Laura

1 Capítulo 1


Uma imagem quadrada com a palavra REC e uma bolinha, do lado direito, os dois em vermelho. E começa a surgir depois de chuviscos a imagem de uma mulher, nos seus 25 anos mais ou menos, loira, bem morena, vestida com um casaco preto longo, que parecia um sobretudo muito quente, que cobria suas vestes ensanguentadas e rasgadas. Sua blusa regata branca podia se ver que um dia foi branca, mas estava em petição de miséria com lama com um rasgo que dava para ver sua barriga de tanquinho e uma mancha de sangue na esquerda, que não dava para saber se era dela o ferimento ou de outra pessoa.

Seus cabelos que tanto adorava estava desgrenhado e sua cara estava suja inchada e com muito sangue. Tinha um olhar profundo de desespero, porem quando olhou seriamente para a câmera, passou um ar de serenidade ao falar.

— Não tenho muito tempo, talvez esse seja o último vídeo que eu possa fazer então eu vou registrar tudo o que vai acontecer aqui. Apesar de que eu não sei muito bem o que está acontecendo, mas a possibilidade de eu não sobreviver é grande…, mas para isso eu preciso explicar o início.

3 dias antes:

Era noite o mar estava calmo e podia ver a lua cheia refletida nele. Em uma casa simples perto da orla da praia se escuta o som de um violão tocando Tenerife Sea. Uma mulher loira está sentada em uma almofada muito confortável e grande perto da janela e seu corpo e seu violão estão sendo iluminados pela luz da lua mostrando muito bem os contornos dos dois. Ela está vestindo somente a roupa de baixo e uma camisa social branca por cima. A mulher para a qual ela toca está do lado oposto a janela deitada na cama com uma coberta e comendo pão com chocolate, sorri e olha com um olhar apaixonado para a garota que toca, ela parece ser um pouco mais velha, uns 3 ou 4 anos mais velha que a loira.

— Vem cá — e faz um sinal com dedo para a loira chegar mais perto

A loira larga o violão imediatamente e quase como uma criança anda e se joga na cama olhando para a sua amada.

— Cansou de me ouvir tocar? — Perguntou ela

— Claro que não — diz terminando o pão e dando os dedos sujos de chocolate para a loira lamber — só queria que você ficasse aqui comigo — e então chegou mais perto para um beijo, porém ficando em cima da loira.

Marcele era o nome da sua amada que mesmo suja de chocolate continuava linda, seus olhos castanhos escuros e seus cabelos ruivos vivos de quem pintou a muito pouco tempo, eram iluminados pela luz da lua naquele momento então mais ainda ela parecia um anjo, passava a mão pelo seu corpo e pensava que definitivamente a expressão corpo de violão tinha sido derivado dela, mesmo que isso fosse claramente fruto de muita academia. Ela era perfeita, pensava a loira. E ficaram nisso a noite inteira trocando carícias, se beijando, ficando abraçadas, até adormecerem.

O dia amanheceu e logo Marcele levantou com a luz do sol batendo em seu rosto e então olhou para sua amada. Barbara era seu nome, ela era linda, tinha uma cara de nova, não criança, mas de mais nova que não batia com sua idade. Era muito morena, devido sua descendência nordestina. Tinha cabelos loiros de luzes, mas que ficavam sempre, de alguma forma, um bagunçado arrumado, tinha um corpo normal, tinha um piercing na sobrancelha e na orelha, além de uma tatuagem de rena em um lugar que só quem, como ela dizia, tivesse a permissão dela poderia ver. Era uma típica imagem, pelo menos para Marcele, de uma adolescente rebelde, aquelas de filme, que todos ficam correndo atrás.

— Bom dia — disse uma sonolenta Barbara que começava a acordar com a luz do sol

— Bom dia — disse Marcele chegando mais perto e dando um beijo em sua bochecha

— Esta acordada a muito tempo?

— Não, estou só a uns cinco minutos mais ou menos

— Você estava me vendo dormir, não é? — Disse Barbara sorrindo e se virando de lado para ficar cara a cara com Marcele que corou com a pergunta

— Eu? Na.…na. Não, claro que não, porque eu faria isso fala sério — tentou disfarçar

— É tão lindo quando você fica nervosa e gagueja — disse tirando um beijo da ruiva que riu sem graça — mas tudo bem eu não ligo, e eu sabia que você era esse tipo de pessoa, dava para ver

— Esse tipo de pessoa?

— É que olha quem gosta quando está dormindo e fica suspirando apaixonado — as duas riram

— Ah para eu não sou assim, nem sou romântica — debochou Marcele

— Pode não ser com todos os caras que você namorou, mas comigo? — E fez um movimento que a fez ficar por cima da ruiva — comigo você é — disse dando um sorriso e beijando demoradamente a ruiva

Estavam namorando a dois meses e duas semanas. Tudo era perfeito.

Presente:

— E foi depois dessa noite que os problemas começaram-Na imagem da câmera Barbara andava na galeria escura, que dava para perceber agora que era de fato um esgoto. — Se ela tivesse me contado a verdade ali … eu poderia ter salvado ela — ao falar isso sua voz embargou.

— Tudo de fato era perfeito, ou bom, quase tudo. Eu morava com ela naquela casa, já que, depois que contei para meus pais sobre nós duas eles me expulsaram de casa. Eu tinha acabado de me formar da faculdade, onde nos conhecemos quando eu ainda era caloura e ela veterana, começamos a conversar e desde de aquele dia do trote ela não quis mais se afastar de mim. Fui na sua formatura, conheci seus pais e mesmo assim ela fez questão de continuar escondendo tudo de mim. Ai, mas que treco grudento pai amado! — Disse esbravejando contra o chão do esgoto.

— Enfim — e parou olhando seriamente para a câmera- vocês não estão entendendo nada, calma vocês já vão entender.

O telefone da casa começa a tocar, Marcele se levanta enrolada na colcha para atender. Número privado dizia o visor.

— Alô

Barbara notou Marcele ficar pálida e seu sorriso apagou do rosto, parecia assustada.

— O que você quer?

— Está tudo bem? — Disse uma preocupada Barbara

— Porque você quer saber isso?

De repente uma explosão, Barbara não conseguiu nem perceber de onde vinha, só viu o clarão, e sentiu seu corpo sendo atirado para longe.