Laços da Magia
6 Capítulo V
Notas iniciais
Capítulo V
Após voltar para seu aposento, Alina não conseguiu dormir nada. Tudo estava dando certo, mas quando Tessa começou a falar o tempo tinha acabado. Então, a princesa fez algo sem pensar nas consequências: libertou a plebeia como uma afronta ao pai. O que ela estava pensando? Se o rei ao menos imaginasse a sua participação na fuga da garota...Mas a princesa não poderia deixar de sorrir ao pensar na enorme surpresa que ele teria ao perceber que Tessa escapara.
Os primeiros raios de sol entravam pela janela quando Alina ouviu o alvoroço no pátio do castelo. A bruxa fugiu. Era o que todos gritavam. A princesa já imaginava que Miriam não viria trazer seu café da manhã e ajudá-la a se vestir. Por isso levantou-se da cama e começou a se arrumar. Ela estava sentada em frente a penteadeira terminando de trançar os cabelos quando seu irmão entrou no aposento furioso.
— Você a libertou — disse entredentes.
Assustada com a atitude do irmão, Alina correu e fechou a porta.
— Você quer que todos saibam, irmão? — sussurrou a garota.
— Perdeu completamente o juízo, Alina! — o garoto exclama — Eu concordei em ajudá-la nesse plano maluco de ir até a masmorra, mas não em deixar uma prisioneira fugir.
— Eu precisei agir rápido — explica a jovem — No momento que ela ia falar você apareceu.
— Para tirar você de lá — responde o príncipe rispidamente.
— Eu não queria que todo nosso plano fosse em vão, Henry. Eu precisava me vingar do nosso pai — Alina murmurou.
— Mas você ainda vai ter que se casar — disse o garoto exasperado — E aquela garota pode ser perigosa….
— Basta, irmão — interrompe a princesa impaciente — Apenas o fato do rei ficar furioso já me deixa satisfeita.
— Se ele descobrir que você a liberou, Alina…
— Ele nunca irá saber. O guarda não me reconheceu e provavelmente vão atribuir o desmaio à bebida. Assim, como os demais guardas que estavam me vigiando.
— Podemos ter tido sorte desta vez, irmã. Mas não me peça mais nenhuma ajuda em qualquer plano.
Henry deixa o aposento ainda furioso.
— Não se preocupe, irmãozinho. Em menos de uma semana estarei longe daqui — grita com a voz embargada.
(...)
Os restantes dos dias passaram como um borrão para Alina. Como o rei havia decretado, ela não podia sair do seu aposento e nem Miriam era mais sua criada. A criada chamada Charlotte vinha trazer suas refeições, mas elas trocavam apenas poucas palavras durante esses momentos. Henry também não aparecerá nesses dias. Alina imaginava que o irmão ainda estava furioso com ela por ter ajudado na fuga de Tessa.
O rei tinha mandado inúmeras patrulhas atrás da prisioneira e uma enorme recompensa foi oferecida em troca de informações sobre o seu paradeiro. A aldeia e a floresta foram minuciosamente vasculhadas, mas nenhuma pista de Tessa foi encontrada. Os criados e os plebeus tinham sido interrogados, mas ninguém parecia ter qualquer informação de como a bruxa havia escapado daquela masmorra. O boato era de que a plebeia tinha lançado um feitiço no guarda e convenceu o mesmo a libertá-la. O que era totalmente ridículo na opinião da princesa
A manhã do casamento finalmente chegará. O rei Richard já estava no castelo desde o dia anterior com alguns guardas e súditos de sua confiança. Alina tinha dormido somente por algumas horas e logo cedo as criadas vieram até seu aposento para iniciar os preparativos. Como Alina desejava que Miriam estivesse ali para confortá-la. Após colocar o belo vestido e joias que o seu próprio noivo havia escolhido, foi a vez de ajeitar seu cabelo. Os fios loiros foram prendidos em um elaborado penteado e a tiara de sua mãe posta em seguida.
Enquanto a criada termina de dar os últimos retoques, o pensamento da princesa viaja até Tessa. Onde será que ela estaria? Provavelmente aquela altura a plebeia deveria estar longe dali livre para fazer o que quisesse com sua vida. Mas Alina não tinha se arrependido por ter dado a liberdade a garota, pois não acreditava de fato que ela fosse uma bruxa e não poderia deixar uma injustiça acontecer.
Quando estava próximo do horário da cerimônia Alina foi conduzida até o salão do castelo. Ela pouco prestou atenção na decoração ou nos convidados durante o trajeto até o seu noivo que esboçava um sorriso de satisfação. Seu pai estava atrás dele sem demonstrar qualquer reação e Henry estava ao seu lado com uma expressão de raiva, mas ele apenas a encarou como se pedisse desculpas. Alina tentou lançar um olhar tranquilo ao irmão e seguiu caminhando sozinha até seu futuro marido.
Ela pode ouvir murmúrios dos convidados de como estava linda e outros de como parecia infeliz naquele momento. O padre iniciou a cerimônia e a princesa quis desligar-se tudo. O sim entre os noivos foi dito e o rei Richard depositou um beijo na sua bochecha causando arrepios na garota. Após a cerimônia ser finalizada os convidados aplaudiram e Alina sentiu que sua vida estava prestes a mudar totalmente.
Seu marido não quis uma festa e exigiu que partissem rapidamente. Eles embarcaram na carruagem e seguiram para uma longa viagem. A princesa antes de entrar foi até o irmão para se despedir. Eles deram um abraço forte e Henry sussurrou apenas para que ela pudesse ouvir.
— Eu vou encontrar um jeito de te ajudar, irmã.
— Será um ótimo rei, Henry — disse soltando o irmão.
O seu pai não a abraçou e apenas disse para ela ser uma boa esposa e não decepcionar seu marido.
— Pode ter certeza, papai — A princesa responde ironicamente.
Durante o trajeto até seu novo lar, a jovem não trocou nenhuma palavra com seu marido. Ela aproveitou para admirar a paisagem ao redor. Em determinado momento ele retirou um cantil no casaco e
começou a beber. O rei Richard ofereceu um gole, mas Alina recusou imediatamente.
— Não gosta de beber? — perguntou.
Alina balançou a cabeça negativamente.
— Terei que lhe ensinar muitas coisas, esposa — disse e tomou mais um pouco da bebida — Vamos nos divertir muito juntos.
O homem soltou uma gargalhada e tudo que Alina sentiu foi repulsa.
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