Notas iniciais
Acho que essa é a fic mais longa que eu já escrevi... Espero que ela tenha ficado boa :/ Desculpe por qualquer erro e boa leitura ^-^

– Desgraçada!

– Filho da puta!

– Droga, eu não sei por que eu ainda sou casado com você.

– Seria uma boa idéia, você ir embora.

Lauren corria escada acima, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto pálido. Os gritos de seus progenitores ecoavam pelo pequeno apartamento do subúrbio. Sempre as mesmas brigas com a Lua como testemunha. O homem, bêbado, gritava para as ex-prostituta, como se o troféu fosse para quem ofende-se o outro mais e mais alto. Os vizinhos já estavam acostumados, ninguém mais ia separar, na verdade, alguns deles davam o mesmo show.

– É sua culpa! É tudo culpa sua!

– Vá se foder, mulher.

Depois de muito tempo, quando os gritos cessaram, Lauren, sentada na cama quebrada de seu quarto, ergueu a cabeça, limpou as últimas lágrimas e levantou. Abriu o armário que tinha desde sempre e pegou uma jaqueta qualquer. Com sua calça jeans surrada e chinelos, saiu na chuvosa noite que abrangia todo o pobre bairro.

Cafetões e putas na rua a cumprimentavam, muitas delas, suas amigas de infância. Andava, com os olhos inchados e passos largos. Apenas queria sair daquele inferno. No final da rua, onde as lâmpadas paravam de funcionar, encontrou um carro dos anos 80, marrom, acabado. E um rapaz dentro.

– Peter! – Chamou pelo velho conhecido.

O rapaz de pele escura e olhos negros olhou para fora e tentou reconhecer quem o chamara.

– Lauren! O que faz sozinha há essa hora?

– Estou andando por aí. – Disse, tentando disfarçar a voz rouca. – Você ‘tá indo pra onde?

– Nenhum lugar, gatinha.

– Será que você... Não, esquece. – Lauren vira e dá um passo. A ideia era maluca!

– Não, fala.

Ela parou e ponderou. E se ele descobrisse? A, foda-se.

– Você poderia me levar na praia?

– Agora? São duas horas de viagem e já está quase amanhecendo....

– Tudo bem, deixa pra lá.

– Não. Entra aqui. Dave ‘tá por aí caçando a minha cabeça por causa daquele lance das armas... Acho que uma viajem me livraria por algumas horas.

Lauren entra no carro e sente o cheiro de droga, talvez ele batesse, mas ela não ligava. Peter ligou o rádio e o rap começou a tocar no último volume. “Suck my dick, your fucking bitch”, ou algo do tipo. A garota já não ouvia nada. Depois de um tempo, já na escura estrada, as árvores passavam rápido pela esquerda e a cidade deixava suas luzes no ar, um borrão de uma felicidade que nunca existiu. Talvez pudesse se ouvir alguma coruja. Duas horas podem demorar muito para passar, mas quando se está queimando no submundo, tanto faz.

Peter estacionou o carro antes da areia e Lauren desceu.

A garota parou no meio da praia, em baixo da Lua, que mal iluminava a água gelada. Peter achou alguns degraus e se sentou, apenas esperando alguma reação da garota, mas vários minutos se passaram e Lauren continuava imóvel no meio da areia.

– Lauren?

Como num estalo, a garota tirou a jaqueta, jogou a regata de lado e desceu os jeans.

– Lauren, nudismo é proibido aqui, você não quer ser presa de novo, né?

Ela ignorava o rapaz, não por querer, mas porque não ouvia nada há muito tempo. Tirou as últimas peças que lhe sobravam e começou a sua caminhada até a água.

Sentiu o mar bater em seus pés em ondas que mal chegavam à costa e fechou os olhos, sentindo a brisa. Os gritos ainda ecoavam em seus ouvidos. Deu mais alguns passos até o fundo e, quando a água bateu em seus joelhos, mergulhou. Peter não entendia nada, mas estava se divertindo muito com aquela situação.

Quando o Sol começou a se mostrar, Peter levantou e andou até a beira do mar para procurar a garota que ainda estava submersa.

Em baixo d’água, Lauren nadava como se fosse a única coisa que soubesse fazer. Estava em mar aberto, os peixes a rodeavam, e a sua cauda balançava no ritmo das ondas. Parou e olhou para onde deveria estar as suas pernas. No lugar havia um rabo de peixe. Se sentia uma aberração, mas a sua maldição era o que lhe dava motivos para continuar vivendo. Todas aquelas histórias de contos de fadas pareciam bem prováveis quando Lauren estava na água.

Olhou para cima e a luz da Lua penetrava de leve na escuridão, misturada com os primeiros raios de Sol. Ela devia voltar para a superfície, voltar para seu inferno. Suspirou triste e começou a subir.

Notas finais
Acho que ninguém esperava por isso hehe. É só mais uma fic sobre uma garota que realiza meu sonho, ser uma sereia... Não entendo a Ariel, querer ser uma humana. Onde já se viu isso? Sereias são incríveis e.. Bem, estou estendendo muito. Deixe um review, sua opinião é de verdade muito importante.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!