Laura

1 Valley of the Dolls


Notas iniciais
Éden significa paraíso; segurança. Éden era onde ela vivia, certo?

In the valley of the dolls we sleep

Got a hole inside of me

Living with identities

That do not belong to me

•

O sol estava se pondo mais uma vez.

Acorde, a voz dele era clara em sua cabeça assim que abriu os olhos, arfante. Para de chorar!

— Parei, parei, parei. Eu já parei! — ela sussurrou repetidamente, a mão em seu coração acelerado. Os pesadelos não eram mais tão frequentes como antes, mas quando aconteciam, Laura podia jurar que a dor era real. Eles não eram a pior parte, entretanto.

Era quando acordava que ela chorava. Pois não havia dor.

Não havia nada.

Ingrata! a voz dele acusou.

— Desculpe. — ela o respondeu. — Me desculpe, papai.

Foi na segunda noite que Laura começou a ouvi-lo. Um enorme acampamento de mutantes refugiados, e uma só voz persistente. Por um bobo momento pensou ser Charles, e então as palavras duras o denunciaram. Logan.

Laura não era tola. Ela sabia que a voz dele era apenas uma forma de sua consciência culpa-la pelo o que aconteceu... mesmo assim, não conseguia deixar de responde-lo.

— Laura, minha querida. — o sotaque americano soou pela tenda. — Laura? Está acordada?

A mulher afastava os lençóis com as palmas das mãos, circulando entre as camas e se aproximando. Grace, ela cuidava do acampamento junto do marido e tinhas os cabelos loiros mais cintilantes que a menina já havia visto. Ela era como eles, Laura sabia, mas não tinha conhecimento do poder que a mulher carregava. Sendo sincera, também não se importava em descobrir.

— Oi.

— Foi outro pesadelo? – perguntou maternal, suspirando ao não obter resposta. — Olha, minha anãzinha te procurou o dia todo.

— Hum, eu... eu já estou indo. — Megan, a filha de Grace, carinhosamente chamada de anãzinha. Era uma das poucas que Laura havia se esforçado em gravar o nome.

Sozinha na tenda, a garota suspirou. Esse não era o plano. O plano era chegar até o Canadá. Mas enquanto atravessavam a floresta, deram de cara com Grace. O acampamento já abrigava alguns mutantes refugiados, e Rictor achou que seria uma boa ideia ficar por alguns dias.

Dias que se tornaram meses.

Alguém acordou de mal humor de novo?

Certo, o lugar era seguro e era isso que importava, sua amiga April até mesmo havia brincado o chamando de novo “Éden” e isso... realmente não deixava Laura confortável, não mesmo.

Continue agindo assim e chegará o momento que ninguém mais vai te suportar.

— Cállate, papa.

Levantou-se devagar, movendo-se entre as camas. Adquirira insônia e aproveitava cada oportunidade que tinha de descansar pelo dia.

Eles eram 42 ao todo, e com frustração ela percebeu que mesmo com três meses vivendo entre eles, não conhecia nem mesmo metade daquela gente.

A movimentação do acampamento denunciou o que eles fariam aquela noite: Fogueira. E teve suas suspeitas confirmadas quando April e Rebecca passaram por ela correndo e rindo com pedaços de madeira nas mãos.

— Vai ficar por perto, né? — Rictor perguntou, ele sempre perguntava, mas nunca se decepcionava com seus “não”. — É uma festa, por favor. O grupo A foi pra cidade conseguir esses tais marshmallows pra gente, querem assá-los na fogueira.

Qual era o sentido de tudo isso? Eles pareciam estar adiando o inevitável.

Não há mais armas no vale, você mesma disse. A imagem do túmulo de seu pai voltou em sua mente. Tudo que foi perdido aquele dia. Tudo que nunca voltaria. Para que ela pudesse tentar.

Fitando Rictor, a garota deu de ombros. Ele sorriu, pelo menos era algo.

— Vai começar em uma hora, veste algo legal.

Algo legal? Em uma hora? É, podia se manter viva até aquela mini sociedade a massacrar com uma não bem-vinda socialização.

O que nem ela ou os outros imaginavam, era que em menos de duas horas, toda segurança que haviam conquistado... acabaria.

•

In my life, I got this far

Now I’m ready for the last hoorah

Dying like a shooting star

In the valley