Laura
4 Capitulo 4
— Você está bem? — perguntou Laura para a loira que estava de pé no quarto olhando para a janela
— O que você fez para ele? Porque ele quer te matar?
— Barbara…
— Me diz — disse a loira se virando para a ruiva que estava sentada na cama — eu preciso saber
— Eu roubei dele
— Roubou?
— Sim ….
— Desenvolva — disse a loira se aproximando da cama e logo sentando
— Códigos … não dinheiro
— Códigos? Como assim?
— Olha é muito complicado — disse a ruiva se levantando
— Por favor — disse Barbara segurando a mão da ruiva
Depois de um longo suspiro, Laura começou a explicar.
Não se via nada além de um quadrado escuro com a palavra REC piscando em vermelho:
— Ela não tem nada chefe — podia se ouvir ao fundo algum dos capangas falarem em um sotaque esquisito
— Impossível, Laura não os entregou a polícia, se não está com ela com quem pode estar?
Silêncio
Barbara começava a acordar, estava amarrada em uma cadeira em algo que parecia um Contêiner, estava muito abafado, sentia muito calor. Seu corte voltou a sangrar e sua câmera dentro da sua calça estava incomodando.
— Onde estão? — Disse um homem que parecia um indiano com um bigode enorme apontando a arma para sua cabeça
— Quem é você? — Disse uma Barbara atordoada
— Até parece que você não sabe — disse rindo — eu sempre soube que Laura casou comigo forçada, mas nunca soube que ela não gostava nem do meu sexo, uma mulher? Ela me traia com uma mulher, nojo — disse cuspindo no chão
— Seja lá o que você quer … eu não tenho
— Sei ... — Disse o homem — bom se você não quiser morrer nas próximas horas é bom você me dizer ou onde estão os códigos, ou onde está a Laura mocinha.
— Laura? Ela … ela está viva?! — Disse a loira chocada
— Bom ou isso ou ela virou um zumbi porque não tinha corpo nenhum na casa.
— Chefe! — Disse um dos capangas chamando atenção dele — consegui hackear o celular dela aparentemente ela tem um monte de códigos salvos dentro dele.
— Não tem o que eu quero né? — Disse o homem ironicamente e rindo para ela
Então de repente se escutou o barulho de vários disparos vindo de uma escada que tinha perto de uma porta a direita do contêiner.
Logo amanheceu, o sol estava forte fazendo o dia ficar lindo, porém chovia:
— Arco-íris — Disse barbara sentada na cozinha tomando café da manhã
— Oi?
— É, em algum lugar deve estar tendo
— Ah sim
— Esta, então continua
— Ok… depois que me casei forçada com ele, passei na faculdade e bom essa parte você já sabe…
— Sim..., mas porque você foi forçada a casar com ele?
— Porque meus pais não aceitavam eu não gostar de homens, então me forçaram a casar com um para eu “aprender a gostar”. Enfim, com o tempo fui descobrindo quem ele era de verdade. Toda aquela fortuna era de todas as transações de dólares que ele fazia, das drogas que vendia e das negociações de armas nucleares. Ele me descobriu mexendo em documentos dele e quase me matou por isso. E foi aí que ele me ofereceu um “emprego” ele disse: já que agora você sabe e eu sei que você não aceita esses tipos de coisas e provavelmente vai querer me entregar, eu tenho uma proposta, ou você me ajuda sendo minha assistente ou eu mato seus pais.
Barbara parou de comer para escutar a história e sua feição de assustada ficava pior a cada parte que Laura contava.
— Então foi por isso que você sumiu por dois anos da faculdade? — Perguntou Barbara engolindo a seco
— Sim , porque eu virei assistente dele — disse a ruiva com uma cara de revoltada e de nojo — eu viajava com identidade falsa e fazia entrega de drogas, fazia negociações, compras, entregava códigos para bombas, até armas eu vendi , fingia ser esposa dos parceiros dele para poder procurar devedores , além de servir para agradar eles — nessa hora sua expressão de nojo e repulsa foi enorme — Porém eu sempre tentei enganar ele para entregá-lo , o que nunca deu certo e por isso ele prendeu meu pai
— OI?! — Exclamou Barbara confusa
— Vou explicar — disse dando uma pausa para beber água.
— Quando eu estava em Londres- disse abaixando o copo e o colocando na pia- consegui entrar em contado com uma agência internacional de combate a crimes e descobri que na verdade eles estavam atrás dele a muito tempo, eles só precisavam de uma pista de onde ele poderia estar ou então algo que atraísse ele até onde eles estavam. E foi aí que eu armei um plano para encontrarem ele em um restaurante á noite, onde ele ia fazer uma transação de dinheiro. Mas de alguma forma ele descobriu e soube imediatamente que era eu que havia armado aquilo, mas eu implorei a ele que ele não matasse a mim e nem meus pais. Ele disse que teria misericórdia e não iria matar eles nem eu, mas…
— Mas ele mandou prender seu pai — disse a loira desacreditada do que estava escutando
— Sim, ele mandou capangas dele daqui implantarem uma quantidade imensa de maconha no carro do meu pai, ele foi parado em uma blitz e então já era.
— Seu pai sabia?
— Não sei. A única coisa que eu sei é que aparentemente alguém lá dentro conhece Naveen e quer que ele se de mal ou pelo menos quer me ajudar.
— Mas quem poderia ser?
— Não sei, também não quero saber, só quero sair dessa vida, eu não aguento mais isso
— Seu marido se chama Naveen?
— Ele é indiano
— Ah...sim
— Então, depois disso ele me obrigou a voltar para casa e ser a “esposa perfeita” dele, meu pai preso… e eu usei o dinheiro dele para tirar a minha mãe de casa e deixar ela em um lugar seguro, longe disso tudo, foi assim que comprei essa casa, mas quando ele descobriu tirei ela daqui e ela foi morar com uma tia minha em Paraty. Tentei pagar a fiança do meu pai, mas ele disse que se eu fizesse isso quem ia pagar era minha mãe. Mas de qualquer forma depois que acabei a faculdade, como você já sabe, comecei a trabalhar, mas foi para poder mandar dinheiro para ela e juntar para a fiança do meu pai. Também paguei uma linha de telefone para poder me comunicar com a tal agência, e foi assim que essa confusão começou
— Porque ele descobriu de novo
— Sim, roubei códigos militares de bombas atômicas que ele comprou, desviei a compra dele, fiz os vendedores entregarem a mim, mandei minha mãe se esconder e fugi dos capangas dele, ou achei que tinha fugido né. E foi assim que explodiram nossa casa.
— Sua casa — disse Barbara olhando para baixo
— Olha — disse Laura chegando perto dela e se abaixando ao lado de onde ela estava sentada — eu sei que você está chateada comigo porque eu menti para você…
— Você me escondeu quem era você! Você vivia uma vida dupla enquanto estava me pegando e quando achou que estava bom o suficiente para você, ou sei lá o que você pensou começou a namorar comigo e me chamou para morar com você quando meus pais me expulsaram, isso é muito mais que mentir!
— Eu sei...- disse pegando na sua mão — mas eu estava é tentando te proteger disso tudo, dessa loucura, por isso a casa, por isso fugir, por isso ser uma agente para incriminar ele. Porque antes de eu saber disso tudo eu sabia que eu estava apaixonada por você, desde o primeiro dia da faculdade, que eu queria me casar com você, ter uma vida com você e que eu não podia fazer nada disso se eu estivesse presa nessa loucura toda.
— Seis anos … a gente está junta a seis anos, e oficialmente namorando a dois meses e duas semanas.... Você sabe como eu sou e que eu quero tudo isso como você e com você, por isso mesmo que você devia ter me contado- disse a loira com lagrimas nos olhos olhando para a ruiva ao seu lado.
— Eu sei, mas eu...
Um barulho ensurdecedor começou a vir de fora da casa e foi ficando mais alto quanto mais perto ficava.
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