Laços Quebrados
3 Elizabeth
Elizabeth
"Elizabeth estava em um jardim, na frente de um castelo. Ao seu lado, uma menina de cabelos loiros e olhos azuis sorria para ela.
–Irmã. — A menina disse correndo na direção da rainha, quase tropeçando no pano de seu vestido rosa.
A mulher se ajoelhou e abriu os braços, como se pedisse para a garota abraça-la. A mais velha sorriu, mas seu sorriso desapareceu quando o rosto da menina ficou pálido, os olhos sem foco e a criança caiu no chão morta.
–Isabel. — a rainha chamou desesperada.
Correu até a irmã, mas o corpo dela já havia se transformando em pó.
–O que...
A rainha sentiu o chão se movimentando e se transformar em terra. O ambiente mudou, e o lindo jardim se tornou um cemitério horrível, cheio de túmulos.
A rainha pretendia sair do local, mas alguém segurou sua perna.
O “alguém” era uma caveira de cabelos loiros que olhava fixamente para Elizabeth.
–Mãe?
A caveira riu.
–Como és impertinente. Chamar-me de mãe depois de ter matado a própria irmã.
–Sabe que não foi minha culpa. Tive que fazê-lo. Ela era só um cadáver que lógo seria controlado pelo inimigo. — disse chorando.
–Isso não justifica o que você fez.
–Eu não podia fazer nada... Aquela era a única solução.
A mãe morta a encarava com os olhos vazios.
–Você tenta se livrar da culpa através do fato que o inimigo usaria sua irmã. Mas você sabe que a matou porque não suportaria vê-la com a doença. Por que não conseguiria protege-la.
–Isso é mentira. Eu a matei, porque ela iria morrer. Por que Mark a utilizaria contra mim... — disse abaixando a cabeça, notando que acabara de confirmar o que a mãe havia dito.
–E você não a atacaria. Fracassaria e morreria. Por isso tirou a vida de Isabel enquanto ela estava dormindo.
–Isso é mentira. Pare de dizer mentiras. — disse Elizabeth chorando.
–Não estou mentindo. Você sempre foi egoísta. Só se preocupou consigo mesma. E com isso você afastou todos que te amavam. Inclusive a pessoa que poderia te salvar.
–Me salvar? Do que?
A mãe riu.
–Da maldição.
Elizabeth percebeu que a caveira segurava seu pulso.
–Olhe sua mão.
A filha o fez. Na mão dela havia a marca de uma a caveira de um coiote negro. A marca de finty. Reparou também que na mão da mãe havia um anel vermelho com o simbolo de um coiote.
–Você não pertence mais a esse reino. Deixou de pertencer no momento em que assassinou Isabel. E por isso está amaldiçoada. Prepare-se. O fato de ser uma mestra não irá lhe salvar."
Elizabeth acordou assustada, com o corpo suado e a respiração ofegante. Olhou a mão, onde não havia nada. Deu um suspiro de alivio e levantou-se da cama.
–Minha senhora? — a serva perguntou olhando para a rainha.
–Não se preocupe, Celina. Vou sair. Se alguém me procurar, diga que já volto
A rainha se levantou e colocando um capuz azul-marinho saiu do quarto e foi em direção aos estábulos.
O tempo fora do castelo era frio, mas ela não se importou. Acariciou o focinho do cavalo e o montou.
–Vamos, amigo.
Ela galopou, se distanciando do reino. Não podia usar magia, porque Rodrigo notaria e não queria ser importunada.
Quando chegou no cemitério, o vento fez com que seu capuz caísse, expondo os cabelos loiros. Desceu do animal e caminhou até o tumulo da mãe.
“Não estou com medo de uma maldição. Sou uma Mestra. Não tenho medo da Morte”.
Ouviu um riso sinistro e olhou na direção do som.
“E falando nela”.
A mulher que estava rindo, possuía cabelos negros, olhos escuro e vestia um vestido vermelho. Ela estava sentada em cima do tumulo da rainha Helena e sorria para Elizabeth.
–Você não pode se aproximar, vossa majestade.
–Tente me impedir.
Quando tentou se aproximar a Morte a impediu colocando uma lança à frente da rainha.
–Saia.
–Não. Você não pode pegar o anel de sua mãe. Não foi doado para ti.
–Se é assim. Vou lhe forçar a sair.
A loira fechou os olhos. Em sua mão surgiu um bastão azul. E sem que a morena pudesse fazer algo, Elizabeth impulsionou a arma contra a adversaria, fazendo com que a foice caísse no chão.
–Certo. Quer brigar ? Vou conceder-lhe esse desejo.
A foice foi sozinha para a mão da Morte e se transformou em uma lança.
Elas se atacaram rapidamente. A lança se aproximou do pescoço da loira fazendo um corte. Elizabeth impulsionou o bastão contra o peito da morena fazendo-a cair. Aproveitou a chance e se abaixou, invocando a magia deixando tudo ao seu redor congelado., inclusive os pés da rival.
–Me solte.
A rainha sorriu.
–Acho que não.
O bastão da rainha se dissolveu se tornando varias estacas de gelo, atacando a Morte.
Natsee começou a se dissolver e disse rindo:
–Vossa majestade sabe que não poso morrer. Por isso tem medo de mim.
Agora foi a vez de Elizabeth de rir.
–Sabe que possui um sentimento recíproco por mim. Mas, no caso só pode me matar com a ajuda dos deuses ou de um Mestre. Acho que não possui tal privilegio.
–Não fique muito confiante, vossa alteza. — disse a Morte desaparecendo com um sorriso.
A vencedora tocou o pescoço instintivamente, mas o ferimento já havia se curado.
–Vamos acabar com isso.
Aproximou-se do tumulo e o tocou. Um circulo azul apareceu com uma chave em seu interior. Elizabeth pressionou a chave e a lapide se abriu. A rainha viu os resto da mãe dissolvidos em pó, nele o anel vermelho da rainha de Finty reluzia. A senhora de Rever pegou o objeto e o colocou no dedo.
–Sinto muito mãe, mas parece que sua maldição não irá funcionar.
A filha lacrou o tumulo e montou no cavalo.
–Vamos amigo. Vamos para casa.- disse sorrindo sem notar que a marca de um coiote preto aparecia em sua mão e que provavelmente Helena estava rindo em seu tumulo.
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