Tive um sonho estranho esta noite. Não entendi direito o que acontecia. Na verdade, quase me pareceu que eu estava acordada! O que é, tecnicamente, impossível. O sonho era dividido em duas partes. Vou conta-las.

Parte I:

Eu estava deitada, de repente acordava. Mas estava tudo no lugar, era simplesmente o meu quarto, então eu respirava aliviada. Eu me levantava, abria a porta e me dava de cara com um cenário todo branco ladrilhado, como um hospital. Tinham marcas de mãos espalhadas por todos os lados, marcas vermelhas, como se fossem sujas de sangue. Fui andando, calmamente, até que vi um ser disforme, com uma camisola de hospital, correndo em minha direção. Ele não possuía pelo algum, porem era dotado de veias pulsantes por todo o seu corpo. Veias azuis e pulsantes. Tão pulsantes que eu podia as ouvir pulsar em meus ouvidos. Isso sem falar nos dentes, que eram pontudos, afiados como dentes de tubarão – e, meu Deus, ele possuía tantos! Lembro-me de pensar em quantos segundos ele levaria para deformar meu corpo, quando ele rapidamente veio para cima de mim e começou a fazer o serviço. E eu acordei. Felizmente.

Parte II:

Eu acordava, mas estava imóvel. Em pé, percebi. Não conseguia mexer sequer um musculo, apenas os olhos – os olhos, veja bem, não as pálpebras. Com um rápido movimento de olhos, consegui perceber que estava cercada de girassóis, do topo da cabeça – e acima dela – à ponta dos pés. Minhas mãos se cruzavam sob meu peito, mas por alguma razão eu não conseguia mexê-las, nem com todo o esforço do mundo. Percebi também que atrás de mim, onde eu apoiava as costas, estava algo aveludado e, ao redor das flores, havia madeira. Na minha frente, uma tampa de vidro. Meu Deus, aquilo era um caixão! Eu queria gritar, me mexer, empurrar aquela tampa, quebra-la e sair correndo, mas de repente chegou algo que me fez ficar mais imóvel ainda. Era um palhaço! Mas não era um simples palhaço — era a coisa mais horripilante que eu já vi na vida. E ele ficava lá. Levemente inclinado em minha direção, me olhando e sorrindo, com aqueles dentes pontiagudos.

Acordei nesta parte, felizmente. Mais alguns minutos e eu não sei realmente o que faria. Teria um dia realmente cheio — o corpo devorado por corvos era realmente o de Tony. Eu teria de ir ao enterro e depois passar por uma espécie de "ritual" que Cassy inventou a noite e no LATROP pra limpar o local. Pra mim ela está indo longe demais.