Lay me Down

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Essa história já estava na minha cabeça a muito tempo, desde a primeira vez que escutei essa música. Olhando a letra dela, e sendo TOTALMENTE LOUCA por esse shipp, eu acho que ela demonstra perfeitamente o que Alexandre deve ter sentido quando Heféstion morreu. ( NÃO ME CONFORMO). Então essa fanfic é um desabafo pessoal, espero que vocês gostem da história e que ela toque vocês assim como me tocou quando eu a escrevi! Ah sim, eu logo logo estarei postando uma longfic sobre eles, ela já está sendo escrita, terá bastante fantasia, mas o foco principal será nosso casal favorito. O link da música para quem quiser ouvir enquanto lê: https://www.youtube.com/watch?v=HaMq2nn5ac0 É isso, beijos e boa leitura pra vocês!

Fazia um mês que sua vontade de viver havia se extinguido. Campanhas, batalhas, terras para conquistar, nada mais importava. Daria tudo, seu reino, seus sonhos, tudo para poder olhar para Heféstion mais uma vez. Para sentir sua pele, seu cheiro, ouvir sua voz firme e doce falando com ele, mesmo quando era para repreendê-lo quando fazia algo errado. Se o tivesse escutado mais vezes teria evitado tantos erros. Daria sua alma para um segundo com Heféstion ao seu lado.

Ele havia proibido tudo, festas, conversas, até o toque de flautas no acampamento ele não suportava. Havia cortado seus cabelos em momentos de desespero, pois para onde olhava tudo lhe lembrava a ele. Ele era sua montanha, sempre forte e do seu lado para o que precisasse, ele era o coração de seu reino, o seu próprio coração, e ele o queria de volta. Estava há dias trancado em seu quarto, não deixando ninguém entrar. As lágrimas para o seu desespero estavam secando, seu corpo informando a ele que estava se adequando ao seu estado da sua alma. Oca, seca e vazia.

Sim, eu acredito

Que um dia eu vou estar, onde eu estava

Bem ali, bem perto de você

E é difícil, os dias parecem tão escuros

A lua, as estrelas, não são nada sem você

Seu toque, sua pele, por onde eu começo?

Não há palavras para explicar

A maneira que sinto sua falta

A noite, este vazio, este buraco que eu estou

Estas lágrimas, eles contam sua própria história

Ele passou três dias agarrado a Heféstion, impedindo a todos de se aproximarem, conversando com a outra metade de seu ser como se ainda estivesse ali. Acariciando, beijando, abraçando, dizendo coisas que não tinha coragem antes, por medo e orgulho. Se negando a acreditar que ele havia partido. Era doloroso demais para acreditar. Somente Ptolomeu conseguiu fazê-lo encara a realidade. E o que ele sentiu quando o fez. Quando disse para si mesmo em voz alta que ele estava morto. O seu peito foi comprimido na mesma hora, sua alma rejeitou, seu ser rejeitou aquelas palavras. Ele sentiu que iria morrer tamanha dor e desespero que lhe acometeu. Depois disso respirar se tornou um martírio. Ele ficou tentado algumas vezes a simplesmente para, prender a respiração e se recusar a continuar vivendo para que o vazio, o buraco, a sombra que se instalou dentro do seu ser saísse, para que ele pudesse ver Heféstion.

Você me disse para não chorar quando você se fosse

Mas o sentimento é devastador, é muito forte

Posso deitar ao seu lado?

Perto de você, você

E me certificar que você está bem

Eu vou cuidar de você

E eu não quero estar aqui

Se eu não posso estar com você está noite

Passou a noite em seus aposentos em silencio completo, nem mesmo Bagoas ele tolerava ao seu lado. Sabia que o eunuco não tinha culpa de nada, mas havia negligenciado Heféstion tantas vezes, sua devoção, seu amor puro e sincero, sua companhia, ferindo-o profundamente e abrindo um abismo entre eles pela ilusão supérflua de satisfação e desejo que tinha com Bagoas. Mas os toques do eunuco não se comparavam aos de Heféstion, ao cheiro de sua pele que o acalmava, aos olhos que traziam paz para sua alma e o seduziam como ninguém jamais conseguiu, pois não era somente sexo entre eles, era uma troca mutua. Se lembrava perfeitamente da primeira vez que fizeram amor. Tinham melhorado com o tempo é claro, mais era a mesma paixão, o amor em sua forma mais crua e pura. Eles não precisavam dizer onde tocar, onde beijar, os seus olhos diziam, a necessidade os guiava. Era perfeito porque era eles.

Eu estou me estendendo a você

Consegue ouvir meu chamado?

Esta dor pela qual tenho passado

Eu estou sentindo sua falta

Sentindo sua falta como um louco

Se dirigiu para sua cama pegando um manto de Heféstion, depois de sua morte tinha pegado todos os seus pertences e mantido com ele. Ele mesmo arrumou tudo, as roupas do seu amado perto das suas, os sapatos, os livros, tudo para parecer que ele estava ali. Aproximou seu nariz do manto e inalou o cheiro que ainda restava de seu amor nele como uma pessoa que se afoga e necessita de ar. E era exatamente assim que se sentia. Será que Heféstion o ouvia? Ouvia seu choro desesperado, angustiado, seus gritos de puro desespero e horror? Ele só queria mais um momento com ele, sabia o que os outros pensavam. Que iria passar com o tempo, mas eles não entendiam. Não importava quanto tempo, fossem dias, semanas, meses, anos até passassem, ele estaria sempre se sentindo assim, como se o tivessem partido ao meio e tirado a parte que o mantinha são, feliz e vivo.

Posso deitar ao seu lado?

Perto de você, você

E me certificar que você está bem

Eu vou cuidar de você

E eu não quero estar aqui

Se eu não posso estar com você está noite

Os meses se passaram assim, até que a doença o acometeu. Foram dias em agonia para os outros mais ansiedade para ele. Ele sentiu dor é claro, ficou triste por não poder conhecer seu filho. Mas no seu peito havia algo que não conhecia havia muito tempo, esperança e alegria. Ele iria rever Heféstion, sentia o cheiro dele pelo quarto, esperando por ele. Até mesmo sua voz ele havia escutado dizendo seu nome. Tudo o que ele pensava era que finalmente poderia se deitar ao lado dele e ficar perto do mesmo, como sempre quis. Não importava onde, ele só queria dar a Heféstion o que sempre foi dele, seu coração. E dessa vez, ele iria tê-lo por completo. Ele morreu feliz, em paz, porque a primeira coisa que viu quando depois que encontrou com o barqueiro e foi dirigido até o próprio Hades que o recebeu.

— Alexandre, o Grande. Ouvi falar muito de você. – disse o rei do submundo com Perséfone ao seu lado.

— Antes de ir para o sofrimento eterno posso ver Heféstion? – perguntou sem rodeios, vendo o deus olhá-lo surpreso.

— Sofrimento eterno? Você acha... – questionou Perséfone confusa trocando um olhar com Hades.

— Você está enganado. Você encontrara Heféstion sim e ficará com ele. – disse o deus a ele, que soltou um suspiro aliviado. – Mas não será no Tártaro, e sim nos campos elísios, onde ficam os heróis. É pra lá que você ira. – completou vendo o olhar surpreso de Alexandre. – Perséfone, leve-o. – disse a mulher que assentiu.

O deus se levantou para ir embora, porém antes de sair, se virou para ele e disse.

— Os deuses não se esquecem dos seus protegidos, pode haver sofrimento sim, mas é recompensado. Aproveite a eternidade em paz ao lado do seu amado. – disse o deus saindo.

— Vamos? – questionou Perséfone a ele, que assentiu ainda sem acreditar que iria ficar em paz com Heféstion para sempre.

Perséfone andou por um tempo com ele passando por lugares escuros e mal cheirosos, mas ao entrar por uma passagem secreta logo pode vislumbrar ao longe os campos, os rios, as arvores, o paraíso grego em si.

— Todos os deuses acompanharam sua vida e a de Heféstion, Alexandre. Sabemos os sacrifícios que fizeram pelo seu povo. Aproveite sua recompensa. – disse a ele solenemente.

— Obrigada. – disse sinceramente a ela, que assentiu. – Como encontro Heféstion? – questionou o que mais queria saber.

— Você é o conquistador do mundo conhecido não é? Ama um desafio. Considere achar Heféstion um pequeno desafio para você. Adeus. – disse se afastando e saindo do local.

Com um suspiro adentrou os campos observando fascinado tudo mais com um objetivo em mente, encontrar sua alma gêmea. Andou por um bom tempo, até que passando perto de um rio se lembrou que Heféstion amava nadar.

Correu pelas margens do rio gritando por Heféstion até vislumbrá-lo ao longe, sorrindo para ele. Correu de encontro a ele, chocando-se a ele e abraçando-o com todas as suas forças, sendo prontamente correspondido.

— Eu te amo, senti tanto a sua falta. – disse sem larga-lo, necessitado de contato com seu amor.

— Nos ficaremos juntos agora, meu Alexandre, para sempre. – disse Heféstion suavemente dando-o um beijo. E enfim ele pode se deitar ao lado dele.

Deite-me esta noite

Deite-me ao seu lado

Deite-me esta noite

Deite-me ao seu lado

Posso deitar-me ao seu lado?

Perto de você, você

Notas finais
Façam uma autora feliz e me digam o que acharam por favor!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!