioso, tomando meu lugar em frente ao abdômen aberto de um menino de dez anos e continuando o procedimento.
Pedi licença para a equipe e sai da sala de cirurgia apressadamente, arrancando a máscara de proteção e respirando fundo várias vezes, enquanto tentava a todo custo conter as lágrimas que insistiam em se acumular nos meus olhos.
Eu estava ansiosa e angustiada e eu não sabia dizer por quê.
Olhei para o relógio. 03h40min PM. Sofia já devia estar se preparando para o jogo de hoje à tarde. Será que ela se machucara? Será que minha filha estava precisando de mim?
Só isso poderia explicar a angústia que eu estava sentindo.
Ou será que era Edward? Eu tinha uma ligação forte com ele também. Será que meu noivo sofrera algum acidente ou estava em perigo.
− Bella? Está tudo bem? – Suzana me perguntou ao passar por mim e eu respirei fundo e assenti.
− Sim. Acho que tive uma queda de pressão ou algo assim. Não tive muito tempo de comer hoje.
− Coma alguma coisa, pois vou precisar de você na emergência. – Ela falou e eu assenti, seguindo até a sala dos médicos para comer a salada que eu trouxera para o almoço, mas que não pudera comer devida à quantidade de cirurgia que eu tivera hoje.
Aproveitei meu intervalo para ligar para Sofia, mas seu telefone estava desligado. Isso acontecia quando ela estava em quadra, o que significava que minha menina devia estar bem. Mesmo assim, resolvi deixar uma mensagem.
Bella: Está tudo bem, amor? Ligue pra mamãe assim que ler essa mensagem. Eu te amo!
Liguei para Edward em seguida, querendo desesperadamente ouvir a sua voz, mas ele não me atendeu. Bufei e tentei outra vez. Tocou até cair, o que me fez revirar os olhos.
− Atende essa merda, Cullen! – Eu murmurei com raiva, tentando de novo e nada.
Desisti e concentrei minha atenção na salada e na lata de refrigerante que eu furtara da geladeira dos médicos com a desculpa de que eu precisaria de energia para enfrentar a emergência nas próximas horas.
Depois de comer, passei pelo banheiro, já que não fazia xixi desde o meio dia e segui para a emergência, me deparando com uma cena de guerra.
Quando Suzana falou que precisaria de ajuda na emergência, eu imaginei que fosse, no máximo, algum acidente. Mas, o que eu encontrei ali fez meu estômago revirar. Adolescentes baleados. Muitos adolescentes baleados. Alguns, foram trazidos apenas para que atestássemos o óbito. Já estavam mortos. E, a maioria deles, foi atingida com tiros na cabeça.
− Mas, o que houve? Porque tantos adolescentes baleados? – Eu perguntei horrorizada, enquanto ajudava um residente a estancar o ferimento de bala no tórax de uma jovem e Suzana me respondeu, aparecendo do nada e me puxando para a porta da emergência. Eu a segui, retirando as luvas ensanguentadas que cobria minhas mãos e pegando uma nova proteção descartável.
− Uma escola de Los Angeles sofreu um atentado. Um atirador invadiu e baleou dezenas de alunos. As vítimas estão chegando aos montes, embora ainda não tenham conseguido tirar todo mundo da escola. Preciso que você me ajude a receber as ambulâncias e divida as vítimas entre os médicos, residentes e internos. – Ela falou e eu assenti, engolindo em seco, enquanto pensava na minha filha, em Tommy, Ethan e Lara e rejeitava a ideia de que esse atentado acontecera na escola deles.
Eles estavam bem. Era nisso que eu me apegava para continuar trabalhando.
As ambulâncias chegavam aos montes e eu ia dividindo as vítimas entre os residentes e internos, deixando os especialistas livres para ajudar no atendimento geral dos pacientes.
− Acabamos de receber um adolescente com uma bala na cabeça. Ele está vivo e os sinais vitais estão bons. Vão tentar retirar o projétil. Quer assistir? – Suzana me perguntou, aparecendo do meu lado e eu neguei com um gesto de cabeça. Acho que eu não teria psicológico para assistir uma cirurgia daquelas.
− Acho que sou mais útil aqui na emergência, Suzana. – Eu respondi e ela assentiu, se preparando para receber a próxima ambulância que estacionava em frente à emergência.
Eu fui com ela, já amparando a maca e avaliando visualmente o paciente.
E foi ali que o pior dia da minha vida começou.
− Paciente do sexo feminino, quinze anos, vítima de ferimento com arma de fogo na coxa direita. O projétil atravessou a perna. Ela entrou em choque hipovolêmico devido à hemorragia intensa e sofreu duas paradas cardíacas a caminho do hospital. Pressão sistólica baixa. Recebeu os primeiros socorros de um colega de classe. – O paramédico informou e eu senti todo o sangue fugir do meu rosto quando me dei conta de que a garota na maca era Sofia.
Aquela menina baleada, com pressão sistólica baixa e que sofrera duas paradas cardíacas a caminho dali era a minha Sofia. Minha filha. O melhor de mim.
Meu Deus do céu!
− Sofia? Meu Deus! Sofia! – Eu comecei a chorar desesperada, tentando se aproximar da minha filha, mas Suzana me segurou pelos ombros e me obrigou a encará-la, quando tudo o que eu queria era abraçar minha filha para ter a certeza de que ela estava mesmo viva.
− Bella, o estado dela é grave. Vamos levá-la para a cirurgia agora e você vai se manter calma. Está dispensada pelo resto do dia para ser apenas a mãe da paciente. Entendeu? – Ela falou séria e eu assenti, sentindo lágrimas de desespero, medo e impotência escorrerem pelo meu rosto. Aquilo não podia estar acontecendo. Não podia! Não com a minha filha. – Ótimo. Pessoal, sala de cirurgia 2. Chamem um cardiologista e um ortopedista imediatamente. – Suzana comandou, correndo com a maca de Sofia para dentro da emergência e eu chorei alto, me assustando quando alguém me agarrou segundos depois.
− Tommy? Tá fazendo o que aqui? – Eu perguntei ao reconhecer o namorado da minha filha e o apertei contra meu peito. Ele fungou e me encarou, fazendo com que eu percebesse, ao ver o seu rosto atormentado e seus olhos vermelhos, o quanto ele também estava sofrendo pela minha filha.
− Eu vim com a ambulância. Fui eu que a tirou da escola.
− O que aconteceu? Porque ela está ferida? Um tiro? – Eu perguntei desesperada e ele assentiu, limpando as lágrimas que escorriam por seu rosto com as costas das mãos.
− Um atirador. Ele matou um monte de aluno, Bella. E quase matou Sofia também. – Ele falou chorando e eu o abracei mais uma vez.
− Ela vai ficar bem, Tommy. Ela tem que ficar bem. Eu não sobreviveria se Sofia morresse. – Eu murmurei, sentindo meu coração se apertar ao imaginar minha filha morta. Eu não sobreviveria se isso acontecesse. Sofia era minha vida e o coração dela precisava continuar batendo para que o meu próprio não parasse.
**********
Eu não tinha mais lágrimas para chorar.
Sofia tinha entrado em cirurgia há horas e até agora ninguém me dera nenhuma notícia.
E eu sabia que aquilo não era bom. Se fosse um ferimento simples, o procedimento já teria acabado e ela já estaria no quarto. Mas, se estava demorando tanto era porque o quadro dela era grave. Tão grave ao ponto da minha filha não sair viva daquela sala de cirurgia. E só de pensar naquela possibilidade, eu tinha vontade de morrer mil vezes.
− Antony? Ah, Tommy, graças a Deus! Você está vivo. – Edward falou aflito, aparecendo de repente na sala de espera onde Tommy e eu estávamos, e agarrou o filho em um forte abraço, me levando a invejá-lo, mesmo eu lutando contra aquele sentimento.
O filho dele estava bem. A minha filha estava morrendo.
− A Sofia está muito mal, pai. – Tommy falou chorando e Edward suspirou, soltando o filho após dar-lhe um beijo na testa e andando até mim.
− Eu sinto muito, Bella. – Ele murmurou e novas lágrimas desceram pelo meu rosto, enquanto eu me agarrava a ele.
Pensar em Sofia doía demais.
− Eu não posso perder a minha filha, Edward. Não posso. Eu não vou suportar. – Eu murmurei e ele me apertou contra seu corpo, beijando meu rosto.
− Ela vai ficar bem, Bella. Temos que ter fé.
− Sofia teve duas paradas cardíacas a caminho daqui. Ela estava em choque. Ela pode morrer. O estado dela é muito grave. – Eu murmurei e ele me afastou do seu corpo, segurando meu rosto e me fazendo encará-lo.
− Não, Bella. Não perca as esperanças. Nossa menina vai sair viva e bem daquela cirurgia. Ela vai sobreviver. – Ele falou com firmeza e eu assenti, voltando a me agarrar a ele.
− Você veio sozinho? – Eu perguntei e ele negou com um gesto de cabeça.
− Rosalie está vindo com as crianças. Ela ficou para estacionar o carro. Eu precisava ver Tommy e me certificar de que ele estava mesmo vivo. – Ele falou e eu assenti. No seu lugar, faria a mesma coisa. − Sua cunhada e seu irmão também estão vindo. Lara os avisou que Sofia havia sido baleada.
− Parece um pesadelo. Eu estava recebendo todos os adolescentes baleados e distribuindo-os entre os residentes. E aí, de repente, a adolescente na maca era Sofia. Desacordada e pálida. Eu quis morrer ali mesmo, Edward. – Eu falei, chorando novamente e ele me apertou contra seu peito, me acalentando.
Pouco tempo depois, Rosalie, Ethan, Mia, Candyce, Alice, Lara e Jasper invadiram a sala de espera e eu me vi passando de abraço em abraço enquanto ouvia os lamentos de todos sobre o estado grave de Sofia.
Ethan, Lara e Tommy se uniram em um abraço coletivo e, ao me deparar com a cena, eu chorei. Minha filha era parte daquele grupo. Eram os amigos dela ali, sofrendo pelo seu estado delicado. Mas, eles estavam bem. Rosalie, Emmett, Edward, Alice e Jasper podiam abraçar os seus filhos. Eu, talvez, não pudesse abraçar minha filha outra vez.
− Mamãe? – Mia chamou, puxando meu jaleco e eu me ajoelhei a sua frente, sorrindo de leve ao ouvi-la me chamando de mamãe.
− Diga, meu amor.
− Eu fiz uma promessa. Prometi nunca mais comer chocolate se o papai do céu não levar Sofia e deixá-la com a gente. Você e meu papai vão se casar e ela vai ser minha irmã. Ela já é. Sofia não pode morrer. – Ela falou chorando e eu fechei meus olhos por um momento, tentando conter a dor intensa que me corroía de dentro pra fora. Tomei Mia em meus braços e a apertei contra mim.
Aquela garotinha era minha filha também e precisava que eu fosse forte por ela. Mia já havia perdido a mãe. Não seria justo perder a irmã também.
− Tenho certeza que o papai do céu vai apreciar o seu sacrifício, princesa. E Sofia não vai morrer. Ela não deixaria você aqui. Não agora que vocês são irmãs e vão morar na mesma casa. – Eu falei e Mia sorriu, beijando meu rosto.
− Não gosto de ver você chorando. – Ela murmurou triste e mais lágrimas desceram por meu rosto. Mia apressou-se em enxugá-las com seus dedinhos pequenos.
− Quando Sofia acordar, eu só vou chorar de alegria. Prometo. – Eu murmurei e ela sorriu, me abraçando outra vez.
− Mia, tia Rosalie vai levá-la para casa com Candyce. Despeça-se de Bella. – Edward falou e Mia agarrou-se a mim decidida, lançando um olhar irritado ao pai.
− Não. Eu vou ficar com a minha mãe. Ela precisa de uma das filhas com ela. – Mia falou e todos na sala ficaram em silêncio, enquanto eu voltava a chorar e abraçava a menina em meus braços, agradecendo por tê-la comigo naquele momento.
− Deixe-a ficar, Edward. Mia tem razão. Eu preciso de pelo menos uma das minhas filhas comigo. Meus braços estão tão vazios sem a Sofia. – Eu falei chorando e ele estalou os lábios, ajoelhando-se ao meu lado e abraçando a nós duas.
− Vai ficar tudo bem, meninas. Sofia vai sair dessa. Ela vai sobreviver. – Ele falou e eu chorei ainda mais.
Pouco depois, Emmett chegou e, após me abraçar e murmurar palavras de conforto ele levou a esposa e os filhos para casa. Ethan precisava descansar, afinal, ele também enfrentara um tiroteio hoje e parecia bastante perturbado.
Edward estava sentado com Tommy, que dormia recostado no ombro do pai. Aquele garoto fora um verdadeiro herói hoje. Pelo que Lara me contara, ele ultrapassara uma barreira policial para ir atrás de Sofia e se ele não a tivesse encontrado e a levado até uma ambulância, minha filha teria se esvaído em sangue e morrido na escola, assim como tantos outros alunos.
Eu seria eternamente grata a Antony Cullen, mesmo que Sofia não sobrevivesse. Saber que ele amava a minha menina a ponto de fazer tudo por ela só fazia com que ele fosse ainda mais especial para mim.
Mia estava dormindo com a cabeça no meu colo quando Jasper sentou-se ao meu lado e me ofereceu um copo de café, que eu recusei com um gesto de cabeça.
− Você tem que colocar alguma coisa no estômago, Bella. Nem que seja café.
− Eu não consigo. Meu estômago está revirado. – Eu murmurei e ele suspirou, entregando o café a Alice, que me observava em silêncio, enquanto acariciava os cabelos claros de Lara, que dormia com a cabeça em seu colo.
− Ela vai ficar bem, Bella. Sofia vai sobreviver. – Jasper falou e eu fechei os olhos, me recostando em seu ombro.
− Jasper, Sofia é minha vida. Eu não vou sobreviver se ela morrer. – Eu murmurei e ele beijou o topo da minha cabeça, enquanto afagava meu braço.
− Ela não vai morrer. Sofia vai sair dessa para continuar sendo péssima em matemática e nos enlouquecendo com essa história de namorado. – Ele falou, olhando rapidamente para Tommy, e eu sorri, encarando-o com carinho.
− Acho que eu nunca te agradeci por ter me ajudado com ela tantas vezes. Obrigada por ter sido o pai que ela nunca teve. Sofia adorava você. – Eu falei com a voz embargada e ele me olhou irritado, enxugando as lágrimas que desciam pelo meu rosto.
− Sofia me adora. Não use o passado. Ela está viva e vai ficar bem. – Ele falou com determinação e eu respirei fundo, sabendo que pela demora na cirurgia, era provável que Sofia já estivesse...
Eu não queria nem pensar nisso.
− Bella? – Ouvi a voz de Suzana me chamando cerca de vinte minutos depois e ergui o olhar para ela, vendo-a andar lentamente até mim. Sua expressão era neutra.
Mas, era assim que devia ser. Nada de expressar sentimentos quando a hora de falar com a família do paciente chegasse. Ela mesma me ensinara aquilo. Então, o fato de ela estar aparentemente calma não queria dizer nada. Só queria dizer que ela seguia muito bem seus próprios ensinamentos.
− Sofia está bem? – Tommy perguntou ansioso, aproximando-se de Suzana, que suspirou e colocou uma mão no ombro de Tommy.
E aquele gesto fez meu estômago se revirar em ondas violentas.
Apressadamente, tirei Mia do meu colo, depositando-a com cuidado no sofá, e corri para a lata de lixo que estava ao lado do bebedor, vomitando tudo o que estava no meu estômago ali mesmo.
− Ei, princesa, calma. – Edward pediu, me abraçando de lado e segurando meu cabelo, enquanto outra ânsia me fazia vomitar ainda mais. Lágrimas molhavam meu rosto mais uma vez.
Mãos no ombro são sempre seguidas de um “Sinto muito, nós fizemos tudo o que podíamos”. O que significava que Sofia não tinha resistido.
Minha filha tinha morrido. E eu queria morrer ali mesmo.
− Bella, olha pra mim. – Suzana pediu e eu fechei os olhos com força, tentando respirar, mas estava impossível. A dor era mais forte. – Bella, ela está viva. Olha pra mim. – Ela falou, me segurando pelos ombros e eu a encarei.
− Viva? Ela está viva? – Eu perguntei e Suzana assentiu, me fazendo olhá-la com raiva. – E porque a mão no ombro? Por que você não me disse logo? – Eu gritei chorando e ela me abraçou, tentando me confortar.
Quando eu já estava mais calma, ela voltou a falar.
− O estado dela é muito grave, Bella. Sofia perdeu muito sangue e teve outra parada cardíaca durante a cirurgia.
− Quanto tempo? – Eu murmurei, entendendo muito bem onde Suzana queria chegar com aquela informação e ela me olhou preocupada.
− Dez minutos. – Ela falou e eu fechei os meus olhos, querendo que aquele pesadelo terminasse. – Ela está em coma. Estamos monitorando seus sinais vitais de hora em hora.
−Tem atividade cerebral? – Eu perguntei em um fio de voz e Suzana suspirou.
− Sim. Mas, não posso precisar se a parada cardíaca deixou sequelas ou não. Só quando ela acordar.
− Se ela acordar... – Eu sussurrei e Suzana me lançou um olhar pesaroso.
− Exatamente. Eu sinto muito, Bella. – Ela falou e eu assenti, voltando a me sentar, pois eu sentia que poderia desmaiar a qualquer momento. Minhas pernas estavam bambas e minha visão embaçada.
Tommy e Lara choravam abraçados. Jasper e Alice também. Edward sentou-se ao meu lado e agarrou minha mão, tentando me transmitir força.
Mas, nenhum apoio mudaria o fato de que eu estava perdendo a minha filha. Sofia estava morrendo e levando toda minha vontade de continuar respirando com ela.
− Eu também sinto, Suzana. Eu também. – Eu murmurei, antes de me entregar ao cansaço mental que me tomava na tentativa de tentar esquecer aquele pesadelo.
O pior pesadelo que eu já tivera na vida.
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