Laços da Vida
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura!
Mayu.
Capítulo Um:
O céu fica tão lindo quando os raios de sol se mostram tão visíveis! Trás uma sensação tão boa! É como ser influenciado pela alegria alheia. Impossível seria não ser contagiado, não sorrir.
Foi por causa desse céu de um azul tão intenso com nuvens tão lindas e um sol refrescante e motivador que sem nem pestanejar, escancarei a cortina e abri com o maior prazer a janela de meu apartamento, praticamente pedindo para que o sol me possuísse.
Ah! a sensação de sentir-se empolgado! Nada como um dia lindo, ou reformulando: Nada como estar de folga em um dia tão belo!
Hoje ninguém estragaria meu dia. Ninguém me colocaria para baixo, porque neste belo dia eu só tenho em mente a palavra aproveitar.
Foi mantendo essa palavra em mente que então liguei o som, deixando-o num volume considerável, visto que pelo horário seria possível encontrar alguns vizinhos ainda dormindo, portanto, não seria nada agradável uma rixa com nenhum deles. Dessa forma, eu bancaria a boa vizinha e escutaria minhas músicas num tom alto, mas nem tanto para não incomodar ninguém.
O único problema de estar de folga se baseava no fato de que, infelizmente, morar sozinha tem suas desvantagens, como por exemplo, deixar para fazer a limpeza geral da casa quando se tem o dia totalmente livre...
Felizmente, meu ânimo amanhecera em alto-astral, portanto, não seria uma simples faxina, capaz de me fazer sucumbir ao desanimo.
Preparada e sentindo-me determinada, rumei para as arrumações do que se via como sendo a casa de uma recém-adulta solteira. Valendo lembrar que esta dita cuja é um tanto quanto desorganizada, mas mantém certa ordem nas coisas.
Confesso que a arrumação não demorou tanto assim. Para dizer a verdade, quando se está de bom humor, tudo acaba sendo indolor, por assim dizer. Dessa forma, tão logo comecei, assim, num piscar de olhos, a casa encontrava-se perfeitamente limpa, com cheirinho de quero voltar sempre aqui.
Suspirei em felicidade! O reconforto, o sentimento de satisfação que nos toma quando deixamos nosso ambiente pessoal de forma convidativa é tão acalentador!
— Okay, Kagome, você provou que é uma excelente dona de casa e que já está pronta para casar. Missão muito bem-sucedida. Está aprovada! — Murmurei para mim mesma.
Casar...
Confesso, é um sonho que toda garota, ou a grande maioria, possui. Como é óbvio, estou na categoria das que sonham desde pequenas em encontrar um cara bacana para passar o resto da vida.
É claro que não acredito em contos de fadas, assim como também sei que a realidade acaba sendo diferente do que planejamos em nossas mentes, porém sonhar é grátis. Quem sonha seus males espanta... ou não...
Bem, mas quem é que precisa de um homem quando se tem um sol lindo nos chamando para curti-lo? Eu que não!
Sem pensar duas vezes, encaminhei-me até meu guarda-roupa e de lá tirei uma muda de roupa bem fresquinha, em seguida, fui em direção ao banheiro.
Era hora de se refrescar com uma boa ducha morna, para tirar o suor e sujeira que se juntara ao meu corpo enquanto fazia a faxina.
...
Banho tomado, Kagome renovada no sentido de estar mais cheirosa que antes, agora é o momento de ir curtir o dia lá fora, porque ficar enfurnada dentro de casa num calor deste é pedir para morrer.
Peguei meu livro preferido, o qual eu já não tinha mais noção de quantas vezes o havia lido, assim como é claro que também não me esqueci de pegar meu celular e o fone de ouvido, bem como minha bolsa de praia. Não que eu fosse exatamente à praia. Nada disso. Apenas iria curtir meu dia de folga, perto do mar, sentada em um banquinho ou até mesmo debaixo de uma árvore, curtindo um pouco a sombra e tendo a relaxante sensação que me invade quando estou lendo.
Mal dei dois passos em direção à porta de minha casa quando ouvi a campainha tocar.
Revirei meus olhos.
Que não seja nenhum vizinho chato. Que não seja nenhuma testemunha de Jeová.
Com um pouco de relutância, direcionei-me até a entrada.
Assim que abri a porta, mal tive tempo de ter qualquer tipo de reação, pois a pessoa a minha frente não me permitira ter tal ato, ela simplesmente se jogara em meus braços assim que eu girei a maçaneta e dei as caras.
— Kagome, sua linda! É tão bom saber que está em casa! — É claro que eu não precisei olhar para o ser alvoroçado que a mim se agarrou, para descobrir de quem se tratava.
— Bela tentativa, Ayame, mas sou mais pobre que você, então, se seu intuito foi tentar me pedir dinheiro emprestado, sinto muito, mas recorreu a pessoa errada... — Brinquei.
Ela então se afastou de mim. Não deixara de me lançar um olhar reprovador, o qual, sem nem dar a mínima, simplesmente ignorei.
— Você sabe que de você só quero sua inteligência. Até porque se for o seu dinheiro, precisarei pensar em qual rua há a melhor calçada para me abrigar, visto que correrei o risco de virar uma moradora de rua... — Zombou.
— Tá, okay, humilha, mas não pisa. — Fingi-me de ofendida, mas logo me recuperei e deixei a encenação de lado. — Mas me diga, mulher, o que quer de mim? Como irá me usar hoje? Seja mais gentil comigo, okay?! A última vez você extrapolou e eu fiquei muito, mas muito cansada...
É claro que a partir do momento em que você tornar uma pessoa uma de suas melhores amigas, certas conversas acabam tendo certo nível de entendimento que, muitas vezes, quem passar por você e escutar o que se está dizendo, pensará outras coisas e não o que realmente está sendo dito...
— Coisa bem simples para você. Preciso que revise uma matéria minha e depois me ajude na edição de algumas imagens. Um é para o trabalho da faculdade e o outro é para um bico que arrumei. — Ela então dera de ombros como se não fosse nada.
Okay, eu realmente tive que fechar meus olhos e em seguida abri-los novamente para verificar se era verdade mesmo o que tinha ouvido, ou melhor, se Ayame realmente estava postada em minha frente.
Infelizmente era verdade, para minha tristeza.
— Benzinho, você sabe que dia é hoje? — É claro que tive que utilizar esse apelidinho e um tom de voz desdenhoso, porque não podia ser possível.
— Com certeza! É um dia importantíssimo para mim, pois preciso finalizar ambos trabalhos para hoje, caso contrário, além de perder uma boa grana, vou também ficar de DP, até porque o professor não vai com a minha cara, então o quanto ele puder dificultar e ferrar para o meu lado, acredite que ele o fará. — Fora o que a ruiva me respondera, assim na maior cara de pau e sem um pingo de vergonha na face.
— Você só pode estar brincado! Cara, hoje é a minha folga! Eu só tenho um dia na semana para aproveitar. Lamento muito, Ayame, mas hoje não vou poder lhe ajudar... — Ayame me direcionara uma expressão de cachorro coitado, interrompendo minha fala. Suspirei. — Não adianta fazer essa cara. Poxa, Ayame, eu fico a maior parte do tempo toda atarantada de coisas para fazer é por isso que quando tenho folga o que quero é relaxar, esquecer os trabalhos e apenas curtir. Ter um dia para mim... — Expliquei.
— Não seja egoísta, Kah. Eu necessito muitíssimo de sua ajuda. Se não fosse um caso grave, nem teria batido em sua porta...
Okay, eu odiava essas expressões de coitadinha que ela me fazia.
Por que eu tive que nascer com uma personalidade de pessoa boazinha? Por que eu não consigo manter a recusa, manter-me firme em minhas palavras quando se trata de pessoas que gosto muito?
— Só me responde uma coisa: Por que bulhufas você aceitou um bico para fazer edições em imagens, quando nem sequer sabe usar um editor de imagem?
— A necessidade de dinheiro falou mais alto. Lembrei também que possuo uma amiga muito legal que me daria uma força... — Foi a resposta que obtive. É claro que não foi satisfatória, mas eu era trouxa, sempre fui, portanto, iria ajudá-la...
— Que ótimo! — A ironia em minha voz, deixou claro minha insatisfação. — Só vou avisar uma coisa: Da próxima vez não conte comigo. Sou uma pessoa muito ocupada, você sabe muito bem. Agora, vamos logo fazer esses seus trabalhos antes que eu resolva dar com a porta em sua cara...
E foi assim que perdi meu dia de folga...
Saí da casa de Ayame lá pelas três horas, isso porque havia ido até sua casa lá pelas dez e meia. Sinceramente, quem deveria ganhar o dinheiro do bico que a ruiva pegara para si, era eu, até porque quem fizera todo o trabalho de remover imperfeições, ajeitar aqui e ali fui eu. Sem contar que metade da nota de seu trabalho da faculdade deveria vir para minha pessoa, visto que quem praticamente reescrevera a matéria fora eu. Ayame ainda tinha muito o que aprender. Não que eu fosse uma expert, sabichona. Nada disso. A ruiva é quem é desleixada mesmo.
Suspirei. Em plena minha folga e eu me encontrava esgotada. Ê, maravilha! Isso porque havia planejado um dia de completa paz e sossego. Totalmente destinado para o meu relaxamento. Grande ilusão!
Em todo caso, suponho que não há como piorar...
Assim que avistei o portão de casa, percebi que havia um homem parado ali, conversando com o porteiro. Não que eu fosse curiosa, o problema era que, sendo bem sincera, encontrar uma pessoa muito bem vestida, postada frente ao prédio em que eu resido, acabava chamando a atenção...
Aproximei-me para poder entrar no local.
— Boa tarde, Houjo! — Cumprimentei o porteiro, assim que ele destravara o portão automático e permitira a minha entrada.
— Boa tarde, senhorita Kagome. Chegou em boa hora. Esse senhor deseja falar com a senhorita. — Ele então me indicou o cara engomadinho que chamara minha atenção ao longe.
Encarei-o. Não era ninguém a quem eu já tivesse trombando no meio da rua, bem como não era nenhum dos meus colegas de trabalho. Realmente um rosto muito inusitado e jamais visto por mim. Estranhei.
— Comigo? — É claro que sendo a boa idiota que sou, tive que fazer essa pergunta. Precisava ter a certeza de que havia entendi certo.
— Exatamente, senhorita. Poderíamos ter uma conversa em particular? — Indagou o homem desconhecido.
O olhei novamente, medi se seria seguro estar a sós com esse homem de meia idade. Meu alarme anti-roubada não apitou, portanto, supostamente estaria tudo bem levar este senhor até meu apartamento para uma conversa em privado.
Dei de ombros.
— Claro... — Respondi sem muita empolgação.
Sinceramente, alguma força maior hoje está me impedindo de aproveitar meu tão precioso dia de folga.
Fiz um gesto para que o senhor ao qual eu não sabia o nome me acompanhasse.
— Até mais, Houjo! — Sorri para o porteiro e assim segui meu caminho, com o senhor de meia idade, gordinho e baixinho em meu encalço.
...
É claro que sendo uma boa pessoa, preparei um chazinho para o meu visitante inesperado.
— Desculpe-me a pergunta, mas quem seria o senhor? — Sei que essa seria uma pergunta a qual já deveria ter feito há muito.
— Oh sim, é claro, que falta de educação a minha! Meus sinceros arrependimentos. Me chamo Myouga Yamazaki, sou o que você provavelmente encara como um mensageiro... — Ele apresentou-se.
— Mensageiro? — Indaguei confusa. — Mensageiro de que exatamente?
— Por um acaso a senhorita conhece a senhora Kikyou Higurashi? — Indagou.
— Sim, ela é minha irmã mais velha. Por quê? — Perguntei de forma desconfiada.
— O que venho lhe trazer tem relação com sua irmã...
— E o que seria? — Certo, estava ficando cada vez mais confusa com tudo o que o senhor Myouga estava me informando, bem como curiosa, afinal, ele citara uma figura que há muito não tenho contato...
— Uma audiência. — E ao dizer isso, ele retirara um envelope de dentro de sua pasta, entregando-me logo em seguida.
— Uma audiência? — Repeti, pegando o envelope e o depositando em cima da mesa, o deixando de canto por um momento...
— Vejo que a senhorita não faz ideia do que aconteceu, não é mesmo?
— Do que está falando, o que isso tem a ver com minha irmã? Por que tanto mistério? — Tensão, fora tudo o que consegui sentir no momento.
— Sinto muito, senhorita. Não foi permitido a mim o direito de entrar em detalhes. Como todo funcionário, recebo ordens de um superior e este não me concedeu o poder de entrar em detalhes. Inclusive, visto que já terminei meu serviço, peço licença para me retirar. O chá estava ótimo, agradeço a recepção. Nos vemos em breve.
E sem nem mesmo esperar que eu o acompanhasse até a porta, o mesmo foi sozinho em direção a ela e saiu de um jeito tão rápido que eu, ainda abobalhada e digerindo o que havia acabado de acontecer, só tive tempo de piscar...
Eu, hein, é cada tipo de pessoa que sou obrigada a conhecer que vou te contar...
Com um dar de ombros, resolvi tomar coragem e abrir o envelope que me havia sido entregue. Provavelmente nele encontraria resposta mais esclarecedora do que a conversa misteriosa e totalmente não inteligível do tal Myouga.
Conforme abri tal documento, comecei com a leitura:
Senhorita Higurashi,
É com grande pesar que venho por meio desta informar-lhe um fatídico acontecimento.
Presumo, devido a distância tanto geograficamente falando como também emocionalmente, bem como devido a circunstância a qual a senhorita e sua irmã não mantinham contato já há alguns anos, assim como tenho ciência de que ela costumava ser seu único familiar vivo, venho então lhe esclarecer alguns fatos...
É incorrigível e inadmissível uma notícia como está lhe chegar em mãos por meio de uma carta, assumo, no entanto, não havia outra alternativa se não essa.
Há exatamente um mês, sua irmã sofrera um acidente de carro. Ela estava junto de seu companheiro, o senhor InuYasha Taisho.
Ao que parece, ambos voltavam de um encontro de negócios. Um fechamento de contrato ao qual o senhor InuYasha há meses almejava.
O que tinha tudo para ser uma volta pacifica e igual a tantas outras, acabou tornando-se uma volta trágica...
Sinto em lhe passar uma notícia via meros papéis e alguns rabiscos, mas infelizmente, o acidente de carro que sua irmã, juntamente de seu parceiro, sofreram, fora fatal. A morte viera de forma instantânea.
Não a contatamos antes, devido ao fato de não termos muitas pistas a respeito da senhorita Kikyou e seus familiares. Tardamente, viemos a descobrir que ela possuía uma irmã e que esta irmã morava há alguns estados de distância.
Meus pêsames, senhorita Higurashi. Lamento muito sua perda.E lamento também parecer insensível, no entanto, o motivo de meu comunicado, não é apenas falar sobre a morte de sua irmã.
O motivo de minha comunicação, não fica somente por esta notícia. Imagino que não seja de seu conhecimento, porém, a senhorita Kikyou e o senhor InuYasha, deixaram para trás uma filha.
Não conseguimos, até o presente momento, contatar um parente próximo do senhor Taisho, portanto, a senhorita é o único parente que restou à criança.
No momento, Rin, sua sobrinha, está aos cuidados do pessoal do Conselho Tutelar.
Agora que a encontramos, daremos início a uma audiência para decretar se — caso a senhorita aceite -, Rin passará a ficar sobre sua custódia ou se a criança será encaminhada para um orfanato. Faremos uma audiência para dar início ao que melhor for decretado para o bem da criança, isso é, se fará bem para ela ficar com a tia ou se será melhor deixá-la aos cuidados das irmãs de um orfanato....
Abaixo você encontrará informações precisas a respeito de quando e em que lugar a audiência será realizada.
Obrigada pela atenção. Minhas condolências e, sobretudo, peço que me perdoe por emitir uma notícia tão importante, por meio de uma carta...
...
Certo, isso só pode ser piada! Com certeza é uma piada! Isso é algum tipo de pegadinha. Alguém querendo bancar o engraçadinho para cima de mim, mas... Além de Ayame, ninguém mais sabe que possuo uma irmã. Ninguém além da ruiva tem ciência de meu passado...
Merda e eu achando que as coisas não podiam ficar piores! Mas é claro que podem! Não há nada ruim que não possa piorar!
Veja só como me encontro agora, em meio a lágrimas, com os olhos mais vermelhos do que quem cheirou várias e com os soluços reverberando todo o apartamento.
Droga! Isso só pode ser mentira... Não tem como ser real. Não há como simplesmente ter restado apenas uma Higurashi viva, ou melhor, duas, levando em consideração que agora tenho uma sobrinha, isso é claro, se o que está escrito em tal carta for verdade.
A única forma de descobrir, seria indo até o local endereçado na carta. O único problema, ou melhor dizendo, um dos problemas, era que a data que constava na carta coincidia com meu dia de trabalho e, havia também meu receio de que pudesse, de alguma forma, cair em algum golpe...
Merda, seria arriscar e pagar para ver.
Limpei as lágrimas de meu rosto, fui até o banheiro e o lavei, em seguida, voltei para o meu quarto e fui fazer algumas pesquisas.
Apesar de conter o selo que indicava ser realmente algo importante, vindo de um lugar realmente sério, hoje em dia em nada se podia acreditar, portanto nada como algumas pesquisas para diferenciar o falso do verdadeiro...
Eu ia conseguir identificar se tal carta era alguma armadilha ou se realmente seria verdade o fato de minha irmã ter falecido. Apenas lembrar isso já fazia com que meu rosto se desmanchasse em lágrimas.
Notas finais
Bem, é isso. Não deixe de comentar. E se desejar, favorite. Eu não mordo, okay?!
Beijitchos da Mayu!
Até logo!
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