Laços Imperfeitos
22 Extra – Uma mistura “explosiva”: Morango com chantilly e... Chappy?
Notas iniciais
Extra – Uma mistura “explosiva”: Morango com chantilly e... Chappy?
Rukia não sabia bem o porquê de estarem se encaminhando para a casa de Renji. Bom, na verdade ela podia imaginar muito bem o porquê... Só não entedia o fato do namorado não querer dizer nada. E pior, o motivo dele estar tão corado e carregando várias sacolas. Ela até tentou ajudar, mas, ele logo recusou. Afinal, ali tinha coisas muito importantes.
Ichigo estava ansioso e... bom, muito constrangido. Mas, por Rukia qualquer sacrifício valia a pena. Era definitivo, precisava recuperar a animação da namorada e a atenção dela. E era isso que faria! Com toda sua dignidade e masculinidade se vestiria de... Mais uma vez o rubor se espalhou por seu rosto, deixando a Kuchiki ainda mais preocupada.
Chegar à casa de Renji nunca pareceu tão assustador. Suspirou e pegou a chave que o ruivo havia emprestado. Era bom que ele demoraria mais que o normal, já que após o trabalho resolveria “uma questão de vida ou morte”. Enfim, fosse o que fosse não importava no momento. Sorriu para Rukia, para que ela não se espantasse com o tremor de suas mãos ao abrir a bendita porta.
Colocou as sacolas no sofá e logo trancou a porta. Rukia estava ansiosa e extremamente curiosa, tentou bisbilhotar um pouco, mas logo foi repreendida. Antes que Ichigo pudesse pensar em qualquer preparativo, precisava que Rukia estivesse em outro lugar. Mas, já tinha uma boa ideia para isso.
– Rukia, você deveria tomar um banho antes... Sabe, tenho que preparar algo ainda...
– Eu estou fedendo? – A garota começou a se cheirar, mesmo sabendo que aquela era só uma desculpa do morango. Vai que cola e ele diz algo? Bom, não custava tentar.
– Claro que não. – devolveu meio na defensiva. Ele entendia quase muito bem aonde ela queria chegar tentando fazer com que ele se sentisse culpado. Quase conseguiu, mas ele a conhecia do tempo que eram apenas amigos. – É que eu preciso arrumar tudo. E, bem, eu quero que seja uma surpresa.
– Ah, mas sabe que eu detesto surpresas! – Fez um bico, arma fundamental para controlar Ichigo. Ah, qual é? Uma garota tem que manter o namorado em rédea curta, pelo menos na opinião de Rukia. Ele se controlou para não revirar os olhos e ser estapeado em seguida, então desconversou:
– Valerá a pena, eu juro!
Okay, aquela cara corada do morango foi o suficiente para convencê-la... dessa vez. Uma garota normal provavelmente se derreteria a cada carinha fofa que ele fizesse, mas, ela era Rukia. Ela não era normal. Deu-se por vencida, ao que tudo indicava, seria uma surpresa no mínimo interessante. Rumou para o banheiro já conhecido de Renji, pegando uma toalha no armário antes. Caramba, aquela casa estava uma zona! O que era estranho, Renji até que era organizado. Sério! Bom, não tão organizado, mas a casa dele não costumava ser um completo caos como se encontrava agora.
Suspirou, lembrando-se do motivo de sua “depressão”. Renji realmente deveria estar passando por um momento difícil. O que teria acontecido depois? Sabe, depois da biblioteca... A essa altura já esperava por resultados positivos. Porém, era visível que as coisas não estavam tão bem. Teria ela ferrado tudo? Ichigo apareceu para salvar a pátria e livra-la daquele momento de auto piedade.
– Ah, Rukia!
– Que foi?
– Demore bastante, por favor.
Limitou-se a rir e acenar uma confirmação ao namorado. Pois é, ninguém esperava aquela bagunça.
O trabalho de Ichigo seria maior do que ele esperava. Suspirou resignado. Por onde começar? Ignorou todo o resto e seguiu para o quarto. Bom, Renji foi legal em ajudar o namoro deles, mas uma faxina geral era demais. Recolheu as roupas sujas e as colocou em seu devido lugar. Trocou os lençóis, tirou os pratos sujos com resto de comida (?), limpou o chão... Caramba, porque o tatuado tinha que ser tão desleixado?
Já estava cansado quando terminou, aparentemente havia batido algum recorde de limpeza. Finalmente, pegou o material que trouxera e o ordenou. Vestiu sua... ahñ, fantasia? Enfim, vestiu aquilo e seguiu para a cozinha.
Rukia já sentia os dedos enrugarem devido ao tempo de banho e, se a água não fosse quente estaria tremendo de frio. Só esperava que fosse o suficiente. Enrolou-se na toalha e saiu do banheiro.
– Ichigo?
– Na cozinha, me espere no quarto.
Ela esperava muitas coisas, ainda assim, surpreendeu-se ao chegar ao quarto. Havia várias velas espalhadas e pétalas de rosa trilhando um caminho até a cama. Nesta, encontrava-se um vestido rosa com babadinhos e lacinhos. Provavelmente foi feito pela irmã mais nova e muito fofa de Ichigo, Yuzu. Notou que ele era fofo, curto e levemente infantil. Controlou-se para não babar encima da peça e voltou seu foco para o mundo real.
Hm, estamos bem românticos.
– Então essa era a surpresa? – indagou um tanto alto para o namorado escutar.
– Nem pensar, a surpresa é outra.
Ao terminar de se secar, jogou a toalha na cama e pôs o vestido. Será que Ichigo tinha algum fetiche com esse tipo de roupa? Bom, era algo estranho e meio inesperado, mas não de todo o mal. Sentou-se na beirada da cama, impaciente.
Esperou por uma eternidade, que mal durou um minuto. Definitivamente, não queria mais esperar. Saiu apressada, sem notar que a toalha, esta que havia jogado de qualquer forma, escorregava da cama e caia, em cima de uma das velas...
Foi até o corredor na ponta dos pés só para espiar o namorado. E lá estava ele, com dignidade e masculinidade, trajando orelhinhas de coelho, um avental (outra provável obra de Yuzu) e... mais nada. Lavava morangos, próximo a ele havia um recipiente com chantilly. Mais uma vez parou de respirar para não atacá-lo graças à fofura extrema.
– Hmm, então essa era a surpresa? – perguntou, muito satisfeita com a vista.
– Rukia? – (Quem mais seria?) chamou, muito consciente de seu próprio estado. – Eu pedi para você esperar... – ele a acusou.
– Ah, mas, você é um coelho tão bonzinho, merece uma recompensa. – Aproximou-se, olhando-o fixamente (lembre-se da fofura!), o que deixou o pobre ainda mais constrangido. “Ajudou-o” (Lê-se “obrigou-o”) a tirar o avental e, bom, ele realmente não usava mais nada. Rukia, notou que o namorado preparava uma bandeja com alguns doces, além do morango com chantilly. – Acho que podemos pular o aperitivo e ir direto para o prato principal... O que acha?
– ‘Tá...
Contradizendo-se, Rukia pegou um dos morangos e mergulhou no chantilly, levando-o até a boca de Ichigo que logo aceitou. Era divertido ver o quanto o garoto estava envergonhado, também pudera, estava completamente nu, com orelhas de coelho e sob o olhar perverso da Kuchiki. A garota logo começou a se aproveitar do pobre rapaz.
O que começou com leves carícias – não tímidas, porque algo como “timidez” não faz parte do vocabulário de Rukia. –, logo se tornaram mais necessitadas. Quando Rukia deu por si, estava sentada sobre a mesa e Ichigo tentava lhe tirar o vestido. Quando o garoto se animava... ninguém conseguia pará-lo.
– Ei, Ichigo! Sabe, eu gostei desse vestido, queria ficar com ele... – Sorriu, não contendo a malícia. Gostava de Ichigo envergonhado, mas, nesse momento ele estava bem melhor. Deixou o vestido da namorada em paz, porém a puxou para que se aproximasse mais. Coisa que Rukia achava impossível. Ainda assim, pôde notar o quão animado Ichigo estava.
Ah, o vigor da juventude! Tão concentrados e tão desatentos. Entretanto, depois de um longo beijo, Rukia finalmente percebeu que algo estava errado.
– Ichigo, tem algo no fogo?
– Ahñ? – Pensar era uma coisa que Ichigo não queria fazer, mas, o forte cheiro de queimado inundou seu olfato. – Não, não... ‘Pera, as velas...?
Correram para o corredor só para ver o desastre no qual a casa se encontrava. Por algum motivo bizarro, a cozinha fora o último lugar para onde a fumaça chegou. Voltaram novamente para a cozinha, onde o ar ainda parecia respirável. Ichigo molhou um pano de prato e deu para Rukia, aparentemente a única saída deles era a porta da frente.
– Não que eu me importe, Ichigo, mas você está pelado...
O garoto suspirou, ali na cozinha não havia nada que o tirasse dessa condição, teve que se contentar com o avental rendado. De qualquer forma, o mais importante era tirar Rukia dali e tentar conter o fogo. Levou a namorada até a saída, a fumaça fazia seus olhos arderem e não conseguia parar de tossir. Ainda assim, conseguiu pegar sua calça no sofá e por sorte havia deixado as chaves na porta.
Se dentro da casa a situação era desesperadora, o exterior dela não era nenhum pouco mais agradável. Aparentemente o quarto já havia sido quase todo destruído e o fogo se espalhava pelos cômodos mais próximos. O que ele havia feito? Com a casa de Renji ainda por cima... Sentia que seu fígado não seria perdoado e, compreenda, ele precisava dele. Do fígado.
Vestiu sua calça rapidamente e abraçou a namorada, que parecia atônita.
– Temos que chamar os bombeiros.
Os vizinhos dos arredores se aproximavam, preocupados com possíveis vítimas. Pelo menos já haviam chamado ajuda. Agora era só esperar. Além de se preparem psicologicamente para o que viria depois.
{...}
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