Observava as ruas de Tókio, ao longe ele observava Misa, faltavam menos de dois anos para o seu falecimento, esse também era o tempo que restava antes de Raito, seu melhor amigo e assassino, voltar à “vida”.

Fora fraco ao trocar a lógica pela emoção, antes do caso Kira, sempre optara por permanecer incógnito, e justo quando se revelou acabou por morrer. Devia ter seguido apenas seus instintos desde o início.

Mas assim era a lei da vida.

O mais forte SEMPRE vence o mais fraco, e neste caso, Raito fora mais forte.

Só gostaria de ter visto com os próprios olhos como os seus discípulos o haviam derrotando, mesmo Ryuuk tendo lhe contado tudo, queria ter visto a sua expressão quando derrotado.

Gostaria de fazer tanta coisa, mas agora não era possível, afinal, não estava verdadeiramente entre os vivos.

Voltou a olhar para as ruas, parando sobre uma mulher que estava em seu ultimo dia. Ficou interressado, como será que morreria?

Um homem desceu de uma moto e a jogou em um beco próximo, pegou uma pequena faca de dentro do seu casaco de couro e pressionou no pescoço da mulher.

Não poderia deixar aquilo acontecer. Como a “justiça” deixaria aquilo impune?

Pegou o caderno negro que carregava e também uma caneta, já ia começar a escrever o nome do homem quando sentiu uma mão no seu ombro.

-É melhor não fazer isso. – disse Ryuuk sentando-se ao lado do garoto.

-E por quê? – perguntou o mais jovem shinigami apertando a caneta entre os dedos.

-Se um deus da morte salvar uma vida acabará pagando com a própria, e entregando o seu tempo restante para a pessoa salva. Foi o que aconteceu com Amane Misa, um de nós se apaixonou por ela, e isso fez com que ele a salvasse da morte. Vamos jogar um pouco. – disse Ryuuk se levantando e ao longe eles ouviram os gritos da mulher que estava sendo morta.

Não passou muito tempo com aquele jogo com os crânios, que por sinal, era demasiado chato, então decidiu ver se aprendi alguma coisa de útil.

Teria que aprender a voar, e Ryuuk já havia deixado claro que não tinha paciência pra isso, então teria que aprender sozinho.

Ótimo, estava mesmo precisando de alguma desafio

Para sua surpresa, fora fácil estender as asas, uma coisa quase automática, e assim que o fez, começou a flutuar levemente, mas era só balançar um pouco as recém adquiridas asas negras, que logo ia parar mais alto.

Não esperava que aprendesse tão fácil, era nessas horas que sentia falta dos seus tão amados doces.

Precisava de alguma coisa para fazer em um mundo tão tedioso.

Lembrou-se então que não devia ter muito tempo de “vida” restante, teria que matar alguém para adquirir o tempo que lhe restasse.

Voltou ao enorme buraco à procura do homem que vira matando a mulher.

E quando finalmente o avistou, tratou logo de pegar novamente o caderno e a caneta, dessa vez, nada o impedia, não estaria salvando ninguém.

Escreveu o nome do homem e logo depois o viu cair no chão, se contorcendo e segurando o peito, enquanto o coração parava de funcionar.

Um sorriso insano brotou em seu rosto, e se perguntou se essa era a sensação que Raito sentia, sentia-se verdadeiramente um deus, com a vida de todas as pessoas que a sua vista alcançava na palma de suas mãos.

-Hora de Matar. – sussurrou voando em direção ao mundo que antes pertencera.

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