Last Wishes
2 Descoberta
Notas iniciais
Angela Rizzoli caminhava rapidamente pela rua, os únicos barulhos que se ouviam eram de seus incômodos saltos, além dos pensamentos que repreendiam a filha por não atender horas atrás ao telefonema de Maura. “Jane só pode estar dormindo e não ouviu o telefone!”, ela pensou.
De repente, ouviu um choro, não de uma pessoa, mas sim de um animal. Já o tinha presenciado antes, principalmente quando Jane não lhe dava atenção. Só podia ser Jo Friday. E de fato era, pois assim que viu Angela, o cão correu até ela, puxando-lhe a barra da calça com força.
– O que foi? — ela perguntou, e em resposta, Jo saiu em disparada de volta para a casa. Parecia até que queria mostrar algo.
Angela seguiu, e aterrorizou-se com a imagem que presenciou: Jane estava no chão, completamente inconsciente.
...
Enquanto analisava cuidadosamente o cadáver ensaguentado, Maura Isles perdeu seu foco por alguns segundos ao olhar para a porta. Por mais racional e discreta que fosse não conseguia enganar a ninguém, muito menos Vince Korsak.
– Jane vai chegar logo — ele falou.
A médica legista sorriu como se dissesse: “Tenho certeza disso”, e voltou ao trabalho.
– O que seria? — Korsak apontou para uma poça seca de cor avermelhada no carpete — Sangue?
– Preciso analisar — ela respondeu — Mas com dois tons abaixo da cor do sangue da vítima, e por ter a aparência menos densa, significa que não há glóbulos vermelhos e... — foi interrompida por uma ligação — Angela?...
A voz de Maura vacilou assim que própria ouviu soluços do outro lado da linha.
...
P.O.V JANE ON
Eu procurava Maura em sua própria casa, e depois de quase desistir, ouvi solução vindos do quarto dela- o único cômodo em que não havia vasculhado.
E lá estava ela, abraçada com o travesseiro, seus olhos cheios de lágrimas prontas para cair, inchados e com a maquiagem borrada, parecia ainda mais vulnerável. Nunca a vi daquele jeito, e olha que eu a conheço há muito tempo.
– Maur? — perguntei me aproximando, mas ela me ignorou por completo.
Logo seu celular tocou, e com certa dificuldade, devido as mãos tremulas pelo nervosismo, atendeu:
– Alô? — houve um silêncio assutador — Sim, eu vou te ajudar com o enterro, Angela.
– De quem? — eu perguntei, tentando segurar os ombros dela, mas minhas mãos a ultrapassaram, como se ela não estivesse ali, ou eu não estivesse.
– Jane precisa de um funeral digno. — ela acrescentou — Até mais tarde.
– Maura! — eu gritei — Eu estou aqui!
Mas ela afundou seu rosto no travesseiro e começou a chorar novamente. Naquele momento, minhas pernas fraquejaram e eu caí de joelhos, não senti nenhuma dor, mas só queria chorar, e eu não conseguia.
– Por favor, me escuta! — eu implorei.
Aquele silêncio me corroia, e eu nada podia fazer.
– Maura! — eu gritei com todas as minhas forças.
Se sonhos são feitos de sentimentos conflitantes, com certeza a minha vida estava um verdadeiro caos.
P.O.V JANE OFF
...
Podia-se ver uma mulher em prantos escorada em uma das paredes frias do hospital, próxima a porta de um dos quartos, mal sabiam os curiosos de que ela era a renomada Dra. Isles, mas naquele momento, agia como a frágil Maura.
– Um glioma? — ela peguntou para si mesma com um tom baixo — Por que ela?
E secando algumas lágrimas, voltou a escutar a conversa no interior do quarto.
– Ma, me promete que não vai contar nada pra Maur, nem pra ninguém! — Jane tinha a voz alterada — Quando eu morrer, todos podem sentir pena, mas não agora... Por favor, é meu último pedido.
– Tudo bem — Angela falou.
Quando Jane disse: “Morrer”, era como se uma faca tivesse atravessado o peito de Maura, e ainda por cima, achava que teria pena dela.
Maura não sabia o que fazer, sempre estava preparada para situações como aquela, mas agora era diferente. Era sua melhor amiga, sua confidente, e acima de tudo, a pessoa que ela mais amava no mundo.
Ela “despertou” de seus pensamentos quando alguém fez a menção de abrir a porta, saiu rapidamente dali, e tendo a certeza de que ninguém a viu foi embora para se recuperar do estado em que se encontrava antes de reencontrar Jane novamente.
– Vai ser como se eu nunca tivesse escutado a sua conversa- ela falou para sim mesma — Seu último pedido será atendido, ninguém precisa saber.
Agora, Maura tinha uma ideia na cabeça, e tinha que torná-la real.
"Quando você me disse que iria embora
Eu me senti como se não pudesse respirar
Meu corpo dolorido caiu no chão".
So cold — Ben Cocks
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