Late at night
1 Prólogo
Notas iniciais
Ops: cap não longo, somente para mostrar o que acontece bem no início. E não, eu ainda não falei o nome da mulher.
O pub estava cheio, as risadas ecoavam, a fumaça se misturava com o cheiro de álcool. Os garçons atrapalhados, clientes irritados e alguns homens estúpidos, totalmente tomados pelo efeito de alguma bebida ingerida. Uma das muitas. No canto, no meio do caos do estabelecimento, a morena observava tudo. As reações, os sorrisos disfarçados, as conversas e as vozes. Levou à boca a taça de vinho pedida, e manchou o vidro com seu batom vermelho. Um homem lançou-lhe um sorriso do outro lado do local, e educadamente, a mulher sorriu de volta, exibindo os dentes brancos e pontudos. Levantou discretamente o recipiente, fazendo o líquido vermelho balançar, e do outro lado, o homem levantou o dele também.
Mas a sua atenção não ficou muito tempo nele. Sentados de frente para o balcão, um casal ria animado. Deveriam ter cerca de vinte anos cada um. Lançavam olharem carinhosos e ficavam de mãos dadas enquanto bebiam uma cerveja. A garota era uma loira muito bonita, de olhos azuis, e o namorado era alto e moreno, com grandes orbes negros. A mulher poderia apostar que estavam no início de um relacionamento, que infelizmente teria um fim trágico. Eram eles. Já estava escolhido.
Eles eram jovens, belos e felizes.
Não se importavam com as sombras da noite, e achavam qualquer coisa romântica. Riam de qualquer besteira e falavam coisas bobas. Ela poderia até dizer que os entendia, e que já fora assim. Com uma risada discreta, ela tomou o último gole do vinho, e observou-os sair às pressas do estabelecimento, meio embriagados. Ela já sabia tudo que aconteceria.
Iriam para casa a pé, pois não achariam táxi algum às 04h00min da manhã, numa encruzilhada deserta. Mas isso não seria problema, pois o garoto era corajoso e de família confiável, e poderia proteger a menina de qualquer coisa. Eles ririam alto por alguma piada sem graça que a menina diria que vira no jornal de manhã, antes de ir para a academia, coisa que fazia todo sábado. Eles comentariam sobre a festa que era o assunto da cidade nessa semana, e falariam sobre o vestido que ela deveria usar. Iriam debater sobre o namorado de tal fulana, e sobre o carro que o menino tinha o sonho de comprar. Sonho que não se realizaria.
Começariam então, a rir nervosos com a súbita névoa que apareceria, e falariam sobre a umidade terrível da pequena cidade, no meio de um verão tenebroso. Apenas uma desculpa para disfarçar o medo. Ele tentaria acalmá-la falando sobre o fato de querer comprar um cachorro para a mãe, e assim então, ela entraria em cena, quando estivessem fazendo a curva daquele asfalto.
A mulher levantou-se, e se ajeitou confortavelmente dentro do vestido vermelho um tanto quanto decotado. Os cabelos escuros e cacheados caíram perfeitamente em sincronia em suas costas, e os olhos de uma cor prateada ficaram negros subitamente. Deixou um dólar na mesa, e saiu do estabelecimento.
No dia seguinte, o jornal da cidadezinha de Dry Leaf comentaria sobre o destino trágico do casal. A garota, decepada e com indícios de tortura, e o garoto, filho de um grande fazendeiro, que tentara se matar depois de matar a namorada. Todos comentariam sobre o psicopata que ele era, e ele confirmaria. Ele falaria tudo que a mulher quisesse que ele dissesse. Ele saberia somente o que precisava saber. Lembraria somente o que ela permitiria lembrar. E no caso, suas memórias seriam em como convenceu a garota de ir mais a fundo dentro da floresta, e de como a torturara e depois a decepara.
Ninguém notaria o sangue que fora quase totalmente drenado do corpo da menina, ou nas marcas de mordidas. Detalhes assim passariam despercebidos após a confissão tão cruel do garoto. A perícia não investigaria nada, e as fofocas se espalhariam pela pacata cidade, enquanto ele seria enviado para a cadeia injustamente.
Com os lábios ensanguentados, os dentes vermelhos, a mulher observava em cima da árvore a cena perfeita que montara, enquanto a garota estava estirada no chão, com o namorado rindo como um maníaco ao lado.
Eles eram jovens, belos e felizes.
Mas infelizmente, naquela noite, ela estava com fome.
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