Laços Mortais
2 O que aconteceu?
...LOGO VOCÊ ENTENDERÁ...
Acordei com isso em minha cabeça, alguém falando comigo, como se fosse um sussurro ou coisa do tipo. Não entendi muita coisa, mas essa frase foi o que ficou me rondando.
Sinto-me como se tivessem sugado meu cérebro com um canudinho, me sento na cama dura, olho ao redor, estou em um hospital. Mas quem me trouxe aqui? Tento me lembrar de alguma coisa, mas não consigo. Realmente, balanço a cabeça como uma débil para ver se clareia algo, mas nada, só faz eu fica tonta. Não lembrar de porra nenhuma é um clichê, eu sei, mas não ligo, só quero saber meu nome, que nem isso sou capaz de lembrar.
Minha garganta está muito seca, chega a doer. A enfermeira chega com uma bandeja. Essa comida... Que cheiro bom... Abro minha boca para agradecer, mas algo há de errado, sinto uma coisa, como se eu sentisse o sabor dela. Não é possível que eu seja lésbica. Me recuso a pensar nessa possibilidade. Ela me entrega a bandeja e sai. Tem bolacha de água e sal, uma sopa estranha, um copo de água e outro de suco. Começo a comer, mas há algo estranho, tudo desce tão seco, tudo tão sem sabor. Pego uma bolacha e sinto tudo voltando.
– Você tem que comer algo – A enfermeira diz.
Sorrio para ela enquanto ela limpa meu vômito do chão. Estranho, me sinto atraída por ela. E não, ela não é daqueles tipos de enfermeiras de filmes pornôs. Ela é um pouco acima do peso, com cabelo quase grisalhos, idade de uma avó. Quando ela sai, fico agradecida, não quero ter um caso com uma enfermeira. Mas estou faminta, não, faminta não, sede, sim, sede, muita sede.
Escuto um barulho ao longe. Como se alguém tivesse caído da escada. Levanto-me tão depressa que quando vejo-me já estou na escada. A minha enfermeira estava caída ao pé da escada, choramingando e com muito sangue em seus braços. Era a coisa mais linda e chamativa que eu já vi em 3 minutos de acordada. Sangue fresco, saindo de seu braço. Ela está desmaiando.
BEBA.
Anh? Que voz é essa?
BEBA.
O vento entra pela janela, e o cheiro de sangue veio direto a mim. Não consegui me controlar. Tudo fica escuro. Quando percebo, já estou perto da enfermeira, pego seu braço e ...
Era como se estivesse no deserto e achasse um pouco de água. Sim, o sangue entrava em minha boca, quente e um pouco salgada. Era tão bom, descia pela minha garganta hidratando cada parte de mim. Não era seco como a que tinha comido mais cedo, era como se fosse um milkshake de morango com sal. Que doentio. Meu Deus! O que estou fazendo!
Me afasto rapidamente. Olho para o que fiz. Vejo a enfermeira com olhos vazios. Igual a mulher que vi no carro... Sim... O que eu sou? Uma canibal? Começo a chorar. Sim, típico. Ah, qual é. Aposto que ainda sou adolescente.
Não sujei muito o chão de sangue. Me sinto tão forte. Renovada. Pego a enfermeira em meus braços e a levo para um armário. O que mais podia fazer? Pedir ajuda? “Ei senhor, me ajude aqui, bebi o sangue daquela gorda ali e não sei onde enterro.” Não sou tão estúpida.
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