Laços Quebrados
1 Miguel
Notas iniciais
“Miguel estava em um lugar escuro, iluminado somente por velas. Seguiu o caminho, que a cada passo parecia se clarear mais. O corredor o levou a uma sala onde havia sete pessoas sentadas ao redor de uma mesa. O jovem não conseguia ver seus rostos, pois usavam capuzes verdes escuros que o impedia de distingui-los. Havia uma pessoa em cada ponta, uma pessoa ao norte e as outras quatro ao sul da mesa.
–Mestre, o que irá acontecer quando a estrela sagrada explodir? Perguntou uma voz que parecia ser familiar
–Eu não sei ao certo. Suponho que a nossa Mãe e Pai, uniram as espécies, criando uma nova espécie de Mago.
–E isso seria bom? – uma voz masculina perguntou
–Não vejo problema nisso. Mas certamente haverá pessoas que terão.
O garoto ouviu um barulho, como se tudo do lado de fora estivesse sendo destruído.
–Ouçam, algo esta a caminho – disse, mas ninguém conseguia ouvi-lo
Percebeu isso no momento em quem uma voz feminina disse:
–Olhem.
Todos, inclusive Miguel olharam na direção que a mulher apontara. O que viu foi uma grande luz vermelha, uma explosão que vinha em sua direção. Pensou que sentiria seu corpo queimar ou que seria destruído instantaneamente. Mas não sentiu nada.”
Acordou com uma queimação e uma dor imensa no pulso e nas costas, aquele sangrava formando um símbolo irreconhecível no momento. Ouviu alguém bater na porta.
–Quem é?
Ninguém respondeu.
–Que dor insuportável.
Um homem de cabelos negros, pele morena e olhos cinzas entrou no quarto juntamente com uma mulher de pele pálida, olhos azuis e cabelos loiros ondulados. Ele (chamado Rodrigo) usava um manto azul-marinho, calça e camisa marrons e luvas pretas. Ela (chamada Elizabeth) vestia um vestido verde. Ambos aparentavam ter vinte e cinco anos, usavam coroa e pareciam surpresos.
–Parece que é verdade. O garoto foi escolhido para a busca. – o homem disse colocando a mão na testa do jovem
–É inacreditável que Miguel seja protegido por alguém como Priscila, ele não merece o lugar a qual ocupa.
–Isso não importa, ele foi escolhido e ponto.
Elizabeth saiu insatisfeita deixando Rodrigo e Miguel sozinhos.
–O símbolo prova que você é nosso filho. – disse o rei pegando o pulso do garoto
O jovem olhou o símbolo, o que o pai dizia era verdade, a marca era um coração vermelho com um leopardo(símbolo dos Rever) e um coiote( símbolo dos Finty).
–Descanse. – disse o homem se retirando do quarto.
“Nosso filho”. As palavras do rei ecoando em sua mente, algo que Miguel nunca havia ouvido desde a lembrança de sua existência. Ele sempre fora tratado como se não vivesse na casa, os pais nunca o trataram como um filho. Fechou os olhos e adormeceu novamente.
Quando abriu os olhos se viu no espelho que havia a sua frente: tinha cabelos negros, pele morena, olhos azuis e vestia um roupão. Aparentava ter 16 anos.
Um grande leopardo com olhos dourados estava ao seu lado.
–Olá, Akefia – disse
O grande gato ronronou mostrando-se feliz.
–Ele é lindo – ouviu uma voz conhecida dizer
Miguel olhou para a moça surpreso, ela estava sentada em uma cadeira perto do guarda-roupa, tinha cabelos castanhos, olhos castanhos e usava um vestido amarelo acima do joelho com faixa preta. A mulher parecia ter 18 anos e sorria como se não houvesse nada que a fizesse triste.
–Quem é você?O que faz aqui?
–Eu vim ver sua marca. Quanto a minha identidade, você deve imaginar quem sou.
–Você é meu anjo, Priscila.
Ela afirmou com a cabeça.
– Com licença.
Priscila pegou o pulso do mais novo e viu a marca.
–Olhe – disse mostrando em seu braço, uma parecida, era um coração com uma flecha azul, a flecha mostrava que ela era uma Mestra.
–Minha mãe disse que eu não sou digno de ter uma tutora como você. Agora eu vejo que ela tem razão.
A Mestra o olhou.
–Ela está enganada. Todos somos iguais independente do que somos. Mas se pensa assim, acho que você é melhor que eu, pois a única coisa que me recordo é de ser uma Mestra e meu nome, não tenho mais nada.
–Sinto muito.
Ela sorriu e disse:
–Elliot está aqui para falar conosco. Vamos descer.
Miguel ficou se perguntando como ela sabia disso, mas se lembrou que Priscila era uma Mestra e que possuía certos dons.
Desceram e o príncipe viu um homem que aparentava ter 20 anos, seus cabelos eram castanhos presos em um rabo de cavalo curto, os seus olhos pratas mostravam um olhar de sabedoria, ele usava um manto verde-escuro e sorriu ao ver Miguel e Priscila.
–O que faz aqui? – pergunto o príncipe
–Vim lhes dizer para se prepararem, pois, teremos que partir amanha.
–Amanhã? — Miguel
–Sim. A lua foi tingida de vermelho mais cedo do que imaginávamos.
Conversaram por longo tempo até Elliot dizer que ele e Priscila teriam que ir embora.
–Nos encontraremos amanhã a noite
No outro dia, o príncipe de Rever andou pelas ruas do vilarejo. Com o capuz azul escuro e Akefia andando ao seu lado. As pessoas caminhavam felizes pela cidade, mas se afastavam com medo do animal. Provavelmente elas se curvariam diante do menino, mas não o faziam porque não viam seu rosto; e Miguel estava grato por isso. Odiava chamar atenção, alem do fato que seus pais não podiam descobrir que ele estava ali.
–Miguel.
Ouviu alguém o chamar, reconhecia a voz de algum lugar.
–Quem? – perguntou pois não via ninguém.
–Venha até mim.
Akefia pareceu entender o recado e correu na direção da voz.
–Akefia. Volte aqui.
O jovem correu atrás do leopardo e se encontrou em uma floresta que possuía arvores altas prateadas, ela era iluminada por uma luz esverdeada e era “cortada” por um rio dourado.
–A floresta oculta dos magos. – olhou para seu animal de estimação e disse:
–Akefia. Não há ninguém aqui.
–Talvez haja.
O dono da voz era um homem de olhos dourados, pele bronzeada, cabelos loiros acinzentados que vestia camisa e calça preta com um capuz verde. Ele acariciava a cabeça de Akefia que parecia feliz com o carinho.
–Yusei. O Mestre de todos os outros. – sussurrou o príncipe surpreso. Nunca havia visto o homem, não sabia como tinha certeza de quem ele era. Era como Priscila, ele só sabia quem ela era.
Quando se recuperou da surpresa, finalmente se curvou diante do homem.
–Sinto muito senhor.
–Não é necessário que você me reverencie, Miguel. Vim falar algo importante com você. Como seu amigo.
O garoto não estava entendendo. Se nem os pais o achavam digno de dirigir alguma palavra a ele, como o líder de todos os Mestres, o filho dos Deuses se importaria?
–Desculpe-me, mas... Por que o senhor teria algo importante para tratar comigo? — perguntou o garoto.
Yusei sorriu. Miguel podia sentir seu poder irradiando em torno de toda a floresta.
–Não pense que você não é importante. Você é muito especial Miguel. Melhor do que imagina.
O mestre continuou sorrindo e o príncipe ainda se mantinha surpreso.
–Penso que está na hora de eu ir embora. – Yusei disse.
“Era só isso?” – pensou o outro.
–Tem razão. Já estava me esquecendo de seu presente de aniversario.
Miguel abaixou a cabeça. Estava envergonhado por pensar mal do Mestre. E tambem se sentia burro por esquecer que Yusei podia ler mentes.
O mais velho puxou um colar que mudava de dourado a prata, com um pingente de uma fênix e outro de um cervo.
–São símbolos dos deuses. Irão te guiar e proteger.
–OBRIGADO SENHOR- disse fazendo outra reverencia.
Yusei afagou a cabeça do garoto e disse:
–Boa sorte. Você vai precisar. — sorriu e continuou. — E não se esqueça: fui eu que presenteei seu pai com Akefia. Quando você precisar é só chama-lo.
Uma luz muito forte apareceu em volta do homem, fazendo o mais jovem fechar os olhos. Quando os abriu, ele e Akefia estavam de volta à cidade.
–Pare, por favor. Não tenho nada aqui. – ouviu uma mulher gritar.
Um homem de capuz cinza,( que Miguel tinha certeza que era um mago, pois podia sentir seu poder) estava com a mão envolta da garganta de uma mulher. O príncipe ficou enfurecido com aquilo. Aquela mulher era uma humana comum.Não podia se defender de um homem, principalmente de um mago.
–Pare com isso. Agora. – gritou Miguel.
O homem olhou para ele e riu.
–Quem você pensa que é para me ordenar algo?
–Sou o príncipe de Rever e herdeiro do trono. – disse abaixando o capuz. – Ordeno que solte essa mulher pela lei do leopardo negro.
O homem riu e soltou a mulher, a jogando no chão.
–Vou lhe matar. Provarei que não me importo com o fato de você ser um príncipe.
O homem puxou a espada e Miguel fez o mesmo.
–Vou ficar feliz em te matar. Ele preza muito seu reino sabia? Qual será a reação ao ver seu pai, o rei que ele considera um filho, triste pela morte de seu herdeiro? – disse o homem.
Agora que Miguel não estava entendendo nada. Quem seria ele? Quem se preocuparia tanto com o reino de Rever, mais que o rei? Não sabia responder aquelas perguntas. Mas ele sabia de uma coisa: seu pai não choraria sua morte.
–Venha pirralho. Vou te mostrar o que um guerreiro de verdade faz.
O homem o atacou, Miguel desviou e direcionou a espada na direção do peito do oponente. Este se esquivou e o príncipe aproveitou a oportunidade para passar-lhe uma rasteira.
–Seu moleque imundo.
O garoto sorriu e se preparou para golpear novamente o homem quando alguém interrompeu a luta se colocando, ou melhor, colocando o cavalo entre os dois.
–Aaron. Pare com isso. Quem lhe deu permissão para atacar os civis? Principalmente o príncipe?
Quem os interrompeu possuía o corpo esguio e usava um capuz cinza que cobria seu rosto. Sua voz se assemelhava a de um adolescente. Porem, mesmo sendo mais jovem que Aaron, o homem parecia ter medo dele. Por isso, Miguel deduziu que o jovem fosse o líder.
–Sinto muito, meu senhor.
–Já não lhe avisei que não devemos machucar pessoas inocentes. Se o que estamos procurando estivesse aqui, já teríamos o encontrado. Se fizermos tais atos, nos igualaremos a eles e a nossa luta não adiantaria de nada. Não devemos lutar contra ninguém daqui. Nossos inimigos são os homens de manto negro. – o líder respirou e continuou, agora olhando para Miguel, que só pôde ver os olhos cor de mel. – Sinto muito vossa alteza. Peço desculpas pelos atos de meu subordinado.
O príncipe assentiu com a cabeça, aceitando o pedido de desculpas.
–Obrigado pela sua consideração.
Dito isso o líder virou o cavalo, dando as costas para o príncipe.
–Venha Aaron. Fui bonzinho com você. Talvez Athos não o seja.
Assim, deixaram o local adentrando a floresta. Miguel ficou acariciando a cabeça de Akefia, até notar que já era noite e que deveria voltar para casa.
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