Last face
1 Minha tia não sabe chorar
Tinhamos terminado de arrumar as malas para a viagem de férias , iriamos para o Caribe, mas os planos mudaram depois que minha prima Janneth entrou em coma depois de um acidente de carro.
Minha família estava se recuperando da morte do meu tio Chris, pai de Janneth, e quando pensamos que Janne iria melhorar ela entra em coma. Ainda não sei como minha tia está aguentando esta situação por tanto tempo, sem formar um rio dentro de casa.
Alguns dias depois , Janne não aguentou e acabou falecendo nos braços da mãe, durante sua visita diária. E mesmo com a morte das pessoas mais importantes de sua vida, tia Martha quase não chorou.
No enterro de Janne , todos da família estavam presentes, até seu cachorro, Mike, estava. Eu olhava fixamente para o caixão aberto que mostrava o antigo lindo rosto de Janne, uma ruiva de boca vermelha e 14 anos de idade. Sinceramente, estava esperando que ela levantasse daquele caixão horrível e corresse para me dar um abraço de urso, como antigamente. Semanas se passaram lentamente, como se esperasse que o pedacinho de lembranças voltasse.
Meus pais tentavam consolar tia Martha, mas ela sempre fingia não estar em casa, então ficava me perguntando: será que ela transformou a casa num aquário?
Como estou de férias, nada me ocupava a cabeça e de repente minifilmes invadiam minha mente com imagens minhas e da Janne brincando no quintal, uma empurrando a outra na piscina, bebês... E cada vez que isso acontecia rolava mais de uma lágrima pelo meu rosto.
Implorei para meu pai que me levasse no cemitério, depois de meia hora de choro ele assentiu. Quando chegamos, fiquei desesperada procurando o tumulo da minha prima, passei pelo local onde ele devia estar e simplesmente não estava. Meu pai me chamou e disse que tia Martha pediu que trocassem o caixão de lugar, o que não entendi na hora. Papai me mostrou o caminho segurando minha mão, como se aquele lugar estivesse sugando sua alma a cada passo que dava. Seguimos um caminhozinho que nunca acharia sozinha, cheio de espinhos e rosas caídas pelo chão.
- Pai, tio Daniel foi trocado lugar também? – perguntei.
- Judie, não comente nada com sua mãe ou com outra pessoa sobre essa troca.
- Não precisarei , quando vierem visitar Janne , eles vão perceber.
Meu pai parou, soltou minha mão e respirou fundo.
- Minha querida, eles não vão visitar a Janne. – disse papai, com uma expressão sombria, seus olhos estavam cheios de lágrimas.
Não perguntei mais nada, embora aquilo estivesse me incomodando e muito, por que não visitariam a Janne? Ela era tão legal com as pessoas.
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