Laços Imperfeitos
5 Amigo, estou aqui! - não que signifique boa coisa
Notas iniciais
Capítulo Quatro – Amigo, estou aqui! — não que signifique boa coisa
Merda...
As coisas sempre podem piorar. Rukia o olhou com aquela expressão maligna e maliciosa que apenas Renji, provavelmente, conseguia enxergar.
– O quê? Do que você 'tá falando? – Tentou se fazer de desentendido e mudar de assunto. – E então, como anda a vida? – Mas, ele é Renji. É claro que não daria certo.
– Olha, eu te conheço. Não adianta se passar de bocó comigo, não dá certo. – Ela pôs as mãos na cintura em uma pose autoritária enquanto Renji torceu a cara em desdém.
– 'Tá, e o que você quer? Eu não fiz o dever de matemática, vá estudar. – Sabia que não era isso, mas não perdia as esperanças de que ela focasse em outra coisa.
– Eu não vou pedir o seu dever de matemática, infeliz! Eu quero apenas conversar com o meu querido amigo. – Okay... Isso não é normal vindo de Rukia, então é melhor se preparar psicologicamente e... – O que há entre você e o nii-sama? – Eita, Rukia! Nem deu tempo.
– Por que...? Hein? Do que você está falando? – Ah, senhor, isso não pode ser verdade. Das duas uma: ou Byakuya contou tudo pra garota (improvável) ou ela escutou tudo (mais improvável ainda).
– Eu escutei você se declarando pro nii-sama... – É, Renji. Sua dedução não deu certo, não foi dessa vez, seu tonto. É cada coisa... Ao menos ela teve a decência de parecer envergonhada. Rukia mordia o lábio inferior e olhava para baixo, da forma que fazia quando tocava em algum ponto delicado da vida de alguém. Não que ela ligasse, realmente. A insensibilidade dela irritava.
– Eu... Você não anda ouvindo coisas? – Passou reto por ela, nem havia entrado no colégio. Chegou à entrada e foi logo se livrando dos sapatos e Rukia seguiu seu exemplo.
– Renji! – É, parece que ela o seguiu. – Não adianta se fazer de idiota, é sério! Eu quero apenas... Eu te amo e amo o nii-sama. Eu quero saber... – Como citado anteriormente, a expressão fofa e inocente não convencia Renji. Este apenas revirou os olhos enquanto ajustava os sapatos da escola nos pés e ia rumo à sala de aula. – Ah, Renji! Por favor! Se você me contar, sabe que eu mantenho segredo. – Ele hesitou por meio segundo. Sabia que Rukia não contaria nada para ninguém, nem mesmo para Ichigo, mas... nem estava verdadeiramente apaixonado por Byakuya, né? Chegou à sala e largou o material na própria carteira. Rukia apenas o socou em algum canto e continuou fazendo pouca sombra perto do ruivo. Pensou melhor sobre o assunto, mas, não faria sentido contar algo assim, mesmo que para Rukia.
– O que você ouviu? – Perguntou ainda receoso.
– Hum... Como dizer isso...? Vocês estavam conversando na cozinha e eu não podia não escutar. Vai que ele falava de mim. – Ela se apressou em explicar, gesticulando muito, como se isso pudesse mudar o fato dela ser uma vaca intrometida. 'Tá bom... – Então, vocês foram para o quarto e eu fiquei atrás da porta. O plano não era o nii-sama me flagrar. – Ela sorriu sem graça e Renji aumentou a carranca. Que idiota essa Rukia...
– O plano deveria ser você cuidar apenas da sua vida. – Ele murmurou.
– A culpa não foi realmente minha se vocês estavam quase se comendo! – Alguém... mata Renji? Ou Rukia, por favor. As poucas pessoas que estavam na classe se sobressaltaram e começaram a encarar a dupla quando a pequena subiu o tom em um linguajar tão... você entendeu. Os rostos de ambos estavam rubros como os cabelos do Abarai. – Eu não pude evitar escutar os gemidos. – Dessa vez ela teve o bom senso de sussurrar. O que não deixou a situação menos constrangedora.
– Não teve gemidos, sua mulher psicopata. – Ele sibilou entre os dentes. – No máximo um selinho. – Ela olhou em descrença. – Um beijo. – Ele se corrigiu. – Apenas isso.
– Ah, mas você gosta do nii-sama que eu sei.
– Rukia, você precisa ou de um psicólogo ou de um fonoaudiólogo. Tá surda ou doida, minha irmã? – Essa conversa o estava frustrando, sinceramente.
– Psicólogo não é apenas para doido, imbecil. E eu sei que ele gosta de você.
– Como você sabe? – Ele perguntou em tom duvidoso.
– Eu sinto... – Ela fez uma feição sonhadora.
– Aquele seu mangá estúpido mexeu com sua cabeça. – Ele afirmou.
– Não importa o quanto negue, Renji. Eu sei da verdade. E vou te ajudar, você vai me agradecer no fim. – Ela sorriu de forma adorável. Ah, meu Deus...
– Rukia, não precisa, eu... – Começou, tentando concertar o que seria uma futura catástrofe.
– Não seja tímido! Você é meu amigo, eu não devo pensar apenas em mim. E o nii-sama deve te amar. Ou ele pode aprender como! – Ela deu um gritinho excitado e deu pulinhos. Ah, meu Deus.
– Rukia, é sério, não precisa!
– E então, vocês se casarão em São Francisco no verão! – Ela deu mais pulinhos. Ah, meu Deus.
– Rukia, amor da minha vida, não é nada disso, me escuta... – O desespero era real. Rukia ia fazer merda, por Deus!
– Fica tranquilo, Renji. Eu não vou te abandonar. – Ela piscou. – Agora vou atrás do Ichigo. Bye! – Ela correu para fora da sala, deixando um Renji paralisado para trás. Ah, meu Deus...
...
Byakuya olhou mais uma vez naquela estúpida rede social. Nada interessante. Olhou nos cadernos para ter certeza de que não tinha nenhum exercício pra fazer. Nada. Não tinha nada pra se ocupar o suficiente. Foi até a biblioteca para encontrar algum livro... e percebeu que já havia lido tudo que lhe interessava. De qualquer forma, pegou um dos livros de folclore que Rukia insistiu em comprar há tempos. Credo, que entediante. Precisava realmente manter a mente ocupada.
A expressão tristonha de Renji naquela manhã não saia de sua cabeça e isso era inquietante. Ele lhe olhou da forma mais estranha possível e sorriu. Senhor, o moleque queria matar o Kuchiki! Ele descobriu seu plano, pode parar, Renji. Mas, o que mais incomodava Byakuya e de todas as formas, era a sensação confinante que sentiu quando saiu da frente da escola de Rukia sem falar com Renji.
Ele ainda era o amiguinho de sua irmã e isso era... estranhamente doloroso. Certo, certo, o Kuchiki nem era assim tão mais velho. Três anos, na verdade. Mas, ele viu esse garoto crescer! Com três anos de diferença. Pode rir, mas Byakuya tem princípios. Pensar em Renji de forma pecaminosa era como pensar em Rukia desse jeito. O que era quase impossível, ela é tão pura...
E, para evitar esse negócio, tentava até pensar nele como seu irmãozinho confuso, problemático, degenerado, possuidor de um QI abaixo da média... Enfim, era difícil. Ultimamente, além de não conseguir pensar em Renji como seu irmão ou amigo, não conseguia olhar seu rosto sabendo que pensou nele com segundas, terceiras intenções. Era como se o estivesse violando, era muita escrotisse para uma pessoa só. Além disso, o garoto talvez apenas estivesse indeciso, como o próprio Byakuya. Foi apenas um beijo, mas... Ah, fala sério, foi o beijo. Renji sabia o que fazer, mas, se o que queria era contato físico, qualquer um serviria, certo? Errado. Nunca quis realmente contato físico com outros ou outras. A primeira vez que realmente ansiou por algo, Renji estava envolvido, e este fato fazia Byakuya queimar em vergonha.
Se Renji estava mesmo apaixonado, desde quando esse tipo de coisas vem acontecendo? Conhecem-se há muito tempo, então, desde quando? Quando ele descobriu o sentimento e como isso se desenvolveu? Byakuya nunca foi do tipo que dá brechas para pessoas acharem que ele estaria minimamente disposto a corresponder algo. Então, é aí que desconfiança entra. Por que diabo Renji resolveu contar o que sentia assim, do nada?
Isso é o que Byakuya mais quer saber no momento. Será que, dessa vez, deu ao menos uma pequena esperança ao garoto? Esperava que não, afinal, não estava apaixonado. Certo? Quem sabe?
Talvez fosse melhor tirar suas dúvidas com o causador do problema...
{···}
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