Laws of Attraction
1 Capítulo 1
Notas iniciais
– Se fizer um esforço maior, um homem, ou mulher poderá convidar você para sair. — Disse a mulher mais velha se dirigindo a outra que se encontrava ao seu lado no banco do carona.
– Não quero que ninguém me convide. — Regina respondeu distraída enquanto mexia no celular.
– Sabia que 80% das mulheres que dizem que não têm tempo para um relacionamento são solitárias, Regina? — Questionou em seguida dobrando a esquina.
– Não vou namorar só para ficar do lado certo de uma enquete. — Respondeu de forma ríspida.
– Isso é ruim para a pele. — Comentou cantarolando.
– O quê? — Perguntou em meio a um sorriso irônico.
– Minha pele melhora quando namoro. — Disse por fim estacionando o carro.
– Você namora sempre! — Regina exclamou.
– E veja minha cútis. — Cora deslizava as costas da mão pelo próprio rosto — Você por outro lado...
– Por outro lado, encerro este papo! — Interrompeu — Oh, meu Deus, é aqui? — Regina disse boquiaberta ao finalmente notar que Cora tinha parado o carro em frente a uma luxuosa casa.
SQ
– É uma casa extraordinária com uma área de 9 mil metros quadrados, fora o jardim. — Dizia o corretor responsável pela vendo do local — Posso saber qual é a sua ocupação? — Perguntou um tom de gracejo se dirigindo a Cora.
– Depende da ocasião. — Respondeu no mesmo tom.
– E a sua amiga? — O rapaz agora se dirigia à Regina.
– Só vim acompanhá-la. — Disse de forma truculenta mexendo no celular.
– Recentemente, esta sala de jantar saiu na Manhattan Interiors. — O corretor limitou-se a continuar mostrando a casa.
– O que havia ali? — Regina perguntou apontando para uma das paredes.
– Um quadro de John Sargent. O Sr. Harrison tem uma linda coleção de arte. Pena que nada vem com a casa. — O Homem respondeu entre as trocas de olhares que tinha com Cora — Agora, queiram me acompanhar, por favor. — Tomou a frente e guiou as mulheres até a sala de estar — Esse teto foi feito à mão pelo bisneto de Charles Thorpe.
– Não foi barato. — Disse Cora admirando o teto.
– Ser o rei dos infomerciais compensa. — Brincou o homem — Ele faturou 30 milhões só com seu Hair Houdini. — Informou por fim.
– Tudo isso? Meu Deus! — Disse Regina com ironia.
– Agora, vamos até o quarto principal. — Chamou o corretor.
– Olha, Cora, essa não me parece a casa certa para você, sabe? — Iniciou Regina — É meio... — Pausa significativa — Apertada.
SQ
– Apertada? — Cora perguntou incrédula para Regina.
As duas mulheres agora se encontrava almoçando em um restaurante.
– Foi só no que pude pensar. Além disso, eu já tinha o que precisava. — Justificou Regina enquanto pegava um gravador e apertava o 'gravar', folheando um catálogo de obras de arte — O quadros de Sargent desapareceram. O de Cassatt foi substituído pela litogravura 139 de um de 150. Junto ao piano, tem um pôster do Festival de Cinema de East Hampton. Menos valioso do que o Sisley que havia antes. E duvido que as monstruosidades do corredor sejam de Francis Bacon. — Finalizou a gravação — É tudo uma mentira, pode ter certeza. O golpe do Sr. Harrison será desvendado, e tirarei milhões dele. — Comentou para a mulher mais velha.
– Mas para outra pessoa. É essa a parte que eu não entendo. Onde está o prazer? — Indagou Cora.
– Na vitória! — Regina respondeu com um brilho no olhar — Obrigada pela ajuda, mãe! — Agradeceu com o coração.
– Shh! Regina, eu já lhe pedi para não usar essa palavra em público! — Repreendeu a filha enquanto olhava ao redor para ver se alguém a tinha escutado.
SQ
– Aquele canalha falso e mentiroso. — Xingou Kate Harrison referindo-se ao seu futuro ex marido.
– Kate, você sabe que não gosto de agressão ao cônjuge. Isso é comum. — Disse Regina cortando a mulher e tentando acalmá-la — Ele pode ter escondido, vendido. Vamos descobrir. Por sorte, já lidei com o advogado da outra parte em situações assim. É um bom advogado, mas conheço o jogo dele. — A morena de cabelos curtos disse confiante enquanto pegava e lia o pequeno bilhete que a sua secretária acabara de lhe entregar. Logo uma expressão de desconforto se fez em seu rosto.
SQ
– O que isso quer dizer? Perguntou Kate enquanto caminhava pelo salão do Tribunal de Justiça ao lado da Advogada Regina Mills e da secretária.
– Não se preocupe. Não quer dizer nada. — Respondeu Regina mais acalmar a si mesma que a sua cliente — Seu marido apenas contratou um novo advogado, ou melhor... Advogada. O nome dela é Emma Swan.
– Nunca ouvi falar dela. — Informou a Sra. Harrison aflita.
– Nem eu. — Retrucou Regina.
– É nova na cidade. — Por fim, disse Leslie, a secretária.
– Isso me deixa nervosa. — Disse Kate deixando transparecer todo o sentimento no seu modo de falar e gesticular.
– Oh, relaxe. Você não tem com o que se preocupar. — Regina tentava a todo custo conter os ânimos da sua cliente — Ela é uma novata. Nunca advogou em Nova York. Não conseguirá ficar a par de tudo. E você não precisa se preocupar. Nunca perdi uma causa dessas. — Ela disse a última frase com um grande sorriso nos lábios. — Vocês podem me dar licença por um minutinho? — Pediu e logo se dirigiu ao banheiro feminino.
Regina andava em passos largos, logo após adentrar o toalete, trancou-se em uma das cabines e sentou-se sobre a tapa do sanitário.
– Está tudo bem. Isso não é problema. Está tudo bem. Tudo bem. Estou bem. — Ela repetia para si mesma tentando se tranquilizar, mas não estava conseguindo.
A advogada abriu a sua bolsa que repousava sobre o seu colo, tirou de dentro um bolinho e o comeu com gulodice. Agora sim estava mais calma e voltara ao encontro da sua cliente.
– Está pronta? — Perguntou Regina a Kate enquanto entravam na sala onde a audiência iria ocorrer. — É a nova advogada do Gary? — Perguntou descrente assim que notou a presença de uma mulher de cabelos loiros preso em um rabo de cavalo e que aparentemente dormia 'largada' em sua cadeira.
Sem perder tempo, a morena colocou suas coisas em seu lugar e caminhou em direção a sua oponente, levando consigo apenas um lápis, objeto esse que foi usado por ela para tentar despertar a mulher que dormia. Primeiro ela deu leves batidas no ombro da loira, que nem se moveu, depois introduziu a ponta do lápis no ouvido e o mexeu levemente, despertando finalmente a loira.
– Regina Mills, advogada da Sra. Harrison. — Apresentou enquanto esticava a mão em forma de cumprimento.
– Regina Mills? — Repetiu Emma ainda sonolenta e notando a presença da outra mulher.
– Exato. — Confirmou Regina — Da Sra. Harrison.
– Ouvi coisas boas. — Disse apertando a mão da adversária. — A propósito, foi gostoso. — Referiu-se ao 'carinho' feito por Regina no seu ouvido.
– Aaah! Parece que começa a se familiarizar com a causa... — Indagou Regina ignorando o comentário — Mas quero que saiba que... O que foi? — Perguntou depois de perceber que Emma apontava para a sua boca.
– Tem uns farelos. — Respondeu a loira.
– Obrigada. — agradeceu a enquanto limpava o canto da boca, mas não retirando totalmente os farelos — Bem como eu estava dizendo notamos que alguns bens acumulados durante... — Ela falava ao passo que Emma tirava o último farelo que restara próximo aos seus lábios, e logo o direcionando a própria boca, o degustando — ... o casamento não foram computados, portanto fiz uma estimativa detalhada das coisas que faltam...
– Bolo! — Interrompeu — Não faço acordos.
– Não falei em acordo. — Rebateu Regina.
– A menos, é claro, que queira me dar, vejamos... — Emma digitava a quantia no celular — Isto, que é o que vou ganhar com este julgamento, mais as despesas. Aí dá para conversar. — Ela agora mostrava o visor do aparelho para a morena.
– Só pode estar brincando! — Disse incrédula.
– Eu tentei. Boa sorte! — Desejou Emma à mulher que agora se dirigia de volta ao seu lugar — Srta. Mills, não é? — Perguntou chamando a atenção da morena que acenou com a cabeça em afirmativa.
– Bom dia, Emma! — Disse Gary, que acabara de chegar, para a sua representante.
– Bom dia! — Respondeu de forma cortês.
– Boas notícias. A advogada da outra parte é louca. — Comentou Regina para a sua secretária e cliente, arrumando suas canetas e anotações de forma rígida e compulsiva, ato que não passou despercebido por Emma que fez um 'sinal de joia' para a colega.
– Todos de pé! Está aberta a sessão. — Disse o meirinho enquanto a juíza adentrava o local, sendo assim obedecido por todos. — Por favor, sentem-se e façam silêncio. — Pediu.
– Juíza Blanchard. — Comentou Regina para Kate — Teve um divórcio nada favorável. É dura com os homens. — Terminou com um sorriso confiante nos lábios.
– Bom dia, senhoras e senhores. — Cumprimento a juíza — Srta. Swan. Está de volta à Costa Leste! Falei que o sol da Califórnia faz mal à pele! — Disse de maneira descontraída.
– É, falou. Mas passei hidratante, conforme aconselhou, Meritíssima. — Respondeu Emma no mesmo tom enquanto Regina observava a cena boquiaberta.
– Vamos aos argumentos iniciais. — Disse a Juíza Mary.
– Meritíssima, eu peço um adiamento. — Regina agora se encontrava em pé — Nós notamos que há discrepâncias no que diz respeito à relação dos bens. Sobretudo, valiosas obras de arte.
– Posso interromper, Meritíssima? — Pediu Emma também se pondo em pé. — Refere-se a pinturas, esculturas, essas coisas? — Se dirigiu a Mills.
– Exatamente. — Concordou a morena, sentando-se.
– Pinturas como esta? — A loira perguntou enquanto mostrava algumas imagens de obras de arte.
– Isso mesmo. — Concordou novamente, mas dessa vez confusa.
– Como este Sisley? Ou este... Morisot? E o que temos aqui? John Sargent. — Emma mostrava imagem por imagem, e depois as jogava sobre a mesa — Não faz meu gênero. No lugar dele, eu também teria dado. Foi o que o Sr. Harrison fez. Todos estes. Há algum tempo. Anonimamente, claro, a um renomado museu. É incrível a Sra. Harrison não ter-lhe contado, Srta. Mills. Sua assinatura está no documento de doação. — Emma agora mostrava um documento a Regina, que se inclinava a todo custo para ver se de fato era verídico.
– A propósito, Meritíssima, eu gostaria de um adiamento. Acabo de ser contratada pelo Sr. Harrison e não tive tempo de pesquisar bem todos os aspectos do caso. — Pediu à juíza — Por exemplo, tenho um... — Ela colocou o seu óculos e começou a remexer na sua pasta atrás de algo -... recibo de seis estadas de 28 dias da Sra. Harrison no Centro de Reabilitação Piney Woods para tratamento de compulsão sexual. Gostaria de checar isso a fundo. — Ela lia o papel.
Regina agora encarava a sua cliente de forma desacreditada.
– Tem uma semana. — Cedeu a juíza batendo o martelo em seguida.
– Obrigada, Meritíssima. — Agradeceu Swan.
– Seis meses por compulsão sexual? — Regina cochichou para a sua cliente.
– Meu terapeuta era ótimo. — Justificou Kate.
– Temos que conversar. — Mills disse por fim.
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