Notas iniciais
Glória San no outro lado, olá! Perdão pela demora, gente, a culpa não é da Yasmin, é minha, eu estou em um triste momento de "problemas pessoais", então, eu peço a compreensão dos senhores. Os comentários pendentes eu respondo assim que der, prometo! Boa leitura e até um dia!

Capítulo vinte e sete — Deixando de ser um bocó

Kira sentia uma estranha dificuldade em abrir os olhos. Provavelmente, era resultado do latejar lancinante de sua cabeça. Doía muito, não uma dor normal, mas aquelas que faziam parte se uma boa ressaca. Deus, o que havia feito? E por que estava tão quente? Bem, a resposta para a primeira questão era óbvia: havia enchido a cara como se não houvesse amanhã. Quando finalmente abriu os olhos, bem pouco já que a claridade do ambiente lhe era extremamente incômoda, descobriu a resposta da segunda questão: por algum motivo, muito bizarro por sinal, Kazeshini se enroscava em seu corpo como uma criança se enrosca à sua mãe. Bem, vamos esquecer esse bela e pura comparação, já que a falta de roupa de ambos nada se assemelhava a uma cena tão inocente.

Eles não teriam... Teriam? Tentou se afastar do moreno e, quem sabe, encontrar suas roupas e vesti-las. Sua tentativa só serviu para despertar o outro levemente. Kazeshini piscou um pouco e logo depois se agarrou ainda mais ao loiro, murmurando algo como: "Mais cinco minutinhos, Izu... ru.". Em seguida voltou a ressonar tranquilamente como se nada fora do normal estivesse acontecendo. Kira poderia ser legal e simplesmente deixar o outro dormir, entretanto esse não seria o caso. Não hoje.

– Kazeshini, acorda! – proferiu, dando uns tapinhas no rosto do dorminhoco, este que prontamente o ignorou. – Droga, Kazeshini me larga! – gritou, finalmente perdendo a paciência e empurrando com toda a força o moreno desfalecido que não moveu um músculo, mas, ao menos, havia despertado.

– Pô, Izu-chan, 'pra que todo esse escândalo? – murmurou dengoso. Se Hisagi visse tal cena, provavelmente vomitaria. Lembrar-se do amigo lhe trouxe amargas lembranças.

– Que ótimo que acordou! Pode me dizer o que diabos aconteceu? Onde estamos? E, por que estamos... nus? – hesitou na última palavra, estava na dúvida sobre realmente querer saber a resposta.

– Bem, então não se lembra de nada? Eu disse que isso aconteceria, mas você não me ouviu... – O engraçado, talvez não exatamente engraçado, mas desgraçadamente irônico da situação, é que de repente ninguém mais parecia interessado no fato de estarem pelados, nus, como vieram ao mundo, como preferir, enrolados e na mesma cama, conversando como se fosse algo banal do dia a dia. Talvez porque Kira esqueceu-se da gravidade da situação.

– Sem enrolação, me diz logo o que aconteceu! Eu só lembro de... – O loiro tentou esconder a expressão dolorosa ao lembrar-se do beijo que havia visto, falhando miseravelmente. – Lembro apenas do bar.

– Já é alguma coisa. Você encheu a cara mais do que o planejado, nunca imaginei que você fosse tão bom de copo. – riu da própria piada, parando logo em seguida diante a expressão nada tolerante do outro. – Enfim, eu te trouxe para a minha casa e liguei para a oba-chan avisando que você dormiria aqui, então não se preocupe.

– Tá, tá, entendi. Mas, você não respondeu por que raios estamos nus e na mesma cama.

– Por que estava calor? – perguntou fingindo inocência.

– Kazeshini, eu juro que estou perdendo, gradativamente, a paciência... Responda, com ordem e decência, por favor... – recomeçou, lenta e ameaçadoramente. – O que aconteceu ontem? Eu juro que se você me disser que "cu de bêbado não tem dono", eu não respondo por mim!

– Eu adoro quando você fica violento e, bem, essa é uma verdade universal... ‘Tá, parei! Bem, você pode deduzir o que aconteceu...

– Co-como você pôde?

– O quê? Eu? 'Pera, não joga toda a culpa em mim não. Foi você que praticamente me estuprou e quando chegou na parte boa começou a roncar feito uma britadeira...

– Então não aconteceu nada? – perguntou, um tanto aliviado.

– Defina nada... Okay, não aconteceu quase nada... – A expressão zombeteira do malvado, sempre presente, alterou-se para outra bem diferente das que costumava ostentar, talvez “ressentido” fosse uma boa palavra para descrevê-lo. – Se está guardando a integridade do seu orifício anal para o seu amado, não precisa se preocupar... Acho melhor você tomar um banho e ir para casa, pode pegar alguma roupa se quiser.

Bem, era ótimo saber que não haviam feito nada, só não entendia qual era a daquela reação do Kazeshini e também não entendia o porquê de se sentir tão culpado. Realmente, era uma merda não se lembrar de nada.

...

Estava extremamente grato por ser final de semana, definitivamente, não aguentaria um dia de aula com tanta dor. Ao menos conseguira enganar bem sua avó, ou achava que havia conseguido. Pela expressão dela, desconfiava de que haviam feito coisas que ela não queria saber. De qualquer forma, há muito, já tinha passado pela “conversa”, então não teve que ouvir nada do tipo “Vo-vocês usaram, sabe, proteção?” dita de uma forma totalmente embaraçosa.

Bebeu bastante líquido e tomou um analgésico, só esperava que fosse o suficiente para melhorar. Nunca havia bebido tanto na vida... Algumas vezes, um pouco, com apenas uma leve ressaca no dia seguinte, mas nada igual aquilo. Havia levado aquilo de “afogar as mágoas” muito a sério. Pelo menos, agora conseguia lembrar-se de alguns flashes da noite anterior; lembrava-se de Kazeshini contando algumas piadas, tentando o impedir de beber ainda mais, arrastando-o para seu apartamento e... A campainha tocou.

Sua avó prontamente atendeu, mas, era uma visita para Kira. Naquele momento, aquela era a última pessoa com qual gostaria de falar. Isso porque sabia exatamente o que seria dito e não queria ouvir. De qualquer forma, não tinha como fugir. Convidou um sorridente e até mesmo saltitante Hisagi a entrar em seu quarto para que pudessem conversar. O moreno estava reluzente, como se a melhor coisa do mundo tivesse acontecido. O loiro sentia tanta dor que nem conseguia assimilar mais aquela.

– Sabe, eu tenho algo incrível para te contar... Mas, primeiro: O que diabos aconteceu com você? Foi atropelado por um caminhão?

– Provavelmente por dois. Enfim, conta logo o que você veio falar, acho que depois eu só vou deitar e morrer. – Bem, estava sendo sincero de muitas formas.

– Ontem eu e o Muguruma-sensei...

– “Nos beijamos!” – imitou o tom animado do amigo, definitivamente, não estava com humor para aquilo. – É, eu sei. Vi quando aconteceu.

– Poxa, então por que não disse nada? Eu tentei falar com você, mas não consegui. Quando eu te liguei o Kazeshini atendeu e disse que estavam muito ocupados. – enfatizou o “muito” lembrando-se do tom do primo ao telefone. O Kazeshini era mesmo um babaca.

– Pois é, talvez não tenha dito nada porque não quis dizer nada, de qualquer forma estávamos mesmo muito ocupados. – Afastou-se do amigo; Kira entendia que estava sendo desnecessariamente rude. – Desculpa, Hisagi. Eu ‘tô com muita dor de cabeça, talvez seja melhor conversarmos depois.

Sabia que estava sendo um babaca. Eram melhores amigos, seria mais que óbvio que Hisagi gostaria de contar tudo ao amigo o quanto antes. O moreno estava mortificado, Kira nunca o tratara daquela forma.

– Certo. Talvez seja melhor nos vermos mais tarde mesmo. Espero que fique melhor logo. – despediu-se desejando melhoras de forma rápida e quase fria, preparando-se para sair, porém hesitou.

– Kira, tem algo acontecendo? E-eu tenho a impressão de que está escondendo algo de mim, já faz algum tempo. É algum problema com o Kazeshini? Aquele babaca ‘tá te obrigando a fazer algo que não queira?

– Ei, relaxa. – Izuro apressou-se em explicar, percebendo a besteira que estava a fazer. Hisagi era meio idiota, dar a ele uma impressão errada estava fora de cogitação. – Não é nada disso, apenas não estou disposto. Conversamos depois, okay?

– ‘Tá bom, mas qualquer coisa você me fala e eu acabo com ele. É sério!

– Não duvido nada... Até mais. – sorriu levemente, cansado.

Céus! Por que o moreno tinha que ser tão perceptivo num momento como aquele? Poderia ter sido antes. De qualquer forma, parando para refletir, Kira havia sido um grande idiota em esperar que Hisagi notasse seus sentimentos, ou se lembrasse daquela antiga promessa. Eles eram crianças, afinal. Talvez, desde o começo, o loiro apenas precisasse dizer o que sentia e ponto. Mesmo que não fosse correspondido, ao menos seu sofrimento teria acabado. No final, fora apenas um covarde e agora era tarde demais.

Uma recordação da noite anterior lhe veio à cabeça, Kazeshini lhe dizia algo como “Cara, deixa de ser bocó, nunca é tarde para dizer o que você sente! Mesmo que esteja escondendo isso desde quando era criança!”. Não sabia muito bem como o moreno malvado sabia que aquele sentimento era tão antigo, mas, ele tinha razão. Definitivamente tinha que deixar de ser um bocó!

Abriu a porta de seu quarto e saiu num rompante, fazendo o mesmo ao chegar à sala. Sua vó, preocupada, perguntou algo como “você tirar o pai da forca”; Kira, entretanto, apenas gritou que estava tudo bem. Nem se deu ao trabalho de pegar o elevador correu para as escadas, subindo de dois em dois degraus. Naquele momento, o latejar de sua cabeça não importava, nem a dor nas pernas devido ao exercício. Poxa, ele é bem magrinho, correr por aí não era umas de suas atividades favoritas. Chegou ao apartamento do amigo, tocando a campainha incessantemente. Não tinha tempo para pensar, não podia refletir sobre o que estava fazendo. Se o fizesse, sabia que desistiria.

Assim que a porta se abriu, não esperou que Hisagi dissesse qualquer coisa. Apenas despejou as três palavras que guardava há tanto tempo:

– Eu te amo.

{...}

Notas finais
Então, o que acharam? Eu espero que tenham gostado, eu amei (convenhamos, a Yasmin é muito talentosa). Coments? Esperando, mofando. Entendi. Um beijo e até