Laura
1 Amizade
Epílogo
— Correndo nessa velocidade acha que consegue me alcançar John — Debochou a menina de cabelos castanhos que a luz do sol, ficavam em vermelho fogo. — Você é um marica mesmo em!
— Ei! Isso é injusto — Retrucou o garoto de cabelos negros como ébano que visivelmente corria com dificuldade. — Minha perna tá machucada!
— Mesmo se não estivesse você ainda não me alcançaria. — A Garota sorriu e parou de correr, virou-se em direção a John e o observou se aproximar. — É tipo a Lebre e a Tartaruga… e é claro você é a tart…
Antes que ela pudesse terminar, John tentou correr com todas as forças que ainda tinha em seu corpo, a garota percebeu e tentou se virar para correr, mas antes que o fizesse o corpo de John bateu com força contra o seu, e ambos caíram no chão com um “Bac” surdo.
— Ai! seu desengonçado! — Guinchou a garota, saindo debaixo dele enquanto se punha em pé e esfregava a parte traseira. — Dá proxima vez freia!
— Foi mal Laura — Ele sorriu e se colocou sentado, seu joelho sangrava um pouco. — Foi a adrenalina do momento…
Duas pessoas se aproximaram de entre as arvores do local, uma garota de cabelos negros, e um garoto de cabelo acastanhado.
— Nossa… — Disse a garota — Vocês estão bem?
— Sim, estamos… — Respondeu Laura — Só os joelhos dele machucaram um pouco… mas não faz mal.
— Não tem uma brincadeira em que vocês não se machuquem? — Disse o outro garoto. — Meu Deus.
— Em que não nos machuquemos!!? — Respondeu John irritado enquanto se levantava. — Ela que sempre me machuca!
— Atá né seu animal, eu que se joguei em cima de você? — Retrucou Laura que já estava com o rosto vermelho de fúria. — E além de tudo, só foi um machucadinho…
— Um machucadinho? — Respondeu o John de rosto vermelho também e já estava em pé. — Joelho sangrando, Pé machucado, braço dolorido, cabeça dolorida!
— Tudo, foi, sua, culpa. — Disse Laura em tom de deboche, pausando a cada palavra. — Acho que vou te emprestar uns vestidos meus, seu marica.
— Olha aqui garota mimada da cidade — Ele apontou o dedo para o rosto dela. — você chegou aqui a pouco tempo e já tá se achando muito!
Laura abaixou a mão dele estressada, ambos já estavam prestes a voar em cima do outro, porém os dois outros amigos que até agora só estavam rindo, foram para cima de ambos e os seguraram, a garota segurou Laura e o garoto John.
— Me solta Kerah! — Gritou Laura cheia de ódio. — Só porque ele é um homem acha que vou ter medo dele, esse marica!
— O que!? — Retrucou John ainda mais nervoso — M-mesmo se eu fosse mulher, você não poderia comigo!
— Meu Deus, que resposta foi essa? — Zombou Kerah. — E Alias, vamos parar com essa...
— briga de amor e ódio? — Continuou o garoto de Cabelos castanhos e riu. — Só pode ser isso.
Diário
Laura não entrará no grupo a muito tempo, faziam apenas alguns meses. No dia em que ela chegou todos aguardavam para ver quem seriam os novos moradores da vila, era uma vila pequena, onde o chão era arenoso e era envolta de natureza, eles eram praticamente os únicos jovens que esperavam lá, por isso Laura foi rapidamente ao encontro deles, na visão deles era uma menina mimada e desengonçada, porém, Laura mostrou que não era nada do que eles pensavam, Inicialmente eles fizeram testes com ela, para ela entrar no grupo.
Primeiro teste de Laura.
Laura estava em uma noite, dentro de um lugar cercado, perto de um galinheiro, o qual pertencia a sua avo, ela fora morar com seus avos e seu pequeno irmão enfermo naquela vila, pois seus pais haviam morrido, ela tentara não demonstrar a tristeza na frente dos amigos, porém sempre que estava sozinha se afogava nas lembranças e nas lágrimas. Eles mandaram ela esperar ali, pois seria ali que ocorreria o primeiro teste, já se passará 10 minutos e eles não apareceram, isso preocupou Laura, mesmo que fosse de sua avo, ainda assim era longe de sua casa, era quase na floresta e era cercada por cercas, mas diziam que isso não impedia que os coiotes o atravessassem, ela nunca viu um coiote, pois ela morava na américa do sul com seus pais, tudo estava em silêncio até ela ouvir um som que pareciam com barulhos de cachorros sendo maltratados.
— Quem está ai? — Ela gritou e o barulho foi se aproximando, ela viu 3 vultos vindo em sua direção com alta velocidade, ela se virou e tentou correr mas assim que deu o terceiro passo, uma mão segurou em seu braço, fazendo com que quase caísse no chão, ela se virou para ver quem foi que a segurou e viu o rosto de John na noite. — S-seu maldito!
— Se assustou? — Disse ele tentando falhadamente segurar a risada, enquanto os dois que vinham atrás caíram na gargalhada. — Tem medo de coiotes é?
— Vocês são bem bobões em! — Disse ela estressada- Então, que tenho que fazer?
— A primeira tarefa vai ser simples — Disse a voz de Kerah, que se aproximava junto da garota em direção a Laura. — Vai ter que entrar dentro da casinha e pegar os ovos…
Laura suspirou e soltou um risinho.
— Só isso? — Ela se desvencilhou do braço de John. — Isso é simples.
— Siim. — disse a garota. — Então pra complicar, trouxemos isso… — Ela tirou algo do bolso e mostrou aos outros, era um pano. — Vamos vendar você.
— O-o que? — Disse Laura tentando conter o nervosismo. — M-mas…
— Que foi? — Zombou John. — Tá com medinho é?
— Medo? — Laura se irritou e puxou o pano da mão de Kerah e rapidamente tentou amarrar em seu rosto, mas não conseguiu, então entregou de volta a Kerah, corada. — P-pode amarrar?
— Kerah suspirou e vendou os olhos de Laura, e depois de ter certeza de que ela não via nada, a levaram até o galinheiro e entregaram uma cesta que estava próxima dali, para ela.
— Você tem que pegar no minimo quatro ovos… — Disse Kerah — Mas se quiser, pode passar disso…
— Aposto que ela não vai conseguir pegar nenhum… — Resmungou John.
— John, se acredita tanto nisso… — Disse Kerah — Então os ovos que ela conseguir pegar, podem ser quebrados em sua cabeça?
John pareceu surpreendido por um instante, mas logo se recuperou.
— O-ok… — Ele forçou um sorriso. — Eu topo.
Kerah ajudou Laura a entrar no Galinheiro, soltou-a e trancou a porta.
— Eu tenho que conseguir. — Murmurou Laura para si mesma enquanto tentava ignorar o cheiro horrível do galinheiro, se abaixou tentando sentir algo. — Achei!
Era algo macio, não era duro como deveria ser um ovo, ela soltou bruscamente a coisa que segurava quando ouviu a mesma soltando um pio, ela soltou um grito leve de susto mas voltou a procurar, não demorou muito para sentir algo que se assemelhava bastante a um ovo, mas assim que ela o puxou, sentiu várias picadas em sua mão, o que a fez largar o ovo, ela continuou tentando e conseguiu pegar alguns ovos, ela já havia contado 5, mas não sabia quanto tempo já estava ali. ela se levantou e gritou.
— Terminei! peguei os ovos! — Assim que ela terminou de falar ouviu a porta se abrir e alguém se aproximar, a pessoa tirou sua venda e ela viu que era Kerah, ela estava sorrindo. — Consegui!
Kerah soltou um sorriso e segurando sua mão, levou-a para fora do galinheiro de cheiro insuportável.
— Parece que alguém se ferrou. — Disse olhando para o John. — Joohn…
O Som de deboche era visível no seu tom, ela estava feliz com isso, John se aproximou devagar e como prometido os 5 ovos foram quebrados em sua cabeça, todos por Laura, que fez isso com todo o gosto.
— Isso foi ótimo. — Disse Laura sorrindo, enquanto voltavam para a vila olhava toda hora para John e mesmo que ele estivesse todo sujo de gemas, Laura achava ele bonitinho. — E então John, gostou da gemada?
Ele soltou um grunhido e não respondeu, eles foram até a vila zoando John, fazendo piadas com relações a ovos e galinhas, eles se despediram de Laura em seu portão, ela já sentia que eles eram os seus novos amigos, ela confiava neles.
Segundo teste
— Até que enfim chegou! — Gritou John, a medida que Laura se aproximava. — Sua lesma Manca!
— Não enche seu marica — Laura suspirou — Tive que convencer meus avos que iria dormir na casa de uma amiga…
— Meus pais conhecem os seus avos, mesmo que bem pouco. — Disse Kerah. — Por que não disse que seria na minha casa?
— Bem… sem ofensa mas, vocês não são as pessoas mais comportadas da vila…
— Hm, mas você tá tentando entrar no nosso grupo…
— Sim, e é exatamente por isso!
As duas sorriram e os dois garotos ficaram olhando-as, eles se aproximaram um do outro fazendo quase um circulo.
— Então Laura… O segundo teste consiste em acampar na floresta… — Disse Kerah e Laura ficou tão surpresa que não conseguiu esconder, mas logo Kerah continuou. — Não se preocupe, acamparemos com você e também John trouxe uma barraca e Dave também.
— Ufa… — Laura não conseguiu esconder seu alivio.- Que bom…
— Ahh Laurinha tava com medo de dormir aqui só é? — Zombou John. — Medrosa…
— Parou, não quero outra discussão! — Disse Kerah e olhou para Laura. — Bem Laura, já montamos tudo e você vai dormir na minha barraca. — Ela olhou para o alto. — Já ta escurecendo, vem.
Ela puxou Laura pelo braço que sem reagir foi junto, até chegarem em duas pequenas barracas que estavam alí, no meio de um lugar sem muitas árvores na floresta.
— Vem. — A Garota soltou a mão de Laura e entrou na barraca, Laura se sentou no chão da barraca e Kerah deitou-se, como se estivesse experimentando. — Não é tão ruim.
Ela sorriu e se sentou, olhando para Laura.
— Então, sabe por que o segundo teste foi aqui?
— Hmmm… porque é uma floresta?
— Também… Mas há uma lenda nessa floresta…
— Lenda, qual lenda?
— Uma lenda que a muito tempo, existia uma seita na vila, e essa seita fazia rituais com garotas aqui…
— C-como assim? — Laura não conseguiu disfarçar seu desconforto e tremeu levemente — Tipo… assassinaram alguém?
— Sim, mas isso faz muito, muito tempo.... bem aqui onde estamos acampando mesmo… diz a lenda que homens que se vestiam com capuzes e roupas pretas traziam suas vitimas para cá para completarem rituais satânicos…
— N-nossa… Meu irmãozinho que iria gostar de ouvir e-essa historia…
— Hmm talvez, isso é só uma lenda… — Disse Kerah e olhou ao redor da barraca, supostamente procurando a sombra dos garotos. — Eles já devem ter ido dormir… medrosos, alias Laura, por que você nunca trás seu irmão?
— Ah… é que ele tem um problema raro de saúde — Ela suspirou. — Mesmo que ele seja gêmeo ele não se parece muito comigo sabe… o corpo dele não se desenvolveu tanto e é frágil…
— Ah, entendo… sinto muito.
— Tudo bem…
— Bem, vamos dormir?
— já estava ficando tudo escuro, Laura não tinha percebido isso e ela não conseguia ver muito de Kerah na escuridão.
— Tudo bem… boa noite Kerah — Ela se deitou e sentiu Kerah deitar-se também.
— Boa noite Laura…
Laura demorou um pouco para adormecer e teve sonhos estranhos, se sentiu estranha… como se estivesse sendo observada ou algo assim, ela acordou de um pulo quando ouviu algum barulho fora da barraca, ela ouviu pequenos sussurros e rapidamente porém silenciosamente, tentou acordar Kerah.
— Que que foi? — Disse Kerah e Laura pediu baixinho para que ela falasse baixo — Aconteceu algo?
— Tem alguém lá fora… — Disse Laura e se ajoelhou na barraca. — Eu ouvi barulhos e sussurros…
— Ah, deve ter sido algum animal ou sei lá…
— Animais não sussurram! — disse com tom firme porém, baixinho.
— Bem, eu vou ir lá olhar — disse Kerah se levantando, mas Laura agarrou seu braço.
— Não vai não por favor
— Tenho que ir ver....- Kerah tentou se desvencilhar, mas Laura segurava seu braço com muita força.
— Então deixa eu ir junto, por favor!
— Tudo bem… — Disse Kerah ainda com Laura agarrada em seu braço, Laura se levantou, estava um breu. — Se segura em mim, eu já estou acostumada com o escuro…
Laura a obedeceu de bom grado, não pensava em soltar do braço de Kerah, elas saíram da barraca mas não viram nada.
— Viu, não tem nada. — Kerah se preparou para voltar, quando ouviu um som, Laura também ouviu, pareciam passos. — Tem alguem se aproximando…
a uns 4 metros dali, perto das árvores, Laura viu, um ser segurava uma lanterna e estava trajado com uma roupa toda preta, ele viu ela também e assim que Laura percebeu que ele fez menção de que ia correr em sua direção, segurou com força o braço de Kerah, mais ainda do que segurava antes e correu em uma direção aleatoria, sem conseguir ver nada.
— O que foi Laura!? — Disse Kerah enquanto tentava se desvencilhar da mão de Laura. — O que aconteceu?
— Eu vi algo na floresta! — disse Laura se esforçando, sem parar de correr. — Você não viu!?
— Do que você tá faland… — Kerah se calou do nada, Laura que também parou bruscamente caiu no chão derrubando Kerah também, ela ia perguntar por que da amiga ter parado, porém teve sua pergunta respondida quando o ser encapuzado e com a lanterna estava a sua frente, ela não conseguia ver o tamanho dele, pois a noite o camuflava levemente, Laura ouviu um som estranho de Kerah, era estranho pois quando ela estava muito assustada, parecia que ela estava rindo, Laura sem pensar muito pegou uma pedra que sentiu em seus dedos e quando o ser chegou perto, bateu ela com força naquilo que jugava ser seus pés, o Ser guinchou de dor e soltou a lanterna, Laura se levantou no exato momento que o ser caiu sentado no chão e em um ataque de fúria e medo pegou a lanterna e começou a bater no Ser encapuzado com força, O ser gritava de dor e Laura sentiu alguém segurá-la por trás.
— Laura para! — Era a voz de Kerah, ela segurou Laura com força e a mesma deixou cair a lanterna. — É só o John ou o Dave!
Laura demorou um pouco pra raciocinar mas quando conseguiu, se abaixou e pegou a lanterna, mirando na cara do Ser que agora tirava o manto meio tremulo e se revelava ser John
— V-você é Louca! — Disse ele, se levantando e ficando de frente a Laura. — Porque você não agiu como uma garota normal e simplesmente saiu gritando!!
Laura não conseguiu responder, estava assustada demais para isso, outro ser encapuzado saiu da floresta e na hora que viu eles, tirou o manto negro.
— O que aconteceu — Disse Dave. — O que é isso?
Ambos, Kerah e John olharam para o garoto, Kerah estava sorrindo e John estava sério, Mas ambos como se tivessem combinado disseram Juntos.
— Laura sendo Laura…
Laura corou. Eles voltaram para as barracas e lá voltaram a dormir.
Antes do terceiro teste
— Primeiro, ela que parou no meio do caminho! — Disse John, logo após ter levado a queda com Laura. — Ela parou do nada!
— Eu simplesmente virei e olhei para ver onde você estava!
— Mentirosa! Você olhou querendo zombar de mim!
— Deeus, Aja paciência — Exclamou Kerah irritada — Vocês não podem ficar um segundinho sem brigar?
Laura e John trocaram olhares e disseram em unisom
— Não!
Isso irritou Kerah ainda mais, ela estava a ponto de explodir, mas antes que dissesse algo foi surpreendida por Dave.
— Acho que eles se gostam. — Disse ele sorrindo. — Quem tanto briga, sempre se gosta…
Os dois estavam prestes a negar, mas surpreendentemente quem negou não foi eles.
— Não! — Disse Kerah em tom estressado, e ao ver que todos a olhavam, corou. — Quer dizer… isso é bobagem…
— Sim! — Disse Laura.
— Com certeza. — Continuou John.
— Então tá né… — Disse Dave.
— E então Kerah, como vai ser o terceiro teste? — Disse Laura, tentando quebrar o clima tenso.
— Você vai ver — Kerah sorriu. — Dependendo de como você é, esse pode ser o mais fácil, ou o mais difícil.
— Entendo… — respondeu Laura mesmo que sem entender nada. — e vai ser quando?
— Amanhã, eu vou passar na sua casa e te levar no lugar do teste, tá bem?
— Tá bom… eu vou te esperar do lado de fora…
— Ainda tem vergonha da gente?
— Não! nunca! é que se meus avós souberem o que estou fazendo… eles não me deixariam sair de casa…
— Entendo… tudo bem então.
— Bem gente, eu vou indo… — Disse John.
— Mas já? — Falou Laura. — Medo da noite é?
— Não… Eu só tenho que ir… — ele deu tchau para os amigos e correu rumo a vila.
— Nossa… — Resmungou Laura — O que foi isso…
— O Pai de John veio passar um tempo na vila hoje…
— Que legal, mas qual o problema?
— Ele é um homem bravo… — Foi Dave que respondeu.
— Sim, ele é um Policial… bem, era — Kerah suspirou.
— Era?
— Sim, ele está prestes a perder o emprego… — Disse Kerah.
— Nossa, por quê?
— Aqueles assassinatos que te contei… Eram reais…
Aquilo foi um estrondo no coração de Laura.
— Como a-assim? a seita? os seres encapuzados?
— Não foi totalmente assim… — Dave ficou calado então Kerah continuou. — Não faz tanto tempo como eu disse, faz alguns anos, três assassinatos ocorreram na floresta…
— N-no local em que dormimos? — perguntou Laura tremendo.
— Claro que não, nem foi nessa floresta, foi em outra… isso faz mais de 8 anos, mas o pai de John nunca descobriu quem foram os assassinos… e ele era o encarregado do cargo
— Oito anos atrás… meu pai morava aqui nessa época… ele nunca me contou nada…
— Por que ele contaria? — Suspirou Kerah e Dave soltou um leve bocejo — Bem, o caso é que 3 garotas foram encontradas mortas lá, mas claro, em épocas diferentes, e já não bastava isso, ainda o velho não tem nem condições de continuar no trabalho, bem ele não prende ninguém e nem resolve um crime faz um tempão… e ainda mais essa coisa no currículo dele, não ajuda em nada… — Ela suspirou.Entendo… coitado…
— Sim… tenho pena é do John…
— Bem garotas, eu vou indo — Disse Dave se levantando e o tempo já estava ficando escuro. — Vão ficar ai?
— Eu preciso ir também… — Disse Laura que também se levantou e logo Kerah levantou-se também. — Vai também Kerah?
— O que eu ficaria fazendo aqui? — Ela suspirou. — Vamos.
Os três foram juntos até a vila e começava a chover levemente quando Laura chegou em sua casa, se despediu de seus amigos e entrou, Novamente sentiu-se feliz por ter amigos, ela sentia como se fizessem parte de sua familia…
Terceiro teste.
Kerah como prometeu, passou na casa de Laura naquela tarde cinzenta e juntas foram até o local do teste, quando chegaram Laura viu os dois garotos sentados em uma toalha e um pouco mais ao lado deles um belo lago raso de águas cristalinas estava, em cima das toalhas havia uma cesta. Laura e Kerah foram até os garotos e se sentaram juntos e então Kerah começou.
— Esse é o ultimo teste, esse teste será diferente dos outros… nesse teste iremos contar todos os nossos segredos.
Os dois garotos ficaram ainda mais surpresos que Laura.
— C-como assim? — Disse John — Nunca fizemos isso!
— Se não tem coragem, pode sair — Disse Kerah.
— Eu vou ficar… — disse John — Mas você também contará…Sim, eu vou… — Respondeu Kerah. — Você pode começar?
Com uma cara ranzinza John assentiu.
— Bem meu pai está quase perdendo o emprego, isso não é segredo, praticamente todos da vila sabem disso, nem estão mais dando casos pra ele… e bem, se isso acontecer eu não vou poder ficar mais na vila… — Todos fizeram sons de indignação porém não o atrapalharam. — minha mãe recebe a pouca pensão que o meu pai dá e se ele não tiver mais a capacidade disso, eu vou ter que ir morar com meus avós… eles moram longe daqui, eu não sei bem onde é, mas é bem longe…
— Droga você não pode ir embora! — Laura estranhamente foi a primeira a protestar e corou imediatamente, porém logo Kerah também protestou.
— Não tem nenhum jeito de ficar aqui? — Ela perguntou, porém ele só balançou a cabeça, dizendo que não. — Que droga!
— John, você é meu melhor amigo cara… não pode ir embora…
— Eu sei… eu também ficaria muito mal em ir, porém, como não sou só eu a revelar um segredo… é sua vez Dave…
Dave assentiu e Laura percebeu que ele começou a tremer levemente.
— Olha, talvez depois que eu contar isso, alguns de vocês vão parar de falar comigo. — ele suspirou porém continuou e olhou para o John. — Principalmente você John, eu não consigo mais esconder isso, é realmente tenso e não dá mais… é que na verdade… eu...eu… bem, eu não sinto atração...bem, por garotas…
Laura ficou surpresa mas não mais que John que arregalou os olhos.
— V-você é Gay? — Disse John que ficou totalmente surpreso. — N-nossa, eu nunca imaginei isso… não você…
— Eu também não… — Disse Kerah. — Mas por mim… você é meu amigo cara, e nada vai mudar isso…
— Pra mim também não.. — Disse Laura.
— E você John? — ele olhou para john, ainda tremendo e John o encarou. — John…
— Você… — John se aproximou lentamente do garoto, Laura viu seus punhos tremerem e quando levantou os punhos Laura viu que ele iria acertar um murro na cara de Dave, porém se surpreendeu, pois ao invés de um murro, Dave recebeu um abraço de John — Como eu poderia ficar bravo com você? você é meu melhor amigo, meu irmão menor… — ele sorriu e fez um cafuné em Dave — Não se preocupa com isso não… — John voltou a se sentar e Dave o olhou sorridente.
— O-obrigado… — ele corou e abaixou a cabeça e logo olhou para Kerah. — Sua vez…
— Laura, Pode ir primeiro? — Disse Kerah e Laura assentiu. — Obrigada.
— Hmm bem, eu não tenho um segredo realmente meu, meus pais faleceram por isso vim para cá, eu e meu irmão, ele é bem doente e quase não pode sair, então o maximo que posso fazer é contar para ele sobre nossas aventuras e ele se anima muito com tudo isso, eu sou uma heroína pra ele — Ela sorriu. — Porém os médicos dizem que ele tem muito pouco tempo de vida e isso me deixa bem mal, eu realmente não quero perder ele… lembro que quando eramos pequenos ele tinha um problema… — Ela dizia aquilo como se não estivesse alí, e sim em outro lugar — ele não tinha a noção do certo e o errado, ele vivia machucando os animais que tínhamos… porém um dia eu conversei com ele e nós criamos laços tão fortes e ele até parou de machucar os animais, eu confesso que antes tinha medo dele, porém no dia em que conversamos ele foi tão gentil comigo… eramos tão iguais naquela época… antes da doença, antes de tudo. — ela já estava chorando e seus amigos a abraçaram com força. — desculpem… eu não contei um segredo meu…
— Tudo bem Laura… — disse Kerah e eles pararam o abraço. — Bem agora é minha vez…
todos assentiram e trêmula, Kerah começou.
— Eu nunca tive coragem de contar isso para ninguém, Mas esses testes que não serviram só para Laura mas sim para todos nós nos aproximaram ainda mais… Nós rimos muito, nos divertimos muito, somos como uma familia, vocês são a familia que eu não tenho… — Laura a olhou surpresa, sem entender. — Meus pais e meus avos morreram… uma amiga da minha mãe cuida de mim, mas ela me trata mal… — Kerah apertou a toalha com força e voltou a falar. — E minha revelação é que… o namorado dessa mulher… o marido! daquela vadia, já… — Lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Kerah. — Ele já…
Laura percebeu que as palavras não sairiam, mas ela como todos compreenderam e então solidariamente foram até a amiga e a abraçaram.
— Como assim!? — Urrou John. — Esse cara ainda faz essas coisas com você!!!?
— Nós temos que denuncia-lo! — Disse Dave, cheio de ódio — Esse canalha tem que pagar!
— Sim! — Disse Laura em um tom solidário. — Nós vamos sempre estar com você, ok!?
Kerah caiu ainda mais no choro e eles apertaram ainda mais o abraço
— Eu sinto que posso confiar em vocês. eu amo tanto vocês, tanto! — Disse Kerah e também os abraçou. — Ele nunca fez de novo, nunca…
Eles ficaram abraçando-a por um tempo até sentirem que ela estava totalmente recuperada, Laura percebeu que aquele teste não era para ela, e sim para a Própria Kerah.
— Tá anoitecendo — Disse Kerah. — acho que devemos ir para casa…
Todos concordaram e se levantaram, mas assim que ficaram em pé, ouviram um barulho vindo do mato atrás deles.
— Quem tá ai! — gritou John com uma voz visivelmente assustada e ao não obter resposta continuou. — quem tá aii!
— Vamos, responda! — Gritou Kerah e Dave se aproximou lentamente do lugar em que fez barulho, porém o barulho se repetiu e todos sairam correndo dali, Os dois garotos e Kerah, foram em uma direção para a floresta porém Laura foi em outra. Depois de muito correrem os garotos perceberam a falta de Laura e então começaram a olhar ao redor para ver se a achavam, porém, não viram sinais dela.
— Onde será que ela foi? — Disse Kerah. — Alguém a viu?
— Não, eu pensei que ela estava com a gente… — Disse John. — O que será que era aquilo nos matos?
— Sei lá, um coiote talvez — disse Dave. — algum animal selvagem.
— Temos que procurá-la! — Disse Kerah firmemente e todos eles foram em uma direção, procurando-a e chamando por seu nome. — Laura!
Depois de algum tempo procurando eles ouviram algo que se assemelhava a choro, eles foram em direção do som e encontraram, Laura estava deitada no rio raso, e junto com a pouca água que escorria, havia um liquido vermelho que saia do corpo de Laura, eles desceram até o pequeno rio com cuidado e foram até Laura, de longe não era visível, mas de perto podiam ver que sua perna estava quebrada.
— D-dói demais… — Sussurrou Laura chorando. — Dói…
— Temos que te levar para um médico! — disse John desesperado.
— Não adianta… eu sei que não… — Disse Laura ainda chorando. — Eu sonhei com isso…
— Sonhou? com o que? — disse Kerah.
— Sonhei com minha morte…
— Laura não diga isso! — urrou John que também começava a chorar. — Laura por favor não!
— Laura por favor fica! — Disse Dave pela primeira vez, ele estava sem voz. — não faça isso com a gente…
— Laura!!! — Disse Kerah também chorando. — Por favor não!
Os pedidos de nada adiantaram, Laura morreu naquela noite, vazia, molhada e escura… Eles enterraram o corpo de Laura ali mesmo, perto daquele local.
Diário
Pobre Laura, enterrada ali, por aqueles garotos, porque foram tão cruéis e traiçoeiros?
John abriu os olhos bruscamente e se deparou com o teto de sua casa, ele se levantou e olhou no espelho, não havia um dia que ele não se lembrava daquilo, aquele dia, Laura..., já haviam se passado dez anos e mesmo assim ele ainda sentia a dor no peito, uma dor profunda e cruel. Ele tomou banho e vestiu sua roupa, ele seguiu os passos do pai e se tornou um admirável investigador, vestiu as roupas e saiu de casa, morava sozinho, sua mãe havia falecido e agora a casa era dele, ele foi para o trabalho a pé mesmo, pois não era tão longe, ele estava em um caso que ainda não havia solucionado, teria ele o mesmo destino do pai? fazia tempo que ele não se encontrava com seus antigos amigos, mas nunca os havia esquecido, quando terminou seu expediente ele saiu do trabalho e voltou para casa.
O ônibus de viagens acabará de chegar na cidade, não haviam muitas pessoas dentro dele, não passavam de seis, no fundo, no ultimo banco, uma mulher de cabelos castanhos escrevia atentamente em um pequeno diário que segurava cuidadosamente, ela se levantou quando percebeu que haviam chegado e desceu do ônibus agradecendo ao motorista, ela suspirou sentindo o cheiro do local, era tão nostálgico. Ela sabia onde deveria ir em primeiro lugar, Sim, Laura sabia.
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