Laura
9 Don't Panic
Notas iniciais

Bonessinking like stones
Allthatwefought for
Homes, placeswe’vegrown
Allofus are done for
•
Rictor.
Rictor estava uma pilha de nervos.
Sendo o mais velho do grupo original, os enfermeiros haviam estabelecido certa confiança nele, muitas vezes pedindo que olhasse pelos mais novos. Funcionava muito bem, afinal se conheciam desde pequenos, então mesmo enquanto fugiam da Transigen, não era um peso difícil de se carregar.
E então veio o acampamento.
A perspectiva de viver num Éden, um lugar seguro... o fez baixar a guarda. Não era mais tão atento como antes.
Foram traídos bem debaixo de seus narizes.
— Rictor. – Siryn o chamou e ele se afastou da janela, despertando-se de seus pensamentos. — Desde que Magneto saiu com os outros, você ficou aí parado. Tem algo te incomodando?
— Só estou pensando.
— É a Laura?
Ele a fitou, franzindo o cenho.
— É só- desculpa, é que vocês são bem próximos... é normal ficar preocupado.
— Laura sabe se virar muito bem, na verdade, ela é a melhor de nós.
E havia Laura.
Durante todo o tempo vivendo na floresta, ela o alertou sobre os soldados, que eles não iriam esquecer tão fácil o que aconteceu. Tolamente ele agiu, ignorante ao que ela dizia.
Ele deveria protegê-la, proteger os outros... confiaram nele para isso.
— É essa história com o Magneto...
— Achei que confiasse nele.
— Não confio em ninguém, só nos meus amigos. Laura tem bom instinto, ela não estava intimidada quando foi com ele, estava analisando a situação e é o que estou fazendo agora também.
— E qual a sua conclusão?
Suspirou e sentou ao lado da senhora.
— Não acha que tudo isso é perfeito demais? Os X-men vindo até nós. Quer dizer, isso está mesmo acontecendo?
— Não tem nada de perfeito nisso, Rictor. – Ela arqueou a sobrancelha incrédula. — Desde que chegamos aqui tudo que acontece é destruição-
— Não nossa culpa.
— É bem nossa culpa sim.
— Mas não é intencional.
Ela riu, balançando a cabeça. Realmente, eles pareciam um imã para problemas.
— Os X-men sempre foram meus heróis. E agora estamos aqui, nesse mundo novo, e eles estão vivos. É tão surreal.
— Não acredita que eles estejam vindo?
— Acredito. Esse é o problema.
— Está com medo. – Siryn concluiu, encarando-o.
Rictor assentiu.
— De perder o foco, sim. Eu já falhei nisso com a April, Jackson, Mira... Julie, Stephen... tantos nomes que não saem da minha cabeça e eu não posso fazer nada! Eles nunca vão voltar.
Os olhos da mulher se encheram de lágrimas, também tinha perdido amigos queridos, ela sabia como era a sensação.
Grace e Erik nunca verão o futuro seguro que Megan terá.
— Sabe... talvez seja esse o problema.
— Como assim?
— Você está vendo os X-men como heróis. Eles são. Mas vai além disso. Tem que começar a vê-los como pessoas.
Rictor ouviu suas palavras, pensativo.
— Magneto tem um olhar tão quebrado quanto o nosso. Isso nos mostra que ele também é... humano.
Igual aoLogan, ele pensou lembrando-se da primeira vez que viu o homem.
— Somos todos... pessoas quebradas tentando fazer do mundo um lugar melhor. Não é perfeito, é verdade, mas... é um mundo bonito... às vezes.
Como no acampamento... ver o sol surgir em meio as árvores; ajudar a levantar as tendas durante o pôr do sol; sentar ao redor da fogueira com um pedaço de carne e rir das piadas de Jonah.
— Então tudo bem se preocupar, só não se preocupa demais se não vai acabar perdendo alguns momentos. Momentos muito bons.
Laura não perdia nenhum, lembrou-se. Apesar de sempre alertá-lo, Laura sempre estava lá observando... pois era bonito.
Ela não o culpava por ter perdido o foco. Ninguém o culpava... talvez fosse o momento de ele parar de fazê-lo consigo mesmo.
— Você é muito boa nisso. – ele não conseguiu controlar o tom de surpresa, fazendo-a rir. — Quer dizer, antes, eu só te via como a tia da cantina...
— Bom... – ela sorriu. — Eu conheci os X-men no nosso antigo mundo.
— ÃHN?!
Uma movimentação pelo corredor os interrompeu e em segundos, Erica surgiu na porta, os olhos azuis arregalados.
— São eles.
Rictor imitou seu gesto, e a ultrapassou correndo. Desceu as escadas, logo percebendo que todo o grupo se encontrava na porta, ansiosos.
A confusão o atingiu, como não os ouviu chegarem?!
E ao passar entre os amigos, deu de cara com um jato que descia ao chão de modo inacreditavelmente silencioso.
— Yep. Eu com certeza vou com eles. – Lance falou, impressionado.
Instantes depois, duas figuras surgiram à passos apressados: uma mulher de longos cabelos brancos, vestindo um uniforme resistente que Rictor conhecia muito bem, e um homem de pele azul cheio de sinais pelo rosto... e um rabo.
— Vocês não têm ideia do quão angustiado o Professor estava! – a mulher comentou em tom de alívio. — Ainda bem que os achamos!
Do lado das crianças, ninguém falou nada.
— Er, desculpem, oi! Eu sou-
— Tempestade. – Rictor completou, o coração acelerado. — Não é?
— Sim. – respondeu surpresa. — Este aqui é o Noturno.
— Me chamo Kurt. – ele falou, com um estranho sotaque.
O garoto assentiu e virou-se para os amigos:
— Es como ver um cómicganando vida.
Todos explodiram em comentários. Até mesmo Siryn, Megan, Ariel, Wanda e Lance, que eram os americanos entre eles, pareceram entender sua fala e esboçaram olhares maravilhados.
— Mira elpelo... – Delilah apontou para Tempestade, admirada.
— Estoy ocupado mirando la cola delél... — Tomás respondeu, sem tirar os olhos de Noturno.
Os dois X-men sorriram sem graça, ou sem entender, e Rictor traduziu da melhor maneira que conseguiu:
— Estivemos esperando por vocês há muito tempo. – se aproximou e estendeu a mão. — Eu sou o Rictor, eu cuido deles.
— Você?!
— Devo me acostumar com esse tom de surpresa?
— Desculpe, é que vocês são todos tão jovens...
— É, também ouvimos muito isso.
Houve um momento de silêncio e Erica ergueu a voz:
— Magneto não está aqui.
— Sabemos, querida. – Tempestade respondeu. — A outra parte da equipe foi até ele. Vamos todos nos reagrupar em alguns minutos.
— Isso é bom. Alguns dos nossos foram com ele pra...
A frase morreu em sua boca, e o olhar do garoto desviou-se para uma terceira figura saindo do jato com uma postura emburrada. Alto, forte e muito, muito mais jovem do que ele se lembrava.
Era como ver um fantasma.
— É o Logan! – Bobby exclamou, confirmando sua suspeita.
E como se o mundo tivesse decaído, as crianças praticamente voaram até o homem, deixando um Rictor paralisado para trás.
Não era possível.
— Oh, uh, vocês o conhecem também. – a mutante do tempo voltou a dizer, intrigada. — Só uma pergunta: conhecem todos nós?
Na verdade, era possível! O garoto pensou, forçando-se a andar até Logan. Se aqui tinha uma versão para todos (menos deles próprios, como Grace havia explicado), então... Logan.
Logan, que havia morrido.
Que havia os salvado.
E que fitava as crianças como se elas fossem ataca-lo.
— Wow, wow, wow, calma aí, guris! Sem abraços, o que vocês têm?
Eles riram, felizes em vê-lo, olhando-o de cima à baixo.
— Caramba Logan, você ‘tá tão diferente! – Bobby comentou espantado.
— E jovem, como isso é possível? – Charlotte perguntou.
— Pelo menos a barba está feita dessa vez! – Delilah brincou.
— Não sabia que era tão bom com crianças, Logan. – Tempestade zombou.
O homem crispou os lábios, e Rictor não pode deixar de notar o quão familiar aquela expressão era. Laura fazia a mesma coisa quando começava a perder a paciência.
— Ok, ok, já chega. Esse carinho realmente me emociona, – Logan começou em tom de tédio. — Mas eu deveria saber quem vocês são?
— Sim!
— Não.
As crianças encararam Rictor confusas, que suspirou. Era óbvio que não iriam notar, que se deixariam levar pela emoção. Por um segundo, ele mesmo se levou.
— Mas é o Logan! – Delilah rebateu.
— O Logan desta realidade.
— Oh.
Os comentários morreram, assim como os sorrisos.
— Acho que essa é a conversa longa que o Professor falou. – Kurt disse e a mulher de cabelos brancos assentiu.
— Vamos entrando pessoal, temos pouco tempo.
Eles obedeceram, afastando-se, para a surpresa de Logan. Um silêncio constrangedor reinou até todos estarem acomodados dentro do jato.
Siryn passara a responder perguntas básicas que Tempestade fazia, enquanto o resto murmurava uns com os outros o que havia acabado de acontecer.
— Caramba, Ric... – Erica sussurrou, sentada ao seu lado. — É ele, e ao mesmo tempo... não. É igual e ao mesmo tempo...
— Diferente.
Cometeu o erro de olhar para Logan. O homem mantinha os olhos desconfiados fixados neles o tempo todo, muito intimidante. E tão igual ao olhar de Laura...
Desconfortável, ele virou-se para Erica, que murmurava: — O que a Laura vai fazer?
— Eu não sei. – respondeu. — Mas espero que não seja o que eu estou pensando.
Laura.
Laura podia dizer quando alguém estava impaciente. Sua experiência com pessoas sem o mínimo de calma (e isso sem contar ela mesma!), a fazia perceber os sinais mais rápido que outros e tais sinais lhe davam nos nervos.
Cinco pessoas prestes a explodir dentro de um carro. Nada legal.
Felizmente, Erik também sabia distinguir tais sinais. E após checar pela quarta vez seu relógio de pulso, ele soltou:
— Querem dar uma volta?
— Mas os X-men-
— Atrasados. E não vamos nos afastar.
Laura arqueou a sobrancelha. Erik havia dito que os grupos que caçavam mutantes ainda estavam agindo... isso a deixava apreensiva.
— Não posso negar que minha bunda está começando a doer de tanto ficar sentado. – Jonah falou. — Mas pra aonde iriamos?
— Gostam de quadrinhos, certo? Acho que vi uma loja na quadra ali atrás.
— Loja?
— Venham comigo. – ele piscou para ela e saiu do carro.
Os quatro trocaram um olhar rapidamente e o seguiram.
E ao adentrarem a tal loja que o homem havia citado, a boca deles caíram em deslumbre.
— Eu nunca vi tantos quadrinhos em toda a minha vida. – Jonah murmurou com os olhos arregalados.
Era realmente de tirar o fôlego.
— Como se chama este lugar? – Ela perguntou, e Magneto respondeu:
— Livraria.
Uau.
Então eram de livrarias que os livros vinham. É, fazia sentido.
Aproximou-se das bancas, observando encantada as variedades. Eles realmente não tinham nada dos X-men, mas Laura encontrou revistas sobre outros heróis como Homem Aranha e Quarteto Fantástico. Seriam reais neste mundo?
Ela riu, surpreendendo-se. Que lugar bonito. E que cheiro bom!
Correu entre as bancadas, uma estante cheia do que chamavam livros. Haviam muitos na Transigen, com histórias de guerra e a biologia humana que a entediavam.
Estes, porém, eram diferentes; coloridos, do jeito que Laura gostava.
Em suas mãos, uma boneca sorridente de vestido lilás. Rapunzel. Hummm... o mesmo nome que Lance havia chamado Erica quando ela gritou com ele por causa da avalanche. Agora entendia o porquê; elas até eram parecidas, no cabelo principalmente.
— Acho que vai gostar desse aqui. – Gideon veio ao seu encontro, lhe mostrando uma capa verde com uma guerreira. — Parece com você.
Mulan.
A mexicana arqueou a sobrancelha, tomando-o em mãos.
— Hey, olha! – Do outro lado, Jonah ergueu um livro onde um tipo de monstro estava abraçado a uma garota. A Bela e a Fera. — É você e o Gideon.
Laura piscou.
— Não achei graça. – falou diante dos risos do amigo.
Seu olhar rapidamente alcançou uma capa com um garoto moreno sujo, de cabelos bagunçados e vestes rasgadas.
— E este é você, né? – perguntou à Jonah, que fechou a cara. — Aladdin.
Foi a vez de Gideon rir, e a mexicana sentiu-se satisfeita.
— Se divertindo? – Erik se aproximou, relaxado.
Ela o fitou, ainda com um sorriso no rosto.
— Obrigada. – agradeceu e o homem sorriu de volta, assentindo.
Depois de mais algum tempo explorando, Joey aproximou-se deles com um livro cheio de desenhos.
— Vou levar este. Você pode pintar da cor que quiser, olha!
— Eu quero! – Laura exclamou.
— Acho que vou levar tamb-
— Ei crianças, é só pra olhar. – Erik ergueu as mãos. — Não vamos comprar nada.
A mexicana franziu o cenho, e eles trocaram um olhar confuso.
— É claro que não vamos comprar.
— É, aonde acharíamos o dinheiro?
— Espera, então vocês estavam pensando em-
— Levar. – Laura movimentou as mãos e Joey ao seu lado, assentiu.
Erik riu como se fosse uma piada.
— Ah, estão falando sério. – constatou quando ambos não esboçaram reação. — Levar é? Não precisam mais fazer isso... O Professor vai cuidar de vocês agora.
— E...?
— E, não precisam mais roubar.
— Isso não é roubar. – Laura retrucou.
— Querida, é sim.
— Só íamos levar, não somos-
— Laura-
— Olá! Precisam de ajuda? – uma funcionária andou até eles.
Erik virou-se, disfarçando.
— Ah não, obrigado. Só estamos olhando.
— Se precisarem de algo...
— Claro! Meus sobrinhos estão tão animados, mas eu já disse pra eles, – e fitou Laura. — Na volta a gente compra.
Laura não sabia o porquê, mas teve a impressão que não haveria uma “volta.”
Balançando a cabeça, ela se afastou, atravessando a loja.
Á sua frente, a janela refletia o movimento das ruas, as pessoas caminhando apressadas, os carros estacionados... e um hummer h2 parado na esquina, junto de duas vans no mesmo estilo.
Espera, ela conhecia aqueles veículos!
Boquiaberta, sentiu o coração acelerar.
— Não. – balançou a cabeça, uma risada nervosa escapando de seus lábios.
“É complicado.” Magneto tinha falado, desviando o olhar.
— Ei Laura, o que acha desse aqui? Erik disse que se chamavam mangás. – Joey parou ao seu lado com os amigos, totalmente ignorante ao que ela via.
— Eu acho meio esquisito.
— É um traço, Jonah!
— E daí? Esses olhos esbugalhados-
— É um desenho! Gideon achou bonito, não é Gideon?
— Gente! – Laura chamou e eles a encararam. — Sei porquê Erik não quis falar sobre os caçadores de mutantes.
Eles ficam tensos na hora, e Jonah perguntou o porquê. Ela ergueu o braço e apontou.
— Nós conhecemos muito bem esse grupo.
O homem de cabelos claros caminhou pelo outro lado da rua vestindo sobretudo marrom e óculos escuros, suas mãos enluvadas seguravam um aparelho tecnológico familiar.
Um radar de mutantes.
— Mas não pode ser...
— Não pode ser? Não pode ser?! Eu reconheceria aquela cara de bosta em qualquer lugar! – Laura rosnou, a raiva esquentando seu sangue.
Aquele era Donald Pierce.
E atrás dele, seus seguidores, os Carniceiros.
— Estão nos caçando.
•
And welive in a beautiful world
Yeahwe do, yeahwe do
Welive in a beautiful world
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