Lawrence

11 Revelações


Notas iniciais
Nossa, esse capítulo me esgotou tanto mentalmente quanto fisicamente... xD Escrevi ele inteirinho de uma vez só, então estou cansado, fazia tempo que não fazia isso, então perdi o hábito '-'
Desculpe pela introdução pequena, mas estou mesmo bem exausto... divirtam-se! xD

No dia seguinte, Kyle acordou meio nervoso. Primeiro, porque brigara com Hannah no dia anterior e tinha dito algo que não devia sobre a amiga, e agora se arrependia. Segundo, porque iria ver Luke. O garoto tinha decidido não ir para a casa do namorado, e pensava que ele se irritaria ao ver seu convite rejeitado. “Realmente, hoje vai ser um dia bem divertido...”, pensou Kyle.

À caminho de sua sala, já na escola, o garoto avistou a figura pequena de Andrea, arrumando alguns livros em seu armário. Fazia muito tempo que ele não a via, e lembrou que tinha um assunto para tratar com ela. Um assunto sério. Um assunto que começava com Vince e terminava com Guimber. Bufou de leve e marchou em direção à garota, que quando o viu, acenou. Kyle não respondeu.

-- Tudo bem, Kyle? – perguntou a garota quando ele chegou perto.

-- Sabia que eu falei com o Vince? – disse Kyle, À queima-roupa.

Andrea piscou e abriu a boca. Então disse:

-- Nossa! E como foi? O que ele disse?

-- Oh, foi bem, ele me contou várias coisas interessantes – respondeu o garoto, ríspido – Como por exemplo, ele disse que sabia quem é que lhe mandava mensagens.

Andrea inclinou um pouco a cabeça e franziu as sobrancelhas.

-- Desculpe, que mensagens...?

Quanto cinismo. Isso só serviu para aumentar a temperatura de Kyle. Seu sangue pulsava raivosamente dentro dele.

-- As mensagens anônimas que eu mandava. E sabe o que mais? Ele disse que você contou isso à ele.

Andrea mordeu o lábio. Sabia que tinha sido pega.

-- O que te fez pensar que você podia ter contado isso à ele?! Você pirou, por acaso?! Quando te contei sobre as mensagens, esperava que você guardasse o segredo e não revelasse para ninguém, mas olha só o que aconteceu: estragou minhas chances de ter alguma coisa com ele!

-- Olha Kyle, eu lamento mesmo, mas é que eu meio que fui pressionada... – Andrea apertou a junção das sobrancelhas com o polegar e o indicador – De qualquer forma ele ia descobrir logo, e também—

-- Você vai me dizer agora mesmo – interrompeu Kyle – quando, como e principalmente porquê você contou isso pra ele. Vai falando.

Andrea suspirou. Kyle não estava nem aí se ela estava desconfortável. Ela tinha-o feito desconfortável também, e de uma forma muito mais comprometedora. E a cara-de-pau dela quando se fez de desentendida também alimentou o ódio dele. A garota começou a falar:

-- Quando ele recebeu a mensagem, ficou com medo e saiu perguntando para a sala inteira se alguém sabia quem é que havia mandado a mensagem. No momento, eu não fazia nem ideia que era você. Na verdade, eu pensei que poderia ser, mas não disse nada. Eu tive minha confirmação quando você me contou o outro dia, mas até aí eu tinha guardado tudo direitinho...

-- Mas por que você contou a ele que era eu?

-- Porque, de alguma forma, vazou a informação de era alguém do segundo ano. E como eu conheço muita gente do segundo ano, o Vince e as amigas dele foram perguntar direto para mim.

-- E o que foi que você disse?

Andrea suspirou de novo e passou a mão pelo rosto. Devia estar pensando que ficaria com fama de fofoqueira. Se Kyle ficasse realmente com raiva dela, era essa a imagem que ele faria questão de divulgar sobre ela.

-- Eu acabei confirmando sem querer que era alguém do segundo. Foi sem querer, por favor! – disse a garota rapidamente, quando Kyle se afastou dela, com um sorriso raivoso para o teto. Ele se virou para ela e perguntou:

-- E como isso chegou à mim?

-- Eles sabiam que era algum amigo íntimo meu, e que só tenho dois amigos íntimos: você e a Hannah. Quando chegou a mensagem de que era um garoto, perguntaram para mim se era você e não tive como negar...

Kyle fechou os olhos e mordeu a língua para segurar um xingamento. Andrea começou a se desculpar, mas Kyle saiu andando, deixando-a falando sozinha Quando tomou uma pequena distância, lembrou-se de algo e virou para a garota, parada contra seu armário.

-- Ah, é. Boa sorte em manter as amizades. Pois quero ver quantas pessoas vão querer continuar sendo amigas suas depois que souberem que você espalhou um segredo enorme – e saiu pisando duro pelo corredor.

Quando chegou em sua sala de aula, Kyle botou sua mochila em sua carteira habitual, do lado onde Hannah costumava sentar. No entanto, naquele dia, a garota sentava-se com Sullivan, um amigo deles. Ela viu que Kyle havia chegado, porém não o cumprimentou. O garoto acenou à distância, mas Hannah virou o rosto. Não sobrou nada para o garoto fazer, a não ser sentar-se em seu lugar. O lugar da amiga acabou sendo ocupado por Wictor. Era um bom amigo de Kyle, mas não poderia falar dos mesmos assuntos que tratava com Hannah por motivos óbvios.

Kyle lembrou-se então que a primeira aula seria de Luke e ficou nervoso. No final do período, teria que rejeitar a proposta do namorado de visitar seu apartamento, e não sabia o que iria acontecer depois disso. Ele poderia aceitar de boa, ou poderia ficar chateado, ou até mesmo furioso. Kyle não agüentava ficar olhando para a porta, como sempre fazia, então pegou seu celular e fuçou algumas mensagens. Havia uma de Lawrence, que dizia: “Escrevi só para dizer um oi! Vamos sair qualquer dia desses para tomar um café, quem sabe!”. Kyle não fazia ideia de como ele sabia que gostava de café, mas sorriu perante o convite. Ia respondê-lo, quando notou uma figura entrar pela porta. Era o professor. Kyle não levantou a cabeça, mas tinha quase certeza que Luke olhava para ele.

-- Bom dia, pessoal! Ei, garoto, guarde seu celular agora!”

Espera, aquela não era a voz de Luke. Era mais aguda e um pouco mais alta também. Kyle teve que olhar, e viu que o professor que havia entrado não era Luke, e sim o professor Libvov, que também ensinava Física. Kyle aproveitou que a aula não havia começado ainda e perguntou a ele:

-- Professor... com licença, onde está o professor Luke?

-- o Professor Tyler? Ele está doente e não pôde vir hoje. Aliás, estará de licença por uma semana. Irei assumir seu lugar durante esse tempo.

Kyle achou aquilo estranhíssimo. Se Luke estava doente, por que não o avisou? Quando isso acontecia, sempre enviava uma mensagem para Kyle de que não poderiam se ver... Mas não havia recebido nenhuma mensagem de Luke pelos últimos dois dias.

O professor Libvov começou a escrever no quadro-negro a matéria do dia quando o alto-falante da diretora Lenina começou a falar:

-- “Atenção, Kyle Rivers! Por favor, compareça à minha sala imediatamente! Repetindo, Kyle Rivers, do segundo ano, por favor, compareça à minha sala imediatamente! Tenham todos um ótimo dia escolar, bem produtivo!”

-- Kyle Rivers é dessa sala? – perguntou o professor Libvov, virando-se para a sala. Kyle levantou a mão e o mestre fez um sinal, permitindo-o que saísse. Kyle levantou-se e saiu para o corredor.

À caminho da sala da diretora, o garoto ficou imaginando qual seria o motivo da chamada. Nunca havia sido chamado antes, e haviam apenas dois motivos que Lenina discutia com seus alunos em sua sala. Quando iam extremamente bem em algum exame e avisava que iria convocá-los para alguma competição interescolar, ou quando iria dar uma enorme bronca em alguém. Kyle não era um aluno brilhante, então existia apenas um motivo para ter sido chamado. Mas o que havia feito para ser chamado lá? Enquanto caminhava, esfregava as mãos nos lados da calça pois estavam ficando suadas. Seu coração batia muito forte, exatamente como havia batido minutos atrás enquanto falava com Andrea. A diferença era que, neste momento, ele batia de medo. Não sabia o que estava por vir.

Entrou na sala da auxiliar Ellis, que fez um sinal para que entrasse na sala da diretora. Kyle bateu à porta, abriu-a e entrou, fechando-a atrás de si.

A diretora Lenina estava sentada em sua mesa larga de madeira escura, com os cotovelos sobre a mesa e os dedos das mãos apoiados uns contra os outros, na altura do queixo da mulher. Ela usava seu penteado característico, com uma presilhinha prendendo uma parte da franja, e também um largo sorriso. OK, por mais que tivesse a fama de boazinha, pelo o que Kyle já ouvira falar dela, ela não sorria quando dava broncas. Qual era o assunto da conversa...? Que regra Kyle havia quebrado? O que havia feito na escola que não deveria ter sido feito?

-- Sente-se, Sr. Rivers. Desculpe ter interrompido sua aula de Física. Sei que adora as aulas de Física, não é?

O estômago de Kyle despencou quando percebeu qual era o motivo da chamada. A falta de Luke, seu sumiço... agora sabia exatamente do que se tratava tudo isso.

-- Ora, é verdade, o professor Tyler não veio hoje, não é? Então acho que não há problema em interromper sua aula, não é?

A diretora sorria como um predador. Kle estava estático, seus pés pesados demais e fincados no chão de tacos da sala dela para se mover. Precisava pensar rápido em algo para dizer, mas nada lhe vinha à cabeça. Tudo o que planejara dizer caso descobrissem sobre ele e Luke sumiu como se nunca tivesse pensado nisso.

-- Vamos, querido, sente-se para conversarmos melhor.

Kyle começou a andar lentamente, a diretora acompanhando-o com o olhar. Parecia uma grande sapa de peruca, com sua boca larga e olhinhos apertados atrás dos óculos de gatinho. O garoto, trêmulo, sentou-se na cadeira simples de madeira, sem estofamento. Parecia feita de propósito para incomodar quem quer que sentasse ali.

-- Antes de tudo, você não precisa dizer absolutamente nada, apenas sim ou não quando eu lhe pedir, tudo bem? Vamos começar então.

A diretora Lenina levantou-se e caminhou até sua estante cheia de livros. Sobre uma das prateleiras, havia um envelope pardo com algo rabiscado em cima. Ela pegou o envelope e verificou seu interior.

-- Recebi este envelope ontem à noite. Está assinado como “Anônimo”, então não faço ideia de quem é que o enviou para mim. Mas isso não importa. O que importa, Sr. Rivers, é o que havia dentro dele... isso.

A diretora Lenina tirou do interior do envelope cinco retângulos de papel grosso e jogou-as em sua mesa, de frente para Kyle. Eram fotografias, e o que havia nas fotografias embrulhou mais uma vez o estômago do garoto. Pareciam todas a mesma versão de uma só fotografia, com pequenas mudanças. Mas todas elas retratavam Kyle e Luke se beijando e se agarrando na sala de máquinas da escola. Haviam sido tiradas por trás de uma das máquinas, por entre alguns canos, mas em todas elas, os rostos dos dois estavam bem visíveis e nítidos. O queixo de Kyle começou a tremer de medo.

-- Olha só! – disse a diretora, fingindo surpresa, apontando para a primeira fotografia – São você e o professor Tyler, não é?!

-- Diretora, eu posso exp—

-- Ah, ah – interrompeu Lenina, pondo um dedo sobre a boca de Kyle – Lembra-se? Não precisa dizer nada até eu dizer que pode. Mas tudo bem, eu sei que você é atrevido. Não bastasse procurar por homens mais velhos, tinha que ir atrás de um professor! E olha só, ainda tem relações com ele dentro dos prédios da escola! Oh, isso é muito desafiador para uma pessoa só, não acha...?

-- Diretora, nós nunca fomos mais além que—

-- Calado.

Kyle mordeu o lábio. Continuou de cabeça baixa. Viu uma lágrima pingar sobre sua mão trêmula, pousada em seu colo.

-- Bom, acho que não vou mais precisar me preocupar com o professor Tyler... ou melhor, EX-professor Tyler... Afinal, ele não lhes dará mais aulas. – disse a diretora Lenina, enquanto caminhava em direção à sua janela. Kyle ergueu os olhos, surpreso – Conversei com ele ontem, e após muita discussão, ele concordou em se mudar para Nova York e nunca mais ter qualquer tipo de contato com você, sob a minha ameaça de avisar a polícia sobre a pequena relaçãozinha de vocês dois. Aliás, aqui está o antigo chip de celular dele.

A mulher atirou também o chip de Luke, pousando sobre a fotografia em que Luke mordia de leve o pescoço de Kyle. O garoto tomou-o em suas mãos.

-- Foi bem difícil convencê-lo. Ele queria esperar até amanhã, no mínimo, para arranjar sua partida. Mas eu não podia dar-lhe a oportunidade de vocês dois se verem, não é? Mas agora a discussão é com você, Sr. Rivers.

Kyle sentiu o coração apertado. Luke tinha ido para Nova York e tinha instruções para nunca mais encontrá-lo. E ainda por cima, teria que lidar com a diretora Lenina agora e com Hannah mais tarde. E seus pais, o que seus pais diriam, meu Deus...?

-- Olhe para mim, Kyle – disse a diretora, já sem seu sorriso irônico – Eu não estou disposta a lidar com mais alguma polêmica nessa escola. Meu nome já não é tão limpo assim, nem o dessa escola, e sua pequena brincadeirinha com um professor não me ajuda em nada. Então vamos fazer o seguinte. Vamos criar um acordo entre nós dois – a diretora aproximou sua carona em direção a Kyle e disse bem devagar. O perfume de dama-da-noite dela era muito forte – Eu não direi absolutamente nada sobre esse assunto para seus pais ou para a polícia sob algumas condições. Primeira: você não vai, nunca mais em sua vida, tentar entrar em contato com Luke Tyler. Nunca. Mais. Certo? – Kyle fez que sim com a cabeça enquanto apertava os olhos, fazendo algumas lágrimas pingarem – Segunda: você não dirá uma palavra sobre isso a mais ninguém. Se lhe perguntarem algo sobre Luke, finja que não sabe absolutamente nada. E para seus amigos que sabem sobre vocês dois, diga que também estão correndo risco de sofrer denúncias. Sei mais sobre meus alunos do que vocês pensam. E terceiro, você terá detenção de um mês. O motivo oficial será seu desrespeito para comigo. Estamos entendidos?

...

Kyle andava cambaleando pelo corredor. Estava muito abalado. Não esperava que a diretora descobrisse tudo sobre seu relacionamento com o professor Luke neste momento, embora precisasse reconhecer que ela fora extremamente boazinha ao lhe dar tão diminuta punição. A tensão causada pela expectativa de rejeitar a proposta de visitar o apartamento de Luke havia sumido por completo para dar origem a uma saudade que o garoto nem sabia que podia sentir. Sentiu seu coração ser arrancado. Realmente gostava de Luke, não importava o que dissessem, se era errado ter um relacionamento desses, se era imoral, o que fosse. O que sentia por ele superava tudo, e sabia que, enquanto estivessem juntos, seria forte para passar por cima de qualquer obstáculo do tipo. Mas agora estava sozinho. Completamente sozinho de novo. Não havia Luke. Não havia Hannah. Não havia Andrea, nem Vince, nem Thammy. Não podia contar nem para seus pais. Começou a sentir tontura, e assim que encostou num armário vermelho, no corredor vazio, as lágrimas brotaram em seu rosto.

Escorregou até o chão, ainda encostado no armário, com o rosto contorcido e riscado pelas lágrimas que rolavam em abundância. Estava sozinho. Não havia ninguém para ajudá-lo. Sua cabeça doía, e encostou-a no joelho esquerdo, a outra perna esticada pelo chão. Chorava desesperadamente.

-- Kyle...? Nossa, o que houve com você...?

Kyle vislumbrou, por entre as lágrimas que embaçavam sua visão, uma figura escura agachar-se do seu lado. Ela cheirava a cigarros. Não pensou duas vezes e se jogou em direção a ela, abraçando Lawrence.

Notas finais
Caramba, que será de Kyle agora...? ); Até eu sinto pena de tudo isso... xD O quê vocês acham que vai acontecer agora? *-* Lembrem-se que minha história está beeem longe de acabar ainda... xD
Ah, aquela enquete sobre a cena sensual ainda está de pé! Se você quer saber mais, leia a Nota Final do capítulo 10, "Tensões"! E lembrem-se, o prazo é até a postagem do 15º capítulo, ok? ;D
Até mais! ^_^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.