Laços da Magia
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
A menina de doze anos olhava as outras crianças brincarem através da janela. Elas corriam uma atrás das outras e o único desejo de Alina era estar ali. A chuva começou a cair e isso fez com as crianças ficassem ainda mais animadas. Alina observou as mães gritarem para os filhos irem para dentro do castelo para não ficarem doentes. Mas as crianças continuavam a correr e a pular nas poças de águas que se formavam no chão.
— Princesa – chamou a criada Miriam – Sente-se e preste atenção no seu bordado.
— Isso é muito chato – retrucou a menina e sentou-se de volta na cadeira cruzando os braços – Porque não posso ir lá fora brincar, Miriam?
— Ora, menina – disse Miriam – Primeiro porque é uma princesa e deve portar-se com tal. Deve ter agir com elegância e ter bons modos. Aliás, a princesa não espera que o rei permita que sua única filha corra entre as demais crianças e volte toda suja de lama.
— Mas isso é tão injusto – a menina não se conforma com a explicação da mulher – Mas meu irmão pode ir lá fora e está até aprendendo a lutar com espadas. Porque eu tenho que ficar aprendendo a costurar, bordar e ter aulas de etiqueta? Eu odeio isso!
Miriam solta um longo suspiro e prepara-se para mais uma explicação. Não poderia deixar de sentir pena da menina. Desde a morte da rainha Melina no nascimento do príncipe Henry o rei havia se tornado um homem recluso, frio e cruel. Tal frieza recaiu sobre seus próprios filhos.
O rei era visto somente nos jantares e não demonstrava nenhum tipo de afeto pelas crianças. Alina não podia sair de dentro do castelo em hipótese alguma e sempre estava acompanhada por guardas. A menina tinha somente Miriam como companhia, que era como uma mãe para ela. A princesa tinha apenas quatro anos quando a rainha faleceu e, desde então, a criada dedicou-se a criar a menina.
Já o príncipe Henry tinha um tutor chamado Brandon que era um dos guardas de confiança do rei e que exigia muito do menino. Tinha apenas oito anos e possuía aulas sobre lutas e espadas. Pobre criança. Lamentava Miriam. Alina tinha ela, mas o pequeno Henry não tinha ninguém.
— Seu irmão está sendo treinado porque um dia terá que assumir o trono – explicou a criada – Ele precisa saber lutar e manejar uma espada para que possa defender o reino em uma guerra.
— E porque eu não posso aprender também? – a princesa pergunta na sua inocência.
— Porque mulheres não devem aprender essas coisas – Miriam responde rapidamente — A menina um dia irá se casar com um homem que seu pai escolher e deve saber comportar-se como uma dama e ser uma boa esposa.
— Mas eu quero escolher com quem vou me casar, Miriam! – exclama a menina.
— Ah, minha querida criança – a criada lança um olhar triste para Alina – Nós somos mulheres e não temos escolhas.
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