Lauro e Pedro
2 No que estou me tornando?
Chegou em cima da hora, seus amigos o esperavam na frente do portão, que graças a Deus não tinha aberto ainda.
_ Hei Pedro! Aqui!_ gritou um rapaz de cara comprida que mais lembrava um rato, chamando sua atenção.
_ E aí Rogério! Consegui, cheguei antes de abrirem o portão.
_ Hoje eles estão demorando pra abrir o portão o que será que houve?_ perguntou uma garota baixinha e magricela de cabelos loiros se juntando aos dois junto com um garoto que era seu irmão gêmeo, os dois tinham a mesma atura e o mesmo formato de rosto.
_ Não sei Marcela_ disse Rogério _ Deve ser por causa daquela baboseira de sala ambiente.
_ Eu acho que vai ser interessante ficar mudando de sala._ disse o irmão de Marcela.
_ Eu não acho não, vai ser um porre decorar todas as salas.
_ Ai Rogério, você é mesmo um preguiçoso.
_ Olha só quem fala, não seria você o senhor Nunca-chego-na-hora? Heim?
_ Dormir é um dom. Não tenho culpa se tenho um gosto anormal por esse dom. Mas eu concordo com Manuel, pode ser divertida essa historia de sala ambiente.
_ Eu concordo também._ disse Marcela.
_ Não dá pra discutir com vocês.
Pedro estava longe, não conseguia parar de pensar no sonho que teve, aquilo lhe causava prazer, muito prazer. Marcela via que Pedro tinha algum problema, parecia distante, quase triste.
_ O que foi Pedro?_ resolveu perguntar, afinal perguntar não ofende.
_ Nada Marcela. Por que?
_ Por nada, achei que você estava meio longe sabe.
_ Ele esta sempre longe maninha. Parece que nem mora no nosso mundo.
_ Hei babacas_ gritava Rogério_ Vamos, o portão já abriu.
Correram os três para dentro da escola. Foi uma luta e tanto para achar a sala, no meio de tanta gente era difícil se mexer. Rogério não parava de reclamar dessa mudança desnecessária de salas, os outros três amigos não viam a hora de chegar o intervalo, Pedro estava com tanto sono que dormiu nas três aulas, acordando só para mudar de sala. Logo o “santo” sinal bateu anunciando que o intervalo finalmente chegara.
_ Aleluia!_ gritou Rogério _ Não vejo a hora de chegar na cantina. Quero comprar salgadinho.
_ Faz idéia do que essas porcarias fazem com você?
_ Ai Pedro não enche minha vida! Já não basta minha mãe?
Pedro deu em ombros_ Só quero ajudar.
_ Ah não! _ exclamou Marcela _ Lá vem a Debbie, veio atrás de você de novo Pedro. Pelo amor de deus, dá um chega pra lá nela, vê se ela para de encher só um pouco.
_ Quantas vezes você acha que eu já mandei ela embora? Um monte, ela é persistente.
Lá vinha a garota, linda, seus longos cachos louros quase chegavam na cintura, seu corpo bem estruturado combinava com seu rosto perfeito e delicado.
_ Oi Pedro!_ disse sorridente.
_ Oi Debbie._ disse sem emoção alguma.
_ Quer ir dar uma volta comigo?
_ Não. Prefiro ficar com meus amigos.
_ Eles?
_ Quem mais seriam?
_ Devia andar com os populares, não com os esquisitos, é bonito demais pra ficar com essa gentinha.
Dando um ultimo sorriso para Pedro saiu de lá se sentindo superior a todos que haviam em volta.
_ Na boa cara. _ disse Rogério com a boca entupida de salgadinho _ Você devia ficar com ela. Ela é muito gata.
_ Ela é esnobe. Muito esnobe. Nunca ficaria com alguém que destratasse meu amigos dessa maneira.
_ Eu ficaria.
_ Pois então fique você com ela.
Sentou-se no banco que havia ali perto e ficou olhando para o grupo de garotas que estavam com Debbie, todas eram lindas, mas Debbie era de longe a mais bonita, seus olhos azuis eram envolventes seu sorriso sensual e tudo o que mais se via de belo em uma garota tinha em Debbie. Mas Pedro sentia nojo toda vez que a via. Um nojo indescritível. Pedro não acreditou quando se viu olhando os rapazes do time de futebol, todos altos e lindos, e achando-os as coisas mais lindas que já vira lembrou-se de seu sonho e sentiu que sua calça estava se tornando apertada, olhou pra baixo e mais uma vez se viu excitado. Tentou pensar em algo que não o deixasse assim, mas parecia impossível, os garotos lindos a sua frente o faziam lembrar de seu sonho e isso só piorava sua situação. Debbie o olhava e por um momento seus olhares se encontraram e ela sorriu provocante para ele, como num passe de mágica seu membro afrouxou e ele sentiu um nojo profundo, de Debbie e de seu sorrisinho idiota, e dele mesmo por pensar essas coisas.
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